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Da culinária

por Teresa Ribeiro, em 28.02.15

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O António Costa estampou-se. Como líder da oposição não podia ter usado aquele qualificativo. "Diferente" foi um termo demasiado ambíguo e, não há como iludi-lo, soava a elogio. O país incendiou-se. O Governo a bater palminhas, o PS a bufar, os media frenéticos. Desde que Costa pregou aos chineses que não se fala de outra coisa. Análises, debates, opiniões elevam o caso a questão de fundo.

É assim a política. Estridente, balofa, sempre muito ocupada com os detalhes. Note-se, não estou a desculpar o Costa. Um político experiente tem que saber de culinária e há pelo menos 100 maneiras diferentes de fazer um discurso. Mas o que nunca me deixa de espantar é esta harmonia que se gera em torno de um caso político. Coordenadamente todos os que nele intervêm agem como se não soubessem o que realmente aconteceu - um discurso para investidores chineses em que o que foi dito em contexto de diplomacia económica foi aproveitado politicamente contra Costa. Nem mais, nem menos. A poeira politico-mediática do costume, sempre mais cintilante que a substância. 


21 comentários

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De Luís Menezes Leitão a 28.02.2015 às 12:46

Um político tem que saber distinguir entre quando está no governo ou na oposição. O líder da oposição faz oposição ao governo, não faz diplomacia económica. Se começa a fazer diplomacia económica na oposição, corre o risco de nunca chegar ao governo.
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De Teresa Ribeiro a 28.02.2015 às 12:59

Vejo-o como um exercício de aquecimento de um candidato a primeiro-ministro. Deste ponto de vista não o considero incompatível.
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De da Maia a 28.02.2015 às 13:04

Balofo é o adjectivo certo.
O que temos visto de Costa é balofo. Foi erguido num pedestal de menino de ouro, e tudo fez para não fazer nada. Afinal, qualquer coisa o poderia fazer cair do pedestal.
É por isso que aqui o detalhe ganha importância.
Tanto se esforçou por nada dizer, por se manter nas frases balofas, ocas, do politicamente correcto, que mereceu cair do pedestal por uma frase mal medida.

Oposição? - Costa quer apenas ser o senhor que se segue, tal como o PS só está interessado em ser o governo que se segue.
Para fazer o quê, para governar como? - Isso passaram a detalhes.

Os cartazes do PS resumem tudo a uma palavra - "Confiança".
E... lembramos Sócrates - agora nem "com fiança"!
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De Teresa Ribeiro a 28.02.2015 às 13:54

Dê-lhe duas semanas, no máximo, e já tudo passou a outras histórias. Não se iluda.
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De da Maia a 28.02.2015 às 16:21

Sim, Teresa, sem dúvida que os factos políticos pretendem ter a mesma longevidade do Facebook. Mas isso tem um preço - lobotomia cerebral.
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De lucklucky a 28.02.2015 às 13:21

""Diferente" foi um termo demasiado ambíguo e, não há como iludi-lo, soava a elogio."

Não soa a elogio foi um elogio , pois a frase elogia o contributo dos chineses para Portugal hoje estar diferente de 2011.

Obviamente isto quer dizer melhor e por causa do Governo. Porquê?

Porque já não há espaço cultural algum na cabeça das pessoas para um pais melhorar "apesar do Governo".

Porque o jornalismo é totalitariamente político ou não tem razão de existir.
Os "jornais de referência" ou são políticos , existem para promover a política, ou não são de referência.

Por causa do jornalismo as pessoas automáticamente julgam que qualquer coisa que aconteça é por culpa ou mérito do Governo.

É essa a assustadora dependência. A política em tudo, logo justifica-se tudo pela política.

Foi a Esquerda que mais construiu esta realidade, totalitária, agora só fica bem morrerem na cama que construíram.
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De Teresa Ribeiro a 28.02.2015 às 13:53

Por acaso a direita também não gosta de media amestrados, não senhor... Ó Lucky, deixe-se de maniqueismos, que isso também é coisa muito do agrado do socialismo que você tanto odeia.
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De M. S. a 28.02.2015 às 15:16

Teresa:
Este cromo não sabe senão criticar o socialismo mas vive à conta do Estado Social que lhe permite passar a vida a comentar nos blogues.
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De lucklucky a 28.02.2015 às 22:23

Se fosse verdade ainda seria melhor que você.

Se não quer que use o Estado Social - certamente usei na altura da escola e certamente usarei no futuro se ainda cá estiver - então dê-me o direito de lhe dizer não se quiser.

Mas obviamente você não aceita as escolhas dos outros, é essencial para si usar a violência do Estado para obrigar quem não concorda.

Ao invés você poderia construir uma comuna com aqueles com quem concorda e deixando de atacar quem não concorda consigo. Mas claro que não, saborear o poder sobre os outros é bom demais.

-----
Ao contrário você apesar de ser escolha sua e não violência, não tem pruridos em:

-Usar produtos e serviços das malvadas multinacionais neoliberais.
-Usar vasta tecnologia do grande satã neoliberal.
-Quer o dinheiro de "cromos" neoliberais como eu. E não tem problemas em empregar violência do Estado para o conseguir...
-É talvez empregado numa multinacional "neoliberal".

Diga-me: usa o Multibanco neoliberal? produtos de multinacionais neoliberais farmacêuticas e outras?

Se cumpre em parte ou mesmo toda a lista já tem uma vantagem sobre mim:

Não é forçado pela violência de outrem a fazê-lo.
É a sua escolha mesmo que seja em contradição com as criticas que julga fazer aos outros. Já eu não posso dizer o mesmo e por causa de pessoas como você.
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De lucklucky a 28.02.2015 às 21:50

As declarações contraditórias do Líder do PS que a incomodam não teriam saído cá para fora pela mão de jornalistas.

Durante uma semana ficaram "retidas" nas redacções.

É mais um de entre muitos sinais da dominação da esquerda no jornalismo.

E o problema não é existirem, é fingirem ser jornalistas e não políticos.

"Por acaso a direita também não gosta de media amestrados"

Não existem médias "amestrados", são todos criados por razões ideológicas.

Cria-se um jornal para influenciar a política de um país não para dar notícias.
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De da Maia a 01.03.2015 às 12:52

Há duas observações pertinentes:
Do Lucky:
- A notícia ter sido colocada pelo Nuno Melo versus o silêncio jornalístico institucional, que procura promover o golpe da alternância no arco de governação, levando Costa ao colo.
Tivesse o Lucky mais um olho, e diria ser uma manifestação clara do totalitarismo interno que alterna PS e PSD, para se manter com os cordelinhos do poder.

Do M.S.:
- A hipótese do Lucky ser um "parasita do estado" teve justificação pertinente.
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De José António Abreu a 28.02.2015 às 13:56

Se falarmos em termos genéricos, concordo contigo. Se falamos de Costa, não. Alguém que, sem se saber bem porquê, foi apresentado como o salvador da pátria, que goza dos favores da comunicação social - o director do JN até assistiu ao momento e entendeu que não constituía notícia - e que faz um discurso de ataque constante sem apresentar ideias concretas não merece grandes contemplações perante hipocrisias. Passos Coelho certamente não as tem. Aliás - desculpa a frontalidade -, raramente surgem textos como o teu quando a polémica envolve membros do actual governo.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 28.02.2015 às 15:55

Aquele evento foi organizado pela Liga dos Chineses em Portugal, que é presidida por um chinês que aparece no video chamado Y Ping Show, e que eu conheço pessoalmente há muitos anos, que vive e tem uns negócios no Porto. Que eu saiba, só lá estavam chineses que vivem em Portugal.
Por outro lado, este episódio foi durante uma semana muito bem escondido da opinião publica pela generalidade dos media, nomeadamente das tvs, que estão sempre prontas e publicar as atoardas que o Costa costuma bolsar diáriamente. Se as declarações tivessem sido publicadas na altura em que foram proferidas, provavelmente não teriam o impacto que tiveram.
António Costa está a ver o chão a fugir-lhe debaixo dos pés; como já escrevi aqui noutro comentário, os avisos da Comissão desta semana não foram feitas apenas para o governo, foram também para a oposição que quer ser governo. E a capitulação do Syrisa também o ajudou a cair na realidade, e como sabemos, o PS só sabe governar a esbanjar dinheiro. Foi assim com o governo do Guterres e foi assim com o Sócrates.
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De Teresa Ribeiro a 01.03.2015 às 10:17

"Que eu saiba só lá estavam chineses", pois e isso explica tudo (embora não desculpe o erro político que, claro, está a ser explorado até à exaustão e neste caso a comunicação social já não está a favorecer o Costa...)
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De Pior não, obrigado a 28.02.2015 às 18:18

Detalhes, mas não só.

«“O PS não pode esperar até ao verão para apresentar os seus compromissos com os portugueses. O PS tem de ter um programa o mais depressa possível.” Foi Francisco Assis quem o disse no seu habitual espaço de comentário, na TVI24, esta quinta-feira à noite. Costa tem dito que o programa eleitoral só será apresentado na primavera e, recentemente, num encontro com presidentes de federações, apontou a data de 20 de junho (último dia da primavera) como a data da convenção em que o tal programa será apresentado.

Este momento, contudo, está a deixar ansiosos alguns socialistas, como Assis, que entendem que o maior partido da oposição não pode ficar tanto tempo sem apresentar propostas concretas alternativas ao atual Governo."»

Quer-me parecer que Assis está cheio de razão. Quanto ao Costa, a única coisa que tem feito é fugir com certa parte do corpo à seringa, inclusivamente ao ir contra as suas próprias palavras e não ter optado por ser ou presidente da CML ou secretário-geral do PS. E repare-se em recente notícia, segundo a qual "Mais de metade dos 91 requerimentos que foram enviados pelos deputados municipais à Câmara de Lisboa entre Outubro de 2013 e Dezembro de 2014 não tiveram qualquer resposta."

Para melhor, tá bem, tá bem. Para pior, já basta os que lá estão.
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De Vento a 28.02.2015 às 18:48

Meta uma coisa na cabeça, Teresa: Costa vai sair vencedor nas próximas eleições. Mas tem de ser o país a puxar por ele, porque ele não vai ser capaz de o fazer por si só nem com muitos dos que o rodeiam.

Marinho Pinto, que tudo apontava para marcar o pleno, tem-se enredado em conversas de vovô em torno da questão grega que só revela que não está preparado para lidar com os tempos que já se vivem e que aquecerão ainda mais.
Todos sabemos que qualquer gajo com dinheiro, que seja honesto, paga suas dívidas. Isto não significa que haja desonestidade naqueles que as não podem pagar, como bem se provará em relação à dívida portuguesa também. Não obstante a operação de camuflagem política que este governo quer fazer ao dizer que vai "pagar" 6 mil milhões em Março ao FMI. Eles não pagam nada, TROCAM A DÍVIDA. Deixam de dever ao FMI para dever aos mercados.

Mas Costa anda muito mal, muito mal mesmo.
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De Teresa Ribeiro a 01.03.2015 às 10:28

Pois, Vento, esperava-se melhor de alguém que já não é nenhum menino nestas coisas da política. Parece-me óbvio que Costa não se quer comprometer com um discurso que a realidade, agora muito volátil, poderá pôr em causa. Mas mesmo que pelas piores razões, ou seja, mesmo que para ceder apenas ao ritmo imposto pela agenda politico-mediática, ele vai ter que arriscar e apresentar rapidamente um programa.
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De Zé a 01.03.2015 às 12:29


O Dr. Paulo Portas, chamou a atenção ontem, para uma intervenção do Dr. António Costa junto de vários investidores Estrangeiros, na sua grande maioria Chineses, onde o atual presidente da Camara Municipal de Lisboa e putativo candidato a 1º Ministro, numa postura eminentemente eleitoralista e onde o interesse superior do País foi totalmente esquecido.

Dr.P.P. - O que podem os Portugueses esperar de um candidato a 1º Ministro, que perante investidores estrangeiros, mencionou exclusivamente os pontos que apesar do esforço imenso feito pelo Povo Português, correram menos bem no nosso ajustamento, ajustamento motivado exclusivamente pelo despesismo do anterior governo?

Pergunta do Jornalista – Mas o Sr. Dr. Acha que o Dr. António Costa mentiu?

- Eu não estou a dizer que o Dr. António Costa tenha mentido, mas a verdade é que teve uma postura de bota abaixo e que omitiu, declaradamente os progressos que Portugal e os Portugueses, com imenso esforço conseguiram realizar nos últimos anos, já para não falar no retrocesso e enorme desincentivo ao investimento direto em Portugal, onde o Governo tem nos últimos anos, realizado um imenso trabalho de divulgação e apresentação de Portugal, como um País de Futuro, junto de potenciais investidores.

Bom, penso que já chega. Se fica o bicho come, se foge o bicho pega.

As notícias são como os penteados, toda a gente tem…

A verdade é que iniciou a campanha eleitoral e a partir de agora vale tudo.

Eu sou dos que não gosta de mentirosos, o que foi válido para o Sócrates, como para o Passos Coelho, mas cada um come do que gosta, Viva a Democracia.
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De Teresa Ribeiro a 01.03.2015 às 17:03

Sim, se Costa tivesse dito o contrário também lhe caíam em cima, não tenho dúvidas. Mas a questão não se coloca, pois seria completamente absurdo passar essa mensagem para os chineses.
Faltou-lhe habilidade a escolher as palavras. Em política é crucial, pois qualquer deslize pode dar nisto.
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De Zé a 01.03.2015 às 17:44


Com maior ou pior savoir faire, o homem é politico, Presidente da Câmara de Lisboa e do PS, tem inimigos de estimação, não é um malabarista do circo Chen...

O Passos ao que parece , esqueceu-se, com ou sem intensão, de pagar os impostos da Tecnoforma, é mais ou menos a mesma história, mas com sinal contrário, mas também aí as noticias escorrem...

Pessoalmente, não me admira nada que certos orgãos de informação e jornalistas, utilizem estas artimanhas, para viver, sobreviver ou o que quer que seja, até porque existe público comprador para este estilo de jornalismo.

A mim o que me espanta é a ausência de jornalistas e de orgãos de informação com a capacidade de desmontar estes esquemas e verem um pouco mais para além da espuma do momento, é quet também existe publico para esse tipo de jornalismo.

Mas enfim, fiquemos pela apagada e vil tristeza que nos caracteriza, para já é o que se pode arranjar.

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