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Foi já há algum tempo atrás que fiquei de aqui falar sobre as minhas galinhas.

Depois da capoeira pronta, avancei com vários contactos entre vizinhos e amigos e consegui reunir as primeiras cinco galinhas do meu quintal.

Havia uma preta, a Unita, de que já aqui vos falei. Morreu nova em consequência de um impulso incontrolável de um amável canideo de um vizinho. Coitado do cão, que fez o que fez, mas como bem diria um irresponsável adolescente, foi sem querer.

As outras quatro, todas castanhas, talvez mais rápidas, mais sortudas ou apenas menos azaradas, escaparam-se desse raid carnívoro. O amável melhor amigo do meu vizinho (eu acho que o vizinho é que é o melhor amigo do bicho) continua a olhar languidamente para elas. Não fosse a vedação ter sido reforçada e provavelmente já mais alguma se tinha juntado à Unita.

Faça chuva ou faça sol, as galinhas são bichos que gostam de rotinas. Desde bem cedo que correm os cantos todos do terreno, esgravatam com as patas e penicam sementes, bagos de milho, ração, plantas, terra, areia e tudo o que calha.

Os pseudo-entendidos dizem que as galinhas que vivem nos aviários e que fornecem ovos aos supermercados nunca dormem e não se mexem pois o espaço da sua gaiola é muito exíguo. A luz das instalações onde vivem estão sempre acessas de forma a que possam ultrapassar a postura de mais de um ovo por dia. Talvez isso seja apenas mais um mito urbano.

A postura destas quatro sobreviventes do husky vizinho, é razoavelmente regular. Durante a manhã todas elas depositam o seu ovo num dos ninhos.

Não é surpresa para ninguém que o conceito de higiene destes bichos seja muito diferente do dos humanos. O chão de uma capoeira é todo ele um WC total. Expelem as respectivas fezes em qualquer sitio e a qualquer hora, com um incrível aumento de evacuação durante a noite.

Para as três que dormem no poleiro todo o processo acaba por ser muito previsível e quase ordeiro, mas a outra gosta de explorar sempre novos locais de pernoita, o que cria alguns contratempos e trabalhos adicionais.

Esta problemática sacana, a que tem penas brancas nas bordas das asas, tem um nome cá em casa que deriva de uma designação de um partido político maioritário no nosso país, que não vou aqui descrever para não pensarem que sou faccioso.

E não é que a filha da mãe descobriu há uns meses que a manjedoura das ovelhas é confortável para dormir. As ovelhas, coitadas, não mostraram grande desconforto com isso, mas o trabalho adicional todas as manhãs está sempre garantido.

Foi preciso rogar-lhe umas quantas pragas e ter-lhe pregado uns sustos nocturnos para chegar à conclusão que a abordagem teria de ser outra.

E foi assim que descobri uso para uma folha de serrote velha. Com os dentes da dita virados para cima à acompanhar a bordadura da manjedoura o assunto resolveu-se de uma só vez.

Depois de ter desistido da manjedoura, o iluminado animal começou a dormir então no ninho onde todas põem os respectivos ovos - apoiada na sua extremidade com a cabeça para fora e com a cauda mesmo a apontar para o centro do ninho. A natureza trata do resto e de manhã há sempre um contribuinte que passa a limpar o estrago. Há coisas que nunca mudam.

Uma outra, a da crista torta, ficou choca pela primeira vez no ano passado. Desapareceu durante quase um mês. O esconderijo que escolheu foram uns loureiros que fazem de sebe num canto ligeiramente desnivelado. As cores da bicha e do piso coincidiam na perfeição e a camuflagem foi perfeita. Não fossem alguns os ovos terem rebolado encosta abaixo e não a teria descoberto.

Para alívio das almas veganas feministas estas galinhas nunca coabitaram com nenhum galo. Não por nenhum motivo histérico-existencial mas apenas porque os galos acordam os donos muito cedo e durante as luas cheias passam a noite a anunciar falsos nascer do sol. São por isso uma má companhia. Em consequência disto, os ovos cá de casa não são fecundados, ou como vulgarmente se diz, não são galados.

A galinha fica choca segundo um processo em que a natureza ignora os devaneios das almas veganas. Durante quatro semanas ou mais, elas ficam recolhidas e agachadas sobre os ovos. Apenas dia-sim dia-não abandonam o posto para irem comer e beber, e logo rapidamente regressam ao seu ninho. São as hormonas ao serviço da procriação.

Nesta altura faz sentido, e não tendo ovos galados, pedir ovos a um vizinho. Foi o que fiz este ano quando voltou a estar choca. A combinação foi feita com um criador aficionado que é detentor de diferentes variedades de galináceos e os ovos foram por isso uma misturada de cores.

Dos sete ovos que coloquei debaixo da galinha nasceram quatro pintos. Dois pretos de pescoço pelado, um branco minúsculo e um malhado, bem maior e de penas arrepiadas. É uma família verdadeiramente multi-racial.

IMG_7188.jpg

Um dos pintos pretos apareceu morto de manhã, no quarto ou quinto dia de vida. Os outros têm-se aguentado. Como é habitual, e fazendo jus à sabedoria popular, quando ocorre alguma altercação nos arredores todos eles, coitados, correm para debaixo das asas da galinha. É também lá que dormem.

Estão agora com cerca de três semanas e já quase não cabem debaixo da mãe. Já fazem longos passeios pelas redondezas e já aprenderam a esgravatar com as patas e em seguida a penicar o chão.

IMG_7368.jpg

Segundo indicações de entendidos, é através do seu apêndice caudal que, nesta idade, se distinguem os machos das fêmeas. A confirmar-se a teoria, o grande malhado de penas arrepiadas é macho e não chegará a galo. Lá para o final do verão já dá para assar na brasa. O mais pequeno branco e o preto careca parecem ser fêmeas e assim poderão ficar para pôr ovos, embora isso ainda seja incerto.

A minha avó mantinha as galinhas poedeiras até serem muito velhas. Estas aves são sempre secas de carnes e dão um fraco petisco. Quando são mesmo muito velhas esse efeito ainda se acentua e só servem mesmo para fazer canja mas têm de ser cozidas durante muito tempo. A minha avó, que era entendida em muitas coisas e também em cozer galinhas velhas, tinha uma técnica especial. Acrescentava uma rolha de cortiça à agua da cozedura e o bicho ficava comestível mais rapidamente. Era uma boa forma de poupar lenha.

De cada vez que alguma galinha deixava de pôr, o comentário era sempre o mesmo: “Esta já só lá vai com a rolha”. Com o tempo isso acabou por ser uma forma de se referir a alguém de idade avançada. Lembro-me do meu pai, numa risada, usar exactamente essa expressão nas eleições legislativas de 2009 que opuseram Manuela Ferreira Leite a José Sócrates.


38 comentários

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De Anónimo a 09.07.2020 às 08:03

Presumo que o sacana do cão se chamava Mpla e não quis aguardar pela velhice do bípede para comprovar que galinha velha faz canja boa!


Smoreira

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De Paulo Sousa a 09.07.2020 às 08:26

O nome que eu lhe chamo não é esse. E não vou para aqui por nenhum ex-primeiro ministro ao barulho. Alguém como Oscar Wilde, que resistia a tudo menos às tentações. Fica à sua imaginação.
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De Isabel Paulos a 09.07.2020 às 08:35

Gostei imenso deste seu regresso às crónicas do campo. Fiquei curiosa pelo nome da galinha aventureira. A avaliar pela fenecida deve valer a pena.
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De Paulo Sousa a 09.07.2020 às 09:52

Obrigado Isabel,
O nome da bicha é explicado no texto que relata o seu falecimento.
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De Vorph "ги́ря" Valknut a 09.07.2020 às 09:20

Muito bom, Paulo. E obrigado pelo primeiro sorriso da manhã. Adoro Cabidela, acompanhada por um bom maduro tinto. (mas não consigo matá-las )
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De Paulo Sousa a 09.07.2020 às 09:55

A cabidela obriga a aproveitar o sangue em estado líquido. Para evitar a sua coagulação deve-se misturar vinagre logo após a recolha.

(devia haver um emoji com um copo de vinho tinto...)
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De Isabel Paulos a 09.07.2020 às 10:15

Já tinha comentado que falta na Sapo de um copo de vinho tinto (para quem não gosta de cevada é crucial). Pensei que o Vorph ia mover os seus conhecimentos para suprir esta lacuna imperdoável.
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De Paulo Sousa a 09.07.2020 às 11:11

Era o mínimo
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De Cristina Torrão a 09.07.2020 às 09:36

Naturalíssimo, um cão atacar galinhas, ou outro bicho, dependendo da intensidade do seu instinto de caça (há alguns que estão realmente mais interessados em vigiar do que caçar). A minha Lucy, de porte pequeno (pesava sete vezes menos do que um Husky) e de uma doçura sem fim com humanos, era terrível, não podia ver nada a mexer - ratos, pássaros e mesmo ouriços cacheiros, os picos não a impressionavam minimamente. Até comecei a levá-la na trela ao jardim, se já estava escuro (os ouriços ficam activos ao escurecer).

Cerca reforçada é o mínimo. Sabendo que o vizinho tem um cão, era logo tratar disso, ainda antes de virem as galinhas. Mas, pronto, foi só uma, o prejuízo não foi muito. Se o vizinho tivesse um gato, era ainda pior.

Parabéns pelas suas galinhas! Parabéns por não depender de animais sacrificados para ter ovos e fazer churrascos de frango!
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De Vorph "ги́ря" Valknut a 09.07.2020 às 10:16

Os alemães têm umas raças beras e pequenas. Como os Schnauzer e os Pinscher
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De Cristina Torrão a 09.07.2020 às 12:26

A minha cadela era de uma raça inglesa, Jack Russell Terrier. São cães incríveis, incansáveis, curiosos, rápidos e espertos. Era uma excelente companheira, mas, nos primeiros anos, suámos as estopinhas, pois a bicha nunca se cansava. A partir dos oito ou nove anos começou finalmente a ficar mais sossegada.


Os Schnauzer são bons cães, muito fiéis. Há três espécies de Schnauzer: pequenos médios e grandes. Estes últimos são enormes, mas vêem-se poucos.

Os Pinscher são sempre pequeninos, mas muito simpáticos. Eu gosto de todos os cães, grandes e pequenos. A quem me diz que um cão pequeno não é um verdadeiro cão, eu costumo contrapor: também acha que uma pessoa pequena não é uma verdadeira pessoa?


Liebe Grüße!
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De Vorph "ги́ря" Valknut a 09.07.2020 às 13:22

Os Jack Russell são espetaculares ou não fossem eles uns Terriers. Tenho um Terrier também (um Bull Terrier muito amigo de todos os animais). Tive um amigo que teve um Schnauzer Gigante, preto. Bons cães de guarda e de família.
Os meus pais têm um Pastor Alemão. São um bocado chatos. Quando os vou visitar anda sempre atrás de mim. Até quando vou à casa de banho o cão não me deixa em paz. Mas o cão que me encheu as medidas foi o primeiro que tive. Um Cão Montanha dos Pirenéus. Gosto também dos Rottweilers mas é bicho que requer muita atenção no adestramento. Os Dobermans ao contrário do que as pessoas julgam são cães muito mais equilibrados que os Rottweilers. Os Weimeraner são também lindos (ideais para quem gosta de caminhadas) .... enfim, os alemães têm centenas de raças espectaculares.

O da Cristina é de pêlo liso ou cerdoso? Gosto mais dos de pêlo cerdoso :)

Vielen Dank
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De Cristina Torrão a 09.07.2020 às 18:30

Era uma mistura dos dois, uma variante que se chama "broken coated". Já não está entre nós desde Outubro, tinha quase 16 anos.
Teve dois grandes amigos Rottweiler. Adoravam-na

Para já, não estamos a planear novo cão. Se mudarmos de ideias, e apesar de gostarmos muito de certas raças, desta vez, iríamos buscar um rafeiro (muito provavelmente uma rafeira) a um canil.

Viel Spaß mit Ihrem Bull Terrier!

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De Paulo Sousa a 09.07.2020 às 10:27

A cerca reforçada é responsabilidade do dono do cão. Se as galinhas atacassem o cão teria de ser encargo meu.
Ele entendeu isso quando lhe disse que eu assumia o prejuízo sabendo que era a última vez que tal acontecia. Mas acaba por ser sempre uma questão de tempo.
Temos um debate cá em casa, sobre o que aconteceria se eu estivesse presente e tentasse defender o meu animal de estimação. Se o cão se virar a mim, dentro da minha propriedade, o que é que posso fazer?
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De Cristina Torrão a 09.07.2020 às 12:34

Ah, OK, não tinha pensado de quem era a obrigação de reforçar a cerca. Acho muito bem.


Defender animais de outros é sempre uma questão muito complicada. Normalmente, uma pessoa pouco ou nada pode fazer e a intervenção corre quase sempre mal. Ataques desses não se devem levar a um nível muito pessoal, porque os animais agem, claro, por vontade própria. Mas é naturalmente muito aborrecido, quando o ataque acontece por notória negligência do dono do animal atacante.
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De Luís Lavoura a 09.07.2020 às 10:38

Ainda recentemente, num jardim de Lisboa em que há galinhas (e patos, e pavões) à solta, vi um cão, que alguém lá tinha ido levar para a cerca dos cães, saltar a dita cerca e por-se a perseguir uma galinha.

A bicha conseguiu escapar ilesa, aesar de o cão a ter agarrado por diversas vezes. O cão agarrava-a mas não a matava, deixava-a fugir e depois punha-se a persegui-la novamente.

Foi uma cena do caraças. Era o cão a correr atrás da galinha e os donos a correrem atrás do cão, por todo o jardim.
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De Paulo Sousa a 09.07.2020 às 11:09

O husky meu vizinho foi menos dado a brincadeiras e mais efectivo na acção.
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De Anónimo a 09.07.2020 às 10:56

...cá caracácá, ca carácácá! Piu piu, piu, piu... , cá cará cá cá...
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De Eduardo Louro a 09.07.2020 às 11:39

Imperdíveis estas "estórias" deste saudável mundo rural que habita esta estreita faixa de terreno.
Muito bom, Paulo. Um abraço! .
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De Paulo Sousa a 09.07.2020 às 12:58

Obrigado Eduardo
Um abraço
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De Anónimo a 09.07.2020 às 11:54

Que "inveja"! Ando há anos a tentar encontrar no meu minúsculo jardim espaço para uma ou duas galinhas, mas confrontada com a grande poluição que fazem, fico logo desmotivada.
Mas gostava muito de ter uma capoeira como a sua
Dno
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De Paulo Sousa a 09.07.2020 às 13:16

Elas também gostam de ter terra e areia para comer. Quando estão a ser desmanchadas encontra-se isso tudo dentro da moela que é um filtro do seu organismo.
Ajudam também a fazer desaparecer os resíduos orgânicos da cozinha, onde se pode incluir as cascas dos seus próprios ovos.
Colocar palha ou erva no chão ajuda a limpeza.
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De mewtwo a 09.07.2020 às 13:51

Eis um muito bom texto.
Quer para um blog, quer para um livro de contos para ler às crianças.
Paulo Sousa, merece ser felicitado.
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De Paulo Sousa a 09.07.2020 às 14:23

A minha mulher também já me disse para escrever mais sobre gado e menos sobre políticos. Eu perguntei-lhe qual era a diferença e ela mudou de assunto.
Obrigado pelo comentário. A sério
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De Costa a 09.07.2020 às 15:17

O gado não age de má-fé...

Costa
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De Paulo Sousa a 09.07.2020 às 15:54

O sacana do husky não terá trincado de má-fé, mas o resultado foi tal e qual.
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De Costa a 09.07.2020 às 16:35

O resultado foi o que foi. E para si evidentemente desagradável. Ou pior. O husky não terá querido fazer-lhe mal, em qualquer caso, concordará. E não sei como o dono o trata e alimenta. Vê-se, e sabe-se de, cada coisa. Uma vez mais as leis podem ser muito bonitas, arte em que até seremos especialistas, mas se não são aplicadas - e estando os animais, por cá, no patamar que sabemos no que respeita à sua consideração por parte dos humanos - algum cepticismo, pelo menos, é legítimo. É bem mais, quanto a nós, questão de educação, de formação, do que de leis e sua aplicação.

Sem desobrigar esse dono das suas responsabilidades, nem injustiçá-lo, arrisco dizer que por fome ou (aceito que mais provável) outro apelo, foi quanto ao cão a Natureza a agir. Achamo-nos "racionais", nós, e por isso acima de tudo o resto. Ora o que traz direitos deve, deveria, trazer deveres. Desde logo o de não julgar os ditos irracionais pelos critérios que nos aplicamos. Não me interprete mal, peço-lhe, não pretendo dizer que o tenha feito.

Leio sempre com gosto estas suas linhas. Um pouco mais a norte, um pouco mais perto do mar, estão as minhas raízes e muitas das minhas memórias queridas.

Costa
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De Paulo Sousa a 09.07.2020 às 20:22

Quando fala sobre os direitos e "obrigações" dos animais fez-me lembrar da ideia que levou à revolta que antecedeu a independência dos EUA. No taxation without representation. Os colonos não tinha representação parlamentar e por isso recusavam-se a pagar impostos.
Se aplicarmos uma lógica idêntica poderíamos exigir aos animais domésticos que já tem representação parlamentar um imposto específico de forma a equilibrar esse direito. Mas depois existem os animais que não estão representados e isso não depende a respectiva espécie mas apenas das particularidades dos donos.
No fundo os que têm são a excepção e não pagando esse imposto de animal com representação parlamentar terão sempre uma presença ilegítima segundo a lógica dos colonos revoltosos da antiga colónia britânica da América do Norte.
Obrigado pela suas palavras
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De Anónimo a 09.07.2020 às 21:02

Arrisco dizer que nem todos os temas da evolução humana - aquela que não decorre da mera biologia, pelo menos - são susceptíveis de analogia ou equivalência com o restante reino animal. Por isso mesmo que uns são racionais e outros não.

Poder-se-á mesmo contestar em termos de conceito a designação, a existência, de "direitos dos animais", aceitando-se que direitos acarretam obrigações e não se pode pretender que eles, os irracionais, reclamem uns e reconheçam outros. Mas não vejo que venha mal ao mundo pela sua aceitação convencionada e aludindo a algo que não custará, a pessoas de bem, entender: se nós, os tais racionais, nos consideramos dotados de superioridade sobre os outros, nos consideramos dotados de direitos, então essa superioridade acarreta obrigações. Ou deveria acarretar.

Nem que apenas duas: a de lhes não causar mais sofrimento do que aquele rigorosamente inevitável (e não, não sou um fundamentalista vegan) e a de não pretender deles o cumprimento dos deveres próprios dos humanos.

Se os animais não podem verdadeiramente ter direitos, na construção humana que disso fazemos, temos nós o dever, pois que seres superiores, de zelar pelo sem bem-estar. E de os não julgar pelos critérios punitivos com que entre nós nos julgamos.

Não os vejo aliás, aos animais, a fazer "tea parties". Há uns humanos que as pretendem fazer por eles, pergunto-me algumas vezes se com agendas transparentes. Como há outros humanos que agem quanto a isto com assustadora, sádica e largamente impune barbárie. E transmitem orgulhosos aos que os seguem as suas práticas.

Um gosto, trocar impressões consigo.
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De Paulo Sousa a 10.07.2020 às 00:23

Coloca a coisa nos termos que considero correctos e equilibrados. Este é um tema que está inquinado e que por isso não é recomendável tratar em público sem formação em defesa pessoal, mas que tem bastante por onde debater.
Obrigado
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De Costa a 10.07.2020 às 16:59

Por minha inabilidade (há-de ter sido), o meu comentário acima ficou anónimo. Grato pelas suas palavras. É de facto terreno sensível. Ou minado.

Costa
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De Pedro Correia a 09.07.2020 às 21:22

Excelente texto, Paulo. Uma vez mais.
Parabéns. Prossegue esta série, que tem público atento e grato - como merece.
Abraço.
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De Paulo Sousa a 10.07.2020 às 00:19

Obrigado Pedro,
Tenho então de dar razão à minha mulher e escrever menos de política.
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De Anónimo a 09.07.2020 às 21:58

Muito bom.

lucklucky

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