Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Cristas e o Brasil

por jpt, em 26.10.18

109120-004-2105B1D4.jpg(o postal tem adenda)

"J'ai vu des démocraties intervenir contre à peu près tout, sauf contre les fascismes" é daquelas frases de Malraux que vingaram na Readers Digest de hoje, a wikipedia (e aviso já que não aceitarei comentários invectivando Malraux por não ter criticado Chavez e Maduro).

 

Cristas anuncia qual seria o seu voto no Brasil. Uma inutilidade, poderia ter-se escudado na não ingerência. Mas opinou, igualando as candidaturas, como se se filiando na crescente simpatia pelo bolsonarismo entre locutores da direita portuguesa. Fez mal. É certo que a sua opinião é irrelevante naquelas eleições (que aparentam estar já decididas - ilustra-o o já velho Chico Buarque terminando em lágrimas o seu discurso num recente comício da candidatura de Haddad). Mas falhou a oportunidade para explicitar o conteúdo exigível ao arco do poder.

 

Será muito difícil a uma líder democrata-cristã sentir, e expressar, simpatia por uma candidatura conjunta de um socialista (de ala esquerda?) e de uma comunista (uma comunista latino-americana, decerto mais castrista do que berlingueriana, isto usando imagens para gente mais idosa do que Cristas). Mas três aspectos poderia considerar:

 

1. o primeiro é interno ao Brasil. O PT dominou o XXI daquele país, ganhando várias eleições presidenciais. Por criticável que seja a sua governação, por evidente que seja a sua degenerescência, por problemático que seja o seu programa actual, nesse período não usou o poder para terminar o regime democrático (para o minar?, porventura; para o terminar?, não.) e não tem uma maioria no fragmentado sistema parlamentar que lhe permita hipotéticas (reais?) veleidades de lhe subverter as características essenciais. Já Bolsonaro vem anunciando, até mesmo agora, uma semana antes, um conjunto de propósitos à total revelia da democracia (prisões, expulsões, "nomeem que mais ...").

 

2. o segundo é global, a questão ecológica. Nos avessos a Bolsonaro isto nunca surge, poluída que está a "mente colectiva" pelas agendas neocomunistas, as do altergender vs cisgender, do racialismo e - neste caso em particular - do mulherismo. Se a ecologia não foi verdadeira prioridade do PT, Bolsonaro anuncia-se como campeão do seu desrespeito, em modalidades irreparáveis (direitos individuais e colectivos podem-se repor, a demência omnívora face à natureza é irreparável). Ora esta temática é hoje colossal. Apesar de grande silêncio no debate português, o que bem mostra o atraso cultural do país (ainda que os Erasmus já sejam geração de poder). É o equivalente ao debate nuclear (guerra atómica, energia nuclear) nos anos 70s e 80s, o ocaso da Guerra Fria. Ou até mais relevante, pois menos polarizado quanto a centros de decisão.

 

3. o terceiro é político, principalmente europeu. O pós-guerra deu-nos este sistema democrático ao qual os comunistas (nas suas diferentes versões) pertencem. Pode ser um oxímoro, podemos considerar que eles estão de corpo mas não de alma dentro da democracia. Mas em sendo-o é um oxímoro funcional, estruturante do sistema político com melhores resultados económicos e sociais - não será um "fim da história" mas é um belo momento da história. Em Portugal os anteriores a Cristas lembrarão Melo Antunes a cercear o extremismo anti-comunista considerando-os integrantes da democracia portuguesa e os mais lúcidos saudarão também a democraticidade do general Eanes, nesse mesmo sentido. Mas será de lembrar que nessa mesma era a DC italiana (uma das matrizes do CDS) teve a grandeza estratégica de fazer um "compromisso histórico" com o PC. E foi este regime europeu englobante que trouxe para as interacções democráticas os grandes PCs europeus (Berlinguer, Marchais, Carrillo - o tal de "eurocomunismo"), e foi integrando os maoístas, enverhoxistas e 68ístas nos PS locais e nos ecologistas. Ora deste sistema amplo, deste "arco do poder" representativo consagrado no pós-guerra não constam, por definição, os fascismos. Exigem-se "cordões sanitários" em seu torno, para preservar os regimes democráticos. Há excepções, e fala-se de Finni, integrado nessa primeira bolha populista moderna, mas esse mau sinal estava subordinado ao peculiar (mas não fascista) Berlusconi e correlacionou-se à desagregação do sistema partidário italiano. E falarão do partido da Liberdade holandês ou do Interesse Flamengo, mas esses são muito mais movimentos soberanistas (e independentista no caso belga) do que fascizantes. E mesmo assim são integrados nestes peculiares regimes de coligações governamentais que são verdadeiros estudos de caso de concatenação política. De facto, os fascismos mais ou menos explícitos são ostracizados, como o foi Haider pela comunidade da Europa e pela sua Comunidade Europeia. Tal como esta coisa bolsonara de agora o parece dever ser ... Fernando Henrique Cardoso, sábio e conhecedor como nenhum de nós, di-la outra coisa que não fascismo, fruto desta nova era, um "transfascismo" se se quiser. Porventura será, mas tem todas as características que extravasam o primado do estado de direito e a democracia liberal. 

 

Nesta declaração de neutralidade, desnecessária ainda por cima, Cristas mostra que nada disto apanha ou considera. Mostra-se sensível aos discursos de direita assanhada que já por ali pululam - muito pela analogia que se faz entre o podre PT e o degenerado PS socrático do qual este costismo recusou apartar-se (Augusto Santos Silva na tétrica declaração de que não faz "julgamentos éticos" quando é de avaliações políticas que o seu partido, e o país, necessita; um governo actual onde as pastas estratégicas estão nas mãos de gente que foi dos governos socratistas ou de seus admiradores ferrenhos). Mas essa analogia, que é grosseira, e mesmo que não o fosse, não é o fundamental. Cristas foi incapaz de dizer "não" a essa extrema-direita (ainda para mais agora que tanto se frisa que "um não é um não") e deixou-se, em ademane de "coquette", dizer-se namorável, se com melhores modos alheios.

 

O que lhe faltou, e assim sendo o que lhe falta, é a densidade de estadista. De perceber o que está em causa e ver lá à frente. Afirmar-se, e aos seus, como um motor de consenso democrático em torno de um modelo de regime. Aquilo que o socialista (de facto socialista, e isto vai sem acinte) Rui Tavares recordou há dias "No imediato, é preciso que a esquerda, centro e direita democráticas se unam contra os fascistas - chamem-lhes o que chamarem.".  É difícil isso, por muitas razões. Uma das quais é porque todos nós, avessos ao patrimonialismo socialista ou ao credo estatizante ou às agendas políticas pós-modernas/coloniais temos sido neste XXI constantemente "fascistizados" (homofobizados, racistalizados, lusotropicalizados, etc.). No mesmo processo de abaixamento intelectual que se vê agora na direita soberanista, apelidando os europeístas, as instituições democráticas e democratizadoras (por mais criticáveis que sejam) de "Bruxelas" como "estalinistas". Este tipo de radicalismo invectivador deixa máculas, dificulta articulações. E, como é óbvio, gasta as palavras - se quase todos nós fomos ou somos "fascistas" por uma qualquer razão como reforçar posições comuns contra outros "fascistas"? Mais, como delimitar esses ("trans)fascistas" de hoje?

 

Nada disto interessará a Cristas. Talvez mais preocupada com um ou outro deputado que poderá subtrair a um centro desnorteado, como o que vai agora. Incapaz de perceber que é agora o momento de afirmar o seu partido como trave. Até aproveitando os ventos deste tempo, sabendo-os depurar da pestilência que também transportam. 

 

E tudo isto, para além de Cristas, mostra também o final das "internacionais". Há algumas décadas as articulações partidárias internacionais tinham vozes mais ou menos comuns sobre os temas cruciais. Hoje estarão mais centradas na agenda parlamentar comum. Que nos dizem elas (quem são os seus presidentes? que relevância têm?) sobre tudo isto? Como articulam os seus partidos-membros e respectivos líderes? Que resta das ideologias? 

 

Adenda: no último fim-de-semana foi divulgado este filme com declarações de Bolsonaro. A uma semana das eleições, nas quais será vencedor promete colocar os apoiantes de Haddad ("petralhada") na "ponta da praia". Julguei que tal significasse expulsão (tipo "devolver às naus") mas nada disso: amiga, portuguesa mulher de direita, avisa-me que "ponta da praia" significa a base militar da Marinha na Restinga de Marambaia, em Pedra de Guaratiba, no Rio de Janeiro, um presídio de tortura e abate durante o regime militar brasileiro.

Negar a diferença, pelo menos de grau, entre este energúmeno e os malfeitores do PT e associados torna-se um bocado difícil. Que pensará a hierarquia católica portuguesa da líder do partido democrata-cristão que se demonstra relativamente neutral a este tipo de declarações?

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


112 comentários

Sem imagem de perfil

De Brasileiro a 26.10.2018 às 14:23

Como os comentaristas deste blog ignoram tudo sobre o Brasil! Tudo!

O PT fez tudo para subverter a democracia brasileira, e só não o fez definitivamente à moda venezuelana por resistência do Congresso e especialmente da Justiça. Até hoje deslegitimam o Parlamento chamando de "golpe" a destituição constitucional de sua Presidente, deslegitimam a Justiça e o Ministério Público, deslegitimam tudo e todos que podem barrar-lhes o caminho da venezualização.

Que venha Bolsonaro, obrigado minha Pátria querida!
Imagem de perfil

De jpt a 26.10.2018 às 15:01

Português de Braga, continuação de uma boa assimilação ... Cuidado com o sotaque
Sem imagem de perfil

De Brasileiro a 26.10.2018 às 15:08

Basta pergunta o IP ao gestor do blog, e verá que escrever de junto do Atlântico, mas do lado americano: o sol aqui nasce sobre o mar.

"Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança..."
Imagem de perfil

De jpt a 26.10.2018 às 15:22

Era o que me faltava andar a ver IPs alheios e disso tirar conclusões. Agora, V. pode discordar do texto mas não é de bom tom vir para aqui mentir, essa do sol nascer no mar é para me chamar estúpido, é isso?
Sem imagem de perfil

De Brasileiro a 26.10.2018 às 15:36

Stupid is who stupid does...or writes...
Imagem de perfil

De jpt a 26.10.2018 às 15:41

Afinal?! De Braga ou de Miami?
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 27.10.2018 às 19:38

Do armario, amigo. Do armario.
Imagem de perfil

De jpt a 28.10.2018 às 18:45

Tenho simpatia pelos residentes nesses armários, tímidos da luz do sol, albinos morais por assim dizer
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 27.10.2018 às 15:22

Brasil!
Teu povo é forte,
Como é grande a tua terra
Brasil!
Em tuas grandes matas verdes,
Canta a passarada
Em gorjeios mil!

Queremos com alegria
Do trabalho e do saber,
Saudar,
O céu, a nossa linda terra
Nosso verde mar,
Queremos com prazer cantar.
Imagem de perfil

De jpt a 28.10.2018 às 05:37

Obrigado pelo momento exaltante. Aqui fica a versão audio

https://www.youtube.com/watch?v=ZtGFzm0Q9Qk
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 27.10.2018 às 17:03

É incrível como há tantos brasileiros que vão para blogs portugueses envergonhar o seu povo! Um nível de burrice impressionante. Mas olha, se o Bolsonaro ganhar e as coisas derem para o torto, não venhas para Portugal e fica-te por aí. Sê coerente.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 27.10.2018 às 19:14

É incrivelmente como há tantos portugueses ofendendo brasileiros chamando os de burros! Atenção meu caro, Portugal tem uma comunidade enorme de brasileiros. Já pensou se esssas ofensas forem recíprocas? Portugal há pessoas cultas e inteligentes e há também burros. Igualmente no Brasil. Mais respeito sff! Para seres respeitado.
Imagem de perfil

De jpt a 28.10.2018 às 07:14

Este processo eleitoral brasileiro bem mostra o grau de xenofobia larvar da esquerda portuguesa - acicatada pelos jornalistas da moda que logo o agitaram nos seus "jornais de referência", e secundado por académicos de disciplinas tradicionalmente ligadas ao combate a esse tipo de sentimentos (falo em especial da antropologia). Ante o silêncio seja dos sindicatos de jornalistas (pressurosos em criticar lideres associativos cada vez que criticam os jornais e seus agentes) e das ordens profissionais. Este tipo de alusões a filtros à imigração de brasileiros, e concomitante pressão sobre os já instalados, é completamente inadmissível - e inversa à habitual prosápia esquerdista sobre a obrigatoriedade de desarmar a fortaleza Europa, abrindo aos "refugados asiáticos e africanos", independentemente dos seus valores culturais e políticos e negando a legitimidade de qualquer política assimilacionista. Este caso brasileiro mostra bem o quão mera retórica é a discursata dos jornalistas, académicos e das massas internáticas que os "seguem"
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 28.10.2018 às 18:42

Que "valores culturais e políticos" possuem os "refugiados asiáticos e africanos"? É que eu já vi que "valores culturais e políticos" possuem muitos imigrantes brasileiros (certamente não todos): a defesa de uma ditadura, o racismo, a misoginia, a homofobia... Na primeira volta diversos eleitores brasileiros revelaram ser autênticos profissionais da desordem na FDUL. Se isto tivesse acontecido em eleições portuguesas a polícia teria sido chamada e os desordeiros seriam detidos.
Não tenho nada contra culturas diferentes até porque entre a cultura portuguesa e a brasileira há muitas semelhanças e os imigrantes, sejam de onde forem, têm muito a dar ao país para onde vão viver. Tenho sim contra quem não sabe viver em democracia.
Imagem de perfil

De jpt a 29.10.2018 às 06:15

Anónimo, os "refugiados asiáticos e africanos" (de facto imigrantes, apenas a retórica os faz dizer refugiados - e por isso usei aspas) tëm valores culturais e políticos, dependendo dos seus contextos de origem e das opções individuais. A questão que coloco, e que parece que você não quer ler, é que os danieis oliveiras e as fernandas câncios (e as antropologas) não questionam a adequação desses valores aos aparentemente valores dominantes em Portugal, e criticam quem coloca essa necessidade e vituperam quem defende políticas de integração que valorize a indução da assimilação a esses valores. E agora, de súbito, defendem para os brasileiros o que sempre recusam para magrebinos, indianos, bangladeshis (ou lá como se escreve), senegaleses, guineenses, nepaleses ou seja lá o que for.

Quanto ao resto, se os brasileiros armam confusão numa instituição portuguesa chame-se a polícia, detenham-nos, expulsem hipotético ilegal (indocumentado, chamam-lhe os hipócritas agora avessos a imigrantes que não partilhem os "nosso" valores) e multem ou prendam os prevaricadores legalizados.

Consegui fazer-me entender ou você vai continuar a dizer-me que é preciso mandar embora o votante do bolsonaro mas ignorar qualquer opção político-cultural dos paquistaneses, egipcios, ucranianos?
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 29.10.2018 às 21:33

De que "cultura" dos "asiáticos", "africanos" e europeus de Leste é que o jpt está a falar? Terem um determinado sotaque? Não serem fluentes em português? Terem hábitos alimentares diferentes?
Por mim tudo isso é bem vindo (embora às vezes seja chato não compreender o que outras pessoas dizem). Agora não saberem viver em democracia é que é grave.
E eu sou contra a expulsão de "ilegais" pois ser "ilegal" é um crime sem vítimas. Já ser fascista não é um crime sem vítimas mas sim um crime contra uma sociedade justa e civilizada.
E Portugal que se prepare pois pode vir a ter muitos refugiados provenientes do Brasil. E eu apoiarei a vinda desses refugiados pois estarão a fugir de um regime autoritário. Não apoio é a vinda ou permanência de fascistas.
Imagem de perfil

De João Pedro Pimenta a 30.10.2018 às 17:31

Ser fascista é crime? E logo punível com a deportação? Não sabia que havia -ismos que eram proibidos em Portugal. Diga-me lá a norma que proíbe ser-se fascista, que eu não devo estar devidamente actualizado.
Imagem de perfil

De jpt a 30.10.2018 às 21:41

39 por cento dos brasileiros são fascistas, pronto. Passado um bocado, no mesmo registo, dir-se-á que votam enganados pelos americanos do whatsapp, que são vítimas. Etc e tal
Imagem de perfil

De Sarin a 29.10.2018 às 04:27

Quase poderia subscrever este seu comentário, mas caramba, jpt!, essa generalização "a esquerda portuguesa" destrói e inquina todo o discurso, sendo mesmo ofensiva. A esquerda portuguesa tem muita gente que não defende e que abomina tal discurso sobre repatriamentos. Que alguns indivíduos de esquerda tenham tal discurso apenas lhe permite que o atribua aos próprios e não "à esquerda portuguesa".
Já agora, a direita portuguesa tem vários indivíduos que usam esse mesmíssimo discurso; se quer agrupar, talvez possa criar três grupos: os xenófobos, os que repetem frases xenófobas por idiotia e sem aquilatarem todo o significado, e os que deploram a existência dos dois grupos anteriores.

Relembro, a propósito dos idiotas repercussionistas, que o "vai lá para donde vieste, não fazes cá falta nenhuma" é usado nas mais diversas situações em que surgem opiniões discordantes inter-sectores (desporto, política, indústria, bairro, escola, país, ... ). No caso, suponho que à maioria dos que o dizem tanto lhes daria dirigirem-se a brasileiros como a alentejanos ou portuenses. Idiotias que nada têm a ver com xenofobia mas com outra intolerância, a intolerância ao debate, à diferença de opinião.

E pergunto: porque associa logo a xenofobia? Não é dessa monovisão que enfermam os defensores ou membros de minorias que em tudo vêem ataque às minorias e nunca se lembram de que o ataque se pode dirigir à individualidade de cada um?
Imagem de perfil

De jpt a 29.10.2018 às 06:07

O que disse, várias vezes, é que jornalistas muito conhecidos, e muito activos nos discursos anti-xenofobia, nisso hiperbolizando tanto a invectiva "xenófobo" como paladinos da luta anti-Fortaleza Europa (no constante auto-suplício ocidental), como antropólogos (menos conhecidos do grande público), corporação onde abundam os mesmos discursos, surgiram agora, em total contramão ao seu habitual registo, invectivando os imigrantes brasileiros - nisso presumindo a necessidade de que estes se "assimilem" a putativos valores (políticos) da sociedade de acolhimento e induzindo um hipotético ambiente de pressão generalizado sobre estes imigrantes. É isso que eu digo, e não a redução que V. coloca. E o que eu digo também, e por isso alargo ao global esquerda aí, é que esses discursos não foram acolhidos pela recusa de outros jornalistas e colheram o silêncio da corporação antropológica, e dos locutores mais ou menos frenéticos habituais, núcleos que estão sempre prontos a criticar e denunciar discursos similares se oriundos da malvada direita sobre a necessidade de controlar os valores das comunidades imigrantes na Europa (e no país) e sempre próximos da refutação da "assimilação" desses núcleos. É esse silêncio que permite alargar ao colectivo "esquerda" (de facto em Portugal apenas representante do estatismo avençadista) a invectiva de "xenofobia" que costumam utilizar para definir a para eles "fascista" direita - ou seja, todos os que não aderem ao partido socialista e às agendas patrimonialistas do BE.

Procure bem e veja se há um único locutor dessa esquerda que tenha vindo denunciar ou criticar o fluxo de dejectos morais ou intelectuais que esses jornalistas e antropólogos botaram nas últimas semanas.
Imagem de perfil

De Sarin a 29.10.2018 às 06:35

A minha nota foi para a sua "a esquerda portuguesa", que não entendi restringida ao parágrafo em que surgiu - não aprecio generalizações, e sendo assumidamente de esquerda insurjo-me quando me sinto agrupada em grupos aos quais não pertenço ou alinhada com atitudes que rejeito.

Percebi o seu comentário (ou pelo menos parte, que não dei a devida atenção à modelação política), e por isso ter dito que quase o subscrevia. Mas sobre locutores estamos mal, vejo pouca televisão e cada vez tenho menos paciência para eles.
Imagem de perfil

De jpt a 29.10.2018 às 22:00

locutores, oradores, teclistas, enfim, plumitivos como antes se dizia
Imagem de perfil

De Sarin a 29.10.2018 às 22:09

Percebi, mas quis aligeirar o tom - passo a vida a disparar contra fazedores de opinião, um destes dias penduram-me pelo teclado...
Imagem de perfil

De jpt a 30.10.2018 às 06:40

Nada disso, a gente protesta como catarse, poucos ligarão, nada influencia. Não se esqueça que um tipo a desoras num canal por cabo diz umas coisas e tem um estadio da Luz (vade retro Satanás) cheio a ouvi-lo. Que se importam diante de uma mesa de café com alguns resmungos? Ninguém a pendurará. Acho que até acham piada, quando ouvem o sussurro
Imagem de perfil

De Sarin a 30.10.2018 às 08:21

Não tenho veleidades de influenciar, mas há por aí malucos... eles andam aí...
Sem imagem de perfil

De Makiavel a 27.10.2018 às 18:47

Essa do PT ter feito tudo para subverter a democracia brasileira, leu onde? Num qualquer grupo de apoio à Bolsonaro no WhatsApp?

Fale lá das declarações do filho do Bolsonaro sobre um soldado, um cabo e o supremo tribunal.

É curioso fazerem a comparação entre por um lado Bolsonaro e do outro lado todo o PT.

A comparação é entre dois homens, Haddad e Bolsonaro.
Entre o institucionalista, por mais erros que tenha cometido e um canalha, a escolha parece-me bem simples.

(Escusa de vir com a converseta de que não conheço o Brasil, é irrelevante para o assunto. Um canalha é um canalha, em Portugal, no Brasil ou na Índia)
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 27.10.2018 às 19:24

Eu não conheço o Brasil mas conheço Portugal. E não quero escumalha fascista no meu país. Por isso os brasileiros que vivem em Portugal e apoiam o Bolsonaro podem fazer o favor de comprar o bilhete de regresso amanhã. E os portugueses que apoiam o Bolsonaro podem ir com eles que não fazem cá falta.
Imagem de perfil

De jpt a 28.10.2018 às 07:16

Repito o que comentei acima, pois como os comentadores recebem notificações apenas das respostas aos seus comentários poderá perder este meu contra-comentário a algo muito similar ao que aqui deixou:

Este processo eleitoral brasileiro bem mostra o grau de xenofobia larvar da esquerda portuguesa - acicatada pelos jornalistas da moda que logo o agitaram nos seus "jornais de referência", e secundado por académicos de disciplinas tradicionalmente ligadas ao combate a esse tipo de sentimentos (falo em especial da antropologia). Ante o silêncio seja dos sindicatos de jornalistas (pressurosos em criticar lideres associativos cada vez que criticam os jornais e seus agentes) e das ordens profissionais. Este tipo de alusões a filtros à imigração de brasileiros, e concomitante pressão sobre os já instalados, é completamente inadmissível - e inversa à habitual prosápia esquerdista sobre a obrigatoriedade de desarmar a fortaleza Europa, abrindo aos "refugados asiáticos e africanos", independentemente dos seus valores culturais e políticos e negando a legitimidade de qualquer política assimilacionista. Este caso brasileiro mostra bem o quão mera retórica é a discursata dos jornalistas, académicos e das massas internáticas que os "seguem"
Imagem de perfil

De jpt a 28.10.2018 às 07:18

O PT não fez tudo ... mas fez bastante, tem que se reconhecer (até para compreender esta Bolha Bolsonara). Quanto ao resto que diz? Concordo
Sem imagem de perfil

De Makiavel a 28.10.2018 às 09:28

Se esteve 14 anos no poder, obviamente que fez bastante, para o bem e para o mal.
Qualquer força política tanto tempo no poder sofre erosão na popularidade.

Mas a bolha Bolsonaro, como lhe chama, é mais um movimento de revanche, cuidadosamente preparada, incidindo no fenómeno corrupção e fazendo passar a ideia que foi o PT que a criou. Começou no processo judicial dirigido do princípio ao fim (!) por Sérgio Moro, passou pelo golpe-destituição de Dilma e estamos agora no clima e terror contra os opositores de Bolsonaro.

Não alinho no discurso de culpabilizar o PT para desculpabilizar o Bolsonaro. Discurso justificador/normalizador do autoritarismo sul-americano.

Ou me engano muito ou, o clima político pós-eleição de Bolsonaro vai ficar muito parecido com o da Venezuela.
Imagem de perfil

De jpt a 28.10.2018 às 18:47

O pós-Temer é de temer.

O PT cavou esta cloaca, deixe-se de coisas
Sem imagem de perfil

De Makiavel a 28.10.2018 às 20:20

Deixe-se de coisas?

Não me diga que já aderiu ao discurso das soluções simples para problemas complexos.

Não me diga que também se abstinha se pudesse votar?
Imagem de perfil

De jpt a 29.10.2018 às 06:17

a minha resposta é, de novo, o bardamerda ...
Deixe-se lá de merdas, pelo menos nos postais que eu escrevo, porque a boçalidade desmerece o epónimo que você corrompe. O PT cavou mesmo esta cloca, numa governação degenerada e numa preparação alucinada destas eleições.
Sem imagem de perfil

De Makiavel a 29.10.2018 às 08:14

De boçalidade percebe, disso não tenho dúvidas.

Pelo menos já não chuta p'ra canto com referências a anonimatos e ''nicknames'.

Mas a boçalidade continua lá.
Imagem de perfil

De jpt a 29.10.2018 às 22:01

você ainda não percebeu nem vai lá chegar, boçal, mal-criado, é o anónimo atrevido
Sem imagem de perfil

De Makiavel a 29.10.2018 às 22:25

Anónimo atrevido? Ehehhe, voltámos ao registo do anónimo.

Comecei por responder a um comentário, não ao seu postal, fastidioso e presumido.

Desde chamar fdp em postais anteriores, até "bardamerda" em respostas a comentários, de má-criação estamos falados.

Se não gosta de crítica não se ponha a escrever, ou, como diria o meu tio Luís, passo a grosseria, "quem não tem cú não se mete a paneleiro"
Imagem de perfil

De jpt a 30.10.2018 às 07:00

Gosto de críticas, de debate, de discussão, até de porrada verbal - que da física nunca fui cultor. Caso contrário não blogaria há tanto tempo. Do que não gosto, e já o disse, o que julgo insultável, é disso do andar por aí a criticar, a cutucar, a ironizar ou sarcasmar, a cagar postas de pescada, sem botar o nome. "Concordo com o texto", "não gosto do postal", coisas assim? Ainda vá que não vá, ainda que sempre deficitárias no anonimato. Agora verrina?

A expressão do seu tio é gloriosa. Típica de um tempo, em que a invectiva era para as práticas sexuais. Passado vai sendo esse tempo. Mas o termo insultuoso é por demais rico para que o desperdicemos. Pois é mesmo muito adequado para transitar, já liberto de conteúdo sexual, para esse tipo de atitude, esconsa, cobarde, hipócrita.

Já agora, cu não tem acento. Diz-lhe um tipo que se farta de fazer erros ortográficos (então hifenizações é uma desgraça). E que assina esses erros. E as emendas.
Sem imagem de perfil

De Makiavel a 30.10.2018 às 08:09

Tanto talento desperdiçado à volta do anonimato.

Já em situações anteriores lhe perguntei o que quer saber ao certo sobre a minha pessoa. O meu NIF? O meu CC? A minha declaração de IRS?

Para mim, também JMT ou João Teixeira ou lá como é o seu nome são anónimos. Não o conheço de lado nenhum, é um anónimo para mim, portanto.
A não ser que esteja eu na presença de uma pitada de presunção do autor e se ache alguém conhecido por escrever postais.

Estamos em pé de igualdade. Eu só um anónimo para si, o senhor é um anónimo para mim.

Para o descansar, direi que sou mesmo um anónimo, Makiavel não esconde uma qualquer pessoa ligada a interesses, partido ou instituições públicas.

Terá que lidar com o que eu escrevo, apenas. Isto se quiser. Tem sempre as opções de me ignorar ou bloquear.

P.S.: obrigado pela correcção orotgráfica. O acento no cu é mesmo quando se está cansado.

P.S.1: a sua interpretação da expressão do meu tio é muito chegada à letra. Percebo a intenção mas saiu ao lado.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 27.10.2018 às 19:36

ridiculo se n fosses fascista como aqui confessas. a prova tens na matematica dos numeros. prova-o e nao te limites a pagina do pensador favorito... o da Grande Mentira. ja estamos letrados sabes...!
Imagem de perfil

De jpt a 28.10.2018 às 07:19

Não percebi essa alusão aos números ...
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 27.10.2018 às 19:57

Devem mesmo ignorar pois estamos em Portugal!

Espero que as eleições terminem rapidamente pois não se fala noutra coisa. Portugal deve ser um país muito pobre, pois não temos assuntos nossos para falar!

Depois admiram-se!
http://visao.sapo.pt/actualidade/mundo/2018-10-27-Madeleine-Albright-O-fascismo-instala-se-quando-as-pessoas--se-convencem-de-que-ninguem-e-de-confianca

Tudo gira à volta de interesses, não de princípios e alguns só vêm o que querem ver! Não podemos confiar em nada!
Imagem de perfil

De jpt a 28.10.2018 às 07:23

Já tenho aqui no blog, noutros postais, resmungando - de modo irado - sobre essa mania de alguns comentadores virem aqui opinar sobre a hierarquia dos temas que devem ser falados/debatidos (ainda para mais sem apontarem um rol hierarquizado de temas legítimos, o qual seria, ele mesmo, passível de avaliação e debate). Muito em particular quando exigem (a propósito de quê) um centramento na "coisa portuguesa", na república portuguesa. Quanto a isso de "estamos em Portugal" estará você, pois muitos de nós não o estamos ... ainda que sempre estando
Sem imagem de perfil

De Manuel Rocha a 27.10.2018 às 21:58

Para quem não percebeu, este "brasileiro" é um dos bots que o Bolsonaro comprou por 60 milhões de dólares, para minar a internet.
2 sites americanos, publicaram uma notícia, na secção Brazil, sobre o Bolso (de algibeira). Em 30 minutos surgiram 2700 comentários a atacar a publicação que "os americanos não estão sabendo nada sobre o Brazil e Bolsonaro vai ser presidente". Ou os brasileiros são muita burros e estúpidos que não sabem a diferença entre Bolso ou o candidato dos extremistas.
Imagem de perfil

De jpt a 28.10.2018 às 07:24

Eu neste postal não falei do Bolso - ao longo dos anos muito bloguei sobre o bolso arrombado por Sócrates e seus apaniguados, tantos deles hoje de volta ao governo. Como tal duvido que seja visitado por um robot
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 28.10.2018 às 13:14

Também sou pelo Bolsonaro.
Imagem de perfil

De jpt a 28.10.2018 às 18:49

Não és o único, como a gente sabe

Comentar post



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D