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Cristas e o Brasil

por jpt, em 26.10.18

109120-004-2105B1D4.jpg(o postal tem adenda)

"J'ai vu des démocraties intervenir contre à peu près tout, sauf contre les fascismes" é daquelas frases de Malraux que vingaram na Readers Digest de hoje, a wikipedia (e aviso já que não aceitarei comentários invectivando Malraux por não ter criticado Chavez e Maduro).

 

Cristas anuncia qual seria o seu voto no Brasil. Uma inutilidade, poderia ter-se escudado na não ingerência. Mas opinou, igualando as candidaturas, como se se filiando na crescente simpatia pelo bolsonarismo entre locutores da direita portuguesa. Fez mal. É certo que a sua opinião é irrelevante naquelas eleições (que aparentam estar já decididas - ilustra-o o já velho Chico Buarque terminando em lágrimas o seu discurso num recente comício da candidatura de Haddad). Mas falhou a oportunidade para explicitar o conteúdo exigível ao arco do poder.

 

Será muito difícil a uma líder democrata-cristã sentir, e expressar, simpatia por uma candidatura conjunta de um socialista (de ala esquerda?) e de uma comunista (uma comunista latino-americana, decerto mais castrista do que berlingueriana, isto usando imagens para gente mais idosa do que Cristas). Mas três aspectos poderia considerar:

 

1. o primeiro é interno ao Brasil. O PT dominou o XXI daquele país, ganhando várias eleições presidenciais. Por criticável que seja a sua governação, por evidente que seja a sua degenerescência, por problemático que seja o seu programa actual, nesse período não usou o poder para terminar o regime democrático (para o minar?, porventura; para o terminar?, não.) e não tem uma maioria no fragmentado sistema parlamentar que lhe permita hipotéticas (reais?) veleidades de lhe subverter as características essenciais. Já Bolsonaro vem anunciando, até mesmo agora, uma semana antes, um conjunto de propósitos à total revelia da democracia (prisões, expulsões, "nomeem que mais ...").

 

2. o segundo é global, a questão ecológica. Nos avessos a Bolsonaro isto nunca surge, poluída que está a "mente colectiva" pelas agendas neocomunistas, as do altergender vs cisgender, do racialismo e - neste caso em particular - do mulherismo. Se a ecologia não foi verdadeira prioridade do PT, Bolsonaro anuncia-se como campeão do seu desrespeito, em modalidades irreparáveis (direitos individuais e colectivos podem-se repor, a demência omnívora face à natureza é irreparável). Ora esta temática é hoje colossal. Apesar de grande silêncio no debate português, o que bem mostra o atraso cultural do país (ainda que os Erasmus já sejam geração de poder). É o equivalente ao debate nuclear (guerra atómica, energia nuclear) nos anos 70s e 80s, o ocaso da Guerra Fria. Ou até mais relevante, pois menos polarizado quanto a centros de decisão.

 

3. o terceiro é político, principalmente europeu. O pós-guerra deu-nos este sistema democrático ao qual os comunistas (nas suas diferentes versões) pertencem. Pode ser um oxímoro, podemos considerar que eles estão de corpo mas não de alma dentro da democracia. Mas em sendo-o é um oxímoro funcional, estruturante do sistema político com melhores resultados económicos e sociais - não será um "fim da história" mas é um belo momento da história. Em Portugal os anteriores a Cristas lembrarão Melo Antunes a cercear o extremismo anti-comunista considerando-os integrantes da democracia portuguesa e os mais lúcidos saudarão também a democraticidade do general Eanes, nesse mesmo sentido. Mas será de lembrar que nessa mesma era a DC italiana (uma das matrizes do CDS) teve a grandeza estratégica de fazer um "compromisso histórico" com o PC. E foi este regime europeu englobante que trouxe para as interacções democráticas os grandes PCs europeus (Berlinguer, Marchais, Carrillo - o tal de "eurocomunismo"), e foi integrando os maoístas, enverhoxistas e 68ístas nos PS locais e nos ecologistas. Ora deste sistema amplo, deste "arco do poder" representativo consagrado no pós-guerra não constam, por definição, os fascismos. Exigem-se "cordões sanitários" em seu torno, para preservar os regimes democráticos. Há excepções, e fala-se de Finni, integrado nessa primeira bolha populista moderna, mas esse mau sinal estava subordinado ao peculiar (mas não fascista) Berlusconi e correlacionou-se à desagregação do sistema partidário italiano. E falarão do partido da Liberdade holandês ou do Interesse Flamengo, mas esses são muito mais movimentos soberanistas (e independentista no caso belga) do que fascizantes. E mesmo assim são integrados nestes peculiares regimes de coligações governamentais que são verdadeiros estudos de caso de concatenação política. De facto, os fascismos mais ou menos explícitos são ostracizados, como o foi Haider pela comunidade da Europa e pela sua Comunidade Europeia. Tal como esta coisa bolsonara de agora o parece dever ser ... Fernando Henrique Cardoso, sábio e conhecedor como nenhum de nós, di-la outra coisa que não fascismo, fruto desta nova era, um "transfascismo" se se quiser. Porventura será, mas tem todas as características que extravasam o primado do estado de direito e a democracia liberal. 

 

Nesta declaração de neutralidade, desnecessária ainda por cima, Cristas mostra que nada disto apanha ou considera. Mostra-se sensível aos discursos de direita assanhada que já por ali pululam - muito pela analogia que se faz entre o podre PT e o degenerado PS socrático do qual este costismo recusou apartar-se (Augusto Santos Silva na tétrica declaração de que não faz "julgamentos éticos" quando é de avaliações políticas que o seu partido, e o país, necessita; um governo actual onde as pastas estratégicas estão nas mãos de gente que foi dos governos socratistas ou de seus admiradores ferrenhos). Mas essa analogia, que é grosseira, e mesmo que não o fosse, não é o fundamental. Cristas foi incapaz de dizer "não" a essa extrema-direita (ainda para mais agora que tanto se frisa que "um não é um não") e deixou-se, em ademane de "coquette", dizer-se namorável, se com melhores modos alheios.

 

O que lhe faltou, e assim sendo o que lhe falta, é a densidade de estadista. De perceber o que está em causa e ver lá à frente. Afirmar-se, e aos seus, como um motor de consenso democrático em torno de um modelo de regime. Aquilo que o socialista (de facto socialista, e isto vai sem acinte) Rui Tavares recordou há dias "No imediato, é preciso que a esquerda, centro e direita democráticas se unam contra os fascistas - chamem-lhes o que chamarem.".  É difícil isso, por muitas razões. Uma das quais é porque todos nós, avessos ao patrimonialismo socialista ou ao credo estatizante ou às agendas políticas pós-modernas/coloniais temos sido neste XXI constantemente "fascistizados" (homofobizados, racistalizados, lusotropicalizados, etc.). No mesmo processo de abaixamento intelectual que se vê agora na direita soberanista, apelidando os europeístas, as instituições democráticas e democratizadoras (por mais criticáveis que sejam) de "Bruxelas" como "estalinistas". Este tipo de radicalismo invectivador deixa máculas, dificulta articulações. E, como é óbvio, gasta as palavras - se quase todos nós fomos ou somos "fascistas" por uma qualquer razão como reforçar posições comuns contra outros "fascistas"? Mais, como delimitar esses ("trans)fascistas" de hoje?

 

Nada disto interessará a Cristas. Talvez mais preocupada com um ou outro deputado que poderá subtrair a um centro desnorteado, como o que vai agora. Incapaz de perceber que é agora o momento de afirmar o seu partido como trave. Até aproveitando os ventos deste tempo, sabendo-os depurar da pestilência que também transportam. 

 

E tudo isto, para além de Cristas, mostra também o final das "internacionais". Há algumas décadas as articulações partidárias internacionais tinham vozes mais ou menos comuns sobre os temas cruciais. Hoje estarão mais centradas na agenda parlamentar comum. Que nos dizem elas (quem são os seus presidentes? que relevância têm?) sobre tudo isto? Como articulam os seus partidos-membros e respectivos líderes? Que resta das ideologias? 

 

Adenda: no último fim-de-semana foi divulgado este filme com declarações de Bolsonaro. A uma semana das eleições, nas quais será vencedor promete colocar os apoiantes de Haddad ("petralhada") na "ponta da praia". Julguei que tal significasse expulsão (tipo "devolver às naus") mas nada disso: amiga, portuguesa mulher de direita, avisa-me que "ponta da praia" significa a base militar da Marinha na Restinga de Marambaia, em Pedra de Guaratiba, no Rio de Janeiro, um presídio de tortura e abate durante o regime militar brasileiro.

Negar a diferença, pelo menos de grau, entre este energúmeno e os malfeitores do PT e associados torna-se um bocado difícil. Que pensará a hierarquia católica portuguesa da líder do partido democrata-cristão que se demonstra relativamente neutral a este tipo de declarações?

 

 

 

 

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112 comentários

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De Brasileiro a 26.10.2018 às 14:23

Como os comentaristas deste blog ignoram tudo sobre o Brasil! Tudo!

O PT fez tudo para subverter a democracia brasileira, e só não o fez definitivamente à moda venezuelana por resistência do Congresso e especialmente da Justiça. Até hoje deslegitimam o Parlamento chamando de "golpe" a destituição constitucional de sua Presidente, deslegitimam a Justiça e o Ministério Público, deslegitimam tudo e todos que podem barrar-lhes o caminho da venezualização.

Que venha Bolsonaro, obrigado minha Pátria querida!
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De jpt a 26.10.2018 às 15:01

Português de Braga, continuação de uma boa assimilação ... Cuidado com o sotaque
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De Brasileiro a 26.10.2018 às 15:08

Basta pergunta o IP ao gestor do blog, e verá que escrever de junto do Atlântico, mas do lado americano: o sol aqui nasce sobre o mar.

"Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança..."
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De jpt a 26.10.2018 às 15:22

Era o que me faltava andar a ver IPs alheios e disso tirar conclusões. Agora, V. pode discordar do texto mas não é de bom tom vir para aqui mentir, essa do sol nascer no mar é para me chamar estúpido, é isso?
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De Brasileiro a 26.10.2018 às 15:36

Stupid is who stupid does...or writes...
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De jpt a 26.10.2018 às 15:41

Afinal?! De Braga ou de Miami?
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De Anónimo a 27.10.2018 às 19:38

Do armario, amigo. Do armario.
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De jpt a 28.10.2018 às 18:45

Tenho simpatia pelos residentes nesses armários, tímidos da luz do sol, albinos morais por assim dizer
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De Anónimo a 27.10.2018 às 15:22

Brasil!
Teu povo é forte,
Como é grande a tua terra
Brasil!
Em tuas grandes matas verdes,
Canta a passarada
Em gorjeios mil!

Queremos com alegria
Do trabalho e do saber,
Saudar,
O céu, a nossa linda terra
Nosso verde mar,
Queremos com prazer cantar.
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De jpt a 28.10.2018 às 05:37

Obrigado pelo momento exaltante. Aqui fica a versão audio

https://www.youtube.com/watch?v=ZtGFzm0Q9Qk
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De Anónimo a 27.10.2018 às 17:03

É incrível como há tantos brasileiros que vão para blogs portugueses envergonhar o seu povo! Um nível de burrice impressionante. Mas olha, se o Bolsonaro ganhar e as coisas derem para o torto, não venhas para Portugal e fica-te por aí. Sê coerente.
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De Anónimo a 27.10.2018 às 19:14

É incrivelmente como há tantos portugueses ofendendo brasileiros chamando os de burros! Atenção meu caro, Portugal tem uma comunidade enorme de brasileiros. Já pensou se esssas ofensas forem recíprocas? Portugal há pessoas cultas e inteligentes e há também burros. Igualmente no Brasil. Mais respeito sff! Para seres respeitado.
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De jpt a 28.10.2018 às 07:14

Este processo eleitoral brasileiro bem mostra o grau de xenofobia larvar da esquerda portuguesa - acicatada pelos jornalistas da moda que logo o agitaram nos seus "jornais de referência", e secundado por académicos de disciplinas tradicionalmente ligadas ao combate a esse tipo de sentimentos (falo em especial da antropologia). Ante o silêncio seja dos sindicatos de jornalistas (pressurosos em criticar lideres associativos cada vez que criticam os jornais e seus agentes) e das ordens profissionais. Este tipo de alusões a filtros à imigração de brasileiros, e concomitante pressão sobre os já instalados, é completamente inadmissível - e inversa à habitual prosápia esquerdista sobre a obrigatoriedade de desarmar a fortaleza Europa, abrindo aos "refugados asiáticos e africanos", independentemente dos seus valores culturais e políticos e negando a legitimidade de qualquer política assimilacionista. Este caso brasileiro mostra bem o quão mera retórica é a discursata dos jornalistas, académicos e das massas internáticas que os "seguem"
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De Anónimo a 28.10.2018 às 18:42

Que "valores culturais e políticos" possuem os "refugiados asiáticos e africanos"? É que eu já vi que "valores culturais e políticos" possuem muitos imigrantes brasileiros (certamente não todos): a defesa de uma ditadura, o racismo, a misoginia, a homofobia... Na primeira volta diversos eleitores brasileiros revelaram ser autênticos profissionais da desordem na FDUL. Se isto tivesse acontecido em eleições portuguesas a polícia teria sido chamada e os desordeiros seriam detidos.
Não tenho nada contra culturas diferentes até porque entre a cultura portuguesa e a brasileira há muitas semelhanças e os imigrantes, sejam de onde forem, têm muito a dar ao país para onde vão viver. Tenho sim contra quem não sabe viver em democracia.
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De jpt a 29.10.2018 às 06:15

Anónimo, os "refugiados asiáticos e africanos" (de facto imigrantes, apenas a retórica os faz dizer refugiados - e por isso usei aspas) tëm valores culturais e políticos, dependendo dos seus contextos de origem e das opções individuais. A questão que coloco, e que parece que você não quer ler, é que os danieis oliveiras e as fernandas câncios (e as antropologas) não questionam a adequação desses valores aos aparentemente valores dominantes em Portugal, e criticam quem coloca essa necessidade e vituperam quem defende políticas de integração que valorize a indução da assimilação a esses valores. E agora, de súbito, defendem para os brasileiros o que sempre recusam para magrebinos, indianos, bangladeshis (ou lá como se escreve), senegaleses, guineenses, nepaleses ou seja lá o que for.

Quanto ao resto, se os brasileiros armam confusão numa instituição portuguesa chame-se a polícia, detenham-nos, expulsem hipotético ilegal (indocumentado, chamam-lhe os hipócritas agora avessos a imigrantes que não partilhem os "nosso" valores) e multem ou prendam os prevaricadores legalizados.

Consegui fazer-me entender ou você vai continuar a dizer-me que é preciso mandar embora o votante do bolsonaro mas ignorar qualquer opção político-cultural dos paquistaneses, egipcios, ucranianos?
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De Anónimo a 29.10.2018 às 21:33

De que "cultura" dos "asiáticos", "africanos" e europeus de Leste é que o jpt está a falar? Terem um determinado sotaque? Não serem fluentes em português? Terem hábitos alimentares diferentes?
Por mim tudo isso é bem vindo (embora às vezes seja chato não compreender o que outras pessoas dizem). Agora não saberem viver em democracia é que é grave.
E eu sou contra a expulsão de "ilegais" pois ser "ilegal" é um crime sem vítimas. Já ser fascista não é um crime sem vítimas mas sim um crime contra uma sociedade justa e civilizada.
E Portugal que se prepare pois pode vir a ter muitos refugiados provenientes do Brasil. E eu apoiarei a vinda desses refugiados pois estarão a fugir de um regime autoritário. Não apoio é a vinda ou permanência de fascistas.
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De João Pedro Pimenta a 30.10.2018 às 17:31

Ser fascista é crime? E logo punível com a deportação? Não sabia que havia -ismos que eram proibidos em Portugal. Diga-me lá a norma que proíbe ser-se fascista, que eu não devo estar devidamente actualizado.
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De jpt a 30.10.2018 às 21:41

39 por cento dos brasileiros são fascistas, pronto. Passado um bocado, no mesmo registo, dir-se-á que votam enganados pelos americanos do whatsapp, que são vítimas. Etc e tal
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De Sarin a 29.10.2018 às 04:27

Quase poderia subscrever este seu comentário, mas caramba, jpt!, essa generalização "a esquerda portuguesa" destrói e inquina todo o discurso, sendo mesmo ofensiva. A esquerda portuguesa tem muita gente que não defende e que abomina tal discurso sobre repatriamentos. Que alguns indivíduos de esquerda tenham tal discurso apenas lhe permite que o atribua aos próprios e não "à esquerda portuguesa".
Já agora, a direita portuguesa tem vários indivíduos que usam esse mesmíssimo discurso; se quer agrupar, talvez possa criar três grupos: os xenófobos, os que repetem frases xenófobas por idiotia e sem aquilatarem todo o significado, e os que deploram a existência dos dois grupos anteriores.

Relembro, a propósito dos idiotas repercussionistas, que o "vai lá para donde vieste, não fazes cá falta nenhuma" é usado nas mais diversas situações em que surgem opiniões discordantes inter-sectores (desporto, política, indústria, bairro, escola, país, ... ). No caso, suponho que à maioria dos que o dizem tanto lhes daria dirigirem-se a brasileiros como a alentejanos ou portuenses. Idiotias que nada têm a ver com xenofobia mas com outra intolerância, a intolerância ao debate, à diferença de opinião.

E pergunto: porque associa logo a xenofobia? Não é dessa monovisão que enfermam os defensores ou membros de minorias que em tudo vêem ataque às minorias e nunca se lembram de que o ataque se pode dirigir à individualidade de cada um?
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De jpt a 29.10.2018 às 06:07

O que disse, várias vezes, é que jornalistas muito conhecidos, e muito activos nos discursos anti-xenofobia, nisso hiperbolizando tanto a invectiva "xenófobo" como paladinos da luta anti-Fortaleza Europa (no constante auto-suplício ocidental), como antropólogos (menos conhecidos do grande público), corporação onde abundam os mesmos discursos, surgiram agora, em total contramão ao seu habitual registo, invectivando os imigrantes brasileiros - nisso presumindo a necessidade de que estes se "assimilem" a putativos valores (políticos) da sociedade de acolhimento e induzindo um hipotético ambiente de pressão generalizado sobre estes imigrantes. É isso que eu digo, e não a redução que V. coloca. E o que eu digo também, e por isso alargo ao global esquerda aí, é que esses discursos não foram acolhidos pela recusa de outros jornalistas e colheram o silêncio da corporação antropológica, e dos locutores mais ou menos frenéticos habituais, núcleos que estão sempre prontos a criticar e denunciar discursos similares se oriundos da malvada direita sobre a necessidade de controlar os valores das comunidades imigrantes na Europa (e no país) e sempre próximos da refutação da "assimilação" desses núcleos. É esse silêncio que permite alargar ao colectivo "esquerda" (de facto em Portugal apenas representante do estatismo avençadista) a invectiva de "xenofobia" que costumam utilizar para definir a para eles "fascista" direita - ou seja, todos os que não aderem ao partido socialista e às agendas patrimonialistas do BE.

Procure bem e veja se há um único locutor dessa esquerda que tenha vindo denunciar ou criticar o fluxo de dejectos morais ou intelectuais que esses jornalistas e antropólogos botaram nas últimas semanas.
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De Sarin a 29.10.2018 às 06:35

A minha nota foi para a sua "a esquerda portuguesa", que não entendi restringida ao parágrafo em que surgiu - não aprecio generalizações, e sendo assumidamente de esquerda insurjo-me quando me sinto agrupada em grupos aos quais não pertenço ou alinhada com atitudes que rejeito.

Percebi o seu comentário (ou pelo menos parte, que não dei a devida atenção à modelação política), e por isso ter dito que quase o subscrevia. Mas sobre locutores estamos mal, vejo pouca televisão e cada vez tenho menos paciência para eles.
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De jpt a 29.10.2018 às 22:00

locutores, oradores, teclistas, enfim, plumitivos como antes se dizia
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De Sarin a 29.10.2018 às 22:09

Percebi, mas quis aligeirar o tom - passo a vida a disparar contra fazedores de opinião, um destes dias penduram-me pelo teclado...
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De jpt a 30.10.2018 às 06:40

Nada disso, a gente protesta como catarse, poucos ligarão, nada influencia. Não se esqueça que um tipo a desoras num canal por cabo diz umas coisas e tem um estadio da Luz (vade retro Satanás) cheio a ouvi-lo. Que se importam diante de uma mesa de café com alguns resmungos? Ninguém a pendurará. Acho que até acham piada, quando ouvem o sussurro
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De Sarin a 30.10.2018 às 08:21

Não tenho veleidades de influenciar, mas há por aí malucos... eles andam aí...
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De Makiavel a 27.10.2018 às 18:47

Essa do PT ter feito tudo para subverter a democracia brasileira, leu onde? Num qualquer grupo de apoio à Bolsonaro no WhatsApp?

Fale lá das declarações do filho do Bolsonaro sobre um soldado, um cabo e o supremo tribunal.

É curioso fazerem a comparação entre por um lado Bolsonaro e do outro lado todo o PT.

A comparação é entre dois homens, Haddad e Bolsonaro.
Entre o institucionalista, por mais erros que tenha cometido e um canalha, a escolha parece-me bem simples.

(Escusa de vir com a converseta de que não conheço o Brasil, é irrelevante para o assunto. Um canalha é um canalha, em Portugal, no Brasil ou na Índia)
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De Anónimo a 27.10.2018 às 19:24

Eu não conheço o Brasil mas conheço Portugal. E não quero escumalha fascista no meu país. Por isso os brasileiros que vivem em Portugal e apoiam o Bolsonaro podem fazer o favor de comprar o bilhete de regresso amanhã. E os portugueses que apoiam o Bolsonaro podem ir com eles que não fazem cá falta.
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De jpt a 28.10.2018 às 07:16

Repito o que comentei acima, pois como os comentadores recebem notificações apenas das respostas aos seus comentários poderá perder este meu contra-comentário a algo muito similar ao que aqui deixou:

Este processo eleitoral brasileiro bem mostra o grau de xenofobia larvar da esquerda portuguesa - acicatada pelos jornalistas da moda que logo o agitaram nos seus "jornais de referência", e secundado por académicos de disciplinas tradicionalmente ligadas ao combate a esse tipo de sentimentos (falo em especial da antropologia). Ante o silêncio seja dos sindicatos de jornalistas (pressurosos em criticar lideres associativos cada vez que criticam os jornais e seus agentes) e das ordens profissionais. Este tipo de alusões a filtros à imigração de brasileiros, e concomitante pressão sobre os já instalados, é completamente inadmissível - e inversa à habitual prosápia esquerdista sobre a obrigatoriedade de desarmar a fortaleza Europa, abrindo aos "refugados asiáticos e africanos", independentemente dos seus valores culturais e políticos e negando a legitimidade de qualquer política assimilacionista. Este caso brasileiro mostra bem o quão mera retórica é a discursata dos jornalistas, académicos e das massas internáticas que os "seguem"
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De jpt a 28.10.2018 às 07:18

O PT não fez tudo ... mas fez bastante, tem que se reconhecer (até para compreender esta Bolha Bolsonara). Quanto ao resto que diz? Concordo
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De Makiavel a 28.10.2018 às 09:28

Se esteve 14 anos no poder, obviamente que fez bastante, para o bem e para o mal.
Qualquer força política tanto tempo no poder sofre erosão na popularidade.

Mas a bolha Bolsonaro, como lhe chama, é mais um movimento de revanche, cuidadosamente preparada, incidindo no fenómeno corrupção e fazendo passar a ideia que foi o PT que a criou. Começou no processo judicial dirigido do princípio ao fim (!) por Sérgio Moro, passou pelo golpe-destituição de Dilma e estamos agora no clima e terror contra os opositores de Bolsonaro.

Não alinho no discurso de culpabilizar o PT para desculpabilizar o Bolsonaro. Discurso justificador/normalizador do autoritarismo sul-americano.

Ou me engano muito ou, o clima político pós-eleição de Bolsonaro vai ficar muito parecido com o da Venezuela.
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De jpt a 28.10.2018 às 18:47

O pós-Temer é de temer.

O PT cavou esta cloaca, deixe-se de coisas
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De Makiavel a 28.10.2018 às 20:20

Deixe-se de coisas?

Não me diga que já aderiu ao discurso das soluções simples para problemas complexos.

Não me diga que também se abstinha se pudesse votar?
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De jpt a 29.10.2018 às 06:17

a minha resposta é, de novo, o bardamerda ...
Deixe-se lá de merdas, pelo menos nos postais que eu escrevo, porque a boçalidade desmerece o epónimo que você corrompe. O PT cavou mesmo esta cloca, numa governação degenerada e numa preparação alucinada destas eleições.
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De Makiavel a 29.10.2018 às 08:14

De boçalidade percebe, disso não tenho dúvidas.

Pelo menos já não chuta p'ra canto com referências a anonimatos e ''nicknames'.

Mas a boçalidade continua lá.
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De jpt a 29.10.2018 às 22:01

você ainda não percebeu nem vai lá chegar, boçal, mal-criado, é o anónimo atrevido
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De Makiavel a 29.10.2018 às 22:25

Anónimo atrevido? Ehehhe, voltámos ao registo do anónimo.

Comecei por responder a um comentário, não ao seu postal, fastidioso e presumido.

Desde chamar fdp em postais anteriores, até "bardamerda" em respostas a comentários, de má-criação estamos falados.

Se não gosta de crítica não se ponha a escrever, ou, como diria o meu tio Luís, passo a grosseria, "quem não tem cú não se mete a paneleiro"
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De jpt a 30.10.2018 às 07:00

Gosto de críticas, de debate, de discussão, até de porrada verbal - que da física nunca fui cultor. Caso contrário não blogaria há tanto tempo. Do que não gosto, e já o disse, o que julgo insultável, é disso do andar por aí a criticar, a cutucar, a ironizar ou sarcasmar, a cagar postas de pescada, sem botar o nome. "Concordo com o texto", "não gosto do postal", coisas assim? Ainda vá que não vá, ainda que sempre deficitárias no anonimato. Agora verrina?

A expressão do seu tio é gloriosa. Típica de um tempo, em que a invectiva era para as práticas sexuais. Passado vai sendo esse tempo. Mas o termo insultuoso é por demais rico para que o desperdicemos. Pois é mesmo muito adequado para transitar, já liberto de conteúdo sexual, para esse tipo de atitude, esconsa, cobarde, hipócrita.

Já agora, cu não tem acento. Diz-lhe um tipo que se farta de fazer erros ortográficos (então hifenizações é uma desgraça). E que assina esses erros. E as emendas.
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De Makiavel a 30.10.2018 às 08:09

Tanto talento desperdiçado à volta do anonimato.

Já em situações anteriores lhe perguntei o que quer saber ao certo sobre a minha pessoa. O meu NIF? O meu CC? A minha declaração de IRS?

Para mim, também JMT ou João Teixeira ou lá como é o seu nome são anónimos. Não o conheço de lado nenhum, é um anónimo para mim, portanto.
A não ser que esteja eu na presença de uma pitada de presunção do autor e se ache alguém conhecido por escrever postais.

Estamos em pé de igualdade. Eu só um anónimo para si, o senhor é um anónimo para mim.

Para o descansar, direi que sou mesmo um anónimo, Makiavel não esconde uma qualquer pessoa ligada a interesses, partido ou instituições públicas.

Terá que lidar com o que eu escrevo, apenas. Isto se quiser. Tem sempre as opções de me ignorar ou bloquear.

P.S.: obrigado pela correcção orotgráfica. O acento no cu é mesmo quando se está cansado.

P.S.1: a sua interpretação da expressão do meu tio é muito chegada à letra. Percebo a intenção mas saiu ao lado.
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De Anónimo a 27.10.2018 às 19:36

ridiculo se n fosses fascista como aqui confessas. a prova tens na matematica dos numeros. prova-o e nao te limites a pagina do pensador favorito... o da Grande Mentira. ja estamos letrados sabes...!
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De jpt a 28.10.2018 às 07:19

Não percebi essa alusão aos números ...
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De Anónimo a 27.10.2018 às 19:57

Devem mesmo ignorar pois estamos em Portugal!

Espero que as eleições terminem rapidamente pois não se fala noutra coisa. Portugal deve ser um país muito pobre, pois não temos assuntos nossos para falar!

Depois admiram-se!
http://visao.sapo.pt/actualidade/mundo/2018-10-27-Madeleine-Albright-O-fascismo-instala-se-quando-as-pessoas--se-convencem-de-que-ninguem-e-de-confianca

Tudo gira à volta de interesses, não de princípios e alguns só vêm o que querem ver! Não podemos confiar em nada!
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De jpt a 28.10.2018 às 07:23

Já tenho aqui no blog, noutros postais, resmungando - de modo irado - sobre essa mania de alguns comentadores virem aqui opinar sobre a hierarquia dos temas que devem ser falados/debatidos (ainda para mais sem apontarem um rol hierarquizado de temas legítimos, o qual seria, ele mesmo, passível de avaliação e debate). Muito em particular quando exigem (a propósito de quê) um centramento na "coisa portuguesa", na república portuguesa. Quanto a isso de "estamos em Portugal" estará você, pois muitos de nós não o estamos ... ainda que sempre estando
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De Manuel Rocha a 27.10.2018 às 21:58

Para quem não percebeu, este "brasileiro" é um dos bots que o Bolsonaro comprou por 60 milhões de dólares, para minar a internet.
2 sites americanos, publicaram uma notícia, na secção Brazil, sobre o Bolso (de algibeira). Em 30 minutos surgiram 2700 comentários a atacar a publicação que "os americanos não estão sabendo nada sobre o Brazil e Bolsonaro vai ser presidente". Ou os brasileiros são muita burros e estúpidos que não sabem a diferença entre Bolso ou o candidato dos extremistas.
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De jpt a 28.10.2018 às 07:24

Eu neste postal não falei do Bolso - ao longo dos anos muito bloguei sobre o bolso arrombado por Sócrates e seus apaniguados, tantos deles hoje de volta ao governo. Como tal duvido que seja visitado por um robot
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De Anónimo a 28.10.2018 às 13:14

Também sou pelo Bolsonaro.
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De jpt a 28.10.2018 às 18:49

Não és o único, como a gente sabe
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De manuelpessanha a 26.10.2018 às 14:32

Da forma como as coisas estão a mudar qualquer dia fascista é elogio...
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De jpt a 26.10.2018 às 14:50

Tem sido, se vindo da boca e teclado do (pré)geringoncismo
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De Pedro a 26.10.2018 às 14:37

“O que os comunistas têm agora de fazer é convencer os trabalhadores, convencer os eleitores. Se for caso disso, que não leiam o nome de Soares, que não olhem para o seu retrato, mas que marquem a cruz do voto no quadrado que está à frente desse nome e desse retrato”.

Álvaro Cunhal aquando das eleições presidenciais que opunham Mário Soares e Freitas do Amaral.

Quanto à Assunção é uma líder de transição, esperando o partido pela disponibilidade de Nuno Mello, político com tendências popularistas. Também a Portugal ele há -de chegar representado, desconsoladoramente, por uma nova geração de políticos.

Lembro-me ainda de outra pérola de Cristas que no detalhe lhe traça o pensamento "bolsonarista" :

“Tenho calçado botas e calças de ganga muitas vezes para estar nos bairros"

Cristas, quer abandonar a democracia cristã para abraçar o evangelismo
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De jpt a 26.10.2018 às 14:59

1. O que diz é uma conjectura. Talvez, mas se assim for ficarão a jogar o King com o boçal daquele André Ventura; 2. O que invectiva é uma mera "boca", algo que mal ou bem tentei evitar neste postal. Mas avanço que toda a gente (excepto os super-miseráveis) se veste de acordo as situações. O nosso PM é um bom exemplo disso, pois como filho de oriundo de Moçambique, antifascista e anticolonialista (como lembrou, muito a propósito e sem qualquer frete, o director do DN) sabe bem que se visita África em vestes de caqui, vero "colonial style".
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De Pedro a 26.10.2018 às 15:08

"Mas avanço que toda a gente (excepto os super-miseráveis) se veste de acordo as situações"


Qual situação? A de visitar Bairros Sociais?
Quando lá vou, vou com a mesma roupa, que visto de manhã, para ir a um gueto de luxo (aqueles condomínios com muros de berlim e porteiro que olham um tipo de alto a baixo, como se o fossem comer...brrrr que medo)
.

"Aquilo" dos Bairros, para quem não sabe, estão asfaltados, tem calçadas para transeuntes e saneamento básico...além de eletricidade e etc...
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De jpt a 26.10.2018 às 15:24

Eu não sei disso, aí em Portugal vivo (e cresci) num bairro social, por isso ... Quer protestar com a Cristas? Proteste à vontade, nunca nela votei, nunca votei PP ou CDS, e este postal é a lamentá-la. Mas haverá coisas mais pertinentes do que a gestão do guarda-roupa.
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De Pedro a 26.10.2018 às 15:38

Jpt, concordo com o postal. Contudo, em termos psicológicos, e não me leve a mal, inclusive em termos antropológicos, o modo de se vestir diz alguma coisa, por vezes muito, sobre a matriz ideológica, e por isso psicológica, do individuo.

Já votei CDS, no tempo de Manuel Monteiro. Grande politico. Grande homem!


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De jpt a 26.10.2018 às 15:40

As deambulações pelo guarda-roupa são significantes. Mas há coisas mais importantes.
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De Pedro a 26.10.2018 às 15:16

O que Cunhal fez foi pôr diferenças ideológicas de lado e apoiar o candidato que mais se lhe aproximava em termos políticos. Coisa que os democratas brasileiros não conseguiram fazer para derrotar Bolsonaro.
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De jpt a 28.10.2018 às 07:26

Pois. Talvez porque o seu conhecimento muito mais aprofundado das práticas e projectos do PT não lhes criasse qualquer ilusão sobre o seu futuro. Ou então porque o relacionamento está demasiado maculado pela governação do partido. Também por isso aqui me centro na interpretação estrangeira - a de Cristas, a portuguesa, face ao modelo europeu que é o nosso - daquilo que por lá acontece
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De Luís Lavoura a 26.10.2018 às 15:13

Só fui capaz de ler este post até meio, mas o que li, gostei muito.
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De jpt a 26.10.2018 às 15:25

Ainda bem que gostou, Lavoura. Mas tenha ânimo, força, insista que tenho a certeza que será capaz de o concluir
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De Pedro a 26.10.2018 às 15:39

O Luís deve estar num Antonov, com turbulência, por cima do Novgorod.
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De jpt a 26.10.2018 às 15:50

O Lavoura? Essa personagem mítica, o arado do bloguismo luso, a hidra demoliberal? Ele está omnipresente, pelo que com toda a certeza estará também nesse Antonov, junto ao Miguel Strogoff
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De JPT a 26.10.2018 às 15:46

Esteve muito bem a líder do CDS. Pelos vistos a palavras “fascista”, ladrada pelos inimigos da democracia liberal, continua a assustar a direita portuguesa, como se estivéssemos em 75. Por ora, Bolsonaro bolsa. O PT fez. O PT pôs em causa o Estado de Direito, e não só por palavras, mas por actos, como a actuação criminosa do “juiz” Favreto, que ia tirando Lula da cadeia. E se não fez mais, foi porque não controla o aparelho de segurança, como sucede na Venezuela. Bolsonaro fará o que diz? E terá meios para isso? É muito incerto. E é certamente menos incerto do que o que acontecerá se se devolver o poder ao PT (sendo a única incerteza, aí, se não haverá um golpe militar, algo ainda pior que Bolsonaro). Já o que certamente não é “fascista” é, por cá, a apropriação dos bens públicos pelos agentes da coligação dominante, pois esses são "agentes do bem". Apenas para evitar anúncios, inflijo a mim própria a tortura de ouvir a rádio pública entre as 8 e as 9. Todos, repito TODOS, os comentadores residentes, dedicaram as últimas duas semanas a repetir a mesma opinião sobre Kavanaugh, Trump, Bolsonaro, e os “fascistas” (ou vítimas das “fake news”) que neles votam. É natural, dado que são, todos os cinco (5), (“ex” ou actuais) jornalistas da ala maoista do Público. Quando este espaço de comentário começou, no tempo do “fascista” Passos Coelho, havia um comentador por grupo parlamentar. Depois, passou a haver o Rui Ramos no meio do Mar Vermelho, até que ocorreu a alguém que “fascistas” é no Observador, e o homem foi saneado. Presumo que nem a Emissora Nacional, fosse tão unanimista e, sobretudo, tão arrogante e ofensiva para opiniões discordantes, como esta gente. Mas isso é, certamente, porque sou “fascista”.
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De jpt a 26.10.2018 às 20:11

Caro maiúsculo, sobre o que se passa na comunicação social (e não só) em Portugal nada contesto - e refiro, ainda que algo en passant, o costume "geringoncico" de extracção BE de a tudo chamar "fascista" (homofóbico, machista, racista, lusotropicalista, neoliberal) caso não seja concordante - e o afastamento das vozes contrastantes também se nota na comunicação social - paradigmático o do Alberto Gonçalves, goste-se ou não uma voz popular em tempos de recuo da imprensa escrita.
Quanto ao Brasil continuo na minha, ainda que não conheça o país com detalhe - Bolsonaro está para além do selvagem. E uma coisa é andar a cantar lérias com Lula outra é achar que este "capitão" é demasiado.
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De Anónimo a 27.10.2018 às 17:03

Se o maiúsculo gosta tanto do Bolsonaro, pode emigrar e ir ter com ele. De que espera para fazer as malas?
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De jpt a 27.10.2018 às 18:29

Ficou na moda aí em Portugal mandar embora as pessoas. Há dias eram os jornalistas pró-PS e alguns antropólogos doutorados muito a la BE que consideravam os imigrantes brasileiros, pois tendencialmente eleitores de Bolsonaro, como despacháveis para o país de origem. Agora já querem enviar os (presumíveis) portugueses simpáticos do capitão para lá também? Estão bem uns para os outros, este Bolsonaro e estes "fascistas de esquerda"
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De Anónimo a 27.10.2018 às 19:27

Mandámos a nossa escumalha fascista para o Brasil em 1974, podemos muito bem repetir isso.
Se 60% dos imigrantes muçulmanos votassem no Daesh já toda a gente tinha pedido a deportação deles.
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De Manuel Rocha a 27.10.2018 às 22:01

Será interessante ver se você irá apoiar tanto o seu herói MUNDIAL bolsonaro, quando começarem os fuzilamentos na esplanada e os 50000 mortos diários nas grandes cidades, assim como o desaparecimento da polícia de todo o nordeste do Brasil.
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De jpt a 28.10.2018 às 07:27

Isso é demasiado escatológico. O exagero não é uma boa fonte de acção
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De Pedro a 26.10.2018 às 15:58

Aos meus amigos do Observador (e à Assunção Cristas) ,de David Dinis

Racionalizar e normalizar Bolsonaro é um erro. O ódio não tem defesa, nunca se tolera. É uma traição à história, aos valores do liberalismo. E um abrir a porta aos inimigos da sociedade aberta.

Porque fui fundador convosco – e continuo a ser um orgulhoso fundador de um projecto que fazia falta -, sei como quiseram deixar clara a identidade do Observador, assumindo a defesa do liberalismo como alfa e ómega da sua existência. Sei como aceitaram separar isso da liberdade noticiosa, sei como distinguiram identidade política (assumida) de identidade partidária (rejeitada, à partida). Sei também como fizeram o projeto crescer, ganhando escala e centralidade na discussão política em Portugal.

Ora, o que tenho visto na coluna de Opinião do Observador sobre as eleições no Brasil é a antítese daquilo em que acredito. E, na minha opinião, um erro tremendo.

https://www.msn.com/pt-pt/noticias/opiniao/aos-meus-amigos-do-observador-e-à-assunção-cristas/ar-BBOV1Es?ocid=spartandhp
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De JPT a 26.10.2018 às 18:13

O que é o "ódio"? E o "ódio" ao Passos, o "ódio" ao Cavaco... até, imagine-se, o "ódio" ao Freitas (that's how old I am) eram o quê? Eram o ódio bom? E o ódio do F. Assis ou da A. L.Coelho aos brasileiros "esclavagistas", "fanáticos religiosos" e (claro) "racistas" e "fascistas" que não vão votar no LulaRedux, é "legal" esse "ódio"? Eu percebo o Dinis, coitado: ou escreve essas baboseiras ou almoça sozinho e ainda lhe metem um bilhete a dizer "fascista" nas costas.
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De jpt a 26.10.2018 às 20:16

Caro maiúsculo, V. tem ouvido o Bolsonaro ao telefone? Vá lá, há limites ... ainda para mais a gente não precisa de ser muito abrasivo, aquilo é estrangeiro.
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De jpt a 26.10.2018 às 20:15

Lá está o exemplo do que digo: há que ter a serenidade de perceber que se pode concordar, mesmo que matizadamente, com alguém mesmo que este seja o director do Público que catapultou como a mediocridade demagógica dos neocomunistas naquele jornal
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De jpt a 27.10.2018 às 10:47

Obrigado pela chamada de atenção - é excelente o texto, realmente a separar as águas quando estão turvas, tanto que obscurecem as mentes; e é um excelente texto, ainda por cima. Seria bom que Cristas ouvisse estes seus próximos.
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De Sarin a 26.10.2018 às 18:05

Cristas demonstrou, mais uma vez, ser sensível a tudo o que seja do agrado do seu potencial eleitorado. Neste caso, o nim é mesmo o mais aconselhável à irrevogabilidade dos seus desígnios eleitorais - e uso a palavra pelo valor que tinha antes do AO2013. Namorável? Certo, se for assim que se designa estar a presidência de um partido aberta à melhor oferta.

Perdeu a hipótese de vincar a diferença entre o CDS e o PP, no fundo. E de fazer valer a letra D.


As ideologias, jpt... where have all the flowers gone, long time passing? Começou há muito, esta diluição. Atrevo-me mesmo a dizer ter começado com a MTV ou com a WWW ou com a comunicação móvel ou com as redes sociais, e a história talvez venha a dizer que foi tudo a mesma época porque tudo parte do mesmo processo de dar mais importância à visibilidade individual do que à liberdade individual, à velocidade do que à racionalidade.


E coitado de Mestre André, se convocado for em tais imaturidades - ou coitados serão os que imaturam em tais gestos.
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De jpt a 26.10.2018 às 20:18

Perdeu uma boa hipótese. O mais grave é que nem sequer deve ter entendido que se tratava disso. E também seria interessante perceber quem a rodeia ...
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De Sarin a 27.10.2018 às 02:33

Seria, sim, e abordámos esse tema há pouco tempo.

Cristas não entraria nas minhas contas, não apenas pela ideologia estatuída mas também por todas estas suas "coisas" que, sendo nada, dão saldo muito negativo. Mas há um ou outro no CDS que seria bem incluído num grupo executivo plural, assim os seus elementos colocassem o país à frente do partido. Acho que só lá chegaremos assim, jpt, por projectos comuns.
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De jpt a 28.10.2018 às 07:28

colocar o país à frente do partido? Aderiu à oposição ao PS?
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De Sarin a 28.10.2018 às 21:07

Aderi à oposição ao partidarismo quando percebi que o termo "partido", em vez de significar "parte de um todo" significava antes "fracturado". Estávamos em plena década de '80 e eu nem sonhava as guerras que havia no associativismo académico - soube depois de lá estar, ingénua apartidária caída no meio de guerras inter e intra partidárias em plena época de viragem da reitoria. Se não fosse já apartidária, teria ficado então. Vários associativismos académicos e não académicos depois, nada mudou em mim, apenas nos partidos cada vez mais estilhaçados nas ideologias (as flutuações de que lhe falei há uns dias) mas coesos na senda de poder. Serei sempre oposição aos partidos, defendo grupos de trabalho plurais... que era o que se esperava fosse o Parlamento, mas o clientelismo instalou-se nos partidos e a falta de vergonha cruzou as pernas pegando no whisky e no cachimbo...
será ingenuidade, mas está visto que este modelo falhou - a Democracia morrerá quando desistirmos de a melhorar, e insistir em modelos falhados não terá sido o que nos trouxe aqui?
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De jpt a 29.10.2018 às 06:19

nada me move contra o uísque
a democracia é a pior forma de governo, como dizia aquele antigo PM da pérfida albion
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De Sarin a 29.10.2018 às 06:50

O cheiro do tabaco de cachimbo enjoa-me, mas o whisky acalma-me o estômago. Mas a perna traçada, o whisky e o cachimbo evocam-me Appleby, extraordinário secretário de um muito peculiar ministro dessas bandas.


Não acha um oximoro, ter sido a melhor frase sobre democracia dita por um imperialista esclavagista xenófobo e misógino? Mas vá que a frase não termina como a disse, haja esperança.


Esperança tenho também em que esta não caia na corda bamba de sombrinha... e que os eleitores não tenham que amar o presidente eleito pelo avesso.
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De jpt a 29.10.2018 às 22:02

o homem não era esclavagista nem nada que se parecesse Era um bocado reaccionário mesmo para o seu tempo, mas acima de tudo era um homem ... do seu tempo
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De Sarin a 29.10.2018 às 22:26

Defendeu o sistema de castas indiano; pugnou pela manutenção de serviçais a troco de cama, mesa e sapatos e muda de roupa a cada Verão e a cada Inverno... não defendia o uso do chicote, é certo, mas no mais parecia mesmo um esclavagista.


Houve homens do tempo dele que, sendo bem menos reaccionários, tiveram menos carisma. Não quer dizer que fossem menos democratas...

Mas o meu n.1 é FDR e, nas sombras, seria Maquisard, portanto deve ser uma antipatia geográfica (pronto, dois séculos antes também seria jacobita, confesso - e não, não tomo partidos na História, mas há movimentos que nos são mais simpáticos)
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De jpt a 30.10.2018 às 07:01

O homem não era flor que se cheirasse. Mas deu um grande perfume
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De lucklucky a 27.10.2018 às 11:05

Não percebe nada. Bolsonaro é o menos mau que pode acontecer ao Brasil.

Abrir o discurso é menos mau que a opressão pela castração da linguagem que o jornalismo faz.
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De Anónimo a 27.10.2018 às 17:04

E o lucklucky está à espera do quê para emigrar para o Brasil caso Bolsonaro ganhe? Há vôos na TAP para o Brasil todos os dias.
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De jpt a 27.10.2018 às 18:30

Já acima respondi a este comentário, face a um de teor muito similar (e se calhar do mesmo "anónimo")
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De lucklucky a 27.10.2018 às 11:18

Mais. No texto nem uma palavra sobre Liberdade, mas tivemos muito "Europeísmo"...


An Austrian woman who was convicted for insulting the Prophet Mohammed did not have her right to freedom of speech violated, a European court has ruled.

The European Court of Human Rights (ECHR) ruled that courts in Austria, where the woman was found guilty, had balanced the "right to freedom of expression with the right of others to have their religious feelings protected, and served the legitimate aim of preserving religious peace in Austria".

The woman, who has been named only as ES, held seminars in 2009 for Austria’s far right Freedom Party in which she made defamatory remarks relating to the Prophet Mohammed’s marriage to Aisha, which is usually misrepresented as being to an underage girl.

A court in Vienna convicted her for disparaging religious doctrines in 2011 and fined her 480 euros (Dh2,000) plus costs. The conviction was upheld by two further domestic appeals.

ES had claimed that the comments were not designed to defame the Prophet Mohammed and had fallen within her right to freedom of speech. She added that they were intended to spark a public debate.

But the ECHR said the remarks were an “abusive attack on the Prophet of Islam” and were capable of stirring up prejudice and religious intolerance.

https://www.thenational.ae/world/europe/woman-who-insulted-the-prophet-mohammed-loses-free-speech-case-at-the-european-court-of-human-rights-1.784583


Divirtam-se com o mundo que ajudaram a criar depois chamem os Bolsonaros de "Fascistas". Quem é Fascista então?
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De jpt a 27.10.2018 às 14:24

Pelos comentários que você deixa se há fascista nestas ligações é mesmo você. E era só o que faltava que um anónimo em país livre adepto de um troglodita como o bolsonaro me viesse cobrar o uso da "liberdade". Como dizia o não-fascista presidente do meu clube "ó seu jollyjumper vá bardamerda"
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De lucklucky a 27.10.2018 às 22:23

Haha, se o Bolsonaro dissesse que queria lei da censura quem dissesse mal da Igreja ou dele próprio você dava outro salto.

Como são "europeístas" "humanistas" que o fazem fica calado. E estamos a falar de fazer.

Por isso quem é mais Fascista-Marxista?

Compare lá o discurso sobre Liberdade de Expressão e até Liberdade do Jornalismo entre Bolsonaro e Haddad/PT.

É capaz de fazê-lo?

https://www.youtube.com/watch?v=8I_Kfyu963U

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De jpt a 28.10.2018 às 07:38

você encontra alguma clarividência em contestar a recusa a Bolsonaro por causa de uma indigna (e estapafúrdia) decisão de um qualquer tribunal austríaco? Não tem qualquer cabimento ... é conversa de chacha
Quanto ao fundo que V. refere, isso das sociedades europeias estarem a deixar cair a laicidade muito por influência do pensamento multiculturalista e da importação acrítica dos modelos norte-americanos (nestas questões da integração de um pendor secularista, de facto oposto à laicidade) é coisa horrível, contra a qual muito me irrito, e tenho praguejado - seja contra as patetices da islamofilia seja contra as derivas censórias internas à cristandade - lembro-me da irritação, que muito verbalizei e praguejei, contra uma série de intelectuais de esquerda portugueses que andaram a partilhar elogiar e apoiar um abjecto texto do velho Leonardo Boff que após o massacre do CHarlie Hebdo propunha e exigia limites ao direito à blasfémia. Sim, esse é um problema actual, até mais estruturante do que este caso Brasil, e esta agenda comunitarista (presa ao secularismo) avessa à democracia laica é um avatar do neocomunismo, poluente. Mas nada disso me faz simpatizar com o imundo Bolsonaro e as suas declarações de levar os outros para "a ponta da praia"
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De Vento a 27.10.2018 às 11:35

O "transfascismo", podendo-se utilizar, está aí para definir o que refere em seu texto. O tempo das ideologias morreu. Morreu na medida em que, repito-me, também a esquerda e os neo-esquerdistas aburguesaram-se. Não só aburguesaram-se - à medida dos tiques pequeno-burgueses - como também apresentaram-se como alternativa às religiões tradicionais, isto é: o farisaísmo exacerbado, que poderá designar-se por um "transfascismo", que preconiza a primazia da lei sobre as consciências, o tal estalinismo por via legal que aqui venho apontando, ofereceu a oportunidade de mobilização da maioria silenciosa. Esta maioria silenciosa começou por expressar-se num dos centros da democracia contemporânea, a saber: EUA.

Assim acontecendo, o fenómeno Bolsonaro vem ratificar a tendência e revelar-nos que a parte ocidental do mundo acabará inevitavelmente por juntar-se aos modelos que hoje começam a implementar-se a leste do ex-muro de Berlim.
Significa isto que à morte dos grandes ideólogos e profetas, como foi o cristão Roger Garaudy - expulso do PCF - (mas também Berlinguer e Carrilho), sobreveio não só a confirmação de suas visões como também a era do "transfascismo", que teve seu início com a corruptela dos partidos socialistas europeus que muito se dedicaram, também por via legal, a consolidar o poder que emerge pós queda muro de Berlim: o poder financeiro.

A idolatria mamoniana (ao deus Mamon) faz emergir a idolatria feminista, também com o surgimento, entre outros, do movimentos metoo, do género, da neutralidade de género, dos movimentos que afirmavam que de "sua barriga cada uma fazia o que queria", isto é, a vida humana é relegada para um plano secundário em favor dos animaizinhos e das arvorezinhas, mas também do culto da lei que se julga no direito de atribuir ao Estado as prerrogativas éticas, morais e intelectuais que, também entre outros aspectos, permite que este se sobreponha à pedra angular das sociedades, designada outrora por família.

Traduz-se esta etapa sociológica na renúncia da antropologia e até mesmo da genética fazendo do Homem um manipulador de coisas, transformando-se a si mesmo na própria coisa em nome de um humanismo também este idólatra.
Não faltou neste movimento sociológico a confirmação do pecado original: "sereis como Deus".
Se é certo que o mito da criação, da tradição judaico-cristã, apontava exactamente como pecado original comer da árvore da vida e da morte, os acontecimentos recentes confirmam precisamente isso: que o Homem transformou-se em dono e senhor da Vida e da Morte, exercendo esse direito sobre si mesmo, mas começando por exercê-lo primeiramente sobre os outros. E todos nós sabemos que sorrindo e cantando estamos morrendo e matando.

Todavia, como não sou esperançoso mas tenho Esperança, não tenho dúvidas que as catástrofes aproximam-se precisamente para (re)ordenar a natureza, a natureza humana.
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De Anónimo a 27.10.2018 às 19:28

Anti-semitas a falarem de "tradição judaico-cristã" tem o seu quê de ridículo...
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De jpt a 28.10.2018 às 07:44

Não tem nada de ridículo, a "herança judaico-cristã" sedimentou-se e propagou-se muitas vezes assente no anti-semitismo
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De Pedro a 28.10.2018 às 21:41

Não foi a herança judaica. Foi a Igreja de Roma
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De jpt a 29.10.2018 às 06:21

essa igreja não só pertence a esse tradição como foi grande, o grande, motor da sua generalização - só um anti-clericalismo serôdio o pode negar
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De jpt a 28.10.2018 às 07:43

Do que me diz há algo que retiro, opondo: não há inevitáveis - e os modelos que diz virem da europa oriental não são necessariamente importáveis. Tal como as agendas políticas e os modelos conceptuais da sociedade americana, estes comunitarismos, também não o são.
As grandes ideologias não desapareceram, essa coisa da "pós-modernidade" sem "grandes narrativas" é um dístico de moda passageira, um mero "smile". Estão aí robustas, o islamismo, o nacionalismo, o empreendedorismo como sub-campo do capitalismo, a cristandade nos seus avatares evangelicos, etc. Apenas desabou o marxismo(-leninismo), "transfigurado" nestes comunitarismos de agora.
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De Vento a 28.10.2018 às 10:20

A inevitabilidade ocorre sempre que o Homem se opõe à própria natureza. Porquê? Porque é um instinto de sobrevivência, algo perfeitamente natural. O texto que produzi faz uma viagem da ideologia à idolatria, onde também podemos incluir a egolatria.

Não se trata, portanto, de fazer uma abordagem a modelos importados ou exportados, mas tão somente vincar que essa mesma natureza predomina em todos os quadrantes. Assim sendo, e é, não vale a pena entrar em manipulações laboratoriais e/ou experiências sociológicas, porque essa mesma natureza encarregar-se-á de emergir em momento próprio e corrigir os desvios.

Quanto ao anti-semitismo, a tradição judaico cristã não é anti-semita. Porém existe o sionismo e o anti-sionismo, que são aspectos substantivamente diferentes. Aliás, um dos aspectos do sionismo é precisamente a tentativa feita no Knesset de transformar Israel numa terra de eleição, para alguns. E isto não faz parte da tradição cristã e tampouco do cristianismo.

A grande corrente que prevalece e prevalecerá é o cristianismo, não obstante o que os cristãos fazem dele e que muito dos não cristãos pretendem que o cristianismo seja.
Desde a era de Cristo muitos reis e muitos outros ideólogos pretenderam implementar suas correntes. A totalidade desses tem sido apagada pela memória. Todavia Cristo mantém-se vivo e actual, para actualizar.

"O Espírito de Verdade virá sobre vós e recordar-vos-á tudo quanto vos disse, e ensinar-vos-á coisas novas".

Quanto Cristo curou o cego Bartimeu (Bar Timeu = Filho de Timeu), narrativa expressa no Evangelho de Marcos, duas situações se patenteiam neste evento:
Marcos ao referir que o cego era filho de Timeu certamente pretendia focar a envolvência deste personagem, mas também que todos os demais, por este ser cego, se opunham a que o pobre homem se aproximasse de Cristo. E foi Cristo que disse: "Deixai-o vir".

Sabe quem sabe que os cegos, mudos, leprosos, paralíticos... representavam, por sua condição, para o judaísmo uma maldição de Deus. O messianismo cristão diz-nos, e prova, que a encarnação do Verbo explícita que a carne serve para transformar o mundo, que começa precisamente no mundo interior, isto é, esse deserto que nos habita e necessita da Água Viva que Jesus promete à samaritana. Água esta que bebendo-a jamais deixará com sede quem dela beber.
Portanto, a cura do cego Bartimeu representa o destronar desta envolvência cultural, inserindo-o na cidade dos Homens, mas também facultando-lhe a possibilidade de ver o que o rodeia, porque no seu interior o cego sabia que a Luz era Cristo, por isto mesmo pediu:
"Jesus, filho de David, cura-me".
Jesus reponde: "A tua fé te salvou".

Foram os olhos do espírito que deram vida à carne. É este o nosso percurso, é este o deserto e a travessia. Faz-se de dentro para fora por forma a que o interior seja igual ao exterior e o exterior ao interior. Morre aqui a hipocrisia.
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De Pedro a 28.10.2018 às 21:43

"A inevitabilidade ocorre sempre que o Homem se opõe à própria natureza."


Os padres celibatários da santa madre igreja que o digam

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