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Crisis? What crisis?

por Luís Menezes Leitão, em 25.06.19

MINISTRA-JUSTIÇA-EM-SOURE-CJM_fb.jpg

No Inverno de 1978-79, no que ficou conhecido como O Inverno do Descontentamento, o Primeiro-Ministro inglês James Callaghan viu-se confrontado com uma onda de greves no país. Questionado pelo jornal The Sun sobre o que pensava do crescente caos provocado por essas greves, limitou-se a responder que essa era uma opinião paroquial do jornalista, já que as outras pessoas no mundo não partilhariam essa visão de que existia um crescente caos no país. O jornal limitou-se a colocar essa resposta na primeira página com o título "Crisis? What crisis?". O resultado foi o descrédito total do governo trabalhista e uma derrota colossal nas eleições subsequentes, que ditaram a ascensão de Margaret Thatcher a Primeira-Ministra.

A Ministra da Justiça Portuguesa vai mais longe do que o próprio James Callaghan, chegando ao ponto de dizer que “contrariamente ao que parece transparecer no quotidiano”, a Justiça portuguesa funciona melhor do que alguma vez funcionou. Apesar das custas judiciais altíssimas, dos constantes atrasos na justiça, das remunerações dos advogados por actualizar desde 2004, e das sucessivas greves no sector, a Justiça portuguesa vai de vento em popa, havendo apenas um erro de percepção sobre o que transparece para o comum dos mortais. A Ministra da Justiça é discípula do Professor Pangloss: "Tudo vai bem no melhor dos mundos."

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7 comentários

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De Vorph Valknut a 25.06.2019 às 16:27

Provavelmente destacaria os novos hábitos alimentares dos politicos, ex-ministros e dinossauros autárquicos que têm sido forçados a fazer de lavado as catres reclusas.
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De Luís Lavoura a 25.06.2019 às 16:41

Eu acho que a ministra provavelmente até tem razão: os processos são lentíssimos, mas mesmo assim menos lentos do que no passado recente, e há muitíssimos processos em atraso, mas mesmo assim menos do que no passado recente.
Mas sem dúvida que o Luís Menezes Leitão tem uma opinião mais fundamentada que a minha.
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De André Miguel a 26.06.2019 às 09:04

Pode partilhar os indicadores onde podemos aferir essa informação? Antecipadamente grato.
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De João Campos a 25.06.2019 às 19:21

Considerando as declarações de ontem da Secretária de Estado e estas da Ministra, começo a pensar que no Ministério da Justiça devem andar a fumar coisas esquisitas. Já metiam mais tabaco.
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De Vento a 25.06.2019 às 21:34

Pode ser que a ministra tenha razão. Não estou a ver que os portugueses tenham condições para dirimir questões em tribunal. Portanto, é normal que a justiça funcione rápida e melhor por se constatar a redução de pessoas que a ela recorrem.
É simples aferir esta realidade através da estatística dos processos iniciados nos últimos 3 anos com aqueles outros dos 10 anos anteriores a 2017. Será que alguém já se lembrou desta equação? Uma outra equação será a de verificar quais os processos que entraram na justiça: por iniciativa pessoal? Por se tratar de acções públicas ou semi-públicas?...?
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De cheia a 25.06.2019 às 22:56

Vai também, que querem controlar o Ministério Público!
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De Anónimo a 25.06.2019 às 22:57

A latitude altera a perspectiva das coisas...

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