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Covid-19, um testemunho (1)

por João André, em 13.03.20

Trabalho na Alemanha e vivo na Holanda, perto das fronteiras com a Bélgica e Alemanha. A cerca de 30 km onde vivo está o principal foco alemão, na zona de Heinsberg. O principal foco holandês está a cerca de 60-80 km, a norte. Ambos estão relacionados com as celebrações de Carnaval, que são muito populares nestas zonas dos dois países. Eu pessoalmente tive de vir por motivos profissionais para o Canadá por algumas semanas e começo a perguntar-me como regressarei.

Medidas que vou vendo:

Na Holanda as medidas estão a ser tomadas a nível regional:

  • Fora da zona de Noord-Brabant, as escolas continuam abertas e as indicações são para as crianças ficarem em casa se tiverem qualquer tipo de sintomas, mesmo que seja apenas uma constipação.
  • Várias empresas na minha zona decidiram indicar aos seus funcionários que ficassem em casa. Fossem ao escritório apenas e só para ir buscar computadores, telefones, etc, para poderem continuar a trabalhar a partir de casa. Há funções que não podem ser executadas remotamente mas não sei como se está a lidar com estas. As medidas mais recentes pedem aos trabalhadores que fiquem em casa.
  • Os supermercados e demais lojas continuam a funcionar e não há açambarcamento claro. No entanto as pessoas estão a fazer as suas compras cedo e as prateleiras parecem algo despidas por algumas horas.
  • Alguns supermercados e cadeias de drogaria estão a limitar o número de analgésicos e anti-inflamatórios que se podem comprar. Os de dose adulta já estavam esgotados em alguns locais..*
  • Os eventos com mais de 100 pessoas são cancelados ou anulados.

Na Alemanha:

  • A zona de Heinsberg está essencialmente fechada. Os habitantes na região têm de ficar em casa porque os filhos estão desde há 3 semanas sem escola.
  • Os supermercados estão com mais problemas que na Holanda. Parte da razão é um atraso da parte dos supermercados alemães em adoptar compras por internet. Sem possibilidade de fazer estas compras, as pessoas são obrigadas a ir aos supermercados.
  • As empresas estão a começar a fazer planos para ter os seus trabalhadores a trabalhar a partir de casa.
  • Alguns estados começaram a fechar escolas. Também há casos de se removerem as horas de visita em hospitais.
  • Há medidas para garantir crédito ilimitado a empresas que dele precisem em resultado da situação.

No Canadá, em Ontário:

  • A medida mais notória foi a suspensão das ligas profissionais norte-americanas. Em Toronto houve um impacto psicológico forte especialmente com a medida da NHL (hockey no gelo).
  • Também o diagnóstico de Covid-19 da mulher do primeiro-ministro e a decisão deste de se isolar e trabalhar a partir de casa tiveram um impacto psicológico.
  • A maior parte das medidas são na direcção de educar e dar indicações. O número de casos no Canadá é ainda reduzido e não há medidas específicas.
  • Quando cheguei no início do mês não houve qualquer controlo no aeroporto. Isso terá mudado entretanto.

Não digo que qualquer dos casos seja um exemplo ou não. Apenas os deixo como testemunho.

 

* - actualizado.


8 comentários

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De Cristina Torrão a 13.03.2020 às 14:58

O meu marido, que é funcionário da Câmara Municipal de Stade (Norte da Alemanha), vai, a partir da próxima semana, começar a trabalhar por turnos. Ou seja: há um turno de manhã e outro de tarde, a fim de limitar a metade o número de funcionários nas instalações. E os que lá estiverem, devem evitar contactar uns com os outros. De resto, podem trabalhar a partir de casa, no mesmo regime (uns de manhã, outros de tarde). Pertence às funções do meu marido verificar, no local, o estado de certos arruamentos, nomeadamente, das ciclovias. Isso ele poderá continuar a fazer (não está de quarentena), pois nada impede que se saia à rua.

Apesar de as escolas serem da competência dos Länder (por isso, há estados com escolas fechadas e outros com elas abertas), o governo central pretende decretar o fecho de todas as escolas a partir da próxima semana.

Espero que o João André possa regressar. Nós, pelos vistos, adiaremos a nossa viagem a Portugal (por opção pessoal). Planeávamos passar lá a Páscoa.
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De João André a 13.03.2020 às 16:57

Obrigado cristina. A minha mulher já vai na 3ª semana a trabalhar a partir de casa, o que nem é complicado, pois tendo um trabalho mais técnico e administrativo, isso é fácil. Como na empresa tem uma política de open office, está até menos stressada e diz que é mais produtiva

Eu não tenho dúvidas que possa regressar. Sendo cidadão da UE e tendo residência oficial na Holanda, eles não me podem manter fora. Mas o meu voo pode ser canceleado e eu ter que procurar outro e pode ser que tenha que estar em quarentena quando chegar. A ver.

Noto é a diferença dos holandeses, que pretendem que as crianças continuem a ir às escolas e jardins de infância mas sugerem que os restantes trabalhadores trabalhem a partir de casa onde possível.
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De Vítor Augusto a 13.03.2020 às 20:22

Tenho o meu filho mais novo a fazer mestrado na tuDelft, que decretou encerramento de actividades lectivas e não lectivas até ao final do mês. Estamos preocupados, sem saber se é melhor para ele, regressar ou ficar por lá até ver. Mas temos receio de que possam encerrar as viagens aéreas entre países e depois não conseguimos ir ter com ele, se assim for necessário...
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De João André a 13.03.2020 às 20:48

Nao estando neste momento na Holanda posso dar contudo o seguinte conselho geral: ele que não vá para Portugal nem vão vocês para a Holanda. Não porque um ou outro local sejam melhor ou pior, mas porque neste momento as viagens são má ideia. Teriam de passar por zonas com mais gente (mesmo com as restrições ainda haverá número considerável de pessoas a viajar) e andar de avião (sistema fechado perfeito para a transmissão de vírus).

A Holanda tem excelentes hospitais e está muito bem organizada. Dificilmente lhe faltará que comer ou items de higiene (ou saúde). O único senão é que os médicos de família têm alguma relutância em referir as pessoas aos especialistas ou hospitais (vai dar ao mesmo), mas suponho que com esta situação as coisas mudam.

Se ele se sentir mal, ele que telefone para o médico de família dele (suponho que o tenha, é óbrigatório as pessoas registarem-se num, na Holanda) e eles lá farão a triagem em função dos sintomas. Se houver suspeitas, encominhá-lo-ão para um hospital.

Há que ter um pouco de calma: a probabilidade de contrair é, para qualquer um de nós e individualmente, consideravelmente reduzida. E contraíndo, é provável que se tenha sintomas leves. Não aumente os riscos metendo-se em viagens.

Isto é o conselho mais objectivo que eu, pessioalmente, posso dar. Boa sorte para si e para o seu filho. Esperemos que nada aconteça.
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De Vorph Valknut a 15.03.2020 às 11:25

João, peço desculpa pela minha arrogância. Tudo de bom para si e a sua família
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De João André a 15.03.2020 às 14:08

Arrogância? Não o entendo.
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De Vorph Valknut a 15.03.2020 às 14:17

Peço desculpa por ter sido, eu, indelicado, escrevendo cheio de certezas, sem ser um especialista na Área . Detesto pessoas cheias de certezas e "por vezes" assemelho - me a elas. Tudo de bom
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De João André a 15.03.2020 às 20:47

Nunca o senti vindo de si. Todos nós o fazemos mais ou menos (e eu, claro, também, provavelmente ainda mais que muitos outros) mas nunca tive a sensação que o faça de forma arrogante. Se tívessemos de apresentar o "disclaimer" que não temos a certeza completa do que dizemos ou escrevemos, acabávamos por não escrever mais nada...

Seja como for, obrigado e tudo de bom também para si. Abraço

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