Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Convidado: RICARDO C. MAGALHÃES

por Pedro Correia, em 02.03.18

 

A questão mais importante

 

1. A catástrofe

Imaginemos que todos os meses, no dia 1, colocamos 100€ num mealheiro.

Imaginemos também que todos os meses, no dia 25, retiramos 100€ do mealheiro e deixamos no seu lugar um papel com a mensagem: “Título de Dívida. Valor: 100€.”

Pergunta: Quanto teríamos no mealheiro ao fim de 30 anos?

 

A questão pode parecer trivial, mas quando Vítor Gaspar autorizou a que 50% do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) estivesse “investido” em dívida do próprio Estado, e Teixeira dos Santos depois aumentou esse valor para 90% (!), torna-se preceptível a sua relevância.

Caro leitor, se eu lhe devesse dinheiro, isso para mim era um passivo e para si um activo. Se eu dever dinheiro a mim próprio, isso anula e não vale nada. Alternativamente, eu passava um cheque de 1 milhão a mim próprio e tornava-me milionário – o que como bem compreende não acontece.

 

Quando o Ministro das Finanças ordenou a venda de activos com valor e a sua troca por dívida comandada pelo próprio ministro, isso foi uma catástrofe. À beira destes negócios de quase 10 biliões, os 30 milhões alegadamente oferecidos a Sócrates são um detalhe, irrelevante no grande esquema da sociedade. Para mim, os grandes crimes da última década em Portugal, maiores ainda que os do sector bancário, foram aqueles dois aumentos ordenados pelos ministros e mal noticiados.

O FEFSS está assim quase vazio. Mais: o Relatório OE2017, na sua página 248, diz textualmente: “Ainda que se projetem saldos negativos do sistema previdencial em meados da década de 2020 sendo nessa altura simulada a utilização anual do FEFSS para fazer face a esses défices, o esgotamento do FEFSS projecta-se para o início da década de 2040.” Isto mesmo com o factor de sustentabilidade e o aumento faseado da idade de reforma já previsto na lei.

 

 

2. O porquê

Marcelo Caetano criou a Segurança Social numa época (1970) em que a Esperança Média de Vida (EMV) era cerca de 67,1 anos. Com uma idade de reforma de 65, isto significava que muitos portugueses nunca iriam receber a reforma – cerca de metade da população “abrangida”. E refiro “abrangida” porque na altura quem não contribuía não recebia, o que excluía grupos na altura numerosos como domésticas, agricultores e pescadores.

Hoje, a idade de reforma subiu de 65 para 66 e 6 meses. Mas a EMV subiu de 67,1 para 80,6 anos (continuando a usar dados PorData). O número de anos na reforma passou assim de 2,1 para 14,1. Inversamente, em 1970, 14 pessoas activas pagavam 1 pensão – hoje 2,15 activos pagam 1 reforma (4 379 000 a pagar, 2 036 000 a receber reforma). Isto para já não contar pensões de invalidez (238 000) e sobrevivência (720 000), senão o rácio seria 1,46 (!) activos a pagar cada pensão (4 379 000/2 994 000).

 

Para se chegar aqui, a demografia teve algum “apoio” da classe política. Depois de nacionalizar diversas caixas de pensões no pós-25/Abril, o Estado resolveu atribuir pensões aos não-contributivos (como já referido, domésticas, agricultores e pescadores) – sem lá colocar um cêntimo. Sucessivos governos criaram diversos subsídios (doença, abono de família, desemprego...) – sem lá colocar um cêntimo. Estes subsídios culminaram em 1997 na criação do RSI – sem lá colocar um cêntimo.

Devo também sublinhar que muitos funcionários públicos estavam na expectativa de pagar 34,75% durante 32 anos e receber 100% durante quase 30 anos.

 

Quanto é o buraco? Ou seja, se o fundo fosse vendido com as suas obrigações actuais, quanto teria o Estado de entregar, para além do constante no FEFSS, ao novo proprietário? O livro branco de 1998 colocava o valor em 7 300 milhões de contos/ 36 500 milhões de euros. Hoje há quem fale num défice de 70 000 milhões de euros. Mas uma coisa é certa: existe e é na ordem de grandeza de dezenas de biliões (na numeração americana).

Mas o pior nem é isso: devido à baixíssima natalidade (caiu para quase 1/3 desde 1970), a evolução futura é para pior, quer nos rácios contribuintes/beneficiários, quer a nível do saldo negativo.

 

ciclo-de-vida[1].png

 

 

3. A solução

A minha maior surpresa quando falo de política com qualquer pessoa não é o seu posicionamento ideológico, a sua opinião sobre os temas da actualidade, ou o tema político que para ela é mais importante e portanto define o seu voto. É a irrelevância que a população confere a este tema. Consecutivamente, como o tema não é importante, se me perguntarem a solução em termos políticos, é simples: não há.

 

As soluções preconizadas pela classe politica genericamente passam por colocar um limite máximo às reformas (possivelmente entregando a outros a gestão do excedente, obrigando o estado a contrair dívida imediatamente para fazer essa transferência, o que torna esta solução politicamente impossível).

Outra solução seria estabelecer a teoria dos três pilares: público, empresarial (fundo de pensões) e pessoal (previdência privada) – quem quiser uma reforma digna terá de poupar por si junto de uma seguradora.

Uma última solução consistia simplesmente em aumentar impostos especificamente para este fim – situação que prefiro nem desenvolver, dada a já elevadíssima carga fiscal em Portugal.

Nenhuma das soluções é fácil de implementar politicamente e assim a paralisia deverá imperar até a situação se degradar até ao limite. Por isso dificilmente a solução nas próximas décadas será política.

 

Ora, se em termos de policy makers nada há a fazer nesta fase, a nossa acção deve ser por agora confinada aos policy takers. Ou seja, como não há peso político para alterar a trajectória do estado neste tema, adaptemo-nos nós os dois (eu e o leitor). David Ricardo propôs a Equivalência Ricardiana (grande nome, se me é permitido) segundo a qual a despesa pública exagerada apenas gera impostos futuros e, portanto, as famílias responderão a este exagero com aumento da poupança.

E a solução passa exactamente por aqui: poupar.

 

Imaginemos que o leitor se reforma aos 70. Quanto anos vai estar reformado? Ora, se a EMV for subindo até aos 85, isso quer dizer que estará reformado 15 anos ou 180 meses. Se quiser ter 1000 euros de complemento à parca reforma estatal (que será cada vez menor e com mais tectos máximos), terá, portanto, de ter de lado 180 000 euros. O que pode parecer muito dinheiro hoje, mas recordo que na data da sua reforma o dinheiro valerá bem menos do que vale agora.

 

Para conseguir isso, há várias soluções: rendimentos passivos (ex: tirar fotografias ou escrever pequenos livros para gerar dinheiro passivamente), viver numa casa que se possa pagar em metade da carreira (para aos 50 estar livre para se focar na poupança), evitar comprar passivos cuja compra só trazem novas despesas (melhor exemplo: um carro caro), e de forma geral evitar ter um nível de vida muito próximo – ou acima! – dos seus rendimentos.

A este propósito, recomendo o livro Rich Dad, Poor Dad, de Robert T. Kiyosaki.

 

Deixe-me sublinhar isto porque é importante: se o leitor neste momento não tem dívidas - ou tem uma dívida muito pequena à banca por conta da casa e, portanto, acredita estar quase no equilíbrio financeiro – tem na verdade uma grande dívida implícita ao seu alter ego futuro e é importante começar logo que possível a poupar para essa dívida.

Falhar em poupar é cair num tipo especial de invalidez, em que a impossibilidade de sair de casa não é por motivos físicos (como na invalidez física), mas por motivos financeiros: a invalidez financeira. E ao contrário da primeira, esta é evitável.

 

 

4. Conclusão

Eu não vejo televisão. E não vejo quer porque nada do que lá se fala é muito relevante, quer porque não vejo muito interesse em mudar isso. Nada contra Fátima, Futebol e Fado. Nada contra Prós & Contras enviesados à partida a favor do campo preferido pela RTP. Nada contra uma RTP2 supostamente mais cultural, mas fixada em artes performativas cujo significado profundo é inexistente ou então há muito esquecido – sendo assim ocas na sua essência.

 

aesthetics-civ4[1].jpg

 

Sou contra é a falta de reflexão sobre os temas mais importantes da contemporaneidade. E a literacia financeira em geral e esta análise de ciclo de vida em particular creio ser um deles.

 

Deixo aqui a referência a um estudo noticiado aqui, e disponível aqui, em que participei, precisamente no capítulo III sobre a Segurança Social, e em que Luís Paes Antunes sugere algumas vias possíveis para ultrapassar este imbróglio.

 

Caríssimo leitor, estamos tramados é o que lhe digo. Garanta rendimentos passivos e poupe: o seu eu futuro agradecerá.

 

 

Ricardo Campelo de Magalhães

(blogue O INSURGENTE)

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


31 comentários

Sem imagem de perfil

De Vlad a 02.03.2018 às 11:23

"Caro leitor, se eu lhe devesse dinheiro, isso para mim era um passivo e para si um activo. Se eu dever dinheiro a mim próprio, isso anula e não vale nada. Alternativamente, eu passava um cheque de 1 milhão a mim próprio e tornava-me milionário – o que como bem compreende não acontece."

Bom , mas acontece isso com os Bancos Centrais que imprimem dinheiro a partir de nada e o emprestam com juros aos cidadãos, empresas e Estados.

"Estes subsídios culminaram em 1997 na criação do RSI – sem lá colocar um cêntimo."

O Rendimento Básico incondicional ajudará a prevenir a pobreza e a assegurar a liberdade a cada indivíduo, a determinar a sua vida, e a fortalecer a participação de todos na sociedade. Ajudará a evitar divisões sociais, debates baseados na inveja e na injúria e as suas consequências, assim como uma burocracia de controlo e inspeção superfluamente dispendiosa, repressiva e excludente. Enquanto pagamento por transferência livre de discriminação e estigmatização, o Rendimento Básico Incondicional previne a pobreza oculta e diferentes tipos de doença.

Importante argumento quando 70% dos actuais empregos poderão desaparecer - Desemprego Tecnológico.

Importante, também, quando a maioria de nós não terá uma carreira contributiva que nos permita ter sequer uma reforma- contribuímos , mas nada receberemos.

Quanto ao Estado ter investido em Dívida Soberana parece-me excelente ideia em virtude dos juros pagos. Se eu tivesse um milhão de euros também nela investia (mínimo a partir do qual se pode comprar dívida pública - porque será? ).

Quanto ao financiamento da Segurança Social/ Estado Social, que tal:

Existe cada vez mais o consenso em levar o sector financeiro a contribuir de modo mais equitativo para as contas nacionais e/ou europeias.
As soluções similares à “Taxa Tobin” ou “Taxa Robin Hood” têm sido apresentadas como sendo as que melhor agiriam contra o poder dos mercados financeiros especulativos, em defesa dos mais afetados pelas consequências socioeconómicas da desregulação desses mesmos mercados.
A taxa sobre as transações financeiras permitiria à União Europeia utilizar esta ferramenta como um mecanismo de desenvolvimento dos seus objetivos de solidariedade, coesão, equidade e humanidade.

O Imposto Tobin é um tributo proposto pelo economista americano James Tobin, da Universidade de Yale, laureado com o Prêmio Nobel de Economia em 1981.

O imposto Robin/Tobin geraria receitas, só na UE, na ordem dos 35 mil milhões de euros.

Acabar com a SS é o sonho de todo o capitalismo selvagem. A troco do trabalho feito até um prato de moelas serviria de jornada.
Sem imagem de perfil

De Vlad a 02.03.2018 às 14:18

Robots could push unemployment to 50% in 30 years

Vardi , professor of computational engineering at Rice University.


Sem imagem de perfil

De Vlad a 02.03.2018 às 14:26

"Rendimento universal seria muito mais justo"

https://www.google.pt/amp/www.dn.pt/sociedade/interior/amp/rendimento-universal-seria-muito-mais-justo-8808802.html

"Com a robotização do trabalho e a explosão do desemprego, diversos países testam o chamado rendimento universal garantido."

http://pt.euronews.com/2017/02/21/rendimento-universal-solucao-ou-utopia
Sem imagem de perfil

De Lucklucky a 02.03.2018 às 14:59

E temos a vigarice típica do socialistas.

Quem julgas que paga o sector financeiro Vlad?

Os clientes do sector financeiro ou seja todos nós.


Estado Selvagem é o que temos nós como se vê pelos impostos e ainda queres mais selva.
Sem imagem de perfil

De Vlad a 02.03.2018 às 15:26

Luck:

No dia 8 de fevereiro de 2010, os gestores de alguns dos mais poderosos fundos de cobertura norte-americanos, como o SAC Capital Advisors, o Soros Fund Management, o Green Light Capital, e o Brigade Capital Management, encontraram-se para um seleto “jantar de ideias”, numa moradia de Manhattan, a convite da empresa de corretagem Monness, Crespi, Hardt & Co. O assunto do jantar foi dos cenários “prováveis” para a evolução da economia mundial. Incluindo, o de que a economia Europeia estava perto de entrar em colapso, o Euro de desvalorizar, e os títulos da dívida pública Grega constituíam o seu flanco mais vulnerável.

Três dias depois, o Euro sofreu um ataque especulativo nos mercados internacionais, que determinou a sua desvalorização de facto.

De acordo com a notícia do Wall Street Journal, que revelou esta sucessão de acontecimentos, vários fundos de cobertura, apoiados por bancos de investimento, como o Goldman Sachs, o J. P. Morgan, o Bank of America-Merrill Lynch, e o Barclays Bank of London, apostaram em massa na queda do Euro, alguns dias depois de algumas destas instituições terem discutido a hipótese abstrata.

Em simultâneo, os fundos e bancos de investimento adquiriram milhões de euros em credit default swaps (CDS) vinculados à desvalorização de títulos da dívida soberana de alguns Países da Zona Euro, nomeadamente aqueles conhecidos como periféricos, ou sob o acrónimo pejorativo PIIGS – Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha.

Deste modo, os ataques especulativos iniciados em fevereiro de 2010 contribuíram para a perceção negativa geral sobre a sustentabilidade financeira da Zona Euro e, em particular, da sua periferia. Foram ainda reforçados por ações de propaganda através das agências de notação financeira e da comunicação social.

Por consequência, as taxas de juro associadas à emissão da dívida pública destes Países foram subindo gradualmente, até chegarem a níveis insustentáveis.

Cheira-me a Manipulação, que lhe parece caríssimo?
Sem imagem de perfil

De Lucklucky a 06.03.2018 às 12:52

Ou seja não respondeste nada ao que contestei. Típico.
Sem imagem de perfil

De Vlad a 02.03.2018 às 15:31

Os impostos são altos por causa da selvajaria dos mercados.
Sem imagem de perfil

De Lucklucky a 06.03.2018 às 12:54

Ser Marxista é mentir .O Orçamento de Estado o que diz?
Sem imagem de perfil

De António a 03.03.2018 às 10:30

Há um problema grave com a Taxa Tobin, porque ela não vai incidir sobre a grande especulação financeira (nada incide) mas sobre milhões de pequenas transações de classe média/baixa.
Comparável à Tobin seria taxar as empresas pela facturação e não pelo lucro. Acha justo?
Sem imagem de perfil

De Vlad a 03.03.2018 às 14:41

António quem sou eu para avaliar com precisão estas temáticas. O que defendo são outras formas de subsidiar a Segurança Social/ Estado Social. E tem de se começar por algo lado e ir aperfeiçoando a estratégia.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 07.03.2018 às 10:43

Vlad,
Sobre os Bancos Centrais tem razão. Este artigo não era sobre esse tema e já é grande sendo só sobre os temas que aborda, mas obviamente os Bancos Centrais são outra enorme fonte de passivos escondidos debaixo do tapete.

Sobre novas taxas, já deve imaginar que como libertário me oponho frontalmente. A discussão é que transferências para o sector imoral e ineficiente se devem terminar, e não que taxas novas criar...

Sobre terminar com a Segurança Social, nunca escrevi ser esse o meu objectivo e, para não o deixar na omissão, digo-lhe já: não é. Neste momento creio que o ideal seria caminha para o sistema de 3 pilares Suíço.
Peço desculpa se isso é demasiado "selvagem" para si.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 02.03.2018 às 11:30

Excelente post Ricardo. Equilibrado e, sobretudo, sem nos procurar vender soluções fictícias.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 07.03.2018 às 10:46

Obrigado Luís Lavoura.
Creio que antes de debater soluções, é importante toda a população ter noção do problema.
Acredite que tenho contributos para o debate posterior, mas neste artigo centrei-me sobretudo na apresentação do problema em geral e do que uma solução genérica implicaria. E creio que esta é a mensagem mais importante a passar, nesta fase.
Sem imagem de perfil

De Vento a 02.03.2018 às 11:39

Meu caro Ricardo Magalhães,

O que nos diz é algo assim: depois de morrerem todos estes, que agora vão usufruindo (mal) de sua pensão, reforma, rsi e desemprego, sobrar-nos-á a miséria.
A pergunta é a seguinte: Como é que um miserável é capaz de poupar? Não acha que existe um aspecto sonhador em termos de poupança em todas as suas equações?

A única poupança a ser feita para evitar um quadro de catástrofe, que já é presente, futuro passa precisamente por existir um critério rigoroso nos recursos disponíveis. E quem pode e deve fazer isto, por via da colecta e sua gestão, é o Estado.
A miséria está instalada precisamente por se delapidarem recursos públicos em sonhos e em resgates privados, e também por via da desresponsabilização pessoal.

Portanto, se há algo a mudar é o conceito de mercado e de economia.

A troika actual, PS, PCP e BE, à semelhança da troika anterior, PSD, CDS/PP e PR, mede o sucesso de suas políticas por via do que se encontra oculto. Significa isto que o sistema governativo dirige-se para segmentos corporativos quer económicos, quer financeiros, quer profissionais e muito pouco para o Todo.

O equilíbrio não assenta em estacas ou pilares, conceitos que vêm desde finais do anos 80 princípio de 90 do século passado, mas no bom-senso em matéria de gestão da Polis.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 07.03.2018 às 10:49

Eu estou a sugerir que diminua o seu consumo discricionário.
Se não o puder fazer tudo bem: quando tiver metade do seu poder de compra e despesas médicas mais avultadas, na sua reforma, na altura descobrirá como poupar...

Não quero soar mauzinho, mas infelizmente não tenho uma varinha mágica para lhe vender amanhãs que cantam. Apenas notícias de sangue, suor e lágrimas.
Garanto-lhe que lamento.
Sem imagem de perfil

De Isabel a 02.03.2018 às 12:02

Se a seguir investigar o funcionamento do sistema bancário europeu, então vai ver que a « tramação » ainda é maior.
Sem imagem de perfil

De Desconhecido Alfacinha a 02.03.2018 às 12:06

Excelente Post!
Sem imagem de perfil

De jo a 02.03.2018 às 12:45

Esqueceu-se de nomear outra razão para a falência da SS.
Até há bem pouco tempo as pensões atribuídas tinham um valor mais baixo que os ordenados pagos. Era normal os filhos ganharem mais do que os pais ganharam na sua idade.
Como se foi buscar a competitividade da economia quase exclusivamente aos salários, neste momento os filhos ganham menos do que os pais ganharam com a mesma idade, logo há muito menos dinheiro para pensões.
Se pensarmos que os salários médios chegaram a cair 10% durante a crise e que o dinheiro da SS vem em exclusivo dos salários, então houve uma redução de 10% de dinheiro a entrar na SS. Na verdade foi mais porque o número de trabalhadores também diminuiu.

O problema da demografia é um falso problema. Na verdade temos um desemprego jovem enorme e uma emigração de jovens qualificados monstruosa. Se a demografia fosse o principal problema, tínhamos mais empregos do que jovens e não é isso que acontece. Acresce que no mundo atual globalizado dificilmente há falta de mão de obra, quando falta importa-se.

Os nossos liberais andaram a promover o desemprego para provocar baixos salários, agora têm um problema: o sistema de pensões é unificado e as pensões deles foram pelo cano abaixo com as da restante população. Daí a quantidade de gente que preconiza plafonamentos e outros processos de separar as pensões dos que têm dinheiro e poder das dos outros.

A solução de poupar para a reforma é tão evidente que qualquer idiota a vê. O que custa mais a ver é que poupanças se podem fazer num país em que o salário médio não chega nem perto dos 1000 euros. Ou seja 50% das pessoas não têm hipótese de poupar e ter uma vida digna ao mesmo tempo.

Além disso poupar para ter num banco nos últimos tempos tem sido o forte dos portugueses. As suas poupanças têm servido para salvar bancos através dos impostos, sem retorno nenhum. É engraçado como a dívida pública e dos cidadãos individuais é uma obrigação sagrada que tem de ser paga, mas a dívida aos bancos se chama "imparidade" ou "crédito mal parado" e ninguém é responsável por ela, surge do nada.
Sem imagem de perfil

De Vlad a 02.03.2018 às 13:53

Excelente Jo!

Na Caixa Geral De Depósitos levam perto de 10€ por mês em comissões bancárias - é fartar vilanagem
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 02.03.2018 às 14:35

Excelente parágrafo:

O problema da demografia é um falso problema. Na verdade temos um desemprego jovem enorme e uma emigração de jovens qualificados monstruosa. Se a demografia fosse o principal problema, tínhamos mais empregos do que jovens e não é isso que acontece. Acresce que no mundo atual globalizado dificilmente há falta de mão de obra, quando falta importa-se.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 02.03.2018 às 14:13

Bem-vindo ao DELITO, Ricardo. E com um texto que bem merece ser lido - e relido.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 07.03.2018 às 10:52

Muito obrigado pela oportunidade Pedro.
Aproveitei a oportunidade para falar sobre um tema que me é caro.
Acabei também de referir este artigo n'O Insurgente, para incentivar cruzamento de leitores, o que é sempre positivo para ambos os blogs.
Até uma próxima,
Em Liberdade,
Ricardo Campelo de Magalhães.
Imagem de perfil

De João Pedro Pimenta a 07.03.2018 às 17:45

Bom texto, extremamente pertinente e sobretudo inquietante (o que prova o seu valor). Demora um pouco a ler com atenção, e mais ainda a digerir, mas vale realmente a pena.

Um abraço, Ricardo.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 02.03.2018 às 15:48

Penso que existe um erro no 2º parágrafo.

No 1º comentário o Vlad evoca o rendimento básico universal, que penso eu é a cereja no topo do bolo do Neo-Comunismo que nos querem continuar a enfiar pela goela.
Ainda bem que no texto é salientado que a Segurança Social foi criada antes do 25 de Abril e que após este, tudo foi "unificado" num bolo que agravou as desigualdades entre gerações e profissões embora assim não parecesse na altura. Pessoalmente defendo uma Segurança Social gerida pelo Estado isto sem pôr em causa que as pessoas caso queiram transfiram parte do seu rendimento em acréscimo para outro género de poupanças do sistema "privado" embora saibamos todos ao que se sujeitam nomeadamente os pobres que não o podem fazer e que mesmo assim são chamados a pagar as asneiras dos ricos de uma maneira ou outra...

WW
Sem imagem de perfil

De Vlad a 02.03.2018 às 19:11

E todos sabemos o que sucederá caso os Fundos de Pensões forem ao ar.

Sem imagem de perfil

De Vlad a 02.03.2018 às 20:13

"Ainda bem que no texto é salientado que a Segurança Social foi criada antes do 25 de Abril "

O Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social, I.P. foi criado em 1977

A segurança social, universal, baseada nos direitos dos cidadãos, só nasceu em Portugal depois do 25 de Abril de 1974.

Resenha histórica :

Em 1935, foi promulgada a Lei da Previdência Social corporativa, que não era de carácter universal.

Não abrangia nomeadamente o meio rural. Deixava ainda assim a descoberto os acidentes de trabalho, as doenças profissionais, a tuberculose, a maternidade e o desemprego.

"Em 1940, foi criado o Subsecretariado de Estado da Assistência Social e foram confirmadas as diversas atribuições do Ministério do Interior relacionadas com a "gestão" da pobreza.

Incluíam-se nas suas funções tanto a assistência aos que esmolavam "por virtude do reconhecido estado de necessidade" como a repressão dos pedintes "por vício", os quais deveriam ser encarcerados em albergues de mendicidade, na dependência da Polícia de Segurança Pública.

Assistência e criminalização da mendicidade permaneceriam "casos de polícia", até aos anos 60 do século XX".

Após a IIGG esboçou-se um Plano de Assistência Pública cabendo ao Estado Novo definir os que deveriam beneficiar da assistência pública. Estabeleceu-se uma autêntica tabela classificativa de "maus" - ou "parasitas sociais" - e de "bons" pobres, a única categoria passível de ser apoiada."

Por exemplo, em 1942, havia apenas 77.000 beneficiários face a uma potencial população activa de 1,3 milhões de trabalhadores, ou seja, 6%.


...quanto à Segurança Social da Dita dura estamos falados

Quanto à proposta neo-comunista, faz-me lembrar:

Debate sobre a Assistência Social e da Previdência Social, na Assembleia Nacional (1961):

Os procuradores à Câmara Corporativa ergueram-se contra a transferência para a sociedade e para o Estado as responsabilidades económicas e sociais de cada um, considerando que os "perigosos conceitos" da segurança social universal levariam à destruição do espírito de iniciativa e privariam os indivíduos dos melhores estímulos "para trabalhar e produzir, para prever e poupar, para se valorizar e construir por si o seu próprio futuro".

No Estado Novo era só empreendorismo!!





Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 02.03.2018 às 22:49

Quanto à Previdência Social e não Assistência:

Por exemplo, em 1942, havia apenas 77.000 beneficiários face a uma potencial população activa de 1,3 milhões de trabalhadores, ou seja, 6%.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 02.03.2018 às 16:58

Excelente "post".
Não existem soluções milagrosas.
Mas como bem refere - ..... a irrelevância que a população confere a este tema..... - a esmagadora maioria dos cidadãos pensa a meses, e não se preocupa com outros temas quanto mais com este. António Cabral
Sem imagem de perfil

De Vlad a 02.03.2018 às 19:15

Pensa a meses porque o salário é pouco e a precariedade muita.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 07.03.2018 às 12:25

Nos EUA, se ocorrer uma despesa extra, 47% da população do país "lanterna" do mundo não tem uma reserva financeira e terá de colocar a despesa no cartão de crédito.
É um problema de atitude muito antes de ser um problema de desenho de instituições.
O que ainda é mais grave, pois um problema de instituições seria mais fácil de resolver...
Sem imagem de perfil

De JAB a 02.03.2018 às 20:47

Só por um texto destes já vale a pena ir passando por aqui. Obrigado. JAB.

Comentar post



O nosso livro





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2017
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2016
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2015
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2014
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2013
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2012
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2011
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2010
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2009
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D