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Convidado: JASG

por Pedro Correia, em 05.03.18

 

Abaixo a popularidade

 

Qualquer indivíduo sem pretensões a um cargo público está mais livre de criticar as idiossincrasias dos tugas. O que revela logo uma fragilidade grande, porque o tuga tem a singularidade de não aceitar a crítica sem o contra-ataque ad hominem. Esquece rapidamente a mensagem filando o mensageiro. 

Com frequência o tuga exige de imediato algo muito urgente, servindo-se do predicado de cliente e como tal da autoridade, para o dia seguinte que irá levantar decorrida uma ou mais semanas desse dia seguinte. Mesquinho, não há espectáculo de borla que não aproveite, reclamando depois dos magotes de gente que partilham com ele o espaço. 

 

image4[1].JPG

 

Ainda recentemente houve um exemplo notório — ao mais alto nível — de como um tuga justifica a incompetência com a dedicação: quando a ex-ministra da Administração Interna revelou publicamente que não tinha gozado férias em plena tragédia dos incêndios.
O tuga também não reclama por convicção, reclama por interesse. Censura, critica, mas se for beneficiado também se cala com o argumento de que todos fazem o mesmo. Mesquinho, entope as urgências à segunda-feira para não estragar o fim-de-semana. Confunde confiança com vaidade, presunção, prepotência ou arrogância.
 
Enquanto para um nórdico o bem comum é considerado de todos, para o típico tuga o bem comum não é de ninguém. É pessoa para estar quinze minutos numa fila a soprar de impaciência e, quando chega finalmente a sua vez, gasta vários minutos à procura dos documentos necessários à resolução do assunto que o trouxe ali. 
 
Um dia, ao chegar à sede da Nokia, ainda de madrugada, à boleia de um finlandês, estranhou o carro ter ficado estacionado tão longe da porta da entrada com o parque de estacionamento completamente vazio. Retorquiu o anfitrião que os lugares mais próximos da porta da entrada eram propositadamente deixados livres para os que se possam atrasar. 
 
De consciência se evitou de falar na inveja tuga neste texto, já cliché. Está bem, o tuga também tem muitas virtudes. Mas essas o professor Marcelo, actual Presidente da República, com popularidade recorde, já as descobriu todas.
 

JASG

(blogue QUEM OUSA, VENCE)

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13 comentários

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De Luís Lavoura a 05.03.2018 às 10:47

Excelente post.

Mesquinho

Há que observar que os atuais portugueses são quase todos filhos ou, na melhor das hipóteses, netos de "carroceiros das berças". Ainda há uma ou duas gerações a generalidade dos portugueses eram campónios muito pobres e de educação extremamente deficiente. Os portugueses de hoje foram educados por carroceiros das berças e herdaram-lhes, naturalmente, os jeitos. E, naturalmente, um dos jeitos da gente muito pobre é a mesquinhez. São poucos os portugueses de hoje que não são filhos de pessoas que precisavam de sorver cada migalha.
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De Vlad a 05.03.2018 às 15:12

Mesquinho não é aquele que sorve a migalha da mesa porque lhe comeram o pão inteiro.

Mesquinho são os outros que comendo tudo, não deixam nada, e perante aqueles que pedem migalhas dizem:

Comam bolo!

-----------'''
Stereotypes are everywhere, here is a list of some of the more common stereotypes of American citizens according to eduPASS, a website devoted to students who want to study in the United States:

Boastful and arrogant.
Disrespectful of authority.
Drunkard.
Extravagant and wasteful.
Generous.
Ignorant of other countries and cultures.
Informal.
Insensitive.
Lazy.
Loud and obnoxious.
Promiscuous.
Racist.
Rich and wealthy.
Rude and immature.
Snobbish.
Stingy.
Think they know everything.
Thinks every country should imitate the US.
Uninformed about politics.


Estes também são filhos de carroceiros?

Parece-me que todos somos muito parecidos
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De Beatriz Santos a 05.03.2018 às 23:44

O que quis dizer concretamente com o termo carroceiro das berças? Gente muito pobre que era burro de carga dos outros e sem educação?! Ou gente mal formada?
Também me confrange que o mundo despovoe por uns saldos, uma coisa de importância nenhuma que se dê, uma baixa súbita nos preços. E sei que é um lado mesquinho de muito português. Mas talvez o facto de os pais, em seu tempo, sorverem cada migalha, tenha contribuído. A penúria deixa marcas que não são apenas físicas.
Ainda bem que o professor Marcelo existe. Vai contrabalançando as virtudes que descobre com os defeitos que estão à vista.
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De Luís Lavoura a 06.03.2018 às 14:43

O que quis dizer concretamente com o termo carroceiro das berças?

Gente muito pobre e de nível educacional baixo ou nulo, vivendo em terras afastadas dos centros urbanos com algum desenvolvimento.

A penúria deixa marcas que não são apenas físicas.

Exatamente. Foi isso mesmo que eu pretendi dizer com o meu comentário. Que boa parte do povo português se encontra psicologicamente marcada por uma história familiar de penúria e utilização de métodos para sobreviver nem sempre muito lisos. Como por exemplo roubar árvores dos terrenos de outrem, mudar marcos para conquistar alguns metros quadrados de terreno, entornar lixo para o terreno de outrem, etc.
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De amendes a 06.03.2018 às 14:20

Lavoura

Lembro-me como se fosse hoje:

O te avô carroceiro a vender berbigão d'areia... O teu pai herdou o negócio mas a vender "pitroleo"

Tu atrás da carroça.... era de matar!
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De Luís Lavoura a 06.03.2018 às 14:47

O meu avô foi emigrante no Brasil e agricultor em Portugal. Carroceiro nunca foi. Andou muitas vezes atrás de um carro de bois, mas não no comércio. Embora tenha ganhado muito dinheiro no Brasil, acabou por voltar a Portugal tão pobre como quando para lá foi.
O meu pai já não fez nada disso. Foi a primeira pessoa natural da sua aldeia a licenciar-se. Viveu desde os dez anos de idade na cidade. Nesse tempo não havia liceus nas vilas e os miúdos que queriam estudar tinham que ir com essa idade viver sozinhos para a cidade, a dezenas de quilómetros dos pais.
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De Anónimo a 05.03.2018 às 10:58

Tuga me confesso.
No civismo.
Porque na cidadania sou nórdico.
Há quem confunda os dois conceitos.
Ilegitimamente.
Sou, portanto, 1/3 tuga e 2/3 nórdico.
Porque a cidadania é mais estruturante que o civismo.
São convicções.
João de Brito
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De Vlad a 05.03.2018 às 10:59

Talvez uma das características mais lusas seja a facilidade com que nos destratamos. "O português é assim e assado...." Contudo quando estamos fora (ou vemos as notícias do mundo lá fora; partidos de extrema direita xenófobos no poder, guerras, etc) por longos períodos de tempo desesperamos por voltar à Santa terrinha!

Mas desconfio que também os suíços, os italianos, os espanhóis, os franceses, os americanos ,etc vejam no vizinho do lado a súmula de todas as imperfeições. Porventura não será uma questão de nacionalidade o dizer mal do compatriota. Será mais uma questão de natureza humana.


Vale o que vale:

Portuguese people's characteristics from my point of view

https://erasmusu.com/en/erasmus-blog/main/what-i-learned-about-the-portuguese-people-408489
-----------'''
The conclusion is overall that the Portuguese are hospitable, kind, helpful, polite, amiable and generous.

And, after living here since 1999, that impression still stands.

I've been visiting more than 20 countries and I've lived in half a dozen for shorter and longer periods and I'd say that the Portuguese and the Greek come out on top as the most sympathetic ones.

But of course, you find mean bastards all over.

https://www.quora.com/What-are-Portuguese-people-like-in-general
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De Rão Arques a 05.03.2018 às 12:01

A ideia de Marcelo como expoente máximo atinge o brilhantismo.
Medidor orçamentista, redentor ou assistente de bancada?
Presidente perito em entrar em cena só na hora dos rebuscos para os cacos que restam.
Mais se parece com um animador de pista, qual mensageiro sinistro que em vez de promover a prevenção em tempo e modo, faz ambulante residência no papel de carpideira das desgraças.



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De jo a 05.03.2018 às 13:51

Há ainda duas classes de tugas:
Os que têm esses defeitos e os que, sendo tugas vêm e apontam os defeitos nos outros, mas não os possuem.

Prefiro pensar que não há tugas nem nórdicos, só há pessoas.

E chicos-espertos que "pertencem à carneirada que pensa que não faz parte da carneirada".
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De Vlad a 05.03.2018 às 15:24

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De Pedro Correia a 05.03.2018 às 23:33

Obrigado pela visita ao DELITO, JASG. Abraço.
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De Anónimo a 06.03.2018 às 20:26

Obrigado pelo convite. Foi um prazer. Abraço, JASG

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