Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Convidado: ANTÓNIO CABRAL

por Pedro Correia, em 30.01.18

 

A história não se repete! Não?

E a infelicidade das pessoas e dos povos?

 

Tenho as minhas dúvidas de que a história não se repita, aqui e acolá. Tenho dúvidas que, em certas sociedades, determinados traços, determinados “fados” não se prolonguem por séculos, ainda que com matizes ligeiramente diferentes. Não se repetirão a papel químico certas situações, mas temo que, tendências, um certo fio condutor, sim, se repitam. 

Olho para os últimos 35 anos e vejo, não só muito do que não devia ter acontecido, como sinais crescentes de inquietação. 

Globalmente estou satisfeito com o regime. É o regime que perfilho. 

Estou feliz? Pessoal e egoisticamente sim, olhando para o que tem sido a minha vida, directa, familiar, profissional, de reformado. Agradeço o que a vida me tem dado.

Mas, enquanto concidadão, muito preocupado com o futuro.

Em resposta a um honroso convite de Pedro Correia, no meio de atribulações familiares diversas, levei alguns dias a pensar que texto poderia submeter à consideração do DELITO DE OPINIÃO.

Resolvi dar uma olhadela a algumas fases do nosso passado e fixei-me particularmente em pequenos episódios de um período de 200 anos, a começar em 1700. 

 

Vista_de_Lisboa_antes_do_terramoto[1].JPG

 Terreiro do Paço, durante o reinado de D. João V

 


1700 - chegada às minas do Brasil dos colectores de impostos
1701 - decreto sobre a mendicidade
1706 - aumento de impostos por D. João V (reinou a partir de 9 de Dezembro)
1708 - entra no Tejo frota do Brasil, com carga avaliada em 54 milhões de cruzados: ouro, diamantes, etc
1708 - fome generalizada a todo o reino
1712 - os procuradores dos mesteres apresentam à Câmara de Lisboa um quadro negro da situação económica e financeira do País
1712 - entra no Tejo frota do Brasil, com carga estimada em 50 milhões de cruzados
1720 - exploração de jazidas de ouro na Baía e em Mato Grosso
1734 - descobertas novas jazidas de ouro em Mato Grosso
1753 - alvará estabelecendo monopólio régio para os diamantes do Brasil
1763 - grave crise económica, prolongando-se até 1770
1793 - lei visando o estabelecimento de um cadastro do País
1796 - alvará lançando empréstimo de 10 milhões de cruzados ao juro de de 5%
1797 - alvará lançando empréstimo de 12 milhões de cruzados ao juro de de 6%
1801 - novo empréstimo de 12 milhões de cruzados, constante de 20 000 acções de 240 reis cada
1834 - lei da liberdade de imprensa
1834 - prolongando-se até 1836, uma gravíssima situação das finanças públicas
1891 - lei aprovando contrato de trabalho de 25 de Fevereiro, garantindo a jornada de 8 horas, e fixando tarifa de salários mínimos
1892 - situação de quase bancarrota
1893 - Março: decreto sobre a criação de bolsas de trabalho
1894 - 14 Março: decreto sobre a mendicidade
1898 - Outubro: decreto sobre segurança e higiene no trabalho
1899 - 23 Março: decreto sobre a mendicidade
1900 - José Bento Ferreira de Almeida, antigo ministro da Marinha e do Ultramar, discursa na Câmara dos Deputados, defendendo a venda das colónias (excepto Angola e S.Tomé e Príncipe), para com cujo produto se poder pagar a dívida externa e fomentar o desenvolvimento do País.

 

Como porventura menos desconhecidas, deixei de parte as tropelias praticadas pelas elites a partir de 1900 até hoje, e assim os diversos e diferentes sobressaltos por que foi passando a sociedade portuguesa, em consequência da irresponsabilidade/ incompetência/ corrupção/ desleixo/ ausência de sentido de Estado, dessas mesmas elites.

O retrato supra sugere, creio eu, um povo que basicamente sempre foi um tanto desgraçado, e elites a viver no fausto ao sabor do que era a história na Europa e um pouco por toda a parte. 


Elites que, parece, pouco terão cuidado da segurança e do bem estar dos seus concidadãos, e do seu desenvolvimento.
Mendicidade constante, fome e pobreza, atraso, finanças públicas variadíssimas vezes em situação atroz, empréstimos e calotes, sumptuária para uns poucos.
No final do século XIX terão existido tentativas para alterar um pouco a sociedade nos planos do trabalho, da comunicação social, das finanças públicas. 
Mas quase tudo, depois de bem espremido, tendo dado sempre em pouco. 
Por isso, creio, o Portugal que se encontrou em 1900 e daí a 1926, e depois até 1969/74. 
Bastante miséria, desemprego, analfabetismo, provincianismo, muitas doenças, elevada mortalidade infantil, muito atraso. 
O problema das colónias/ Ultramar/ províncias esteve periodicamente em cima da mesa, com pouca, nenhuma, ou muita atenção, consoante as épocas e aflições internas, e os ventos da história mundial. Parece que houve quem, de vez em quando, olhasse para elas, como um activo a despachar para compensar dificuldades do Estado.

 

5-IMG_0926[1].JPG

 Fábrica portuguesa do final do século XIX

 


A história não se repete?
Quando nos nossos dias se olha à mentira constante, ao ludíbrio, ao equilibrismo faccioso, ao assalto da coisa pública, aos resultados concretos do sistema de justiça, à hipocrisia, à bajulação, qualquer cidadão médio deveria interrogar-se se, de facto, estamos no bom caminho, se temos tido anos saborosos, para usar uma recente e infeliz expressão do actual titular do cargo de Primeiro-Ministro (infeliz, ainda que bem se perceba que estaria a pensar na vertente económica e financeira). 

Muitos afirmam que a política é a arte do possível. Será. Mas no caso português, salvo melhor opinião, há décadas, talvez mesmo pelo menos há século e meio, que se devia ter procurado atingir objectivos talvez considerados impossíveis. Tentaram? Outros o foram fazendo lá fora, com a tal arte do possível.
Quando olho para a nossa história, em particular de 1700 para cá, fica-me sempre a triste sensação de que a política em Portugal sempre foi prosseguida no interesse de uns quantos, poucos. Na monarquia e sobretudo os vários séquitos à sua volta, as facções na I República, as convulsões e os garrotes na II República de Salazar e depois Marcelo e, em alguma medida, de 74 até aos nossos dias.
Não somos Dinamarca, Suécia ou Noruega. Somos Portugal, somos Portugueses.
Vejo a esmagadora maioria dos meus concidadãos amorfos, acomodando-se, deixando-se facilmente iludir. E preocupo-me muito.
Por exemplo, e um só, quanto à questão da dívida, nunca se diz com rigor aos portugueses o que vem acontecendo com a dívida bruta e com a dívida líquida. Há diferenças importantes. 
Mente-se, dissimula-se. 
A realidade é que estamos entalados, encalacrados até ao tutano, mas jogam todos com as famosas expectativas. Festeja-se a melhoria das notações das várias agências, dizem que já não “somos lixo”. Mas o que mudou de facto, a sério?
Vejo um mau “teatro".

 

BGNPD3D4.jpg

 Sala das sessões da Assembleia da República



Se Portugal fosse um País a sério, num tribunal e num mesmo processo, não se tratava um cidadão pela categoria profissional, e outro cidadão pelo primeiro nome.
Se Portugal fosse um País a sério, não aconteceriam actos de pura e pornográfica propaganda política, como o que se foi passando com o INFARMED, como o que se passou com a eleição de Mário Centeno para o Eurogrupo, como o que se passou com os Magalhães na Madeira em 2009, ou com os cofres cheios.
Se Portugal fosse um País a sério, o que se passou em Tancos estava completamente apurado e já tinha doído a muita gente; mas o que se verifica é uma farsa completa com ou sem murros no estômago.
Se Portugal fosse um País a sério, não se assistiria a este espectáculo de uma qualquer instituição se dar ao luxo de não entregar documentação aos parlamentares, ou, outro caso, classificar documentação de forma a impedir o seu escrutínio.
Se Portugal fosse um País a sério, os carros com agentes de forças de segurança ao passar nas rotundas cheias de carros a dizer “Trata…” paravam, e iam tratar do assunto, pois é tudo contra a lei; mas não, olham e vão embora, sob as risadas dos habituais farsantes que vivem dessas e de outras coisas.
Se Portugal fosse um País a sério, não se passava o que semanalmente se vê no âmbito do futebol e concretamente quanto a claques.
Se Portugal fosse um País a sério, um ministro com a tutela do desporto não diria “se o mundo do futebol e a sociedade quiserem, o governo pode intervir...”
Se Portugal fosse um País a sério, o sistema eleitoral já há muito que estava alterado, com maior participação de cidadãos, com lei eleitoral modificada.
Se Portugal fosse um País a sério, o sistema de justiça já teria sido melhorado, acabando-se designadamente com as inacreditáveis delongas que a lei actual permite, por exemplo, desde a questão das testemunhas, a prazos. 
Se Portugal fosse um País a sério, a questão “sair do euro?” seria debatida com muita serenidade, com verdade, sem exaltações, e muito detalhadamente, e designadamente explicando nas TV’s e nos jornais o que aconteceria aos depósitos e dinheiro das pessoas no dia seguinte à saída.
Se Portugal fosse um País a sério, não teríamos quase ninguém a dar crédito a um agente político que negoceia memorandos de entendimento e depois declara candidamente nada ter a ver com determinado assunto.
Se Portugal fosse um País a sério, não teríamos a comunicação social actual.
Se Portugal fosse um País a sério, não se continuaria a aceitar esta pouca vergonha dos desastres aparatosos com camiões, esteja a chover ou a fazer sol.
Se Portugal fosse um País a sério, não teríamos tristes espectáculos partidários como recentemente mais uma vez se viu. 
Se Portugal fosse um País a sério, há muito que o papel das forças armadas estava bem definido, e as forças armadas dimensionadas adequadamente.
Se Portugal fosse um País a sério, tinha repatriado para a parte continental os restos mortais dos portugueses que tombaram em combate (antes de 1974); depois desta data, tinha estabelecido acordos com os novos países africanos, para repatriar os restos mortais dos que morreram por Portugal e continuam sepultados em África.

Portugal, País a sério, a meu ver só o será:

  • se a sociedade for de facto democrática e madura;
  • se colocar de lado certas exaltações e clubites partidárias;
  • se se afirmar claramente como um estado de direito, em que de facto se lute por diminuir as desigualdades enormes que persistem e que em alguns casos se agravaram;
  • se, porque somos todos da mesma massa mas não da mesma forma, todos sem excepções forem no dia a dia iguais perante a lei;
  • quando os órgãos de comunicação social desempenharem o papel decisivo que lhes compete na sociedade, sendo sedes de escrutínio independente, e não confundirem noticiar com opinar, derem notícia relevante do que se passa lá fora, e enfrentem os problemas nacionais; 
  • quando o poder legislativo estiver de facto na Assembleia da República e não em certas agremiações;
  • quando os titulares dos órgãos de soberania e chefias de demais orgãos e entidades, dirigentes de empresas públicas e privadas, e chefias em geral, TODOS, interiorizarem que estão em cargos temporariamente, para servir a sociedade e não servir-se.

 

Como sempre tenho escrito no meu blogue, como sempre defendi enquanto profissionalmente na vida activa, como sempre continuo a fazer, procuro ponderar, olhar à minha envolvente, formular opiniões. 
Tenho convicções, mas respeito as opiniões alheias. 
Assertivo, duro por vezes, não deixarei de ser. 
E vou tentando corrigir-me, minimizar defeitos. Assim respeitem as minhas opiniões.

 

 

António R. Cabral

(blogue CHAPÉUS HÁ MUITOS)

Autoria e outros dados (tags, etc)


19 comentários

Sem imagem de perfil

De Maria Dulce Fernandes a 30.01.2018 às 10:47

Bom texto.
Tão actual desde 1700 , que o ciclo se pode aplicar à presente realidade.
Gostei de ler.
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 30.01.2018 às 10:58

Um bom texto!

António, para aumentar a sensação de um mau fado recordar que Portugal, devido à sua periferia, esteve ausente dos grandes conflitos europeus continentais - Guerra dos 100 anos, dos 30 anos, dos 7 anos... IGG (atingidos de "raspão"), IIGG...

Tenho noção que não se muda um país se não se mudarem as suas gentes....para revoluções, comecemos primeiro pelas reformas interiores.

A Noruega, a Suécia, a Islândia no inicio do seculo XX tinham indicadores socioeconómicos piores que os nossos. Veja-se onde estão, hoje!

A nossa História é bem diferente daquela cantada pelo saudoso contador de estórias Prof. José Hermano Saraiva...como me adormecia velado em belos sonhos de cambraia.

Razão tinha o velho profeta da desgraça. Foi o ouro fácil a nossa maldição dourada (daí tenha começado a sua revisão historiográfica em 1700)

Mas um velho, de aspecto venerando,
Que ficava nas praias, entre a gente,
Postos em nós os olhos, meneando
Três vezes a cabeça, descontente,
A voz pesada um pouco alevantando,
Que nós no mar ouvimos claramente,
C'um saber só de experiências feito,
Tais palavras tirou do experto peito:

— "Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade, a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
C'uma aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!

— "Dura inquietação d'alma e da vida,
Fonte de desamparos e adultérios,
Sagaz consumidora conhecida
De fazendas, de reinos e de impérios:
Chamam-te ilustre, chamam-te subida,
Sendo digna de infames vitupérios;
Chamam-te Fama e Glória soberana,
Nomes com quem se o povo néscio engana!

— "A que novos desastres determinas
De levar estes reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas
Debaixo dalgum nome preminente?
Que promessas de reinos, e de minas
D'ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás? que histórias?
Que triunfos, que palmas, que vitórias?





Imagem de perfil

De Pedro Correia a 30.01.2018 às 11:27

Obrigado pelo texto, caro António. Com este texto que dá muito que pensar.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 30.01.2018 às 11:46

O que considera necessário para um país a sério é tão indiscutível como utópico.
Os estados, os regimes, as economias mudam com evoluções ou revoluções, mais com estas do que com aquelas.
Mas o que propõe no texto implicaria uma verdadeira revolução cultural.
Uma revolução para a cidadania.
Impossível.
Ainda ontem, na RTP2, no programa "Sociedade Civil", os especialistas convidados confundiam cidadania com civismo.
Se nem sequer ainda dominamos o conceito....
João de Brito
Sem imagem de perfil

De João Silva a 30.01.2018 às 11:59

Detestei este texto. Se Portugal fosse um país a sério: pensei que se dermos a volta ao mundo não encontramos nenhum país a sério. O que mostra que Portugal é um país como os outros. Se tiver tempo darei exemplos mais tarde.
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 30.01.2018 às 15:10

Existem uns mais sérios que outros.

Sugiro como primeiros exemplos, estes:

Na UE só a Itália (com o problema da máfia ) e a Grécia (com um Estado desestruturado ) estão atrás de nós no Indice de Percepção de Corrupção, da Transparency International.

Pobreza Portugal :

Portugal continua entre os países mais pobres da Europa
O PIB per capita de Portugal situa-se 23% abaixo da média da União Europeia, semelhante a países do leste europeu como a Eslováquia e a Lituânia.

A taxa de crianças em risco de pobreza ou exclusão social em Portugal aumentou de 28,7% em 2010 para 29,6% em 2015, indica o Eurostat. Na União Europeia, a taxa recuou.

São mais de 54 mil as pessoas com património acima do milhão de dólares (940 mil euros) em Portugal. De acordo com um estudo do Credit Suisse citado pela TSF são mais 1339 milionários do que no ano passado no nosso país(2016)
Imagem de perfil

De Manuel a 30.01.2018 às 12:29

Se Portugal fosse um país a sério se calhar já não tinha portugueses. Somos um povo condenado à diluição e extinção.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 30.01.2018 às 13:29

Caro Pedro Correia
Muito boa tarde.
Atrevo-me a usar o espaço para comentários para, a todos os "Delituosos", e em particular a si, mais uma vez agradecer o vosso muito honroso convite.
Tentei não desmerecer. Bem hajam.
António Cabral
(autor do blogue "Chapéus há muitos")
(manhoso fotógrafo amador que calcorreia o País, para melhor se aperceber das diferenças entre, o que gritam em Lisboa e no Porto, e a realidade para Leste da linha imaginária Norte-Sul 50 Km a partir do litoral)
Sem imagem de perfil

De Justiniano a 30.01.2018 às 14:29

Um estupendo desabafo!!
Apenas para o parabenizar pelo expressivo retrato!! Pinceladas de pena e de bigorna. Precisamente!!
Um grande bem haja,
Sem imagem de perfil

De João Silva a 30.01.2018 às 15:09

Muitos comentários mas ninguém se atreve a dar um exemplo de um país a sério.
Sem imagem de perfil

De Lucklucky a 30.01.2018 às 15:33

Só contradições.

Se Portugal fosse um país a sério existiriam vários Portugais. S´assim é que se respeita a opinião do outro.

Comentar post


Pág. 1/2



O nosso livro





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2017
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2016
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2015
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2014
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2013
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2012
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2011
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2010
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2009
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D