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Delito de Opinião

Convidada: MARIA MADEIRA

Pedro Correia, 23.01.18

 

A perversidade das boas intenções

- a propósito da polémica em torno da Supernanny

 

Quando o assunto envolve crianças, publicidade, exposição, pais, quase de certeza que o desfecho não será dos melhores. Se a todos estes ingredientes também se juntar um programa de televisão em formato reality show, onde as regras do jogo são duras e o termo, imperativo, vai ao encontro de audiências, share, rating, termos usados para medir a temperatura de um programa, temperatura que terá muito pouco a ver com pessoas mas terá muito a ver com lucro, temos um género de circo montado.

Esta é a realidade, quer queiramos quer não. Os canais privados de televisão existem para obter lucro, não são propriamente a Santa Casa da Misericórdia. Infelizmente, ou felizmente, depende do lado da barricada onde nos encontramos, sabem muito bem manipular e explorar as fraquezas humanas, as debilidades em termos financeiros e emocionais. Eu continuo a achar que o mundo é feito de escolhas, e são elas que acabam por ditar se algo vinga ou se está condenado ao fracasso. Determinados programas de televisão também têm este lado de testar de que matéria é que as pessoas que por aqui habitam são feitas.

De certo modo até se podia comparar esta situação a alguns políticos. O problema talvez não esteja  exactamente nos políticos, o problema talvez esteja na nossa escolha quando votamos e os escolhemos para nos representarem.

 

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Resumindo: não é com proibições, petições, que chegamos a algum lado. É, talvez, com uma consciência individual, individual porque cabe a cada um reflectir e fazer as suas próprias escolhas - não me apetece, não quero, ser obrigada a ter mais um pai-Estado que me proíbe de fazer o que quero.

Sou adulta, sou eu que escolho o que quero para a minha vida. Da mesma forma que escolho em quem voto, também escolho que não gosto de programas que vão ao encontro de formatos reality show, sejam eles quais forem, tenham eles crianças, tenham eles gente mais adulta.

Não gosto de assistir em directo, sentada confortavelmente no sofá de casa, à exploração de pessoas com vista a obter lucro.

Eu escolho não gostar. Ponto. Cada um escolherá o que quiser. Reticências.

 

 

Maria Madeira

(blogue AMANHECER TARDIAMENTE)

4 comentários

  • Sem imagem de perfil

    maria madeira 23.01.2018

    Muito obrigada, novamente, pelo convite :)
  • Sem imagem de perfil

    maria madeira 23.01.2018

    Mal sabia eu que ao escrever este texto, daria azo a textos longos em outros sites que me criticam duramente acusando-me de achar que tenho "bom gosto" (ó o sarcasmo) por escolher não ver formatos deste tipo (reality show), enquanto todos os outros terão "mau gosto". Portanto, na opinião de alguns, tudo se resume a um bom ou mau gosto, a uma presunção da minha parte, não se resume ao facto de eu achar que, se as pessoas não assistirem a este tipo de programas muito simplesmente significará que o programa não existe e o programa não existindo também não existem crianças expostas. Tão simples quanto isto. As audiências ditam as regras do jogo. Audiências baixas e não há jogo para ninguém. Finito; the end; ou o que quer que lhe queiramos chamar.

    (hoje em dia para se ter uma opinião uma pessoa tem que usar colete à prova de bala, capacete na mesma onda, antes de pegar numa caneta ou, neste caso, numa tecla, várias, várias teclas)

    Quando alguém argumenta e o argumento passa apenas por chamar outro alguém de imbecil, não foi o caso mas... algo me diz que já perdeu, o que quer que perder queira dizer.

    (a ver se a pessoa tem coragem de aparecer
  • Sem imagem de perfil

    Luís Lavoura 24.01.2018

    se as pessoas não assistirem a este tipo de programas muito simplesmente significará que o programa não existe e o programa não existindo também não existem crianças expostas

    Exatamente. Muito bem.
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