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Convidada: MARGARIDA MOURÃO

por Pedro Correia, em 31.07.18

 

Crescer com as palavras

 

Desde muito pequenina fui incentivada a escrever, na escola e em casa pela minha mãe. Tive alguns diários durante uns anos valentes, houve inclusive uma altura em que achei que só conseguia desabafar a escrever. Os primeiros anos da adolescência trouxeram isso mesmo, a escrita biográfica, a escrita do “eu”, das primeiras aventuras e dos primeiros amores.

Fui crescendo e houve um dia em que me zanguei e destruí todas as páginas escritas durante anos, dessas guardei apenas as capas dos diários, que agora nem sei onde estão, se é que existem, depois das voltas da vida.
Numa parte da minha vida tive mais vontade e necessidade de escrever quando estava triste ou zangada. E tentava muitas vezes transcrever essas ideias e conversas em sujeitos inventados e em linhas invisíveis.
O conceito diário deixou de existir, começou a ser uma escrita descomprometida, hoje na folha do caderno, amanhã na capa de outro, depois num guardanapo, numa mensagem guardada num telemóvel, e sobre mim, acabei por desenvolver o hábito de falar com algumas pessoas sobre o que me apoquentava, fosse o assunto importante ou não.
Nessa altura tentei por várias vezes escrever uma história, reconhecendo agora que seria um conto-retrato.
Entre vontades, desabafos, sonhos e fantasias cheguei a escrever uma mini peça de teatro para uns pequeninos de um jardim infantil nos arredores da minha morada da altura.
As histórias são algo que ainda hoje me cativam, as histórias de vida, dos livros, dos sítios, das pessoas, reais ou não. É todo um mundo que me fascina. Como entre letras, espaços e pontuações ficamos a sonhar e a viajar em qualquer banco de jardim ou sofá de casa. A possibilidade de todas as histórias serem ou terem uma realidade e de haver esse cruzamento com o imaginário, entre o que é que “eu” vejo e escrevo e, o que é que “tu” lês e imaginas.
Entre este caminho de escritas e leituras apetecia-me escrever mais e fui à Escrever Escrever aprender a brincar com palavras. Aprender a escrever sempre, sem pensar e a deixar fluir. Aqui surpreendi-me com a facilidade com que as histórias aparecem, como os estímulos podem estar ao virar da esquina e como os desbloqueadores podem estar em perguntas e não em respostas.
O Escrescer é isto tudo, é ser o que sou, é escrever o que imagino, é crescer nas pontas dos dedos.

 

 

(Margarida Mourão
(blogue Escrescer)

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5 comentários

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De Rão Arques a 31.07.2018 às 11:56

A sua enriquecedora descrição transporta-nos à meninice onde tudo começa. Recordo-me perfeitamente de ainda sem conseguir segurar o lápis com firmeza ter aprendido a ler e escrever começando por desenhar as letras.
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De MM a 31.07.2018 às 15:54

Obrigada pelas suas palavras... eu ainda hoje gosto do cheiro dos lápis acabados de afiar e dos livros e cadernos ao abri-los pela primeira vez.
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De Pedro Correia a 31.07.2018 às 16:20

É um gosto vê-la por cá. Agradeço-lhe, em nome de todos os "delituosos", ter aceitado o nosso convite.
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De MM a 31.07.2018 às 16:51

Só eu tenho de agradecer a si e a todos os "delituosos". Da minha parte têm sempre a "porta aberta".
Um beijinho
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De José da Xã a 01.08.2018 às 11:40

Margarida,

não começámos quase todos da mesma forma? A ralhar no papel o que não podíamos dizer em voz alta?
Hoje muitos anos passados desde que comecei a escrever, questiono-me: e se não escrevesse que seria eu? Nunca o saberei.
Visitarei certamente o seu espaço.
Felicidades!

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