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Conversa em família.

por Luís Menezes Leitão, em 15.02.16

Marcello Caetano, Março de 1974

 

 António Costa, Fevereiro de 2016

 


8 comentários

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De ariam a 15.02.2016 às 15:22

Não sei se foi, por ter posto os dois vídeos mas, imediatamente, veio-me à mente aquele anúncio, suponho que dos anos 60/70:
"Os espelhos recomendam Tokalon, os cremes que deixam a sua pele aveludada e Clara" ou, como Costa é tão "poupadinho", se calhar, pode ter optado pela simples Lexívia. Muito interessante e muito estratégica... esta sua opção por uma maquilhagem pró clarinho
De recordação em recordação, esta, também me faz lembrar, aquela antiga canção popular:
"A mim não me enganas tu, a panela ao lume e o arroz está cru..."
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De Bic Laranja a 15.02.2016 às 23:36

Que raio de comparação.
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De ariam a 16.02.2016 às 09:57

Por acaso até é uma boa comparação porque, se reparar, o 1º vídeo é de Março de 1974 onde Marcelo dava uma "lavagem cerebral" sobre determinados acontecimentos, isto no mês anterior ao 25 de Abril.
Costa anda a fazer filmezinhos a explicar "a maravilha" e, depois ouvimos: Centeno admite mais austeridade e o Ministro da Economia também a admitir, publicamente, o corte de um dos Subsídios aos Funcionários Públicos.

Em ambos os casos, salta à vista, o paternalismo e, aqui, vou tentar explicar-lhe muito bem explicadinho:
Ambos pretendem legitimar uma relação de despotismo. Este modelo, retirado das relações familiares entre pais e filhos, é aplicado a relações de poder e submissão que provocam desigualdades económicas, sociais e políticas. Esse poder é tornado necessário e protetor, aos olhos da sociedade, para poder legitimar as restrições.
Uma das principais características do paternalismo, enquanto ideologia política, é a preocupação em justificar o domínio pela necessidade do dominado, cuja dependência, imaturidade e irresponsabilidade é associada à infância (tal e qual, como nas relações familiares entre pais e filhos que é legitimado pelo amor e também pela existência, em princípio, da defesa de interesses comuns). O paternalista, tem como argumento, agir para bem daquele que oprime e foi amplamente usado, como ideologia, pelas sociedades colonialistas, dotadas de uma "missão civilizadora".

Costa está a usar, exatamente, o mesmo modelo só que, o grau de aceitação dos dominados não será o mesmo, no entanto, aqui não tenho dúvidas, ambos adoram gente do tipo Bic´s Laranja´s que nem sequer suspeitam que estão a ser enrolados ;)
No entanto, não é de estranhar, a idade e a experiência de vida, faz com que alguns de nós, os reconheçam à légua porque, novamente, vemos... The same shit, only different asshole ;)
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De Anónimo a 17.02.2016 às 12:47

Caramba, ariam, essa foi elaborada e encoracoladinha. Um texto pós-estruturalista pós-moderno que fica sendo uma das glórias da pátria :)
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De JAB a 16.02.2016 às 09:28

A comparação só peca por uma coisa: O Marcelo Caetano sabia do que estava a falar... O Costa parece que está a jogar na Play Station... sem Play Station...
Recorda-me um certo cavalinho a simbolizar um governo que "faz que anda mas não anda".
Por que raio é que agora me só me vêm à mente historietas do PS?...
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De singularis alentejanus a 16.02.2016 às 22:47

Estava eu ainda em Lisboa como trabalhador-estudante, já havia rótulos naquele tempo, morando na Senhora do Monte, quando das célebres "conversas em família". O que fazia era desligar o som, ficava e ver o gesticular do Dr. Marcello Caetano e a minha juventude chamava-lhe os mais hediondos nomes. O discurso acabava, desligava o televisor, saía porta fora, descia as escadinhas da Damascena Monteiro e estava no Intendente. Luz e mais luz, copos e mais copos, mulheres e mais mulheres e acaba com uma imperial na Portugália.
Praça do Chile, Damasceno Monteiro, Paiva Couceiro, Sapadores e a ansiada Graça para acabar de dormir. Sempre a pé, sem qualquer problema, sem ser incomodado por quem quer que fosse. Como alentejano que se preze, também nunca incomodei nem provoquei ninguém.
Isto em plena ditadura marcelista.
Agora em plena "democracia" pergunto se apesar de fazer a mesma coisa em relação ao discurso do Dr. António Costa, desligar o som, chamar-lhe o mesmo que chamava ao outro, se poderia fazer as mesmas coisas que fazia naquele tempo, sem ter problemas, caminhar sozinho pelas ruas de Lisboa ao sabor do vento, ao sabor da maresia vinda da Afonso III, ouvir os toques dos primeiros "eléctricos" com destino ao Alto de S. João. Sem ser assaltado? Duvido e muito!
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De Anónimo a 17.02.2016 às 12:45

hehe, as agências informais de guerrilha estão em grande. Mas tenho uma dúvida: e a comunicação apenas em papel, faz equivaler um governante ao Salazar?
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De João André a 17.02.2016 às 13:09

Um aspecto curioso é que sempre que a direita usou este tipo de veículo levou com a comparação. Sempre que a esquerda o faz, não aceita a mesma e prefere referir Roosevelt.

A verdade é que deveríamos finalmente livrar-nos do estigma. Este tipo de comentário directo ao país é uma ferramenta que pode ser útil. O facto de Marcello Caetano a ter usado não a torna menos válida (tal como o facto de ter lido não torna os livros menos importantes).

Costa faz bem em comunicar desta forma. Explica aquilo que quer fazer de forma directa, sem intermediários e poderá ajudar a tornar a política mais interessante para uma grande parte da população que está a perder o interesse na mesma. Se disser algo de falso a prova está directamente disponível, não sendo possível mudar-lhe o conteúdo através de spin. Se for honesto e consistente, terá ali também a prova disso.

Pessoalmente aplaudo: é uma opção corajosa e que só pode ajudar á transparência. Não basta, claro, mas é um passo.

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