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Contraste

por José António Abreu, em 08.07.15

No centro comercial: homem e mulher com aspecto gótico levam pela mão uma miúda (quatro, cinco anos no máximo) vestida como uma princesinha de conto de fadas.

Fico a vê-los afastarem-se. Por instantes, sinto estar a observar uma cena de um filme dos bons velhos tempos de Tim Burton. Há ternura no contraste. Como se a miúda lhes tivesse caído no colo de surpresa, vinda de um universo paralelo ao deles, e procurassem ainda a forma adequada de reagir. Ou, melhor, como se tanto ela como eles viessem de universos paralelos a este e se tivessem juntado para tentar navegá-lo.

Depois de abandonarem o meu campo de visão ponho-me a pensar mais a sério. Será possível que uma miúda daquela idade já tenha capacidade para recusar o exemplo dos progenitores e impor um aspecto tão distinto do deles? Neste caso, quão desconcertante (todos os pais se imaginam modelos para os filhos) será para eles? Ou será desejo dos pais mantê-la num mundo de encanto e inocência, em que claramente não acreditam, até tão tarde quanto possível? E constituirá o exagero uma tentativa de compensar essa falta de crença?

Ou então - a minha faceta racional e mais do que um nadinha cínica estraga-me sempre as divagações - são apenas tios e sobrinha.


3 comentários

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De Anita a 17.07.2015 às 16:51

Perdi-me ali onde escreve "num mundo de encanto e inocência, em que claramente não acreditam"... Esta observação prende-se pelo aspecto gótico? Olhe que poderá ser um engano. E quantas pessoas que vê com um chamado aspecto normal, acredita nesse mundo de encanto e inocência de que fala? Olhe que eu não sou gótica e também já deixei de acreditar no Pai Natal há muito tempo ;)
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De José António Abreu a 17.07.2015 às 19:08

Nestas coisas não há garantias. O aspecto gótico tem normalmente um fundamento de desencanto, de niilismo até, mas por vezes pode ser apenas uma fachada - um meio de defesa.

E não ser gótico não significa que se acredita no Pai Natal... Ser gótico e acreditar é que talvez fosse um pouco estranho. A menos - lá está - que se tratasse de um Pai Natal à Tim Burton, com o trenó puxado por renas zombie e o saco cheio de presentes macabros. :)
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De Anita a 20.07.2015 às 15:08

O Pai Natal foi apenas uma imagem que dei à inocência, ou neste caso, à perda dela :)

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