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Contra a pirataria

por Pedro Correia, em 10.04.20

Aos meus amigos que por estes dias se tornam coniventes com a pirataria, partilhando livros inteiros, jornais inteiros e revistas inteiras por via digital ou acedendo "grátis" a filmes e séries, como já fazem com a música, chamo a atenção: os profissionais da escrita, do cinema e da televisão vivem do seu trabalho. No dia em que ninguém pagar por um livro, um jornal, uma revista, um filme ou uma série deixaremos de ter acesso a estes bens de serviço público e utilidade social. Pelo mais simples e lamentável dos motivos: eles deixarão de existir.

Ao fazermos um banalíssimo clique num dispositivo electrónico, distribuindo por outros aquilo que não pagámos, estamos a dar mais uma machadada em profissões que em larga medida já caminham sobre o fio da navalha, condenando-as à extinção a curto prazo.

Um mundo sem cultura, nem informação nem entretenimento de qualidade será um mundo mais árido, mais pobre, mais primitivo, mais inóspito. Será um mundo muito menos livre.

Um mundo em que nenhum de nós desejaria viver.

E não é um cenário de ficção: pode mesmo acontecer. Só depende de nós.


38 comentários

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De Vorph Valknut a 10.04.2020 às 11:43

Compreendo, porém julgo que uma das mãos que segura o machado pertence aos directores dos meios de comunicação. A qualidade jornalística, em Portugal, é tremendamente má. Facciosa, e reduzida ao rame rame da terra Santa (sempre os mesmos temas, sempre a mesma gente conservada em naftalina) . Quanto à política/notícias internacionais, bola. Há muito tempo que uso a Internet para me manter bem informado (fazer o contraditório sobre um mesmo tema, informar - me sobre assuntos desconfortáveis para certos meios de comunicação, coniventes com o "Sistema" /o Poder (o Jornalismo deveria ser um Contra Poder - DW, AL Jazeera, RT, Jonh Pilger, George Galloway - este último anda a resvalar, perto do abismo, mas foi memorável a sua performance numa audição parlamentar-etc ) Excelentes fontes para diferentes pontos de vista.

http://johnpilger.com/

https://m.dw.com/en/top-stories/s-9097

https://www.aljazeera.com/

https://www.georgegalloway.com/


PS: julgo que com o Observador o panorama jornalístico melhorou ligeiramente, pois permite - me o contraditório com outros meios de comunicação mais encostados a quem está no poleiro.
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De Anónimo a 10.04.2020 às 20:55

Boa colecta de extremistas+marxistas que nunca deixariam se tivessem Poder ou quem apoiam o tivesse o Vorph estar num blog a escrever a não ser que fizesse parte da nomenklatura e com controleiro.
Mais uma vez se demonstra que o poder social da imitação tem quase sempre mais força que o significado.

lucklucky



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De Vorph Valknut a 10.04.2020 às 21:56

Pão de Ló

Número de doses: 8 porções
Preparação:15 Minutos
Cozedura: 25 Minutos
Dificuldade: muito fácil
Calorias: 255 Kcal

Ingredientes
7 ovos
250 g de açúcar
150 g de farinha
Passo 1
Começar por ligar o forno. Depois, numa taça ,separar os ovos.
Passo 2
Bater as claras em castelo e reservar. Bater as gemas com o açúcar até obter um creme asbranquiçado.
Passo 3
Juntar alternadamente a farinha e as claras. E por fim juntar a raspa de limão ou laranja.
Passo 4
Barrar e polvilhar uma forma com chaminé,verter a massa,e levar ao forno a 180º por 30 minutos ou até ficar cozido (faça o teste do palito SEMPRE)
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De Pedro Correia a 11.04.2020 às 07:53

É de bom tom criticar a qualidade do que se escreve, do que se informa, do que se produz em filmes e séries.
Mas as mesmas pessoas que criticam isso, em grande parte dos casos, não estão disposto a pagar um cêntimo por bons livros, por excelentes filmes, por informação de qualidade.
É um paradoxo: alimentam os circuitos da pirataria digital enquanto protestam contra a falta de qualidade dos conteúdos que elas mesmo procuram através desses circuitos.
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De Pedro Correia a 11.04.2020 às 11:43

Já tenho o anho a temperar: indispensável nesta quadra. Boa Páscoa.
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De Pedro Correia a 12.04.2020 às 21:23

Boa surpresa. Obrigado, Vorph.
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De Anónimo a 10.04.2020 às 11:43

Na minha opinião as pessoas também começam a ficar cansadas de pagar e ler propaganda em vez de informação.
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De Pedro Correia a 11.04.2020 às 07:54

Eu não sou ninguém para falar em nome do cansaço "das pessoas", como este anónimo.
Falo só por mim.
E confesso-me cansado, isso sim, de ver tanta gente emitir opiniões, com ou sem aspas, sem sequer assinar por baixo.
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De Anonimus a 10.04.2020 às 13:36

Quem paga uma assinatura compra um jornal, não um grupo organizado de clickbaits.
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De Pedro Correia a 11.04.2020 às 07:55

Não sei o que é essa expressão "amaricana". Quando souberes escrever em português aparece outra vez por cá.
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De Anónimo a 10.04.2020 às 14:47

É uma chatice
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De Pedro Correia a 11.04.2020 às 07:55

Experimenta coçar. Talvez essa "chatice" te desapareça.
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De Vítor Augusto a 10.04.2020 às 15:01

Caro Pedro, corro o risco de me repetir. Já me enviaram PDFs dessa comunicação social toda e mais alguma. Não abri nenhum. Não pelas razões aqui invocadas pelo Pedro, mas pelas razões aqui deixadas por todos os intervenientes acima. Panfletos, propaganda, "his master's voice", etc. Já assinei jornais e comprei outros e revistas. Todos eles até muito bem escritos, mas com um enviesamento ideológico atroz. E eu, para ler bons textos, compro livros e leio boa literatura. Para ouvir música, compro discos e ouço a minha boa música. Quanto à nossa comunicação social, está como a nossa liberdade, tão boa que desde 2015 nunca mais vi uma alma oprimida invadir um evento para cantar a Grândola. Afinal, do que me posso queixar eu? Um grande abraço e boa Páscoa, para todos.
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De Pedro Correia a 11.04.2020 às 08:29

Meu caro, o que escrevi tanto vale para jornais como para livros, ou para filmes: é propriedade intelectual que está a ser esbulhada em qualquer dos casos.

Admira-me ver gente que é muito zelosa do direito à propriedade fazer por vezes tábua rasa da propriedade intelectual. Como se esta fosse descartável a todo o momento, à vontade do freguês.
Mas não é. Daí haver leis em todos os países civilizados que protegem este direito. E quanto mais civilizado é o país mais a lei é rigorosa neste domínio.

Infelizmente há muita gente supostamente esclarecida que ignora estes factos. E desconhece que quando "partilha conteúdos" integrais de propriedade intelectual - os livros, desde logo - incorre em ilícito criminal.

Não é o seu caso, claro. Mas, sabendo-o leitor assíduo, concordará certamente comigo que, no limite, deixaremos de ter livros, revistas ou jornais no dia em que ninguém pagar por eles. Voltaremos então ao tempo dos relatos orais, da "informação" por sinais de fumo ou das notícias exclusivas transmitidas pelo cunhado da prima da vizinha.

Eu prefiro viver numa sociedade em que a pirataria seja repudiada por uma cidadania exigente e esclarecida.

Boa Páscoa também para si e todos os seus.
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De Vítor Augusto a 11.04.2020 às 10:58

Caro Pedro, é óbvio que está cheio de razão e por isso, só posso estar de acordo consigo. Ainda hoje, acordei bem cedo, porque já não vou para novo, e estive sentado na poltrona a ouvir uma das várias versões (que comprei, a última delas, álbum duplo, com todos os alternate takes, a 3€, veja lá) do kind os Blue do Miles Davies, com o piano de Bill Evans, com o sax de Coltrane e dei comigo a pensar neste seu texto. A criação intelectual e artística, se não fosse paga, ainda hoje andaríamos aí a coçar o peito como símios primários e primatas. E afinal, nós somos, e devemos ser, bem mais do que isso. Tem razão Pedro. Abraço.
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De Vorph Valknut a 11.04.2020 às 11:23

Vítor, é verdade. Contudo a remuneração dos músicos provém maioritariamente dos concertos/tour (que nesses tempos não eram tão frequentes). Os músicos safaram - se bem, com a tecnologia. Veja as fortunas, por alguns, acumuladas.
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De Pedro Correia a 12.04.2020 às 21:24

Abraço, Vítor. E saúde. Apareça sempre.
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De Figueiredo a 10.04.2020 às 16:28

Realmente só quem não tem mesmo nada que fazer é que vai andar a partilhar ficheiros pdf's de jornais portugueses, que a única coisa que produzem é falsas notícias e propaganda neoliberal/clerical.

E mais grave ainda é existir quem compre jornais portugueses em formato digital ou papel, chama-se a isso deitar dinheiro fora.
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De Pedro Correia a 11.04.2020 às 08:13

Por causa de gajos como tu é que Portugal é o país da Europa que menos livros e jornais lê.
Devia ser motivo de vergonha, mas para gajos como tu é motivo de orgulho.
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De Figueiredo a 11.04.2020 às 09:23

Você está é a ver o tapete a fugir-lhe dos pés, e com isso tenta tirar nabos da púcara a ver se pega.
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De Pedro Correia a 11.04.2020 às 09:54

Nabos? Vem a propósito.
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De Kruzes Kanhoto a 10.04.2020 às 16:48

Pirataria é uma coisa má? É melhor decidirem-se...quando venderam jornais e horas de televisão à conta de um pirata não lhes pareceu assim tão reprovável.
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De Pedro Correia a 11.04.2020 às 07:49

Não é má. É péssima.
Você tem sempre a opção de ser "informado" pela porteira do prédio vizinho, pelo telefonema da prima ou pelo "feice" do colega de trabalho.
Também pode "ler" a folha de couve, ou a nuvem no céu, ou a víscera do frango para perceber melhor em que mundo vive e o que poderá trazer-nos o futuro próximo.

Faz sentido que tudo isto seja gratuito. O resto, não. Quem quer cultura, informação e entretenimento de qualidade, deve pagar um preço justo para aceder a estes bens, produzidos de gente de carne e osso, que também tem contas para pagar e filhos para criar.
Bens que também são de primeira necessidade em qualquer sociedade livre.
Na Coreia do Norte, por exemplo, não há nada disto. E milhares de pessoas tentam sair de lá, como tentaram noutros regimes totalitários pagando por vezes com a própria vida, para poderem ter acesso a estes bens. Porque nem só de pão vive o homem.
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De Anónimo a 10.04.2020 às 17:03

Teorizava Charles Darwin sobre seleção natural, preservação, luta pela vida.

Não se referia à informção social, mas realmente convencer o consumidor a comprar aldrabices é sado/masoquismo pouco saudável. Sobretudo quando o investimento em produzir semelhante média é realizado com os meios do Estado/contribuinte.
Informação com qualidade preservará.
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De Pedro Correia a 11.04.2020 às 07:42

Darwin - como Marx, como tantos outros - dá para tudo. Até - ou sobretudo - para defender o indefensável. E o indefensável é piratear conteúdos culturais, informativos e de entretenimento.
Pessoas que a todo o momento aludem a direitos, liberdades e garantias para si não se importam de pisar os direitos dos outros. Neste caso, em última análise, ao direito ao trabalho. De escritores, actores, argumentistas, realizadores, técnicos, jornalistas, fotógrafos, maquetistas, artistas gráficos, tradutores, revisores.
No dia em que deixarem de ser produzidos jornais, revistas, livros, filmes e séries devido ao ataque maciço desta pirataria, quem condenou à extinção milhares de postos de trabalho estará na primeira linha do protesto contra os atentados à liberdade de informação e ao direito à cultura. Esquecendo ter contribuído para que tais atentados pudessem ocorrer.
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De Pedro Oliveira a 10.04.2020 às 18:18

Tens razão no que escreves, Pedro.
Parece-me, no entanto, uma péssima altura para aumentar o preço dos jornais.
Um leitor do "i" em papel com seis euros comprava quatro edições de fim de semana (1.5 euros x 4) como acharam que era boa altura para aumentar essa edição para dois euros, agora compra três e se calhar lê a quarta pirateada, gasta o mesmo mas fica com menos papel, torna-se um leitor, igualmente, contributivo para o jornalismo em papel e ao mesmo tempo, mais ecológico, mais Greta.
Uma excelente Páscoa para ti e para os teus.
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De Pedro Correia a 11.04.2020 às 08:02

Essa foto vem mesmo a calhar para este tema, Pedro...

Agora a sério: recebo todos os dias, de manhã à noite, PDF de livros e conteúdo informativo e "acesso a filmes grátis" por parte de pessoas com poder de compra e exigência intelectual para pagar por tudo isto.
Deve acontecer com muitos de nós, que recebem o mesmo.

Quem divulga estes conteúdos sem estar legalmente mandatado para o efeito são as mesmas pessoas que um dia estarão na primeira linha aos gritos contra os atentados à liberdade de informação e em defesa do direito à cultura. Sem perceberem (ou percebem mas fazem-se distraídas) que elas cometem atentados a essa liberdade e espezinham esse direito ao procederem como procedem.

Obrigado pelos teus votos amigos, que retribuo com muito gosto, desejando que o teu clã familiar aumente depressa e muito bem.

Boa Páscoa.
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De Vorph Valknut a 11.04.2020 às 11:19

Pedro, esta nova geração "saca" tudo da net. Desconhecem essa coisa dos "Direitos", incluindo os seus, como Cidadãos.
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De Pedro Correia a 11.04.2020 às 11:46

É bem verdade, infelizmente.
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De Anónimo a 10.04.2020 às 19:09

Compreendo. O que consumo pago, mas deixe que lhe diga às vezes dá raiva. Tomemos por exemplo os canais de televisão pagos por cabo, os outros não vejo, O que é aquilo se não um espremedor, um massacre, uma tortura? De manhã á noite babam-se com as mortes, com o coronabicho, qual deles o pior e espremem, espremem e esticam, esticam. Está o pessoal retido em casa e ainda tem que levar com uma boa quantidade de alarves para quem só a desgraça poderá aumentar as audiências. Dir-me-à mude de canal, não dá, só mesmo desligando.
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De Pedro Correia a 11.04.2020 às 07:37

O que deve dar raiva é piratear conteúdos informativos e de entretenimento. Pessoas que a todo o momento aludem a direitos, liberdades e garantias para si não se importam de pisar os direitos dos outros. Neste caso, em última análise, ao direito ao trabalho. De escritores, actores, argumentistas, realizadores, técnicos, jornalistas, fotógrafos, maquetistas, artistas gráficos, tradutores, revisores.
No dia em que deixarem de ser produzidos jornais, revistas, livros, filmes e séries devido ao ataque maciço desta pirataria, quem condenou à extinção milhares de postos de trabalho estará na primeira linha do protesto contra os atentados à liberdade de informação e ao direito à cultura. Esquecendo ter contribuído para que tais atentados pudessem ocorrer.

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