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Contra a indiferença

por Pedro Correia, em 30.12.14

Leio num diário o título “Estado Islâmico terá executado quase duas mil pessoas desde Junho”. E uma vez mais me interrogo até que ponto um certo jornalismo asséptico, capaz de conferir um tom de relatório à mais chocante tragédia humana, pode por isso mesmo ser cúmplice da barbárie.

A utilização das palavras nunca é neutra. Quem opta pelo verbo “executar” – como se estivéssemos perante o cumprimento de uma obrigação legal - em vez de “assassinar”, “liquidar”, “massacrar” ou simplesmente “matar”, está de algum modo a contemporizar com um movimento terrorista que faz do desprezo pelos direitos humanos uma divisa e uma bandeira.

Esta mesma indiferença perante o sofrimento das vítimas do terrorismo ajuda a explicar a designação acrítica do dito movimento como Estado Islâmico. Assim mesmo, com veneradoras maiúsculas sem aspas. Como se este bando de assassinos merecesse um átomo de respeito em vez de justificar todo o nosso repúdio e toda a nossa indignação.


36 comentários

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De jo a 30.12.2014 às 11:32

Há aí muito ódio. O ódio é mau conselheiro. Convém ver sempre os outros em perspetiva, quanto mais não seja para os percebermos e podermos combater.
O que se passa é que é difícil chegar ao Iraque e indicar males absolutos a uma população que foi arrastada para uma guerra sob falsos pretextos, porque um presidente americano tinha um complexo de Édipo mal resolvido.
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De Pedro Correia a 30.12.2014 às 12:23

Argumento extraordinário. Quem mata quase duas mil pessoas entre Junho e Dezembro merece ser avaliado com respeitosa serenidade: os crimes, diz você, devem ser vistos "sempre em perspectiva".
Quem condena sem rodeios a barbárie está movido por "ódio", não é quem mata. Vivemos num mundo onde a inversão de valores é moeda corrente. Eis um exemplo evidente disso.
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De jo a 30.12.2014 às 13:23

Não é uma questão de merecer ou não ser analisado. A questão é que tem de ser analisado.
A menos que consideremos que devemos ter pontos de vista semelhantes a eles e consideremos que o outro é o mal, e a condenação sem provas e o assassínio é a nossa missão divina.
Andar à procura do mal absoluto é típico do Estado Islâmico e doutros estúpidos. Quem ganha com esta atitude é o terrorismo.
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De Pedro Correia a 30.12.2014 às 13:43

Pois. É o que eu digo. Você, em defesa do bem absoluto, professa a doutrina da equidistância moral entre carrasco e vítima. Contemporizando assim com o mal absoluto: o indivíduo que degola é equivalente em humanidade ao degolado.
Devo dizer-lhe que não é nada original. Longe disso. Não tem faltado, desde os confins dos tempos, quem estabeleça paralelo moral entre Abel e Caim.
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De jo a 30.12.2014 às 23:07

Sabe por acaso o nome dos carrascos? Ou segue o que outros lhe dizem?
BIn Laden era um homem estimável porque combatia os russos que são maus, Sadam era indispensável para conter o Irão, os terroristas do EI utilizam as armas que lhes deram para combater Bashar Al-Assad.
Não se trata de considerar carrascos e vítimas iguais, trata-se de não ser ingénuo e não saltar quando lhe mandam, só porque lhe mandam.
Um dia perguntaram a Simon Wiesenthal se odiava os alemães. Ele respondeu que nunca odiava no plural. É um bom conselho.
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De Pedro Correia a 31.12.2014 às 00:25

Sim, assumo este defeito. Odeio carrascos. Assim mesmo, no plural.
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De jo a 31.12.2014 às 14:25

E como não sabe o nome dos carrascos, odeia quem lhe convém odiar, hoje uns, amanhã outros, não porque são carrascos, mas porque são o inimigo.
Se isto não é relativismo moral não sei o que será.
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De João Pedro a 31.12.2014 às 01:33

Exemplo mais cristalino de relativismo moral deve ser impossível de encontrar.
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De Bic Laranja a 30.12.2014 às 12:29

Realmente. Que raio de perspectiva (onde nem podia caber o "c" no significante)!
Ano bom!
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De Pedro Correia a 30.12.2014 às 13:06

Obrigado, para si também. Com todas as letras.
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De EJSantos a 31.12.2014 às 08:00

Pedro Correia, concordo consigo.
E também odeio carrascos.
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De Pedro Correia a 02.01.2015 às 16:01

Ora bem. Somos dois. Quase uma multidão.
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De Costa a 30.12.2014 às 13:35

Um presidente americano? Veja lá, você com essa tão vaga caracterização abarca por exemplo todo e qualquer presidente de toda e qualquer república centro ou sul-americana (e há por lá uns tipos, e umas senhoras, que terão, parece, de facto umas questões mal resolvidas). Mas não deve ser o caso, o seu é o discurso clássico anti-EUA .

E como deve ser bom ter assim um ódiozinho de estimação, apriorístico, maniqueísta, simples e claro como água, e cuja invocação nos permite identificar os responsáveis de todos os males do mundo - aliás, sempre os mesmos - e, isso feito, seguir o nosso caminho com a superioridade da certeza que a uns tudo perdoa, ou pelo menos bem generosamente relativiza, e a outros - aliás, sempre os mesmos - atribui sem sombra de hesitação a perdição do Mundo.

Tão conveniente.

Costa
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De Pedro Correia a 02.01.2015 às 16:08

Sou radicalmente contra os maniqueus. Mas ele propagam-se à velocidade da luz.
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De lucklucky a 30.12.2014 às 23:06

Ahah tivemos a receita 2 do Pravda/KGB.

Ódio é mau conselheiro diz alguém que está cheio dele.
Como explicas ser um Marxista Leninista Jo? senão a intolerância pelo caminho diferente que outros escolhem.

Mas isto é tudo pose.
Estivéssemos a falar de um patrão(Privado porque se fosse Estado Patrão era outra conversa) a explorar trabalhadores, ou outra história que fosse de acordo com os mitos da Esquerda Marxista e teríamos ódio do Jo todo à vista.

Para aperitivo tivemos o complexo de Édipo.
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De l.rodrigues a 30.12.2014 às 12:32

Eu prefiro o meu jornalismo asséptico se faz favor.
Dizer que o ISIS executou 2000 pessoas é mais factual do que "matou"/"assassinou" etc.. Diz-me que 2000 pessoas foram mortas de forma deliberada e sistemática e de acordo com um qualquer esquema ou estratégia. O julgamento fica com quem lê.
O Isis terá morto muito mais de 2000 pessoas, (li acerca de mais de 9000 nos primeiros 8 meses do conflito, numa breve busca sobre o assunto) nos combates em que esteve envolvido. Dizer "matou" 2000 pessoas seria ignorar todos os restantes que não sofreram execuções "formais".

E não creio que retire um milimetro à ideia de barbárie.
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De Pedro Correia a 30.12.2014 às 13:39

Vou então tentar descrever, de forma asséptica e limpa, para não ferir a sua susceptibilidade, o modo como as bestas, perdão, os executores, do chamado 'estado islâmico', perdão o ISIS (palavra que lembra a graciosa íbis), costumam degolar, perdão, executar as suas vítimas, perdão, os seus executados. Usam um cutelo, perdão, um instrumento cortante, para decapitar, perdão, para segmentar o pescoço, de reféns indefesos.
Já os carniceiros, perdão, executores nazis empregavam outro método: costumavam assassinar, perdão, executar, judeus em câmaras de gás. Seis milhões. Todos massacrados, perdão, executados. Com o denodo e a proficiência de uma execução fiscal.
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De l.rodrigues a 30.12.2014 às 13:47

Acho que não percebeu o sentido do meu comentário. Fica para outro dia.
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De Pedro Correia a 30.12.2014 às 14:29

Combinado. E aproveito para endereçar-lhe os meus votos de feliz 2015.
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De L. Rodrigues a 30.12.2014 às 14:41

Igualmente. Tudo de bom para si e para os seus no ano que entra.
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De Luís a 30.12.2014 às 12:39

Pessoalmente não considero o termo "executar" nem uma palavra particularmente neutra nem um eufemismo. Mesmo uma execução "judicial" promovida por um Estado (uma sub espécie da execução em sentido lato que é empregue na notícia) não deixa de ser uma barbaridade: matar intencional e friamente alguém. Já o termo "matar" ao meu ver é bastante mais "asséptico" uma vez que os desastres naturais matam, as doenças matam, os condutores imprudentes matam, quem age em legítima defesa mata, etc.

Confesso que prefiro notícias acerca de acontecimentos e factos "secas", objectivas e desprovidas de adjectivos, emoção ou tomadas de posição.....deixo isso para os artigos de opinião.

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De Pedro Correia a 30.12.2014 às 13:20

Você defende, portanto, a equidistância noticiosa entre vítimas e assassinos. É uma tese que tem adeptos, claro.
Quanto à palavra executar, é tão neutral e tão distanciada do acto de assassinar que tropeçamos nela a todo o momento a propósito de outros temas, totalmente diferentes.
Já que aprecia tanto a palavra, aqui lha deixo num texto ao acaso que acabo de sacar do Google. Espero que goste:
«A partir de 1 de setembro será mais fácil identificar os bens que podem ser alvo de penhora, tanto no caso dos particulares como das empresas. Com o recém-criado procedimento pré-executivo, os agentes de EXECUÇÃO passam a realizar atos antes reservados aos juízes. Para dar início ao procedimento, o credor preenche um requerimento através de uma plataforma informática, que ainda será criada. Aí, inclui a sua identificação e a do devedor, o valor exato da dívida, o motivo do pedido e exige ainda o pagamento dos juros e dos honorários do agente de EXECUÇÃO. Por fim, se for representado por um advogado ou por um solicitador, tem também de identificar o seu mandatário. Uma vez paga a taxa de justiça, o requerimento é atribuído a um agente de EXECUÇÃO, cuja identificação e contactos são facultados ao credor.»
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De JSPjj2780@gmail.com a 30.12.2014 às 12:43

Nunca imaginei dizê-lo , mas cada vez estou mais de acordo com a maneira sábia e efectiva com que a Rússia eterna lida com estes animais...
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De Pedro Correia a 30.12.2014 às 13:38

Outra coisa não seria de esperar daqueles filhos do Putin.
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De Luís a 30.12.2014 às 14:00

Prefiro apenas, e a título estritamente pessoal, a narração neutra de factos o que, como é evidente, não se traduz em equiparar ou sequer aproximar moralmente as vítimas aos seus carrascos. Eu valorizo um estilo sóbrio onde o jornalista guarda para si mesmo (e já agora para o leitor/ouvinte/telespectador) os juízos de moralidade sobre o que objectivamente relata (um exemplo disso mesmo é o espaço "no comment" da Euronews onde as imagens substituem os comentários....se a mensagem é forte fala por si mesma e não necessita de "condimentos" ou explicações adicionais.
Para mim saber da existência de 2.000 pessoas executadas é o suficiente para concluir que estamos a falar de bestas sanguinárias, não necessito é que cheguem antecipadamente a essa conclusão por mim frisando isso expressamente num texto de natureza meramente informativa.... isso seria de alguma forma redundante.




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De Pedro Correia a 30.12.2014 às 14:50

Eu também valorizo um estilo sóbrio, mas um jornalista não pode ser neutral perante a barbárie.
E todo o jornalista tem direito à opinião. Um exemplo clássico a que já aludi aqui foi o de Walter Cronkite, que chegou a ser o jornalista mais respeitado dos Estados Unidos, e era o apresentador do principal telediário nos EUA no final da década de 60 elogiado pelo rigor da sua mensagem.
Na memória de muitos estão ainda as severas críticas que fez ao envolvimento de Washington no Vietname: foi lá como repórter, em 1967, e o que viu convenceu-o de que os americanos estavam a travar a guerra errada no local errado. Não hesitou em dizer o que pensava perante o seu auditório de dezenas de milhões de espectadores no principal serviço noticioso da CBS, Evening News, na noite de 27 de Fevereiro de 1968. Ao escutá-lo, o então presidente Lyndon Johnson comentou perante os seus assessores: "Acabamos de perder o apoio da América profunda." Dias depois, em Março, Johnson desistiria da recandidatura à Casa Branca: ninguém teve dúvidas de que as críticas de Cronkite tiveram um papel fundamental nesta decisão.
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/743079.html
https://www.youtube.com/watch?v=q3eFl9pcxsM
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De cristof a 30.12.2014 às 16:48

Sem dúvida que os povos daquelas regiões têm servido de alvos para todos os banditismos. Já não lhes chegava os criminosos que lhes cabe intervir longe da sua jurisdição para onde foram eleitos, como "defesa" do seu povo(petroleo?), ainda lhes cai em cima um bando de facínoras a explorar os credos já por si anacrónicos, duma forma mais que execrável. E não fora o tocarem nos poços ainda lá continuavam impunes, como na Líbia.
Os receptadores apáticos das noticias depois de verem como cães que invadem com argumentos falsos e provocam milhões de desalojados e mortos a saírem bem da empreitada desistem de se indignar por inútil e politicamente incorrecto, como o prova a Líbia e faixa de Gaza.
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De Pedro Correia a 02.01.2015 às 16:06

E no entanto não têm por lá faltado jornalistas degolados e decapitados, o que deveria indignar particularmente os jornalistas do lado de cá.
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De Maria Dulce Fernandes a 30.12.2014 às 17:39

Talvez a idade acrescente um pouco mais de sabedoria, não daquela que se aprende em livros, mas da que se ganha vivendo e enfrentando as adversidades de cada dia que passa. Penso que a palavra com mais peso em 2014 foi Indiferença.
Indiferença por tudo o que se passa à nossa volta, indiferença pelas hecatombes visuais e auditivas que nos embotam os sentidos nas ruas, no trabalho, nas escolas até mesmo na fortaleza do silêncio que construímos à nossa medida e que afinal não é assim tão inexpugnável como parece.
haverá ainda quem perca a fome assistindo a tragédias (des)humanas de excruciante subsistência em África, na Ásia, aqui ao lado, num barraco destelhado? Crianças com olhos vazios de amanhã , corpos pútridos e mutiliados numa vala comum, lágrimas de dor e desespero lá longe onde o mar lhes engoliu o coração... nada, já não comovem ninguém. Talvez um pesaroso "coitados" , e nada mais.
Os vagalhões da tragédia, por se tornarem tsunamis de informação ao quilo, esbarram no muro da indiferença que fomos erguendo e nos tornou apáticos e insensíveis.
É com essa insensibilidade que aceitamos a palavra executar, como se os terroristas e assassinos do ISIL fossem dirigentes democraticamente eleitos de um estado soberano que não aboliu a pena de morte.


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De Pedro Correia a 02.01.2015 às 16:07

Já seleccionei este seu comentário, Dulce. Com todo o mérito.
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De malcomparado a 30.12.2014 às 20:23

O "jornalista" escreveu executar em vez de assassinar ou massacrar. Porquê? Quer a minha opinião? Porque é um cobarde e tem medo das eventuais represálias ditadas por Allah e "executadas" pelos seus seguidores. Se se tratasse de cristãos a matarem islamitas, aí já o executar não tinha cabimento: era logo massacrar porque não eram de temer represálias.
Ou porque não é politicamente correcto acusar o Islão seja lá do que fôr, mesmo que esse Islão seja a deformação paranóica do isis. Se fôr para acusar o Ocidente em geral e os EUA ou Israel em particular, aí já não há medo dos verbos mais violentos.
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De Pedro Correia a 02.01.2015 às 16:04

Não faltam exemplos disso mesmo. Que merecerão certamente o aplauso do primeiro leitor que surgiu nesta caixa de comentários.
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De lucklucky a 30.12.2014 às 22:59

Os jornalistas usam a palavra mais asséptica que encontram : executam.
Porque não podem evitar noticiar algo que pela sua dimensão, mas que não ajuda nada à causa e estaria melhor na gaveta.

Muitas notícias não ajudam a Esquerda e esta é uma delas.

Quando se matam 100 cristãos assírios, se violentavam coptas, se perseguem zoroastras, curdos e muitos outros povos do Médio Oriente aí sim já é possível censurar.
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De Pedro Correia a 02.01.2015 às 16:03

Dois pesos, duas medidas. Sempre.
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De Reaça a 31.12.2014 às 00:12

Não é só indiferença, é também uma incapacidade quase total da Europa em enfrentar os o que se passa aqui á beira de todo o Sul e Leste da Europa.

As fugas de África e Ásia, de clandestinos para o sul da Europa, por tribos de toda a ordem, emigrações que são aproveitadas para infiltrações de sabotadores e terroristas de toda a ordem, vão ter consequências terríveis.

E a Europa, além de indiferente está incapaz de controlar o que se passa, à vista de toda a gente.

Mas a Europa já deu tantos tiros nos pés que isto é o fim à vista de uma civilização milenar.

Desde a 1ª e 2ª Grande guerra, que a europa ficou «indiferente».

Pena que aqui neste cantinho, que nem nos consideram verdadeiramente europeus, também vai sobrar borrasca.
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De Pedro Correia a 02.01.2015 às 16:03

Temos sempre a ideia de que nada disto é connosco. Mas é. O que hoje parece estar muito longe estará demasiado perto amanhã.

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