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Constatações e cenários (todos maus)

por José António Abreu, em 06.07.15

Blogue_UE_Bandeira.jpg 

1. O referendo na Grécia vincula o governo grego, não os restantes. Os gregos apenas têm legitimidade para decidir sobre o seu próprio orçamento. Não sobre o português, o espanhol, o alemão ou o eslovaco.

 

2. Mostrar solidariedade com a Grécia não é ajudá-la a manter as distorções que sempre lhe caracterizaram a economia (como, de resto, a Portugal). Não é dar-lhe o peixe (ainda que, provisoriamente, algum deva ser dado), é ensiná-la a pescar (como, de resto, a Portugal).

 

3. Se tal sucedesse, nunca mais seria possível convencer qualquer dos governos do Sul da Europa (começando pelo próprio grego) a efectuar reformas com um mínimo de dificuldade. Aberto o precedente, os referendos ou, onde constitucionalmente proibidos (em grande medida porque, colocadas perante a questão de pagar ou não pagar, as pessoas tendem a escolher não pagar), outras formas de manifestação de desagrado tratariam de o garantir. O resultado? A implosão da UE ou a sua transformação numa Venezuela com 500 milhões de pessoas, onde a riqueza hoje produzida seria rapidamente desbaratada. Outros blocos políticos e económicos agradeceriam. De resto, talvez não por acaso todos pressionam (sem que alguém os acuse de ingerência nos assuntos alheios) no sentido da Grécia obter as condições que pretende.

 

4. O incumprimento da Grécia teria efeitos potencialmente perigosos nas contas públicas dos restantes países (através dos fundos de apoio e da eventual necessidade de recapitalizar o BCE) mas ceder a uma chantagem feita por um governo com as políticas do governo grego (i.e., que nunca colocarão a Grécia a crescer de forma sustentada) apenas adia e agrava o problema. Sendo certo que as instituições europeias têm hoje mais instrumentos para lidar com a saída da Grécia do que há alguns anos, não é líquido que cheguem. Ironicamente, o alargamento de prazos de que a Grécia goza facilitará um pouco a tarefa, adiando a conta e distribuindo-a por mais anos. Mas o efeito de contágio não está afastado e este escalonamento não se aplica à dívida (do Estado e dos bancos gregos) ao BCE. Seja como for, se pode defender-se a tese de que teria sido preferível deixar cair a Grécia em 2010 ou 2012, em vez de continuar a emprestar-lhe dinheiro, mais difícil de entender é prosseguir na mesma via, sem existirem indícios que permitam acreditar que, dentro de dois ou três anos, a situação terá evoluído para melhor. Pelo contrário: tudo indica que a bola de neve aumentará de tamanho.

 

5. O próprio corte de 30% na dívida grega, como exigido por Tsipras, também teria custos para os cidadãos dos restantes países e, acima de tudo, feito desta forma, abriria a porta a outros perdões logo que a dívida atingisse patamares considerados «injustos» (imagine-se Iglesias como primeiro-ministro de Espanha, Berlusconi ou similar à frente de Itália, Le Pen na presidência francesa). A dada altura, este cenário confundir-se-ia com o de default total pois entrar-se-ia numa via de insustentabilidade. Chegaria também o momento em que os contribuintes e/ou depositantes seriam chamados a cobrir as perdas decorrentes do accionamento dos famosos CDS, ou seguros contra incumprimento (a dívida de Itália, de Espanha ou de França encontra-se essencialmente em mãos privadas), que têm potencial para arrasar muitas instituições de crédito.

 

6. Perdoar dívida a uns significa aumentar dívida a outros. E, mesmo no caso dos credores serem privados, toda a gente acaba atingida.

 

7. Muitos na esquerda sabem isto. (O governo grego joga com isto.) Mas que melhor forma de tentar fazer implodir o sistema capitalista, mantendo a retórica de que foi ele próprio o causador da queda? (A acontecer - ver-se-á então o que é recuar dezenas de anos em termos de rendimento disponível -, tê-lo-á sido em parte; governos irresponsáveis fizeram o resto.)

  

8. A situação actual valida a posição dos que, um pouco por toda a Europa, receavam que a compatibilidade entre uma moeda assente na responsabilidade (como as do Norte da Europa tendiam a ser) e políticas centradas na demagogia (como as do Sul da Europa quase sempre foram) se revelasse impossível. Poucos terão hoje mais razões para dizer "bem vos dissemos" do que os cépticos que, na Alemanha, contestaram o abandono do marco. A Alemanha cedeu porque desejava apoio político para a reunificação e a França exigia o euro, invejosa que sempre esteve da força do marco e incapaz de perceber o que ele implicava em termos de contas e políticas públicas. Ilusões da França (e de Espanha, Itália, Portugal e Grécia), ingenuidade da Alemanha (e da Holanda, Áustria, Finlândia e - quão estranho é escrevê-lo - Irlanda). Moral da história: por norma, é preferível considerar como correctos os melhores cenários dos pessimistas - e não misturar mundos incompatíveis.

 

(Fotografia: Alamy Alamy / Alamy, recolhida no Bing.) 

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38 comentários

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De Só desgraças a 06.07.2015 às 14:30

E o perdão da dívida "exigido" pelos gregos envolveria também perdas sobre a dívida grega detida pelos próprio gregos.
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De José António Abreu a 06.07.2015 às 14:51

Vá-se lá saber. Uma vez Jerónimo de Sousa (creio) disse que a reestruturação da dívida portuguesa - que ele defendia e defende - não deveria incidir sobre a detida pelo Fundo da Segurança Social. Tsipras podia exigir (afinal, o governo grego é ou não o único com legitimidade democrática nesta Europa "terrorista" e ditatorial?) que os detentores gregos ficassem fora do haircut.
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De Só essa gente... a 06.07.2015 às 17:48

Ah, pois é, há umas dívidas que são mais iguais que outras.
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De Vento a 06.07.2015 às 14:46

Meu caro José,

a questão para si é simples. Tão simples quanto isto:
"O incumprimento da Grécia teria efeitos potencialmente perigosos nas contas públicas dos restantes países (através dos fundos de apoio e da eventual necessidade de recapitalizar o BCE) mas ceder a uma chantagem feita por um governo com as políticas do governo grego (i.e., que nunca colocarão a Grécia a crescer de forma sustentada) apenas adia e agrava o problema".

Pergunta: andamos a pagar a esta gente que lá anda pelo Eurogrupo para guerrearem sobre o que não tem remédio?
Porque não lhes oferecemos dinheiro para sair e esquecemos em definitivo a dívida?

A Islândia entrou em default e reergueu-se de uma penada.
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De José António Abreu a 06.07.2015 às 15:01

Oferecer mais dinheiro? Para além da dívida?

É perfeitamente possível que a velocidade de recuperação fosse mais rápida do que no euro. Mas há a queda inicial. E o risco ligado às políticas defendidas pelo actual governo grego, muito pouco amigas do crescimento sustentado. É muito provável que a Grécia entrasse num ciclo desvalorização - inflação. Mas, enfim, parece que essa é a austeridade aceitável e humana.
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De Vento a 06.07.2015 às 15:57

Crescimento sustentado? Então eles queriam aumentar as receitas 3 x mais que a despesa, o que se significa um substancial controlo fiscal, e aumentar o IRC para empresas com lucros superiores a 500 Milhões exactamente para evitar uma paralisia económica, e isto não foi aceite, assim como um corte imediato de 400 milhões na defesa (que foi recusado) e quer falar-me em crescimento sustentado. Entre outras medidas, como um aumento negociado do IVA para certos produtos e em certas áreas das ilhas.

Veja o que originou o tal crescimento sustentado em Portugal; e não fosse a devolução dos subsídios e salários a situação mais grave em que estaríamos.

A inflação acompanha sempre o aumento do consumo, e não significa que seja assim tão má. No caso Grego e Português não o é certamente.

José, desculpe mas não andamos passados como essa malta para acreditar nisso.
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De lucklucky a 07.07.2015 às 17:10

"A Islândia entrou em default e reergueu-se de uma penada."

A Islândia ainda está abaixo...

Mas deixemos isso para constatar que nem faz esforço para perceber.

O problema da Islândia foram os bancos, não foi um Estado que se endividou para produzir aquilo que nunca foi produzido.

A Grécia com os marxistas e neonazis -que apoia- só vai para baixo. Pague ou não pague.
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De William Wallace a 06.07.2015 às 14:48

Ponto 1 - de acordo com o que escreve com a nuance (muito importante) que isto anda tudo ligado e só para lembrar que a actual crise começou nos USA e estendeu-se á Europa.

Ponto 2 e 3 - Se ao fim de 5 anos não se fizeram reformas suficientes na Grécia algo esteve mal no acompanhamento feito pela troika, devo lembrar que aqui em Portugal vinham cá de 3 em 3 meses avaliar e só passavam o cheque se estivesse tudo mais ou menos bem.
Quanto á implosão da Europa não diria tanto, ela já cá está á uns anitos e já sofreu bem mais e levantou-se sempre, quanto á implosão de um sistema económico que só serve os interesses de alguns, ontem era tarde.

O capitalismo acabou em 2008 no momento em que se determina por decreto (com todos os custos associados) que ALGUMAS empresas privadas não podem falir em resultado de má gestão OU gestão danosa.

As instituições de crédito actuais não produzem nada limitam-se a especular, nem a a economia real ajudam parasitam-na e estão a matá-la lentamente e o resto é conversa para dormir.

A Europa não é só a UE FELIZMENTE, vai dos Açores aos Montes URAIS.
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De José António Abreu a 06.07.2015 às 15:33

A crise começou nos Estados Unidos mas a situação na Grécia - como, em menor grau, em Portugal - era insustentável. Por cá, havia indícios desde finais da década de 90. Pina Moura, ministro de Guterres, chegou a ter um plano de reforma do Estado. Guterres saiu a falar do "pântano". Durão Barroso mencionou um "país de tanga". Guterres nada fez, Durão fez pouco antes de escapar, Sócrates primeiro fez pouco e depois fez mal.
Sobre a Grécia, se não leu, por favor leia os textos abaixo, colocados n'O Insurgente.

"Se ao fim de 5 anos não se fizeram reformas suficientes na Grécia algo esteve mal no acompanhamento feito pela troika"
É provável. Fechar os olhos, adiar enfrentar os problemas tem este tipo de resultados. Mas, no limite, a Troika só podia fazer uma coisa: cortar o financiamento. Talvez o devesse ter feito. De qualquer modo, não é, ainda hoje, essa a posição dos seus responsáveis. E sejamos honestos: é evidente que se preparava um corte (ou rescalonamento) na dívida grega para breve (provavelmente depois das eleições espanholas). A chegada ao poder do Syriza precipitou os acontecimentos e anulou a percepção de que a economia grega tinha condições para crescer sustentadamente.

Não me apetece defender as instituições de crédito, que cometeram - e cometem - muitos erros e deviam pagar mais por alguns. Faço, aliás, mea culpa por em 2008 ter compreendido a decisão de nacionalizar o BPN. Mas, como escrevi, há custos que sobram sempre para o cidadão comum, seja através dos impostos, seja através de cortes nos depósitos ou de desaparecimento de poupanças. Quanto ao facto dos bancos apenas especularem:
- De certa forma, o negócio deles é esse, passe por conceder crédito a particulares, empresas ou Estados;
- Por cá, muito do crédito concedido a empresas e particulares consistiu mais em deficiente avaliação de risco do que especulação consciente (no caso da dívida pública, os bancos acreditavam mesmo que a falta de pagamento nunca se colocaria). Há projectos industriais parados - ou, agora, a arrancar lentamente - porque os bancos financiadores acreditaram demasiado nos projectos (garanto-lhe; conheço alguns) e queimaram-se. Claro que também há os exemplos do financiamento a projectos inviáveis por ligações pouco saudáveis (grupo GES, por exemplo) ou interesses cruzados (construtoras, concessionárias de PPPs, etc.).
- A correcção destas distorções está em mais regulação e, eventualmente, em associar o dinheiro a algo tangível. Mas isso fará com que, na generalidade dos países, o PIB caia.

"A Europa não é só a UE FELIZMENTE, vai dos Açores aos Montes URAIS."

OK. Mas que mais-valia em termos de funcionamento democrático trazem a Rússia, a Ucrânia ou a Bielo-Rússia?



http://oinsurgente.org/2015/06/29/grecia-revisao-da-materia-dada-onde-tudo-comecou/
http://oinsurgente.org/2015/06/30/grecia-revisao-da-materia-dada-o-resgate-e-o-ajustamento/

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De William Wallace a 06.07.2015 às 16:06

Antes de mais obrigado por me responder e por intrinsecamente reconhecer que o nosso problema já vem de longe, desde a governação PSD de Cavaco Silva que foi a 1ª que teve os meios e condições politicas para mudar alguma coisa e só piorou, tudo o que se seguiu foi empurrar com a barriga.

Concordo consigo nalguns pontos mas discordo noutros nomeadamente na forma e meios utilizados por este governo para maquilhar as contas publicas uma vez mais, os dados da execução orçamental do 1º trimestre de 2015 provam-no assim como o défice de 2014 que ultrapassará os 6% isto após o que foi feito nos últimos 4 anos isto já para não falar do aumento a ritmo geométrico da divida publica mesmo considerando a queda do PIB que diga-se de passagem não é um indicador fiável para medir o bem estar mínimo da cada pessoa.

Para que fique registado (uma vez mais) neste blog onde escrevo, eu sou a favor da austeridade, o que acontece é que a mesma não existiu em Portugal, houve e continua a haver sectores intocados e que são os responsáveis pela asfixia económica do País, sejam os serviços do Estado ou empresas privadas, claro que a situação não pode ser vista de forma simplista como a apresento mas este governo disse que o esforço teria de ser feito em 1/3 por aumento de impostos e 2/3 na despesa, ora as despesas aumentaram (parece que não mas aumentaram) o aumento da divida publica prova-o e só se mantém porque o aumento de impostos permite ir pagando os juros dessa divida e por aí adiante...

Voltando á Grécia e aos Gregos, tenho de os apoiar, têm-nos no sitio apesar de tudo e não são masoquistas, se ao fim de 6 anos de "austeridade" aquilo só piora tem mesmo de se mudar de estratégia.

Não li os textos que cita, já o não fiz da 1ª vez que os colocou aqui no blog pois acho muito difícil que alguém consiga defender melhor este governo que o Dr. Lobo Xavier.
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De José António Abreu a 06.07.2015 às 22:12

Começando pelo fim, acho que devia ler os textos. Pelo menos olhar para os gráficos.

Quanto às falhas na aplicação da austeridade, concordo. Aliás, concordo que o governo português cometeu muitos erros, alguns por miopia, outros por interesses (económicos, partidários, etc.). Mas também viu chumbados pelo TC muitos cortes na despesa (com 2/3 da despesa centrados em salários e pensões, é inevitável mexer nestas áreas) e, acima de tudo (principal razão por que o tenho apoiado) é o único governo desde há décadas com uma ideia minimamente correcta sobre a forma de desenvolver o país: apostar nas exportações, tentar manter equilibradas as contas externas, estimulando o consumo com alguma prudência (menos agora, que é ano eleitoral, mas ainda assim imagine-se Sócrates no lugar de Passos). Se quiser, apoiou-o porque acho essencial não escolher opções muito piores. Como a irresponsabilidade total e demagogia do PC e do BE ou as ilusões e mentiras do PS. (Um dado: nunca o défice externo - directamente ligado ao endividamento do país - subiu tanto como nos governos Guterres e Sócrates.) E continuarei a fazê-lo porque estou em Portugal, as decisões políticas afectam-me e não quero que se repita 2009, ano em que, apesar dos avisos, os portugueses deram a vitória ao PS.

(Já escrevi muito sobre as falhas no ajustamento, sobre a partilha de responsabilidades no trajecto até à pré-bancarrota e sobre os pontos positivos e negativos do governo. Por exemplo:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/5314436.html
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/5165690.html
http://escafandro.blogs.sapo.pt/250169.html

Quanto ao aumento da dívida, era inevitável. Em 2010, o défice das contas públicas foi superior a 11% do PIB (i.e., havia um buraco de 22% no orçamento). E depois, ao longo dos anos seguintes, ainda surgiram agravamentos extra (como agora, mesmo que temporariamente, pode suceder com o Novo Banco e o orçamento de 2014). Tudo isto teve que ser compensado com dívida (neste caso, contraída junto das instituições da Troika). Veremos se, como previsto - e mesmo com a crise grega -, a dívida começará a descer este ano.
Um ajustamento mais rápido exigiria capacidade à irlandesa. Que nem o governo teve nem o TC permitiu.
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De William Wallace a 07.07.2015 às 00:02

Só uma nota, este governo fez uma coligação pós eleitoral que lhe permitia fazer quase tudo.
Conhecia previamente as condições a que estaria sujeito pois negociou os termos do memorando da troika logo teve tempo de se preparar o que manifestamente não aconteceu.
O PSD actual mentiu (e mente) a toda a gente (o PS também e o CDS também).

Vendeu leite e mel e o que aconteceu todos sabemos.

Quanto ao TC ainda bem que não deixou passar algumas medidas se não ainda estaríamos pior além de que as leis são para respeitar que isto "ainda" não é a selva.

Se fosse um governo avisado e que estivesse interessado em servir os seus concidadãos primeiro cortaria FORTE E FEIO em tudo e só depois poderia argumentar que talvez tivesse de mexer em pensões e salários, aliás numa manobra propangandistica na altura de eleições até fez um site para receber exemplos de cortes que poderiam ser feitos.

Infelizmente não posso concordar que um erro (a actual legistatura) possa servir para tapar o que não correu bem em 2009.

Em 2009 o PS comprou a vitória nas eleições aumentando os funcionários publicos e agora quer fazer o mesmo prometendo agora que dará mais a todos e depois logo se vê (agenda para a década) mas isso não me comove mais para votar no actual governo, estou literalmente a borrifar-me, já muito pouco tenho a perder e além disso não sou masoquista e ainda tenho algum amor próprio sendo que sempre paguei os meus impostos, as minhas habilitações não foram passadas por equivalências e nunca entrei em negociatas, acho que sou minimamente honesto e inteligente para ver que com mais 4 anos de PS ou (PSD + CDS) isto não resulta por isso provavelmente até nem irei votar e junto-me aos 60% que todos os anos ganham eleições mas não tem representação.


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De isa a 06.07.2015 às 16:04

Quem dera que tudo fosse assim tão simples, tem razão quando diz que a Europa anda cá há uns anitos, já sofreu e se levantou, mas quem sofreu e quantos morreram... infelizmente, só se sabe avaliar graus de sofrimento se se passarem por eles. Os que passaram pela 2ª guerra mundial tinham trocado tudo o que passaram, por outro tipo de solução. É fácil falar mas, na prática, tudo muda de figura. A 2ª guerra acabou, vai fazer 70 anos em Setembro, e o que vejo não é a importância de cair e levantar, é o preço que muitos pagaram e, o pior... parece que continuamos sem aprender nada, e o sofrimento volta sempre.
A capa de civilidade do ser humano é muito fina, entrando na desorganização social, bastará uma semaninha de prateleiras de supermercado vazias, cortes de energia, salários ou pensões em suspenso, para facilmente se instalar o caos.
Não sei se se lembra daquele 1º de Maio em que um supermercado fazia grandes descontos e promoções, ora ainda me lembro de ver as imagens na tv, de quase se matarem para conseguir entrar primeiro, isto estando o supermercado cheio... agora basta imaginar como será se estiver quase vazio...
Claro que antes de rebentar a 2ª guerra ninguém acreditava que isso pudesse acontecer... como eu nunca imaginaria que nos tempos que correm, houvesse um conflito na Ucrânia e poucos falam de quantos já morreram, famílias destroçadas e de quantos estão, neste momento, simplesmente, a tentar sobreviver aos problemas económicos ou psicológicos. Uns culpam o governo eleito na Ucrânia, outros a Rússia, outros os interesses da U.E... a partir de um certo momento já pouco importa quem são os culpados, a inteligência está em evitar, a todo o custo, a irreversibilidade das consequências.
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De William Wallace a 06.07.2015 às 17:20

Concordo consigo, ninguém bem da cabeça desejaria passar por essas provações.

Mas o seu raciocínio tem um erro básico você fala nas consequências e esquece as causas de tudo o que cita e o tempo que vivemos é de causas (de /dos problemas) as consequências estão aí ao virar da esquina não tenha duvidas e olhe que existem muitos que todos os dias são pagos para por ainda mais achas na fogueira.

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De Anónimo a 06.07.2015 às 15:07

Porque razão insistimos na punição dum povo, quando esse povo não tem culpa dos actos dos seus governantes? Afinal queremos o bem dos outros ou queremos ser tratados da mesma forma? Estamos mal, não temos onde cair mortos e estamos a dar lições aos gregos, quando nos diferenciamos muito pouco deles.
A Alemanha cedeu à entrada do euro e foram os que mais beneficiaram do mesmo.
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De José António Abreu a 06.07.2015 às 15:35

Não há punição. Há um novelo que tem de ser desenredado sem gerar consequências ainda piores, no imediato ou a prazo. E portanto: qual a sua sugestão?
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De isa a 06.07.2015 às 16:28

... adorei essa de perguntar "qual a sua sugestão" lol
É precisamente aquilo que me canso de repetir, há pessoas que nem sequer sabem que já emprestaram dinheiro à Grécia e que, muito provavelmente, vão continuar a pagar... e a apertar o cinto.
Quem não sabe isto, presumo que seja fácil de convencer, em querer fazer o mesmo em Portugal, claro que, ainda será mais difícil de explicar que, nesse caso, a gravidade das consequências aumenta e numa proporção cada vez maior e pior.

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De Anónimo a 06.07.2015 às 17:28

É pena que não diga que os outros também nos emprestam a nós. Com tanto empréstimo e austeridade a Grécia e nós, só conseguimos aumentar a dívida.
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De José António Abreu a 06.07.2015 às 22:18

Sobre o aumento da nossa dívida, por favor leia a parte final da minha resposta a William Wallace (comentário das 22:12).
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De Anónimo a 06.07.2015 às 16:41

Ajudar o povo grego e não só, todos, os que estão no pântano e não têm como sair. Pense no que se fez à Alemanha, quando a mesma rebentou com a Europa e a Grécia não escapou ao massacre. Todos se reuniram e encontraram um plano para os ajudarem. Chegou a hora, de todos lutarmos, para o bem da Europa e não na divisão da mesma que certamente nos trará muitos dissabores. É isso que se espera dos pensadores, políticos e técnicos da UE, FMI, BCE e Eurogrupo, muito bem pagos e não para a destruição de algo que alguns homens de bem, idealizaram e concretizaram.
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De isa a 06.07.2015 às 17:32

Completamente de acordo mas, como nós, também temos de ser ajudados (e ainda há muitos mais), o problema começa quando temos de convencer os outros contribuintes europeus a ajudar quando, seja na Grécia ou em Portugal se andou a gastar o dinheiro como se não houvesse amanhã, deixámos roubar à descarada, fazer obras megalómanas, negócios desastrosos, a troco de uns "amendoins" que se iam dando à macacada, especialmente em tempo de eleições, que acreditava haver almoços grátis. Os que ainda iam avisando das futuras consequências, eram considerados os doidinhos ou uns chatos de uns pessimistas. A culpa, seja de políticos ou da imprensa, já nem interessa, porque pensar que há soluções simples e que basta emprestar, é empurrar, novamente, o problema com a barriga. À medida que se vão cometendo erros a tentar arranjar soluções, acabaremos sempre numa situação pior à que já estamos. Entrámos numa UE em que tudo correria bem... se não fosse composta por seres humanos, com demasiados interesses, demasiada ganância, demasiadas mentiras e demasiada desinformação. E quem garanta que com isto da Grécia até se ficou melhor ou que vai ensinar alguma coisa a alguém, faz parte do problema e não da solução.
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De Anónimo a 06.07.2015 às 18:42

O que se fez, está feito e não se pode voltar atrás e além disso, não foi este governo grego, a fazer os disparates que foram feitos. Trabalhem para o bem comum. Se há setenta e poucos anos depois da carnificina, tudo se fez para tirar a Alemanha do poço, agora também tem de haver, basta o homem querer e querer é poder.
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De José António Abreu a 06.07.2015 às 22:48

Impressionante é muita gente, de Tsipras a (em menor grau) António Costa, achar que a via que causou o problema é a mesma que o solucionará.
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De José António Abreu a 06.07.2015 às 22:26

A Alemanha teve um nível de austeridade brutal, decorrente da guerra. Como, de resto, outros países envolvidos na mesma, incluindo a Grécia. E, sim, recebeu empréstimos e teve condições especiais de pagamento. Mas criou um modelo de sociedade que, sustentadamente, foi permitindo aumentar salários, despesas sociais, etc. A Grécia não o fez - com uma população de dimensão similar, chegou a ter um PIB muito superior ao nosso, exportando muito menos (e Portugal não é propriamente exemplo). E nos últimos anos recebeu muito dinheiro e continuou a não mudar o modelo (com todas as falhas do nosso ajustamento, demasiado apoiado em aumento de impostos, o peso das nossas exportações no PIB aumentou, o défice externo foi equilibrado, a colecta de impostos abrangeu muita gente que antes fugia, etc.). E o actual governo grego continua a recusar mudá-lo. Pelo que a pergunta tem de ser mesmo: o que fazer? Continuar a financiar essa indisponibilidade?
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De Anónimo a 07.07.2015 às 02:02

O euro foi criado para países desiguais entre si e sem o mesmo poder sócio económico. Pois, a Alemanha com as medidas que teve deu-lhe oportunidades de ser o que é hoje, enquanto os planos para a Grécia e Portugal foram, austeridade e austeridade e todos sabemos que a austeridade não desenvolve um país, atrasa-o. A Grécia recebeu muito dinheiro e quase todo foi para a banca alemã e francesa. A Grécia e Portugal obedeceram às imposições e a conclusão foi: austeridade e aumento da dívida. Seguindo o mesmo caminho vamos, continuar a austeridade e a aumentar a dívida. Vamos parar onde? Se todos parassem e pensassem que na Europa não há trabalho e que para termos uma sociedade equilibrada tem de haver trabalho e para isso, seria conveniente a Europa repensar a globalização que nos moldes em que está não pode continuar. Porque razão as empresas europeias se deslocam para países de mão de obra baratíssima se aqui não há trabalho? Devido à escassez de trabalho, nenhuma empresa europeia poderia sair da Europa, caso saísse os seus produtos pagariam um imposto altíssimo para entrarem. Mais grave, é a UE impor às empresas regras e depois temos as lojas chinesas que vendem tudo sem regras e não se passa nada.
Nisto ninguém pensa nem fala o que é muito estranho.
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De mm a 06.07.2015 às 16:01

Se sentarmos 10 gregos numa mesa de negociações para discutir a implementação de uma qualquer regra, é quase certo que haverá 5 que enfrentam a situação de uma forma realista e construtiva enquanto os outros 5 deambulam por soluções mirabolantes que lhes possam servir de pretexto para contornar a dita regra (ou pelo menos para a adaptar).

E normalmente, para suspiro dos primeiros 5, são estes últimos que levam a sua avante.

Se a esta mesma mesa juntarmos não-Gregos que tenham por hábito a obediência literal às regras, então o diálogo torna-se surreal.

Estereótipos à parte, é evidente que os vários povos da Europa não partilham os mesmos conceitos. Encontrar um acordo nesta babel conceptual é um desafio enorme e só é possível se se seguirem alguns princípios que não podem deixar margem para interpretação.

As metas impostas pelos acordos e tratados da EU servem este propósito. No entanto insistir cegamente nos valores destas metas, que inclusive são por vezes decididas assim às três pancadas (como nos lembra sempre a história do Sr Abeille: http://www.leparisien.fr/economie/3-de-deficit-le-chiffre-est-ne-sur-un-coin-de-table-28-09-2012-2186743.php) e quando é por demais evidente que elas não estão a servir os seus propósitos, não me parece lá muito inteligente.
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De da Maia a 06.07.2015 às 16:10

Acho que o post do JAA está bem apresentado, se olharmos apenas para metade da história. O problema em causa hoje não é o do capitalismo, é da clara divisão entre capitalismo económico e capitalismo financeiro.

O que causou desequilíbrios na economia mundial, não foi nenhum Estado pôr-se a imprimir dinheiro. Mesmo os EUA podem imprimir dinheiro à vontade, que a desvalorização monetária, regularia o desvario.
O que causou um profundo desequilíbrio mundial foi a criação colossal de dinheiro por parte de fundos especulativos patrocinados pelas 3 agências de rating. Essa fraude Keynesiana seria inócua, se detectada, mas como as túlipas florescem de tempos a tempos, há sempre quem caia no conto do vigário.

Se o mercado não tivesse sido protegido pelos estados na crise de 2008/09, veríamos apenas colossais perdas de grandes investidores. No entanto, como estes mercados não são parvos, tinham um trunfo na manga - os únicos "futuros" que podiam vender com garantia de cumprimento - as dívidas dos estados.

Por isso, assistiu-se a um dinheiro fácil emprestado aos estados (no caso grego com a Goldman Sachs), que dava substância ao único activo de futuro que poderia ser garantido - o cumprimento da dívida... para evitar a bancarrota.
A zona euro era o caso mais apetecível, porque se supunha ajudas nas perdas dos países. Ou seja, teríamos a economia (alemã) a ajudar o pagamento das perdas financeiras (gregas, portuguesas, etc.)
Assim, os mercados não caíram em 2010 porque fizeram cobrar a liquidez do dinheiro "futuro" inexistente, pela exigência de cumprimento imediato das dívidas soberanas.

Os "futuros" dos pobres americanos empenhados em casas impagáveis valiam pouco mais que nada (e o Lehman Bros. faliu), mas os "futuros" pelas dívidas soberanas eram pagáveis.
Contra essa narrativa foi a Islândia, e os mercados da City de Londres chamaram à atenção da dependência mundial de si, sob a forma de cinzas sobre a Europa, bloqueando qualquer voo económico.

A primeira exigência de liquidez caiu sobre a Grécia, e o dinheiro "emprestado" entrou na Grécia para sair imediatamente e alimentar a falta de liquidez dos bancos envolvidos no processo (alemães e franceses). Esse dinheiro não foi suficiente, e mais foi pedido, por via da Irlanda, Portugal e até Espanha.

O processo que se passou foi apenas uma transferência de fundos sem valor especulativos - comprados em larga escala pelas empresas e bancos alemães, porque não sabiam o que fazer ao dinheiro que a economia gerava, e assim confiaram nos fundos do sistema financeiro. Quando isso foi questionado, e precisaram de liquidez, a única forma encontrada foi passar o problema para os futuros que tinham alguma substância - a dívida soberana.

Portanto, o mercado encontrou maneira de financiar futuros, hipotecando o futuro de certos países endividados. A única coisa que faltava à narrativa era o cumprimento dessa dívida. E é isso que não pode falhar. A Islândia falhar foi suportável, mas mesmo a Grécia já será difícil de gerir... isto para não falar se houver contágio.
O verdadeiro perigo que os mercados temem será Mrs. Frexit... mas já se darão mal com o Grexit. Por isso ameaçam com os cenários mais catastróficos, usando até um bobo de serviço, Martin Schulo, como porta-voz mafioso.

Há uma quantidade imensa de dinheiro aplicado em futuros de dívida soberana, ou seja numa prisão por escravatura política a um povo, e são esses valores que alimentam liquidez de fundos de pensões, fortunas, etc... e só serão viáveis se os povos aceitarem contratos de escravatura a longo prazo. Por isso as resoluções das dívidas são colocadas a décadas, porque é esse o prazo que os fundos de pensões americanos precisam para liquidez.

Os mercados hoje não caíram muito, porque já nem podem cair... quando caírem é com um estrondo monumental. Aí prometem levar tudo atrás.
É essa a chantagem de bastidores que corre sobre a Europa, e a Alemanha, e que por azar calhou na Grécia, o elo mais fraco.
O cumprimento da Grécia não é apenas por razão de exemplo político, é por razão de credibilidade no imenso dinheiro falso empatado nos futuros.
O cumprimento da Grécia é crucial para a lavagem de dinheiro de "futuros".
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De William Wallace a 06.07.2015 às 17:31

Da Maia não diga essas coisas, ninguém quer saber disso para nada, o que interessa é que os Gregos e os outros paguem.

Ás vezes com esses argumentos que você e outros debitam contras aos mercados e outras sumidades eu penso que precisamos de um Macarthy aqui pela Europa que é só comunistas em cada esquina e boteco.

Irra...
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De da Maia a 06.07.2015 às 19:03

Caro William,
ainda pensei em não escrever nada, porque o que você tinha dito, estava bem dito, e a observação do Vento sobre a Islândia também era apropriada.

Ainda mais, aquilo que escrevi, já tinha escrito antes, noutro sítio, e andamos aqui numa catarse, que realmente serve para pouco, a curto prazo... mas já não é completamente claro que não sirva para nada, a longo prazo.

Agora se vamos ao PC, basta ver qual foi a posição do PC grego neste referendo... ABSTENÇÃO.
Ui, ui, que violentos, só lembravam o Seguro com as suas abstenções violentas.

É um circo, mas os animais estão amestrados, vá lá... senão de facto, nem poderíamos escrever aqui.
Abraço.
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De José António Abreu a 06.07.2015 às 22:45

Com algumas nuances (não tenho uma visão tão conspirativa e organizada do funcionamento das coisas), concordo com grande parte do que escreveu. Evidentemente, muitos fundos e bancos tentaram substituir perdas por apostas 'seguras' (em 2011 critiquei Ulrich por declarações ultrajadas sobre o risco associado à dívida soberana*). Mas não basta. Primeiro, porque o aumento da dívida de vários Estados (a Grécia é um caso gritante) já vinha de trás. Depois, porque o endividamento foi feito pelos governos (aqui como nos EUA ou no Japão - onde também começou muito antes), sem armas apontadas às cabeças dos governantes. Deu jeito a toda a gente.

* http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/3608650.html
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De da Maia a 07.07.2015 às 00:29

Completamente de acordo, é óbvio que houve uma sedução de aparelhos partidários, do famoso centrão, grego, espanhol, português, para contrair dívida... e lembremo-nos do postulado socrático que "a dívida era para se gerir".
Agora, a questão que já falámos é a mesma... quantas gerações têm que pagar por contratos de dívida feitos por debaixo da mesa?
Bem notado, esse bem-bom de que Ulrich se queixava, porque isso seria o mesmo que um cigano apresentar ao neto a conta da ciganice que engendrou ao avô.

Por isso, o natural, mais que natural, teria sido obrigar os países a sair do Euro, refazer as suas contas com moeda própria, talvez com default... problema dos credores, e pronto, amigos como dantes.

Agora, falar em crise humanitária?
Isso foi nojenta chantagem de bloqueio comercial completo, como nem Cuba sofreu - porque nessa altura tinha a URSS disponível.
Menos exportações tinha a Islândia, e nada disso ocorreu.

Convém tornar claro que não é apenas um problema de opções políticas. É um problema de dar valor de dinheiro a contratos de dívida.
A questão grega é crucial para isso... se a dívida grega valer zero, fica ameaçado todo o castelo de cartas de biliões de dólares baseados em dívida soberana. Os mercados vão refugiar-se na compra de dívida alemã, porque pensam que ao menos essa será pagável... mas veremos depois!
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De Manuel a 06.07.2015 às 16:16

O liberalismo/capitalismo está a ser vitima da sua própria filosofia. Porque a ambição que move os Homens transforma-os em materialistas gananciosos por poder sobre tudo e todos. Medo é no fundo o verdadeiro problema.
Qual é a maior necessidade da Europa? Energia, muita necessidade e dependência dela.
Qual é o medo da Europa? Rússia e até mesmo China.
Rússia porque já mostrou que não aceita prestar vassalagem a nenhuma potencia do planeta, para mais, até já mostrou que os seus desejos e sonhos de outros tempos estão bem presentes nas suas actuais ambições - veja-se a crise da Ucrânia, e já agora o triste desempenho da Europa na mesma. Como atributo possuem a Gazprom, que se tomar em seu poder o controle do mercado energético europeu deixa o crescimento da Europa em xeque, mas para isso é preciso que a Grécia, cheia de gás e petróleo ainda por explorar, saia da Europa... portanto é só prometer ajuda à Grécia e aguardar que a Grécia a vá pedir para negociar as contrapartidas dessa eventual ajuda.
A China. Bem a China é mais por causa dos nossos amigos aliados americanos. São eles quem mais andam a explorar a mão de obra semi-escrava chinesa para poderem crescer à custa do trabalho dos outros. Esqueceram-se foi de que "quem dá a vista fica sem ela", e o resultado é muito possivelmente aquele que se diz por aí: que a China tem mais dólares que a própria reserva federal americana. Não sei, mas que os chineses compram o planeta, lá isso estão comprando.
Estou convencido que se a Grécia não estivesse de costas quentes com a Rússia e a China por trás, já há muito que tinha entrado nos eixos da Europa, mas assim não vai lá.
P.s: Isto é só a opinião de um cego.

Cego
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De Palavras para quê? a 06.07.2015 às 17:59

Cabecinhas pensantes achavam que o VarouParisMatch era o maior, e isto ontem à noite.

As mesmas cabecinhas pensantes acham que o mesmo cavalheiro é o maior porque se demitiu, com o pretexto de que assim facilita umas negociações que nem se sabe bem em que consistem ou consistirão.

Palavras para quê?
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De João André a 06.07.2015 às 19:00

Este post parece ter sido escrito há uns meses, não depois dos muitos que davam a entender que a única coisa que os gregos tinham a fazer era amochar.

Não me lembro de Tsipras defender o corte de 30% (é possível, simplesmente não o recordo nem me apetece procurar) mas aceito. Sei que não o propôs aquando das últimas negociações (apenas extensões). Sei também que não há analista que não diga que é inevitável novo perdão porque não há forma de a Grécia pagar esta dívida a não ser nas contas de Excel dos tecnocratas de Bruxelas.

Da minha parte espero bem que o consulado do Syriza não dure muito. Para já durou o suficiente para fazer aquilo que era necessário: lembrar aos europeus que existe algo chamado democracia, mesmo quando pode dar maus resultados.

Quanto ao ponto 1, isso é o óbvio. Os governos podem simplesmente assobiar para o lado e mandar os gregos para a senhora progenitora muito dada a companhias que os pariu. Nesse dia a UE morre.

PS - seria bom que nos lembrássemos que se o referendo vincula o governo grego, as eleições com base num programa vinculam o próprio governo eleito. Seria especialmente bom que Passos Coelho e toda a gente que gostou do trabalho deste governo o lembrasse.
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De É o pugreço a 06.07.2015 às 19:07

De programa negociado de assitência passamos à ajuda humanitária. Ganda pugreço.
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De cristof a 06.07.2015 às 20:58

99% de acordo; acho que a Grécia tem um bando de incompetentes no governo, e presumo que andam as aranhas com o que fazer(convocar um plebiscito, com uma pergunta falsamente democrática- estão votar o que outros vão pagar), mostra desnorte e tentativa de sair pela direita alta, antes que o espectador perceba a má representação.Devem agradecer aos geoestrategas encartados as explicações altamente e cientificamente elaboradas que lhes atribuem uma arte que eu não consigo vislumbrar.
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De José António Abreu a 06.07.2015 às 22:49

Defeito seu, certamente. E meu.

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