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Consequências

por Alexandre Guerra, em 04.12.16

Desconhecia até ontem quem era Michael Finkel, quando vi o filme True Story, baseado em factos reais. Não foi tanto a história do filme que me prendeu a atenção, mas sim uma das cenas iniciais que ocorre em 2002, em que Finkel, na altura tido como um jornalista de topo do New York Times, é despedido daquele jornal porque adulterou uma reportagem sobre escravatura infantil na Costa do Marfim. Para quem gosta de bom jornalismo, é reconfortante ver a implacável conversa que a sua editora e, presume-se, o chefe de redacção tiveram com Finkel para o confrontar com o seu erro e imputar-lhe as devidas consequências por ter infligido danos à reputação do jornal, à causa do combate à escravatura infantil e, sobretudo, ao jornalismo de referência. Felizmente, e uma vez que os erros acontecem, seja de forma involuntária ou por má fé, o jornalismo de referência anglo-saxónico tem-se revelado absolutamente impiedoso no "julgamento" destes casos e nas respectivas consequências. Mas, infelizmente, esse escrutínio não tem sido uma prática seguida por outros jornais (ditos de referência) em diferentes países, nomeadamente Portugal. É lamentável como ao longo dos anos, jornalistas e jornais de referência nacionais têm cometido os maiores atentados ao jornalismo sem que alguém seja demitido ou peça desculpa aos leitores. São vários os casos vergonhosos que me vêm memória, mas cujas consequências na defesa do jornal, do jornalismo e do interesse do leitor ainda aguardo para ver.

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2 comentários

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De cristof a 04.12.2016 às 17:39

excelente post
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De V. a 04.12.2016 às 21:03

Felizmente o mundo Anglo-Saxónico ainda defende —e bem— a superioridade da ética Protestante — coisa que não temos por cá. Por cá temos "blocos" e temos "jorges" que rapidamente destroem o seu próprio património e a sua cultura em prol do tropicalismo universal (complexos que um exército de jornalistas formados nas escolas dos "emídios rangéis" e outros retornados inocularam na sociedade portuguesa). Mas resta ver até quando também o mundo a norte, cada vez mais infestado de gente com poucos escrúpulos, vai resistir à vulgaridade e à naturalização do erro. No fundo é por isso que os nórdicos são sofisticados e evoluídos, não porque tem um Estado Social. Coisas que os socialistas e outros -istas nunca hão de entender: de onde provêm as vantagens culturais.

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