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Conhecer D. Afonso Henriques.

por Luís Menezes Leitão, em 30.11.16

 

Leio aqui que "os reis de Espanha, Felipe VI e Letizia, estão em Portugal e foram recebidos com pompa e circunstância pelas altas entidades e pelo povo, em Guimarães, no Porto e em Lisboa. Na Cidade Invicta disputaram selfies com o Presidente da República, e Marcelo Rebelo de Sousa levou-os a conhecer D. Afonso Henriques". Calculo que D. Afonso Henriques, ainda jovial, apesar dos seus 907 anos de idade, actualmente a residir num Lar da Terceira Idade do Porto, se terá manifestado encantado em conhecer tão ilustres personagens. A pensar em retribuir a iniciativa, D. Felipe VI deve ter referido a Marcelo Rebelo de Sousa não ter a certeza se o primeiro Rei de Espanha, D. Pelayo, ainda era vivo, uma vez que já deveria andar pelos 1300 anos de idade, mas prometeu tudo fazer para o encontrar.


19 comentários

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De Luís Naves a 30.11.2016 às 12:22

"Conhecer" D. Afonso Henriques faz todo o sentido para o rei de Espanha. Felipe VI é descendente directo do primeiro rei português, cuja filha, Urraca (1148-1211) foi mãe de Afonso IX de Leão, que teve uma filha ilegítima, Urraca Afonso de Leão, que por sua vez foi mãe de Diego López III de Haro, senhor da Biscaia, cuja filha Teresa Diaz II de Haro conduziu directamente, 26 gerações depois, sempre por via feminina, à mãe do rei de Espanha Felipe VI.
Admito perfeitamente que se chegue lá de outras formas, mas esta é real.
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De Luís Menezes Leitão a 30.11.2016 às 13:05

Coincidências curiosas. Não sabia que a mãe de Filipe VI, Sofia da Grécia e da Dinamarca, tinha alguma ascendência em Afonso IX de Leão. Que ela tinha ainda antepassados russos e alemães, bem como a inevitável Rainha Vitória de Inglaterra, sabia. Que a sua ascendência fosse ainda ter a Afonso IX de Leão e a D. Urraca de Portugal, filha de D. Afonso Henriques, confesso que ignorava. Espero é que isso não sirva de pretexto para ele reclamar o trono português. Não seria o primeiro Filipe a fazê-lo...

E já agora, o túmulo de D. Afonso Henriques encontra-se na Igreja de Santa Cruz de Coimbra, cidade que não consta que tenha sido visitada pelos Reis de Espanha.
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De Luís Lavoura a 30.11.2016 às 14:19

Pois eu já li algures que D. Afonso Henriques era descendente do profeta Maomé. Sabe confirmar isso?
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De xico a 30.11.2016 às 17:09

É possível tendo em conta os casamentos dos reis e condes espanhóis com os califas de Córdova. Se a ascendência de Afonso Henriques a Maomé é difícil de comprovar, já a dos reis seus sucessores pode ser mais fácil, pois Afonso VI de Castela teve filhos de uma filha do emir de Sevilha que descendem de Maomé.
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De Cristina Torrão a 01.12.2016 às 11:44

Afonso VI chegou a designar um filho dessa moura como seu sucessor, batizando-o de Sancho. Diz-se igualmente que terá casado com ela, a fim de legitimar o filho, pelo que ela teria adotado o nome de Isabel, convertida ao Cristianismo (não há certeza histórica de tal facto, mas é muito provável). O infante, porém, morreu novo, não chegando a influenciar a História, como se pensava.
Tal decisão de Afonso VI foi, na altura, um grande golpe nas pretensões da sua única filha legítima, D. Urraca, a meia-irmã da nossa D. Teresa. Mas o caminho ficou livre para que as duas meias-irmãs dessem azo à sua rivalidade...
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De Luís Lavoura a 30.11.2016 às 14:18

D. Afonso Henriques não está num lar de terceira idade. Ele está em cima do seu cavalo, na praça da República.
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De sampy a 30.11.2016 às 14:21

Como é fácil de perceber, a articulista estava a referir-se à visita à ala psiquiátrica do São João.
Por pouco tinham-se cruzado com o grande poeta Boaventura.
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De Conde de Tomar a 30.11.2016 às 14:30

Como defendia Teófilo Braga, ou Oliveira Martins, penso que Portugal apenas beneficiaria do Iberismo. A nossa independência não foi mais que um acidente histórico resultante, em larga medida, de 5 factores:
- Divisão do Reino da Galiza com vista ao seu enfraquecimento
- Reconquista - não era estrategicamente oportuno criar uma frente a leste contra o Condado Portucalense
- Guerras continentais entre a França e a Inglaterra, apoiando a Inglaterra Portugal, em virtude da aliança entre França e Espanha/Castela.
- Imposto prometido à Santa Sé caso Portugal obtivesse a independência, para além de importantes doações à Igreja.
- Ambições temporais da Ordem de Cister e de Bernardo de Claraval que queria aumentar o seu poder/maravedis na Península

A História de Portugal, excepto um outro acidente histórico, que foram os Descobrimentos, é uma tragédia. Uma tragédia para o seu povo que sofreu na pele o desmando e o roubo que ao longo de séculos foi perpetrado pelas suas elites - reis, fidalgos, burgueses liberais...Como cume da Vergonha apontaria dois momentos:
- A Inquisição, que em Portugal ainda queimava em 1821.
- A causa Absolutista do louco D. Miguel, onde entre o povo, deslavado de ideias, no torpor da ignorância onde foi criado, ganhava inúmeros apoiantes.

Existe como que uma patologia, quase de cariz sexual, do Povo português. Tanto mais ama aqueles que lhes fazem males.
Por isso nunca foi tão verdadeiro o aforismo: É necessário proteger o povo de si mesmo.
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De Anónimo a 30.11.2016 às 21:18

Defender o Iberismo e dizer que a Inquisição foi um dos cumes da vergonha é, no mínimo, irónico...
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De Conde de Tomar a 01.12.2016 às 11:34

Explique-se!
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De Anónimo a 21.09.2017 às 13:44

Perdão?

Erro histórico? O único erro que encontro foi o seu pai ter encontrado sua mãe.

Teófilo Braga um misógino e Oliveira Martins que foi tudo que fosse antagónico. Desde anarquista a proto-fascista, monárquico a republicano. Enfim, são esses os seus exemplos? Pode juntar, Antero De Quental, suicida.

A sua amálgama de motivos históricos tem tanto ridícula como de surpreendente e só servem para mostrar como baralhado está. Note que nem seria preciso refutar os seus “motivos” históricos, você próprio se anula no texto que escreve. Tais não são as contradições, afora a sua visão unilateral e partidária da História.

Divisão da Galiza em vista o seu enfraquecimento?! Por parte de quem? Dos ambiciosos Trava? Do astuto Gelmires? De Afonso VII de Leão e Castela? D. Afonso De Aragão? É que D. Tareja e D. Henrique e posteriormente D. Tareja e Fernão de Trava viam a Galiza como herança deixada por Afonso VI e daí a disputa com Afonso VII. Mais tarde o nosso Afonso I ainda tentou várias incursões pela Galiza. Aliás, ainda no séc XIV D. Fernando tentou a conquista da Galiza. Estamos a falar de uma época em que a Hespanha estava dividida em vários reinos que se guerreavam e coligavam entre si mediante os seus interesses. O próprio auto intitulado Imperador Afonso VII teve de lutar pela posse da Galiza com o seu padrasto Afonso de Aragão. Já agora, por norma todos os reis pagavam tributo à Santa Sé de Roma assim como todos os reis procuraram o apoio desta ou daquela ordem religiosa, ok? Era a política da altura e a guerra tanto se lutava no campo de batalha como no campo político e só os mais astutos e melhor estrategas venciam. Ironicamente ainda se deu o caso de Afonso VII, pretensioso unionista dos reinos hespanhóis dividir o seu império pelos seus dois filhos…
Fala ainda da aliança Portugal-Inglaterra face a Espanha-França. Bem, isto é no mínimo estranho pois a primeira aliança, deu-se entre Portugal e Inglaterra em 1373 e já nessa altura Portugal independente tinha as suas fronteiras definidas bem ao contrário dos outros reinos da Hespanha. Muito antes de Espanha ser a Espanha dos nossos dias, já Portugal era Portugal há muito tempo.

Diz que o povo sofreu durante séculos debaixo do roubo das suas elites, Reis, fidalgos, burgueses liberais. Amigo… Espanha continua uma Monarquia! Sabe, com um Rei?! Como se os espanhóis durante séculos não tivesse passado por dificuldades. Ou por outro lado, países governados por republicanos também não tenham corrupção! O seu problema é pura e simplesmente ignorância. Por exemplo, a inquisição em Portugal vai desde 1496 a 1821 e em Espanha de 1478 a 1834. Não é preciso estudar muito, está no wikipédia.
Ergue-se contra os absolutistas mas anteriormente culpa os burgueses liberais. Mas então onde é que ficamos?! E Espanha não teve guerra civil entre absolutistas e liberais?!

Ainda bem que refere a patologia de cariz sexual, porque o seu problema poderá ser exactamente esse mas informe-se melhor com um psiquiatra. Esta foi a sua melhor dica, não haja dúvida... Portanto, conscientemente assume que os espanhóis nos prejudicam mas no entanto quer-se unir a eles, então usando as suas palavras, você ama quem lhe faz mal. Você está simplesmente a reflectir nos outros os seus defeitos. Triste e hilariante!
Talvez deva considerar uma solução simples como a emigração mas evite a Catalunha e o País Basco.



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De Anónimo a 21.09.2017 às 13:46

Oiça, existiram, existem e existirão bons Portugueses que apoiam o Iberismo. Veja o caso de D. João II ou D. Manuel que pela via do matrimónio quase meteram a coroa Portuguesa na cabeça da Ibéria. Ou seja, iberismo sim, mas debaixo do poder de Portugal. Igualmente existiram, existem e existirão os maus Portugueses que apoiam o Iberismo debaixo do poder espanhol. Ambos os casos são equivalentes à perda de Portugal como país independente pois, mesmo que o poder central ibérico, fosse o de Lisboa, a disparidade de população e território é enorme e sucederia aquilo que a fábula da panela de barro e da panela de ferro expressa. Pode sim almejar que as várias Nações Ibéricas criem uma liga de interesse (militar,económico,cultural) mútuo e comum e com representatividade igualitária, e pode-lhe chamar Liga Ibérica se quiser. Uma liga que torne as Nações Ibéricas unas na defesa dos seus direitos perante as nações exteriores mas nunca meter em causa a independência de cada nação. Isto seria possível se o poder central Madrileno não fosse tão ambicioso nas suas aspirações imperialistas como a História o tem provado. Se o amigo tem pretensão a grandezas, pode sempre apoiar um Grande Portugal com a integração da Galiza, pois a nossa ligação vem desde o tempo dos Estrímnios e se isso não for suficiente pode sonhar com uma espécie de Commonwelth à Portuguesa com Portugal à cabeça do Mundo Lusófono composto pelos países de língua oficial Portuguesa. Já agora, a Wikipédia tem mais informação que lhe pode ajudar subir o ego. Tanto em tamanho, população e PIB, Portugal está bem a meio da tabela europeia e temos uma das línguas mais faladas no mundo, assim como um dos maiores impérios que existiu no mundo. Nada mau para um “erro histórico”.



Cumpts!
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De Oleiro Caldense a 30.11.2016 às 15:19

Ultima Hora

O historiador Dr Fernando Rosas, acaba de informar o Rei de Espanha e o Presidente Rei de Portugal que D. Pelayo nasceu nas Caldas da Rainha ( Caldas de la Reina), onde se encontra numa hospedaria local . Os soberanos, ficando a par desse factum, resolveram ir ao encontro do dito cujo .... Tendo o nosso Presidente Omnipresente telefonado de imediato para a olaria do Conde Silva, afim de confecionar rapidamente um símbolo local em forma de espada com o peso e tamanho da do D. Afonso Henriques, para ofertar aos monarcas e depois selfar para expor no museu da Presidência.

É a geringonça real a funcionar em plena harmonia.



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De JS a 30.11.2016 às 16:39

Interessante mas complicado. D. Pelayo Rei das Astúrias. Filipe VI ex-príncepe das ditas, #1 para herdar ou receber o trono.
Em Portugal umas Cortes até podem nomear Rei disto e dos Allgarves, Marcelo I o Afectuoso.
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De Cristina Torrão a 30.11.2016 às 18:37

D. Afonso Henriques jaz em Coimbra, sim, a cidade onde ele viveu a maior parte da sua vida (mais de 50 anos).
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De Anónimo a 30.11.2016 às 21:36

E onde aprendeu a ler lá na Universidade. Acho que nunca chegou a andar na Lusófona.
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De am a 30.11.2016 às 22:51

Camarada anonimo


Na Lusófona não andou.... foi na Independente!

Consta que enviou o exame por estafeta a cavalo a um sábado ou domingo!

Hoje foram mais aios " Lusófonos" postos fora do castelo ! Já vão quatro e procissão ainda vai no adro....

A cortesãs do BE amuadas, não saudaram o Rei.... macacas de imitação do Podemos!
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De Cristina Torrão a 01.12.2016 às 11:52

D. Afonso Henriques só se mudou para Coimbra depois da Batalha de São Mamede, à volta do ano de 1131 (a mudança, não a Batalha) teria ele entre 20 a 24 anos. A sua educação e formação ocorreu no Norte, sob a égide dos irmãos de Ribadouro (Ermígio e Egas Moniz) e o arcebispo de Braga D. Paio Mendes.
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De Luís Menezes Leitão a 30.11.2016 às 22:11

Sim, na Igreja de Santa Cruz. Nasci em Coimbra e tive muitas ocasiões de lá visitar o túmulo dos nossos dois primeiros reis. Mas Coimbra não foi visitada pelos Reis de Espanha, vá lá saber-se porquê.

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