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Congressos tensos e congressos inexistentes

por João Pedro Pimenta, em 19.02.18

Fouçando de novo em seara alheia, não posso deixar de considerar simplesmente miserável esta "espera" que algumas figuras do aparelho laranja fizeram a Rui Rio no congresso do PSD, com a palma a ser ganha por Luís Montenegro e o seu discurso transbordante de rancor. Ganhou as eleições há menos de um mês e desde então não cessaram de se atirar a ele. Desde o Observador e os 758 artigos sobre o "caciquismo" de Salvador Malheiro (acho que o jornal online esgotou a palavra; louvável devia ser a actuação de Miguel Relvas), incluindo colunistas, como João Marques de Almeida, que depois de algumas crónicas laudatórias confessou fazer parte da equipa de Santana Lopes, até às conspirações de deputados em funções e às exigências desse grandíssimo vulto que é Miguel Pinto Luz (que na sua página de facebook intitula-se "figura pública").

 

O único caso que conheço com vagas semelhanças é o de Ribeiro e Castro à frente do CDS, e mesmo assim ficou aquém. A atitude mais decente seria deixar Rio trabalhar e depois se veria. Até lá, o PSD não passa de um saco de gatos, em que quem estica mais as garras são os derrotados que se acham com direito natural a mandar mesmo contra a opinião das urnas. 

 

Não posso deixar de reparar na diferença abissal entre a cobertura dos grandes e dos pequenos partidos e que ficou à vista nestes dias. O PSD teve direito a um fim de semana inteiro de directos, alteração da programação da TV, debates dirigidos para o próprio recinto, etc. Compreende-se. É o normal e todos queriam saber quais as propostas e as caras que o novo líder da oposição tinha para mostrar. Mas na semana passada houve o congresso do MPT (Partido da Terra, para os mais distraídos), que já tem 25 anos, que tem representação no Parlamento Europeu e que mudava de liderança, e não houve uma notícia nos principais jornais, nem uma reportagem da televisão, por minúscula que fosse, como acontecia antigamente, nem nada de nada. Quem soubesse do evento e o googlasse encontraria uma notícia da TSF e outra do DN da Madeira, e de resto, silêncio sepulcral. Não são só os meios e os militantes que distinguem o sucesso dos partidos: a cobertura jornalística tem também imenso peso. E quando há grupos que são não apenas ignorados mas condenados à inexistência, o discurso de "são sempre os mesmos partidos" tem aí muito por onde questionar.

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22 comentários

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De Anónimo a 19.02.2018 às 07:43

Nem mais em relação ao PSD.
Quanto á comunicação social também mas ainda existe quem acredite em jornais de "referência" com noticias / temas sem interesse nenhum, que vivem de " publi-reportagens " já para não falar das tvs que já estão a dar um resumo de um resultado de bola acabado de acontecer há menos de 15min logo aos 9min de duração do telejornal que começou ás 20h00.

" A lealdade é a verdade do sentimento: é impossível ser desleal sem mentir à consciência, sem ludibriar a consciência alheia. "

WW

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De Sarin a 19.02.2018 às 08:14

"E quando há grupos que são não apenas ignorados mas condenados à inexistência, o discurso de "são sempre os mesmos partidos" tem aí muito por onde questionar."

Ilustro bem o lamento - não soube do congresso, da mudança de liderança, e nem sabia que ainda mexia. Tal o silêncio, como disse o João.

Isto recordou-me que nunca ouvi falar da mudança de liderança de partidos sem representação na AR... e questiono-me se eles mesmos farão o seu trabalho de divulgação.
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De João Pedro Pimenta a 19.02.2018 às 23:12

A verdade é que já o houve, Sarin. Em tempos havia alguma informação sobre a vida nos pequenos partidos (tem aqui um exemplo:https://arquivos.rtp.pt/conteudos/congresso-do-ppm/#sthash.t7YYW9So.dpbs) . Parece que isso agora desapareceu definitivamente. A excepção é o MRPP, quando Arnaldo Matos dispara mais uma declaração lunática.
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De Vlad, o Emborcador a 19.02.2018 às 09:30

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De Luís Lavoura a 19.02.2018 às 11:04

O único caso que conheço com vagas semelhanças é o de Ribeiro e Castro à frente do CDS, e mesmo assim ficou aquém.

Não me parece. Lembro que esse distinto cavalheiro que é Nuno Melo usou uma confraternização de Natal para se atirar a Ribeiro e Castro. Isto ainda não fizeram a Rio.
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De João Pedro Pimenta a 19.02.2018 às 23:13

No caso de Rio não precisaram de esperar pelo Natal: começaram ainda antes do Carnaval.
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De Luís Lavoura a 19.02.2018 às 11:09

os derrotados que se acham com direito natural a mandar mesmo contra a opinião das urnas

Isso é natural num partido (ou, em geral, numa associação) como o PSD onde o voto é totalmente democrático (isto é, todos os militantes votam com o mesmo peso) e onde qualquer pessoa pode ser militante (uma vez que a quota de militante, um euro por mês, é ridiculamente baixa). Num tal partido, é fácil um grupo organizado (por um "cacique") de pessoas conquistar o poder: fazem-se todas militantes e depois votam todas em quem o cacique manda. As pessoas que anteriormente mandavam são subitamente apeadas do poder e, naturalmente, ficam agastadas. Elas achavam que o partido lhes pertencia e afinal vem um grupo de pessoas surgidas do nada e apeia-as. É chato.
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De Vlad, o Emborcador a 19.02.2018 às 20:23

Lavoura, a Democracia é uma Secret Story

Observador filmou as eleições internas do PSD (2017) para mostrar o lado escondido dos partidos: as carrinhas de transporte de militantes, o controlo artificial das votações e a participação dos notáveis.

Para mostrar como funciona a mobilização artificial de militantes nas eleições internas partidárias, e a forma como decorreu a votação de 1 de julho, o Observador usou três câmaras.

http://observador.pt/especiais/videos-como-os-caciques-do-psdlisboa-angariam-votos/

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De João Pedro Pimenta a 19.02.2018 às 23:16

A questão é que Rio chegou agora à liderança do PSD. Quando começam os protestos e as exigências antes do líder eleito ser sequer empossado, talvez haja alguma impaciência a mais.
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De Luís Lavoura a 19.02.2018 às 11:19

Não são só os meios e os militantes que distinguem o sucesso dos partidos: a cobertura jornalística tem também imenso peso.

É verdade, mas há que lembrar que o MPT teve 22 mil votos (um dos quais foi o meu) nas legislativas de 2015; é um partido minúsculo.

É como a galinha e o ovo: o que é que deve surgir primeiro, a cobertura jornalística ou o sucesso eleitoral?
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De João Pedro Pimenta a 19.02.2018 às 23:23

Se for o mero sucesso eleitoral, então não há mesmo hipóteses para os partidos mais pequenos. Mas repare que eu não falei em qualquer tipo de igualdade: apenas que a informação devia dar um mínimo de notícias sobre esses partidos, nem que fosse de raspão. Aliás houve casos em que a tiveram numa proporção exagerada: veja-se o Bloco de Esquerda, que ainda não estava representado em parte nenhum e já era amplamente difundido na comunicação social. Além de que, como digo no texto, o MPT teve um resultado incrível nas europeias (em circunstâncias muito particulares, evidentemente) e tem representação no Parlamento europeu.
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De Luís Lavoura a 20.02.2018 às 11:11

1) Quem teve um resultado incrível nas europeias não foi o MPT, foi Marinho Pinto.

2) O Bloco de Esquerda surgiu de dois partidos relevantes e com história, a UDP (que durante muito tempo estivera representada na Assembleia da República) e o PSR, o que justifica em parte a boa imprensa que lhe foi dada no início. Ademais afirmou-se no princípio como porta-voz de causas fraturantes, o que também lhe deu destaque mediático.

Dito isto, eu concordo consigo, a imprensa deveria dar mais destaque a partidos que não os usuais.
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De João Pedro Pimenta a 20.02.2018 às 16:49

Claro que ganhou esses votos por causa do momentâneo efeito Marinho "e" Pinto. Em todo o caso não deixa de estar representado no PE, por isso merecia mais atenção. O PSR, de que fala mais abaixo, nunca tinha eleito ninguém para qualquer órgão colegial, que eu me lembre.
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De JS a 19.02.2018 às 16:01

".... A atitude mais decente seria deixar Rio trabalhar e depois se veria...".
Exacto. Apreciar Rui Rio, dia a dia, nas suas novas responsabilidades "e depois se veria". Sem dúvida.

Como seria apreciar Trump, dia a dia, nas suas novas responsabilidades, e depois se veria. Quanto a Trump.
O tal que na TV paga pelos portuguêses, e outras, se começou por apelidar de "um louco" e "incapaz", isto desde a campanha eleitoral e depois de ganhas as eleições....
Hoje percebe-se, documentadamente, que afinal existiu um vasto elaborado plano anti-Trump, pró Hillary, que envolvia Departamento de Justiça, os mais elevados escalões do FBI e da CIA, o Partido Democrata e uma larga faixa da comunicação social, que afinal tinha a certeza da continuação do tudo como dantes....
Quanto à avaliação, ao fim de uma ano da administração Trump, agora sim, do seu desempenho como PR -um PR com poderes limitados por 2 Câmaras Legislativas e pelo sistema Judicial, sistema político que os portuguêses, em geral, não percebem, nem (pior) conhecem- vê-se o resultado com uma economia em crescimento real (não cozinhado nos gabinetes do poder) e uma vasta opinião "nas classes trabalhadoras" favorável.
Claro que as elites da "UEuropeia" desesperam ....

Ps- Uma dúzia de russos, na Net, bricaram com os EUA. Comprovaram a medriocridade dos "flocos de neve", da comunicação social establecida e afins.
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De João Pedro Pimenta a 19.02.2018 às 23:19

É que é mesmo comparável. Confesso que não entendo lá muito bem o seu comentário: fala de uma conspiração entre Clinton, o FBI, a CIA (então não anunciaram que a primeira estava a ser investigada pelo segundo em plena campanha? Estranha aliança), e acaba a admitir que os russos tiveram mesmo influência naquilo. Mau seria se uma eleição com interferências externas não fosse investigada.
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De JS a 20.02.2018 às 00:38

Acontecimentos diferentes.
Um, o concluio H. Clinton, Departamento de Justiça, FBI e CIA (todos ao mais alto nível) para derrotar e posteriormente provocar o "impeachment" de Trump. Tipicamente esquerda, e até está nos livros. Acusar o inimigo político do próprios crimes. Mais tarde ou mais cedo acabarão por chegar cá esses relatos, já bem documentados.

O outro é para rir. Uns russos entretiveram-se, via net, a baralhar americanos contra americanos. Foi fácil. Conseguiram até arregimentar manifestações contra(!) Trump e manifestações pró-Trump. Também são factos já documentados.
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De João Pedro Pimenta a 20.02.2018 às 16:52

Muito bem. Pode sempre divulgar esses relatos. Não deixa de ser estranha essa conspiração do FBI com Clinton quando esta sofreu acusações (depois retiradas) em plena campanha que muito a prejudicaram. Quanto a Trump, é uma pobre vítima, todos o sabem.
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De Vlad, o Emborcador a 20.02.2018 às 09:37

João , também acusaram Clinton de se ter vendido aos chineses na altura da sua candidatura de 1996. Nada de novo.


https://en.m.wikipedia.org/wiki/1996_United_States_campaign_finance_controversy
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De João Pedro Pimenta a 20.02.2018 às 16:56

Bem lembrado, Vlad.
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De Vento a 19.02.2018 às 23:07

Poema:
Ode rio

Ó rio, de que nascente vens?
Rega e embeleza Portugal
para que frutifiquem seus bens
sem cobiça figadal.

Torrente de água que deslizas em ésses
não sei se para desaguar no mar
ou correr para os braços do PS
para num sem fim amar ou sem fim mamar.

Óóóóóó rioooooooooo, quão doce é tua presença
pensava que por fado de meu nome ficaria sem dar à costa
com perda total da actual avença
acabaria eu sem contraproposta.
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De Vlad, o Emborcador a 19.02.2018 às 23:35

Mais que poema, um Cântico!
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De Vento a 20.02.2018 às 11:06

Cântico da Primavera. (:-()>

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