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Confinamento não é para desempregados

por Teresa Ribeiro, em 19.01.21

Não sei há quantos anos se inventaram, para quem recebe subsídio de desemprego, reuniões obrigatórias periódicas. Em teoria são sessões que servem para que cada beneficiário apresente provas em como ocupa o seu tempo a procurar emprego, mas também para receber orientações e sugestões úteis por parte dos elementos do Instituto de Emprego e Formação Profissional que as lideram. Na prática, segundo consta, estas ações não têm préstimo algum, não passando de mero procedimento burocrático. Desde logo porque juntam na mesma sala gente com aptidões tão díspares como as de servente de pedreiro, contabilista ou professor do secundário.

Em pleno pico da pandemia, a minha amiga Madalena, jornalista de profissão, é obrigada a cumprir esta penitência. Na sexta-feira lá vai ela sair de casa e meter-se nos transportes públicos para comparecer numa reunião que vai durar a manhã inteira, onde gente de várias proveniências se vai juntar na mesma sala, simplesmente para assegurar que não lhe cortam o subsídio. Ou seja, enquanto exorta os trabalhadores a ficar em casa, este governo continua a exigir aos desempregados que desconfinem. Porquê? Porque sim!


29 comentários

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De Vorph "ги́ря" Valknut a 19.01.2021 às 16:50

Essas entrevistas apenas servem para achincalhar. Para pisar quem já se encontra caído. "Então, Cláudia, vamos almoçar a seguir? Viste a Ana, hoje? Está mais gorda.... quem vamos entrevistar agora? Uma jornalista....ouvem-se gargalhadas. Toc toc..."Entre". "Posso"?...e é basicamente isto.
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De Vorph "ги́ря" Valknut a 19.01.2021 às 16:52

Teresa, o desempregado precisa de ser castigado. Não sabia? Teresa, não se lembra? : "Era pô-los a limpar matas!"
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De Teresa Ribeiro a 19.01.2021 às 19:18

Então não me lembro?! Sim, foi nesse tempo que este sistema foi criado, para que os calões dos desempregados não se acomodassem à situação. Mas já nem é esta a minha discussão: em plena pandemia, com o Costa a "ralhar" com as pessoas, a dizer-lhes que não devem sair de casa e não se lembram de cancelar essas reuniões inúteis?!
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De Anonimus a 19.01.2021 às 17:32

E há, ou havia, reuniões (apresentações ou o que era) ao Sábado de manhã.

Melhor, somente aqueles cursos obrigatórios de frequentar, sob pena de perder o subsídio de desemprego.
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De Anonimus a 19.01.2021 às 17:34

E vá lá que penso que tenham terminado com as "apresentações semanais" na Junta. Não fosse alguém fugir para as Caraíbas à conta do subsídio.

Basicamente trata-se de levar as pessoas a desistir. Quanto menos inscritos, menor a taxa de desemprego
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De Teresa Ribeiro a 19.01.2021 às 19:25

Também me parece. Se o objectivo fosse ajudar as pessoas a encontrar emprego, o procedimento seria diferente. Em vez de reuniões da treta, far-se-ia atendimento personalizado, ou pelo menos organizado por categorias profissionais.
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De Anónimo a 19.01.2021 às 17:37

O subsídio de desemprego é para trabalhadores por conta de outrém, agora também atribuído a alguns gerentes e aos vulgos recibos verdes.
Um contabilista por conta de outrém ou a recibo verde ainda vá, agora um professor do secundáro não percebo bem por ser um funcionário público. Ou percebo, são os milhares de vínculos precários também no estado, já que no ensino privado (recibo verde) um professor do secundário não é "despedido" antes sim por estratégia empresarial.

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De Teresa Ribeiro a 19.01.2021 às 19:15

Há muitos professores desempregados. Nem todos trabalham no Estado.
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De O Inconveniente a 19.01.2021 às 18:05

A autora acaba de escrever sobre os maiores burocratas e sobre o maior covil de cunhas do nosso país.
Há 5 anos, mais coisa menos coisa, li um documento emitido pelo governo, sobre as nomeações que o novo executivo levaria a cabo.
Pois, porque a cada mudança de partido no governo, dá-se uma autêntica montanha russa de nomeações e substituições em cargos públicos, obviamente de chefia e direção.
Uma das organizações visadas, era de facto o IEFP. Aqui, os partidos enfiam cunhas e amigos em números chocantes. Desde os departamentos locais, até aos cargos mais altos a nível regional e nacional, como vim a saber, para minha tristeza.
Entretanto, como o meu contacto com o IEFP se dá através de uma formadora, vim a saber que tudo naquele instituto funciona à base de cunha. Para se ter aspirações a trabalhar na formação, na administração, ou para progredir na carreira lá dentro, só através de cunha. Essa cunha passa pelos contactos que o interessado possa ter lá, ou em pessoas ligadas a partidos políticos. Sendo que uma cunha ligada ao PS é a mais conveniente e aquela que tem mais força. Incrédulo, pergunto como teria sido nos quatro anos anteriores. Pelos vistos, também houve mexidas, principalmente a nível superior, há sempre, dizem-me.
Mas acrescentam que a um nível mais baixo, o PS tem muito influência, está mais enraizado.
Por isso, se tiver aspirações a ser formador no IEFP, oriente-se. O currículum não interessa nada, o mérito não interessa nada, a capacidade não interessa nada, a motivação não interessa nada.
O que interessa é uma cunha do PS.
Assim, com gente sem mérito, com óbvias debilidades morais e éticas, não admira que a gestão e organização do instituto seja uma aberração.
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De Teresa Ribeiro a 19.01.2021 às 19:33

Não duvido que o PS seja o campeão das cunhas, porque foi o partido que esteve mais tempo no poder, mas esta cultura da cunha é transversal e uma das razões da mediocridade deste país..
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De João Campos a 19.01.2021 às 18:38

É curioso. Durante os período ainda longo durante o qual estive desempregado (ou inscrito no IEFP, o que não é bem a mesma coisa) nunca me chamaram para uma coisa dessas, e também vinha de Jornalismo. Ouvi falar que essas sessões existiam, mas nunca fui notificado. Só para as apresentações quinzenais na junta de freguesia, para carimbar o papel, tipo termo de identidade e residência.

Manter-se essa inutilidade em plena pandemia é mais do que absurdo: é criminoso.
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De Teresa Ribeiro a 19.01.2021 às 19:30

Sorte a tua, João. E concordo contigo, que é criminoso e mais: revela um profundo desrespeito pelas pessoas. Obrigá-las, nestas circunstâncias, a sessões presenciais, ainda por cima inúteis, é revoltante!
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De Marques Aarão a 19.01.2021 às 18:52

Não interessa nada questionar Costa sobre essa matéria, sempre preparado para rodear toda e qualquer questão.
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De Teresa Ribeiro a 19.01.2021 às 19:31

Tenho pena que isto não chegue às televisões. Devia ser denunciado em grande escala!
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De Costa a 19.01.2021 às 20:01

As apresentações quinzenais foram placidamente aceites, anos a fio, pela sociedade. Não creio que tenham suscitado o menor estremecimento por parte de líderes de opinião; para lá, enfim, de algum ocasional protesto de circunstância. Se o houve. De circunstância, apenas. A sociedade curvava-se, submissa.

E se o foram - esse acto humilhante, próprio do direito penal, aqui puramente burocrático, estéril e emocionalmente demolidor (e bem testemunhei, em familiar próximo, longamente, o efeito dessa humilhação) - que onda de indignação esperar, por parte deste nosso povo, face a algo que, "no papel", até visa ajudar o desempregado?

As coisas são como são porque o Soberano (usualmente espezinhado e que gosta de espezinhar) o aceita. Convém ter um povo fraco, mas achando-se forte.

Costa
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De Teresa Ribeiro a 20.01.2021 às 12:24

A questão é que essas sessões são hipocritamente apresentadas como algo que é do interesse dos utentes e como tal, mais difíceis de contestar. Podiam, realmente, funcionar no interesse do Estado e dos desempregados, se fossem fonte de informação útil, adaptada aos diversos perfis de desempregados e daí resultanto oportunidade s de emprego. Mas sabe-se que não passam de um teatrinho inútil, que só serve, realmente para amachucar que já está na mó de baixo. Um nojo!
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De Teresa Ribeiro a 20.01.2021 às 12:25

"quem" já está na mó de baixo
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De Costa a 20.01.2021 às 15:26

Sei bem dessas reuniões "tupperware" (com todo o respeito por estas), em que eram - serão ainda? - descaradamente empurradas para o famoso "empreendedorismo" pessoas sem a menor vocação, habilitações ou capital para ser empresários. E que não tinham e não têm que as ter. Mas assim, suponho, ditavam e ditam objectivos de redução do número oficial de desempregados.

Pessoas que em pouco tempo estavam - estão - nas implacáveis mãos do fisco, da segurança social, da banca, sem poder ter uma camisa em seu nome, e para esse pesadelo sem fim empurradas pelo IEFP, ou ente afim. A mando do poder. Um desempregado menos (brilhante governo!), um falido mais (imprudente ou incompetente cidadão; merecida sorte!).
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De V. a 20.01.2021 às 21:38

adaptada aos diversos perfis de desempregados

Haver perfis é um dos problemas, no meu entender. Sei que os perfis não são exactamente o perfil abstracto a que a Teresa se refere, mas quando uma pessoa se inscreve num CE é colocado numa área de acordo com a sua experiência ou formação. É um número. E depois as ofertas e as formações são TODAS relacionadas com essa área, invalidando a possibilidade de migrar de uma área anterior para uma área de trabalho nova, tirando as formações gerais de TPE e coisas do género.
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De V. a 20.01.2021 às 18:39

Não é bem verdade. O Bloco de Esquerda —justiça lhe seja feita— já falava da situação de chantagem e humilhação a que os desempregados estavam sujeitos nesses "mecanismos de controlo" e foi o Bloco que forçou Costa a alterar a lei durante a Geringonça.

Eu acrescentaria as condições deploráveis de atendimento sem privacidade nenhuma na maioria dos centros de Emprego. Quem estava à espera ouvia toda a conversa do técnico com o utente, muitas vezes na mesma sala ou com uns biombos ridículos. Deviam ter vergonha. E andavam por lá todos contentinhos, a ver quando é que chegava a hora de almoço. Repugnante tudo aquilo. Detesto aquela gente toda sem excepção.
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De V. a 19.01.2021 às 20:11

O intuito dessas reuniões é humilhar as pessoas e torná-las instrumentos do Estado socialista — e muitas vezes empurram pessoas para formações (muitos podiam até ministrá-las) só para os formadores do IEFP sacarem umas massas valentes aos alemães. Mesmo as ofertas "sociais" para onde obrigam as pessoas a ir com a chantagem de lhes cortarem os subsídios são muitas vezes tarefas para o próprio Estado que se aproveita miseravelmente da má condição das pessoas.

No PS, que tão cuidadosamente trata os portugueses por portuguesas e portugueses (ignorando que Portugueses já é neutro, os estúpidos de merda), existe a convicção de que as pessoas estão no desemprego porque querem. Ainda assim a situação actual é melhor do que uma proposta que havia para dar os subsídios em senhas de refeição, que é o corolário de quando um barrigudo de um secretário de estado qualquer se põe a pensar: só pensa nas bolotas.
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De Teresa Ribeiro a 20.01.2021 às 12:27

Se a memória não me falha, foi durante o governo de Passos que essas reuniões foram instituídas. O espírito que esteve subjacente a esta medida foi mais liberal que socialista...
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De V. a 20.01.2021 às 18:18

Lamento, mas já existiam no tempo do Sócrates... Essas entrevistas são mecanismos de controle antigos e acho que começaram em 2005 ou lá o que foi. Tal como a obrigatoriedade de aceitar trabalhos de carácter comunitário sob pena de corte de subsídios (muitos eram uma fraude, desde jornais comunistas nas terriolas, trabalho para câmaras, para IPSSs. A única hipótese era chegar lá e pedir para não nos aceitarem — outras vezes as pessoas chegavam lá e já havia uma cunha para uma ocupação temporária que ninguém queria (incrível, só mesmo neste buraco merdoso)

No tempo do Passos Coelho o que aconteceu foi o tal secretário de Estado a propôr o pagamento do subsídio em senhas de refeição — se as pessoas se portassem bem.
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De V. a 20.01.2021 às 18:28

https://dre.pt/web/guest/legislacao-consolidada/-/lc/75500575/202011080513/73334264/diploma/indice?consolidacaoTag=Trabalho

Uma Lei de 2016 que revoga as "ações de controlo, acompanhamento personalizado e avaliação" de um DL de 2006, que se traduzia nessas entrevistas onde se apresentava os resultados da famosa "caça aos carimbo" ou prints de e-mails de envio de CVs.

2006. Fully blown Sócrates no auge do Simplex (que na origem era um projecto do PSD, curiosamente).

Eu conheço-os a todos. E não me esqueço de nada.
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De Marta a 19.01.2021 às 20:46

Estou incrédula. Não é possível viver-se tao alheado da realidade. Bem, se calhar é.

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