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Delito de Opinião

Comprar para esquecer

Teresa Ribeiro, 05.12.25

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Nada como passar pelo supermercado para apreciar o efeito de rebanho que as campanhas natalícias provocam nos consumidores. Parecem abelhinhas numa colmeia. E isto já se observa há semanas. Os senhores que nos pastoreiam lá sabem por que o Natal deve começar cada vez mais cedo. Apesar de termos uma vida difícil, gastamos mais quando pressionados. É esta a premissa número 1 de um bom marketeer.

O consumidor é um animal manso e obediente. Já assumiu que o Natal começa em Outubro e que a febre das compras tem de se cumprir, com ou sem dinheiro para gastar, logo se vê. Como se consegue este efeito multiplicador? É um mistério da fé. A verdade é que todos os anos os congestionamentos de trânsito em torno dos centros comerciais e as filas quilométricas para os caixas do supermercado se cumprem. Aos que resistem a esta via crucis por terem a mania que são diferentes, restam as pequenas excentricidades como a de só comprar em lojas de rua, de preferência no bairro, ou melhor ainda, fazer as compras natalícias ao longo do ano. Também há quem teime em festejar o Natal apenas a partir do dia 1 de Dezembro, como antigamente. Sou um orgulhoso membro deste grupo de resistentes. De alguma forma sinto que me redime de todo este desconcerto consumista em que me deixo arrastar.

Também compro quase tudo em lojas de rua. Menos mal. De resto compro, compro e compro o Natal como se não houvesse amanhã. Talvez para esquecer - visto que não tenho filhos ou sobrinhos pequenos, nem netos - que o Pai Natal não existe.

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