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Complicar o que é simples

por Pedro Correia, em 23.03.19

Temos a mania de complicar o que é simples. O que logo se detecta na linguagem comum. Reparo tantas vezes na expressão "bom dia para si", hoje de uso corrente, como se um claro e belo "bom dia" não bastasse como saudação. Ou na quantidade de vezes que alguém, em diálogo connosco ou perorando na pantalha, inicia uma frase com esta inútil bengala retórica, insuflada de pleonasmos bem à lusitana: "Na minha opinião pessoal..."

Sempre tive a sensação de que o desdobramento das frases em inúteis partículas vocais é inversamente proporcional àquilo que se sente. O que vale para a expressão oral funciona também para a escrita. Quando dava formação a estagiários no jornalismo, recomendava-lhes esta regra: nunca usem palavras com mais de dez caracteres em títulos. Há que simplificar o que parece complicado. No nosso idioma, o essencial fica quase sempre dito em vocábulos de escassas letras: luz, lua, dom, mar, mágoa, ler, cor, água, som, ar, dor, dar, ver, rio, calor, frio, flor, sol, amor. 

Tanto se fala em mudar, reformar, transformar: comecemos por alterar o modo como falamos. Toda a verborreia é dispensável. Libertemo-nos dela, como um acto higiénico. 

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66 comentários

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De Luís Lavoura a 23.03.2019 às 10:27

nunca usem palavras com mais de dez caracteres em títulos

Incluindo os carateres que não se lêem da ortografia antiga?

A ortografia atual facilita o cumprimento dessa regra...
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De Luís Lavoura a 23.03.2019 às 10:29

como se um claro e belo "bom dia" não bastasse como saudação

Não basta. É sempre bonito e agradável dizer o nome da outra pessoa. Por exemplo, em vez de "bom dia", dizer "bom dia, Sandra".
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De jpt a 24.03.2019 às 00:05

quem será a Sandra?
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De Pedro Correia a 24.03.2019 às 11:05

Seja quem for, coitada, não lhe invejo a sorte.
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De Luís Lavoura a 23.03.2019 às 10:31

a inútil bengala retórica, insuflada de pleonasmos bem à lusitana: "Na minha opinião pessoal..."

Não é retórica. É afirmar claramente que se trata somente de uma opinião. Muitas pessoas, na conversa corrente, exprimem as suas opiniões como se de factos se tratasse. Outras vezes, exprimem os seus desejos para o futuro como se de factos comprovados se tratasse. Não é, por isso, retórica afirmar claramente que estamos somente a exprimir a nossa opinião.
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De Pedro Correia a 23.03.2019 às 10:35

Chiça. Bom dia para si também.
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De Pedro Vorph a 23.03.2019 às 10:38

Aí em Lagos faz bom tempo? Vai almoçar onde e o quê? Pelo Porto estão quase 20'C...
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De Pedro Correia a 23.03.2019 às 11:56

Em Lagos está perfeito: 21 graus.
O almoço vai ser mínimo pois quero andar a entrar e a sair da água.
Especial será o jantar, mal caia o sol.
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De Anónimo a 23.03.2019 às 10:46

A sua resposta, é excelente exemplo do post.
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De Pedro Correia a 23.03.2019 às 11:48

Ai é? Que chatice, não tinha percebido.
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De Anónimo a 23.03.2019 às 11:19

LOL!
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De Anónimo a 23.03.2019 às 11:42

Eu gosto é de "...aquilo que é a minha opinião pessoal".
João de Brito
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De Pedro Correia a 23.03.2019 às 11:49

Há muitas ramificações. Os políticos são especialistas nisso.
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De Miguel a 23.03.2019 às 12:53

Que diabo de má vontade! Se as pessoas falam assim é somente para, em nome da clareza do propósito, distinguir de: 'na minha opinião não pessoal'.

Boa tarde para todos os que aqui vieram comentar numa tarde de sábado!
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De Pedro Correia a 23.03.2019 às 15:37

Eheh. Boa tarde, Miguel.
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De jpt a 24.03.2019 às 00:06

também há o menos usado "eu, impessoalmente"
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De Pedro Correia a 24.03.2019 às 11:05

E há a célebre expressão "todo o jogador é um ser humano". Muito usada para encher chouriço no futebol.
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De Pedro Vorph a 23.03.2019 às 10:36

Pedro, somos um país de poetas. Redundâncias, paradoxos estão na nossa massa do sangue.....


Bom dia para si, em particular, "protagonsista principal" e para todos no geral
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De Pedro Correia a 23.03.2019 às 11:53

E eufemismos, meu caro. Somos cultores de eufemismos. O "precioso líquido" em vez de água. Os "amigos do alheio" em vez de ladrões. Os "soldados da paz" em vez de bombeiros. Etc, etc.
Sempre a complicar.

Bom dia!
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De António a 23.03.2019 às 13:58

De certeza que o precioso líquido é a água? Pensava que o whisky.
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De Pedro Correia a 23.03.2019 às 15:43

Depende. Se for uisquinho de Sacavém, nem por isso.
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De Pedro Vorph a 23.03.2019 às 19:03

O jpt defenderá o Queen Margot
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De Pedro Correia a 23.03.2019 às 22:38

O JPT é monárquico? Imaginava-o republicano.
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De jpt a 24.03.2019 às 00:08

se é de mim que falam, eu sou (pessoalmente falando, claro, em minha opinião) de quem me pagar um uísque
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De Pedro Correia a 24.03.2019 às 11:04

Nunca sei se é de ti se é do teu homónimo que comenta por estas bandas.
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De jpt a 24.03.2019 às 15:20

o meu (quase)homónimo é maiúsculo eu sou orgulhosamente minúsculo, sempre. Pode-se dizer que é uma diferença ideológica
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De Pedro Correia a 24.03.2019 às 18:18

A propósito: o que será feito dele? Há uns tempos que não aparece.
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De jpt a 24.03.2019 às 20:48

Tenho cruzado iniciais com ele, ocasionalmente nos meus postais.
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De Rão Arques a 23.03.2019 às 11:22

Antigamente era o vinho, agora é a verborreia que alimenta tanta gente.
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De Pedro Correia a 23.03.2019 às 11:50

O vinho dava de mamar a um milhão de portugueses. Incluindo as sopas de cavalo cansado (eufemismo, outra modalidade em que somos campeões olímpicos).
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De Anónimo a 23.03.2019 às 11:24

Que penitência...
E, já agora, bom dia , caro Pedro Correia .


JSP
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De Pedro Correia a 23.03.2019 às 11:51

Eheh. Carrega-se num botão e ele salta logo.
Bom dia, caro JSP.
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De Pedro Oliveira a 23.03.2019 às 15:09

O meu preferido é: "há um ano atrás".
Como se o ano que passou pudesse ser para a frente.
Não bastaria "há um ano"?
Outro assunto, Miguel Sousa Tavares que por estes dias está a passear por Macau, diz-nos na pág. 11 do Expresso: "os portugueses (...) encontram-se todos os dias ao almoço para comer o inevitável bacalhau ou a carne de porco alentejana, assim como aos domingos vão ao Miramar comer o cosido"; fim de citação e pedido de explicação, o cozido em Macau é cozido ou cosido?
Grande abraço e continua a aproveitar o Reino do Algarve.
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De Pedro Correia a 23.03.2019 às 15:43

Aqui há uns anos tive uma polémica com MST, no 'Público', a propósito de Macau, quando ele - manifestamente por falta de assunto - escreveu um artigo nesse jornal dizendo que não conhecia nem queria conhecer Macau pois era um território só com putas e jogo.
Folgo muito em saber que finalmente mudou de ideias. Está a descobrir finalmente aquilo que sucede há largas décadas, senão séculos: em Macau, famílias inteiras de chineses adoram comer coZido à portuguesa, feijoada à transmontana e bacalhau com todos. Deixámos por lá, entre outras excelentes heranças, também esta - a gastronómica.

Forte abraço, caro Pedro, aqui do belo sol de Lagos - cidade que MST conhece bem,
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De jpt a 24.03.2019 às 00:10

comentários maldosos, já o homem (na sua opinião pessoal) não pode coser um artigo à sua (pessoal) vontade
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De Pedro Oliveira a 24.03.2019 às 15:53

Como diz o povo:
"Cada um sabe as as linhas com que se cose"; ou como diria Miguel Sousa Tavares, que detesta o povo, as praias de Lagos cheias de povo e apesar disso, escreve um livro intitulado: "Cebola crua com sal e broa", como diria MST (para não perdermos o fio na meada): " cada um sabe as linhas com que se coze".
(nada tenho contra o Sr. Miguel Sousa Tavares que tenho o prazer de não conhecer pessoalmente, tenho tudo contra as pseudo-elites lisboetas que olham para o interior como uma coutada de caça onde vão por desfastio assassinar perdizes, lebres e consoantes mudas).
O povo, se calhar, se pudesse escolher, preferia um caviarzito a barrar uma mini tosta, pensa nisso, Miguel, enquanto trincas a cebola crua.



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De Anónimo a 23.03.2019 às 18:14

Também embatemos.. "contra" arvores ,muros e postes!!!
e "voltamos a repetir" coisas que só dissemos uma vez!!..
é um passatempo interessante ...ouvir com atenção critica os discursos e as noticias dos programas da TV´s
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De Pedro Correia a 23.03.2019 às 21:54

Tal e qual. E há as "guerras civis fratricidas", como li muito recentemente num jornal "de referência".
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De Anónimo a 23.03.2019 às 20:29

Comentário apagado.
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De Pedro Correia a 23.03.2019 às 21:55

Então, nesse caso, desejo-lhe uma muito boa noite para si e para todos os seus. E faço votos para que tenha muita saudinha, que é aquilo de que mais necessitamos.
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De Pedro Correia a 24.03.2019 às 11:06

Olha, um "comentário apagado". Terá sido por um bombeiro?
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De José da Xã a 23.03.2019 às 22:16

Pedro,

A minha inglória luta contra o "há anos atrás" foi completamente derrotada pelos jornalistas e políticos que deveriam, repito deveriam ter mais cuidado com a forma como fazem as declarações.
Aprendi muito cedo que não se deve escrever ou dizer o que já está subentendido...
Abraço.
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De Pedro Correia a 23.03.2019 às 22:37

A melhor observação contra esse dislate ouvi-a eu, há muitos anos, da boca do saudoso Carlos Pinhão, grande benfiquista e grande jornalista, falando com humorada bonomia para um estagiário que empregara tal expressão:
- Ó pá, onde é que tens o ânus? À frente ou atrás?
- Atrás...
- Então não precisas de dizer "ânus atrás". "Ânus" já basta.
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De jpt a 24.03.2019 às 00:11

antológica
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De sampy a 24.03.2019 às 20:27

Mas teremos mesmo que acabar com os belos pleonasmos? Não poderemos mais dizer "subir para cima", "entrar para dentro", "esquerda radical", "político corrupto", "sportinguistas frustrados"?...
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De Pedro Correia a 24.03.2019 às 21:51

E que medrem também as personificações, começando pelas papoilas saltitantes.

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