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Companheiros, encolhi o PSD

por Pedro Correia, em 21.01.20

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Foto: José Coelho / Lusa

 

1

O PSD é o único, dos cinco maiores partidos portugueses, que tem sede nacional num edifício sem porta directa para o passeio: ocupa uma vasta mansão no selecto bairro da Lapa, na Lisboa oitocentista, o que o afasta do ruído da rua. Esta sede aparentemente sem sentido, mais entrincheirada do que muitos ministérios, simboliza muito do que é hoje o partido fundado em 1974 por Sá Carneiro: perdeu a vocação para ser um aglutinador de massas e tornou-se uma agremiação de quadros. Uma espécie de CDS em ponto maior.

É certo que sempre foi heterogéneo. Social-democrata em Lisboa, liberal no Porto, populista na Madeira, conservador com franjas reaccionárias absorvidas do anterior regime no Interior Norte e nas ilhas, católico nos campos e agnóstico nas cidades. Mas, apesar de tudo, com traços identitários inconfundíveis: paladino da iniciativa privada como motor da economia, porta-voz dos portugueses sem vínculos profissionais com o Estado, obreiro da autonomia regional.

 

2

As dinâmicas sociais destas duas primeiras décadas do século XXI, que têm alterado o mapa político da Europa, vão chegando com o habitual atraso ao canto mais ocidental da Europa. Mas já causam estragos em três dos quatro partidos fundadores do actual quadro constitucional português. Com o CDS reduzido à expressão ínfima, o PCP transformado numa relíquia de si próprio e o PSD despojado da vocação maioritária que lhe esteve longo tempo associada. O vendaval há-de bater também à porta do PS, mas ainda não agora.

O PSD foi dissipando grande parte das características que ostentava, como emanação da sociedade civil mais empreendedora e dinâmica, em contraste com os socialistas, arautos das corporações ligadas ao Estado, que em Portugal tende a ser tentacular. Perdeu muitos traços identitários - desde logo a capacidade de mobilizar multidões. É hoje um partido de quadros urbanos que se articulam mal com o que resta das bases, predominantemente provincianas e rurais. Alinhadas mais à direita do que as cúpulas.

 

3

Rui Rio é, se pensarmos bem, o dirigente certo para esta fase da vida do partido. Pelo seu percurso, nunca dissociado do aparelho partidário. Por fazer parte da geração que acordou para a política com o 25 de Abril e é ainda tributária daquele impulso inicial da democracia portuguesa. E também pelos traços contraditórios da sua personalidade, onde se conjuga algum conservadorismo atávico com uum progressismo em doses mitigadas, fruto do contexto histórico em que se formou politicamente.

Avesso a populismos e a cartilhas ideológicas, Rio teria horror a chefiar um partido de largo espectro, fazendo concessões às massas ululantes. Mas sente-se confortável à frente de uma força de média dimensão. Isto permite-lhe exercer influência em grau suficiente para não se tornar irrelevante no quadro político enquanto torna mais homogéneo o PSD, adaptando-o às suas idiossincrasias pessoais. No fundo, projectando à escala nacional o modelo que pôs em prática durante 12 anos enquanto alcaide do Porto.

 

4

Para que este desígnio tivesse sucesso, havia que encolher o PSD. Esta meta foi alcançada com a eleição directa para presidente da Comissão Política Nacional, realizada pela primeira vez a duas voltas.

Em comparação com a campanha eleitoral que há dois anos opôs Rio a Santana Lopes, verifica-se um recuo drástico, tanto ao nível dos militantes com capacidade eleitoral como daqueles que exerceram o direito de voto. Em 2018, houve 70.692 eleitores e 42.655 votantes - Rio recolheu 22.728 votos, ficando Santana com 19.244.

Agora havia apenas 40.628 eleitores inscritos - menos do que os espectadores que na passada sexta-feira assistiram ao jogo Sporting-Benfica. E às urnas só se dignaram comparecer 31.295. O presidente do PSD foi reconduzido com 16.420 votos, cabendo 14.547 ao seu opositor, Luís Montenegro.

Por outras palavras: teve desta vez menos 2.824 votos expressos do que Santana, candidato derrotado em 2018.

 

5

De qualquer modo, os resultados deste segundo escrutínio configuram uma vitória por margem que, sendo escassa, basta para mostrar quem manda nos exactos termos que Rio delineou: pouco lhe importa que o partido esteja praticamente cindido em duas metades (e com a Madeira excluída deste processo eleitoral), desde que ele imponha a sua vontade no maior gomo da laranja. Daí ter-se apressado a declarar que vai propor para o próximo Conselho Nacional não uma lista de unidade, mas uma lista de facção. A sua.

Percebe-se a intenção: tutelar um grupo exíguo mas coeso é condição necessária para situar o PSD como partido charneira da futura arquitectura política nacional, em função de uma geometria muito variável. No fundo, exercendo o papel que o CDS preencheu noutros tempos. Este é o patamar suficiente para satisfazer a ambição de Rio.

Eis um sinal inequívoco de despedida: o tempo dos clássicos partidos de massas terminou. Neste contexto, existe algo de visionário no PSD: faz hoje cada vez mais sentido ter uma sede nacional sem porta aberta para a rua.

 

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62 comentários

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De jo a 21.01.2020 às 11:08

O PSD está perdido enquanto existirem nele franjas antidemocráticas que se recusam a aceitar resultados desfavoráveis e seguir em frente com o que existe.

Já elegeram o homem duas vezes para a direção, com um desafio pelo meio.
Agora, ou dançam, ou sem da pista.
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De Pedro Correia a 21.01.2020 às 11:49

Se saírem ainda mais da pista, ela fica vazia.
Rio terá todo o espaço para dançar. Não o tango, que exige parceiro, mas uma daquelas danças solitárias dos cossacos, de braços cruzados e bota estendida.
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De Vorph Valknut a 21.01.2020 às 11:52

Mas caraças não se preocupe. O Pedro nem filiado é. Vote IL ou coma uma açorda
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De Pedro Correia a 21.01.2020 às 13:00

Vou comer polvo à lagareiro. Embora me apetecesse uma cachupa, sei lá porquê.
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De Vorph Valknut a 21.01.2020 às 11:54

Eles estavam no BES, através do BESA e da ESCOM; estavam no BIC gerido por Mira Amaral (PSD) e Teixeira dos Santos (PS), na Finertec, por onde passaram Miguel Relvas (PSD) e Marcos Perestrello (PS); no Finibanco Angola e no obscuro BNI Europa, envolvidos no escândalo Montepio; no BPI e no Millenium Angola, que abrigou o ex-presidente do PSD Fernando Nogueira e também Martins da Cruz, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros do PSD que há dois anos pedia "bom senso" e "recato" na condução do processo contra o vice-presidente de Eduardo dos Santos, Manuel Vicente.

https://www.google.com/amp/s/www.jn.pt/opiniao/mariana-mortagua/amp/que-e-feito-da-empresaria-isabel-dos-santos-11729440.html

Consegue ver a diferença entre Rio e os outros?
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De jpt a 21.01.2020 às 14:15

Esta tua resposta é até cruel. Mas retiro de comentário acima do militante Valknut que quando tu te metes a escrever sobre o PS ou o PCP ou o LIVRE ou o BE ou o CDS ou sobre o (defunto?) Aliança ou o Chega ex-Basta (ou vice-versa) como não és militante dessas colectividades deverias ir comer açordas. Tem cuidado com a saúde, não engordes em demasia com tanta comensalidade recomendada pelo fiel leitor.
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De Vorph Valknut a 21.01.2020 às 15:18

Foi um desabafo extemporâneo. Até parece que o jpt é ímpar em temperanças e temperos.
O Pedro tem um estômago rijo.
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De jpt a 21.01.2020 às 17:04

parece e parece bem, que a minha placidez é reconhecida por quem me conhece.
Quanto ao resto, o cerne: o bisturi nos outros é sempre aclamado, quando a naifa escalpa o próprio é que são elas ...
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De Anónimo a 21.01.2020 às 17:23

Isso é a versão médica do outro dito, mais culinário, da pimenta??

Vá lá...

https://youtu.be/ok6f6TXtRqM

Vorph Valknut
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De jpt a 22.01.2020 às 01:57

Que coisas constituem o património cultural da "Nação psd", assim percebe-se bem aquilo do Montenegro a cantar na tv
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De Pedro Correia a 21.01.2020 às 23:29

Terei essa preocupação, caro JPT. A generosidade de alguns leitores pode por vezes tornar-se excessiva.
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De jpt a 22.01.2020 às 01:57

cuida-te nos idos de Março
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De Luís Lavoura a 21.01.2020 às 11:21

(1) A sede do PSD tem a enorme vantagem, em relação às sedes de outros partidos, de ter nela algum espaço para estacionar carros. Os líderes não têm que aparcar em contravenção na via pública, como acontece noutros partidos.

(2) o tempo dos clássicos partidos de massas terminou. Exatamente. Veja-se os resultados das eleições doutros países. Por exemplo, nas eleições finlandesas de 2019, quatro partidos obtiveram cada qual cerca de 20% dos votos. É a resultados progressivamente parecidos a estes que teremos que nos habituar. Rui Rio posiciona-se já para o futuro. Ele percebeu os ares dos tempos.
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De Pedro Correia a 21.01.2020 às 11:46

É o que assinalo no meu texto: Rio é um político capacitado para um partido de média dimensão. O CDS dos novos tempos.
Na Finlândia, talvez chegasse a primeiro-ministro.
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De Luís Lavoura a 21.01.2020 às 12:07

O CDS dos novos tempos.

Essa comparação é minimizadora. Nos velhos tempos, o CDS foi um partido médio que se confrontava com dois partidos grandes; só podia servir de muleta a um (ora um, ora outro) deles. Nos tempos futuros, para os quais Rio está bem capacitado, o PSD será um partido médio entre outros partidos médios; negociará de igual para igual com os outros partidos. A futura arquitectura política nacional terá uma geometria muito variável, como o Pedro Correia bem escreveu. Haverá um CDS, um PSD, uma (Nova) Aliança (quiçá enriquecida com portentos políticos como Luís Montenegro e Maria Luís Albuquerque), uma IL, um Chega.
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De Pedro Correia a 21.01.2020 às 12:45

De futuro só haverá partidos médios nas democracias liverais do Ocidente. O próprio PS, apesar dos sonhos mexicanos de alguns caudilhos, tenderá a encolher. E não será devido à chuva.
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De jpt a 22.01.2020 às 01:58

Essa "gralha" (se o foi) dá pano para mangas ...
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De Vorph Valknut a 21.01.2020 às 11:51

Só agora se deu conta da altura do portão da sede do PSD?
Chiça, é de uma obsessão canina. Houve eleições, foi eleito, confirmado, aliás, o secretário geral. Deixe o Partido respirar. Até parece que não é filiado no PSD, só para poder "passar a imagem" de ser de uma imaculada imparcialidade quando se "atira" a Rui Rio. Fica-lhe muito mal. Repete-se não adiantando grande coisa, mas dizendo muito sobre quem assim gosta de actuar. Não tenho pachorra. Vou ali ao jpt.

Fale sobre a porra dos socialistas. Quer saber de uma. Conheço uma senhora que anda há 5 meses à espera de uma RM ao pulso. Foda-se, põem a porra dos interesses pessoais à frente do país e da honestidade intelectual.... até parece que nos querem tomar por parvos
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De Pedro Correia a 21.01.2020 às 12:53

Os meus parabéns (atrasados) a sua filha Margarida. Espero que a festa tenha sido boa, no passado sábado.
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De Vorph Valknut a 21.01.2020 às 13:24

Pronto, calou-me. Obrigado e desculpe o tom, habitual, exagerado
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De Anonimus a 21.01.2020 às 12:11

O Rio pode unir tanto o psd como um qualquer tipo pode unir o Sporting. Quando há quem não queira ser unido pouco há a fazer.
O PSD não existe enquanto Partido político, é uma massa de gente que quer Poder, e não sabe viver noutra realidade que não a de governar, e de se governar.
Não sei que pensar de Rio enquanto governante (aí os portuenses estarão mais habilitados), mas a imagem que passa é de que não é um demagogo populista como Costa, e está longe de ter a sua (ou qualquer) habilidade para jogos de bastidores.
Se é qualidade ou defeito, fica à avaliação de cada um.

É certo que o PSD não inspira o interesse de outros tempos, mas quando se dá mais eco aos berros de uma gaga em frente de meia dúzia de mecos do que às eleições de um dos maiores partidos portugueses...
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De Pedro Correia a 21.01.2020 às 12:57

No seu último parágrafo diz, por outras palavras, aquilo que eu digo também. Um partido que tem um líder eleito por 16 mil militantes está mais perto de ser pequeno do que de voltar a ser grande.

É a vida, como dizia o homem do pântano. Que hoje é, apropriadamente, secretário-geral da ONU.
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De Anónimo a 21.01.2020 às 12:17

Essa obsessão com o Partido e com Rio não é normal num mero simpatizante. Mas não sendo filiado no PSD pergunto-me quem, ou o quê, representará ?

Vorph Valknut
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De Pedro Correia a 21.01.2020 às 12:42

Pergunte ao vento que passa. Aproveite agora, que está ventania.
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De V. a 21.01.2020 às 22:01

'tá visto que o Manuel Alegre nunca foi ao Guincho. Se alguma vez lá tivesse ido não fazia perguntas tolas.
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De Pedro Correia a 22.01.2020 às 00:09

Já lá me senti muito alegre. No Guincho.
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De Miguel Madeira a 21.01.2020 às 12:34

"Social-democrata em Lisboa, liberal no Porto"

Não era ao contrário? O "Grupo de Lisboa" liberal (ou os "sulistas e elitistas") versus o PSD nortenho social-democrata?
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De Pedro Correia a 21.01.2020 às 12:41

Não. Como é sabido, o Porto sempre foi a capital do liberalismo português. Os verdadeiros liberais estão lá, na cidade que guarda o coração do Rei D. Pedro.
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De Luís Lavoura a 21.01.2020 às 14:53

É de facto ao contrário.
Veja os resultados, por concelho, da Iniciativa Liberal nas últimas eleições. É tipo Porto 1,5%, Lisboa 4,5%. O Porto é, de facto, o concelho nortenho em que a IL alcança maior votação - mas fica muito longe das votações no eixo Lisboa-Cascais.
Ou seja, essa conversa de o Porto ser uma cidade liberal é treta. Lisboa é atualmente muitíssimo mais liberal do que o Porto, que é uma cidade essencialmente conservadora.
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De Pedro Correia a 21.01.2020 às 23:26

Não é treta nenhuma.
Treta é você vir para aqui dizer que os liberais só votam na IL.
Nesse caso só haveria 1% de liberais em Portugal.
A esmagadora maioria dos liberais vota em outros partidos.
Pode, portanto, remeter essas percentagens que aqui traz para o arquivo geral. Com bilhete só de ida.
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De Luís Lavoura a 22.01.2020 às 10:17

Eu não disse que os liberais só votam na IL. Num comentário anterior, já reconheci que há liberais no PSD.
Porém, não acredito que, de todos os liberais que há em todos os partidos, os de Lisboa exibam maior tendência para se passarem para a IL do que os do resto do país.
Portanto, tomo como hipótese razoável que as percentagens da IL nos diversos concelhos representem, mais ou menos fielmente, a prevalência do liberalismo nesse concelho.
Parece-me portanto lógico que, se a IL teve 4,5% dos votos em Lisboa e somente 1,5% dos votos no Porto, isso quer dizer que há três vezes maior percentagem de liberais em Lisboa do que no Porto.
Ademais, eu, sendo natural do Porto e vivendo em Lisboa, conheço razoaelmente bem as pessoas de ambas as cidades, e não tenho por isso qualquer dúvida em afirmar que Lisboa é muito mais liberal do que o Porto, o qual é uma cidade predominantemente conservadora.
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De Pedro Correia a 22.01.2020 às 10:21

A revolução liberal fez-se no Porto, não em Lisboa.
Em Lisboa fez-se a revolução jacobino-republicana, que foi iliberal.

O liberalismo está ligado, em larga medida, ao comércio. E o comércio sempre foi dominante no Porto.
Em Lisboa o que domina é o aparelho estatal e a função pública.
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De Luís Lavoura a 22.01.2020 às 11:27

A revolução liberal fez-se no Porto, não em Lisboa.

A política do século 19 era feita por uma minoria de burgueses e aristocratas, que eram caciques sobre o povo. Nós estamos a falar de eleições no século 21, em que todo o povo vota sem caciques. A revolução dita liberal (na verdade, tratava-se essencialmente somente de liberalismo político, não económico nem social) de 1820 nada tem a ver com uma eleição em 2019.

Em Lisboa fez-se a revolução jacobino-republicana, que foi iliberal.

Essa revolução, mais uma vez, foi feita por uma pequena minoria, em larga medida separada da generalidade do povo, que era rural. E mesmo essa revolução teve um precursor no Porto (o 31 de Janeiro).

O liberalismo está ligado, em larga medida, ao comércio. E o comércio sempre foi dominante no Porto. Em Lisboa o que domina é o aparelho estatal e a função pública.

Mas o liberalismo político é, em todos os países, uma posição política minoritária. Tanto em Lisboa como no Porto, o liberalismo é minoritário. Tanto faz que a maioria da população trabalhe nisto como que trabalhe naquilo, essa maioria de pouco interessa, porque o liberalismo é sempre uma minoria.

O que o Pedro diz é verdade, mas a realidade é que a minoria que é liberal é maior em Lisboa do que no Porto.
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De Pedro Correia a 22.01.2020 às 21:56

«No século 21, todo o povo vota sem caciques.»

Em que planeta (e em que século) você vive?
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De Isabel Paulos a 21.01.2020 às 15:00

Mais dois anos e o Pedro Correia converte-se aos méritos de RR.

O seu lúcido post devia, aliás, ser motivador para o PSD. Lembrei-me da Olívia. A Olívia intelectualizada folga que o partido regresse às origens, não vergando ao populismo e valorizando a iniciativa privada, a Olívia rústica, prosaica e provinciana simpatiza com a autonomia regional. Basta dar a ambas a chave do portão da São Caetano e a coisa segue sobre rodas.
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De Pedro Correia a 21.01.2020 às 15:09

Isabel, eu tento interpretar a realidade tal como a vejo no presente e procurando relacioná-la com tendências gerais - não apenas com a espuma dos dias, não apenas com o que ocorre em Portugal.

Como assino sempre o que escrevo e assumo tudo quanto assino, estarei sempre sujeito ao confronto com os factos. Catorze anos consecutivos a escrever na blogosfera, diariamente, colocam-me perante essa contingência. Não apenas na página principal dos blogues mas em todas as caixas de comentários.

O dilema que coloca, com inegável sentido de humor, tem muito a ver com a realidade deste PSD. Mas não tem apenas a ver com o PSD nem tem a ver em exclusivo com o nosso país, longe disso.
Está tudo a reconfigurar-se. A um ritmo muito mais acelerado do que imaginamos e do que muitos desejariam.
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De Isabel Paulos a 21.01.2020 às 16:29

Sobre a pulverização partidária poderei estar a confundir o que é ou será com o que deveria ser mas, apesar de algum temor, não estou convencida da inevitabilidade da degradação da democracia em Portugal por contaminação de radicalismos e populismos. Não me esqueço que de há 18 anos alguém de esquerda me anunciar a morte do PS como grande partido de poder, prevendo a ascensão de BE a votações na ordem dos 20%. E de voltar a ouvir semelhante comentário mais tarde.
Para o melhor e para o pior Portugal é o país do ‘temos que ser uns para os outros’ e isto em política traduz-se por sacrificar a ideologia em troca de uma fatia de poder ou influência (para os eleitos) e de conforto financeiro (para os eleitores). E os arranjos fazem-se ao centro e não nas franjas, pelo que a reconfiguração pode traduzir-se em 'parte baralha e volta a dar' alargando um pouco a influência às franjas. Na esquerda já se verificou. Na direita, a ver vamos se recompõe e se faz esse o caminho.

Aprecio o facto de assinar tudo quanto escreve nos blogues.
A minha modesta e antiga contribuição na blogosfera nem sempre foi assinada, apesar de normalmente estar suportada por email aberto com o nome; creio nunca ter feito nenhuma maldade por isso.
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De Anónimo a 21.01.2020 às 17:00

Pare lá de escrever assim. Será outra vez eleito o comentário da semana. Assim, não, Isabel. Assim, não.... também quero o cabaz, mas ando desmotivado e com pouco tempo e com um azar do camandro. (desculpas, é o que é :)

Pedro Vorph Valknut
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De Isabel Paulos a 21.01.2020 às 19:35

Então? Ouve prelecções de Epictetus e está desmotivado? Isso é que não pode ser.
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De Anónimo a 21.01.2020 às 21:12

Fractura da mão direita, vai para 5 semanas, uma gripe, daquelas, a antibiótico. Perdi a aliança. Vale-me não ter perdido a mulher. Tudo de bom, Isabel.

Vorph
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De Isabel Paulos a 21.01.2020 às 22:42

Apre, isso está mesmo mau. Desejo que a vaga de azares passe depressa, Vorph.
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De jpt a 22.01.2020 às 02:01

O vorph está Calimero, parece sportinguista
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De Anónimo a 21.01.2020 às 17:01

É pá este comentário é mesmo bom. Tipo dinamite, TNT. Um estoiro de miolo, o seu. :)

V. V
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De Isabel Paulos a 21.01.2020 às 19:22

Dinamite? Nem por isso. Acho até (português) suave. :)
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De Anónimo a 21.01.2020 às 16:13

Prevejo e desejo ainda mais que os partidos não só encolham mas que desapareçam como monopolistas do poder político.
RR foi combatido por tudo e por todos os que têm voz e escrita neste país, bem instalados por condição, pudera, só porque, tendo ele próprio voz e sendo dirigente de um partido histórico, ousa, imaginem só, ter a intenção de colocar o interesse do país acima de todos os outros!
O que me espanta mesmo e me preocupa é verificar que toda esta massa crítica opinadora esteja, afinal, mais enfeudada do que mais de metade dos militantes de PSD, o célebre partido dos caciques!
Quem diria?!

João de Brito
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De Pedro Correia a 22.01.2020 às 21:57

Acabar com os partidos, João de Brito?
Receita nada original. Já foi experimentada vezes sem conta.
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De Anónimo a 21.01.2020 às 16:31

Vocês só se contentam quando tiverem a roca novamente nas mãos para brincarem...
Se são assim tão bons e têm tão boas ideias formem um partido e apresentem-se a eleições que os portugueses decidem. Os militantes do PSD deram a sua opinião 3 vezes em 2 anos.
Vocês conseguiram fazer mais oposição ao PSD que a geringonça sozinha, o que mostra bem a fraca qualidade da mesma, deve ter sido cativada (a qualidade).
Em relação ao PS (ponto 2), o vendaval já lá bateu só que o poucochinho Costa e a sua entourage criaram a geringonça para não serem apeados mas já não deve tardar muito.
Rui Rio convidou Santana Lopes, este assumiu-se e criou um novo partido, façam o mesmo e desamparem a loja e deixem trabalhar em prol de Portugal quem o quer fazer.

WW
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De Anónimo a 21.01.2020 às 17:24


Vorph
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De Luís Lavoura a 21.01.2020 às 17:51

Vocês só se contentam quando tiverem a roca novamente nas mãos para brincarem...

Se são assim tão bons e têm tão boas ideias formem um partido e apresentem-se a eleições que os portugueses decidem.

Rui Rio convidou Santana Lopes, este assumiu-se e criou um novo partido, façam o mesmo e desamparem a loja

Subscrevo.
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De Pedro Correia a 21.01.2020 às 21:59

Vocês parecem o Rui Tavares a mandar bugiar a Joacine. «Desampara a loja.»

São farinha do mesmo saco.
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De V. a 21.01.2020 às 22:04

... quistos do mesmo trambolho, quiçá!
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De Anónimo a 21.01.2020 às 22:35

Antes farinha que farelo...

WW
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De Pedro Correia a 21.01.2020 às 23:22

Você e o Rui Tavares têm pelo menos esse ponto em comum: resolvem divergências expulsando os discordantes.
São praticamente almas gémeas.
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De Anónimo a 21.01.2020 às 23:53

"Nós" sabemos qual é a vossa discordância.
Podem continuar na mesma "onda" como parece :

https://observador.pt/2020/01/21/mocao-ex-ministro-poiares-maduro-propoe-primarias-e-a-criacao-de-comissao-de-etica-no-psd/

que já "toda a gente" percebeu o esquema.
Quando o xuxalismo com a vossa prestimosa ajuda (como da ultima vez) falir uma vez mais o país vocês levem com banho de ética.

WW
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De Anónimo a 21.01.2020 às 23:54

Não gosto de xuxas de esquerda e abomino xuxas de direita.
Façam-se ao caminho.

WW
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De Pedro Correia a 22.01.2020 às 00:07

Mas parece idolatrar xuxas de centro.
Pelo menos um deles.
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De Luís Lavoura a 22.01.2020 às 10:22

O Livre tem todo o direito de mandar bugiar a Joacine. (Lá se tem boas razões para isso, ou não, é outra questão, à qual não sei responder.) O que não pode, é pedir-lhe que abandone o Parlamento, no qual ela tem todo o direito de permanecer.
De resto, eu, não sendo do PSD, não vou mandar bugiar o Montenegro. Só penso que a porta da rua é a serventia da casa e que, se ele não concorda com a linha política do PSD, o melhor é afastar-se dele.
Não o fazendo, dá a ideia que permanece no PSD para se servir do partido, e não para servir o partido.
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De Pedro Correia a 22.01.2020 às 10:24

Que raio de mimetismo. Isso foi o que o historiador Tavares disse à deputada Joacine.
Que dá ideia que só está no Livre para se servir do partido.
Que a porta da rua é a serventia da casa.

Não é bonito, convenhamos.
E é uma atitude algo misógina. E algo segregacionista.
E algo racista.

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