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Como um longo e aborrecido Domingo

por Isabel Mouzinho, em 01.08.15

Agosto é o mês de que menos gosto. Associo-o sempre a suor e a calor em excesso, a moscas, a desleixo e a chungaria. O país vive a meio gás, semi-parado como num imenso intervalo, e tudo se centra no Algarve, que passa a ser o lugar a evitar nem que seja por sobrelotação, tal e qual  o metro à hora de ponta, ou perto disso.

Na verdade, tirando a nossa casa, quase todos os sítios são insuportáveis; até Lisboa, antigamente tranquila, preguiçosamente apetecível, muito mais silenciosa e quase vazia de gente e de trânsito é agora tão cosmopolita e turística que perdeu parte da graça e da sua habitual sonolência estival, o que pode fazer de um fim de tarde a olhar o Tejo um verdadeiro massacre, ou no mínimo a confusão garantida.

Tenho comigo esta espécie de desgosto que nem chega bem a sê-lo de, por força das circunstâncias, só poder estar de férias no mês que até para viajar é menos simpático que todos os outros. Nesta altura, nada como permanecer no sossego e na frescura do nosso espaço mais íntimo, ao sabor da vontade de cada momento. Há sempre o lado bom das longas manhãs de sono, de praia, ou de moleza, da chuva inesperada e do agradável cheiro da terra molhada que se lhe segue, das horas que parecem passar mais devagar e dar tempo para fazer tudo o que se quer.

Para mim, Agosto é acima de tudo tempo de arrumações, de balanços e de projectos, de descansar e de preparar a nova vida, que se anuncia para o final do Verão. E isto também são férias!

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12 comentários

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De isa a 01.08.2015 às 10:33

A finalidade de um período de férias é para se ter tempo para descansar e esquecer horários. Muitos dos que vão de férias, não as usam para isso, aliás, até acabam por fazer mais coisas do que fariam se não estivessem de férias e voltam mais cansados e stressados do que antes de saírem.
Pôr a tónica das férias no ter que ir para outro lado, é uma ideia muito comum na sociedade atual, mas que pode trazer muita frustração, principalmente, para quem não tenha dinheiro para viajar para outro sítio.
Como, há alguns anos, isso se passa comigo, em vez de ficar frustrada, aprendi que, para se espairecer e descansar, são tudo coisas que se podem fazer em qualquer lugar, só temos que estar em paz com o nosso Eu e dar mais valor ao que se tem, em vez do que se quereria ter porque, isso, será o caminho mais fácil para se entrar num autêntico pesadelo, pois como nunca se consegue parar de querer, teremos uma frustração que se torna infinita e, o que é infinito, nunca pode ser preenchido ora, como ninguém pode fazer férias de si próprio, acaba por nem perceber que parte da sua insatisfação permanente, nem sequer tem a ver com, o não ir ou com dinheiro mas, com a sua própria maneira de pensar. No entanto, a culpa não é só das pessoas mas do tipo de sociedade onde vivem, ora numa sociedade de consumo, o desafio estará sempre em nos questionarmos permanentemente e, se eu, não tiver ou fizer tudo como os outros, isso não implica que eles sejam mais felizes, eles podem só gostar de se cansar mais ou até adorar... fazer e desfazer malas
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De Isabel Mouzinho a 01.08.2015 às 15:40

Concordo consigo de um modo geral, Isa. E por mim bem podem ir todos para o Algarve, que eu fico por cá muito bem -bom, a maior parte do tempo, com uma saída breve a uma das "minhas" cidades - e, de preferência, mesmo "chez moi".
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De Paulo Dias a 01.08.2015 às 16:47

Cara Isabel...Assino por baixo o (magnifico) post...
Paulo
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De Isabel Mouzinho a 01.08.2015 às 17:24

Obrigada, Paulo. Afinal parece que somos muitos os que não gostamos de Agosto.
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De Tomás Miguez a 01.08.2015 às 19:13

Gosto muito de Agosto. A cidade vazia, menos ruídos, gente diferente, o trabalho e as férias misturam-se, sair à noite durante a semana é mais fácil, tenho mais tempo para ir ao Nimas, penso mais devagar...Tempo de prazer, de sonho...
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De Isabel Mouzinho a 02.08.2015 às 00:29

Mas isso da cidade vazia já quase não existe, Tomás. Há cada vez mais gente a ficar e há cada vez mais turistas. Se for para certas zonas - a Baixa, por exemplo, - verá como "menos ruídos" é uma realidade improvável, para não dizer impossível.
Tem-se mais tempo, é verdade, é tudo um pouco mais devagar, também e naturalmente que se pode encontrar prazer em tudo isso.
Mas, ainda assim, eu não gosto de Agosto. Prefiro os meses de Primavera (todos) e Setembro e Outubro, também.
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De Tomás Miguez a 02.08.2015 às 14:02

Em Alvalade não há turistas, mas eu não me importo de ver turistas. Digo apenas que o meu Agosto costuma ser um mês molengão, com tempo para saborear. E leio mais.
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De Isabel Mouzinho a 03.08.2015 às 01:45

Quanto a ler mais, ao tempo para saborear e ao "molengão", estamos inteiramente de acordo, Tomás.
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De Tomás Miguez a 02.08.2015 às 18:06

Esqueci-me de referir que gosto muito deste blog.
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De Isabel Mouzinho a 03.08.2015 às 01:46

Obrigada, em nome de todos.
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De José António Abreu a 02.08.2015 às 19:39

Belo texto. Na teoria concordo, na prática nem por isso - mas só porque tenho a possibilidade de não tirar férias em Agosto, um mês excelente para trabalhar sossegadamente.
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De Isabel Mouzinho a 02.08.2015 às 20:49

Obrigada, JAA. Eu percebo. Durante quatro anos também pude trabalhar em Agosto e ter férias em Março, em Abril, em Junho e em Outubro, como eu gostaria de fazer sempre. Mas é das poucas coisas que me deixam nostálgica dessa experiência. O que faço agora, pese embora a obrigatoriedade das férias em Agosto, tem muito mais a ver comigo.

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