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Como foi possível?

por Pedro Correia, em 18.04.18

mw-860[1].jpg

 

Acabo de ver e ouvir uma arrepiante reportagem emitida no Jornal da Noite da SIC sobre a vida faustosa e totalmente dissociada da realidade que José Sócrates Pinto de Sousa levou nos anos e meses que antecederam a sua detenção, em Novembro de 2014, no âmbito da Operação Marquês.

Este indivíduo que se considerava um "pobre provinciano", talvez em involuntário plágio de uma célebre citação de Salazar, chegou a ter gastos de 26 mil euros mensais, dissipou 52 mil euros num ano e meio, e recorria a todo o tempo ao misterioso "engenheiro Carlos Santos Silva" - seu suposto amigo de quatro décadas, "um homem de posses", segundo declarou aos autos policiais o ex-chefe do Governo. Que, mesmo com a conta pessoal a zero, avançava para uma proposta de compra de uma sumptuosa quinta nos arredores de Tavira, disposto a pagar por ela a módica quantia de 900 mil euros.

Entretanto ia ligando ao amigo, exigindo em linguagem cifrada dinheiro, sempre mais dinheiro, cada vez mais dinheiro - com uma "sede de anteontem", como cantava Chico Buarque. Só em 2014, o tal amigo remeteu-lhe 47 cheques num valor próximo de meio milhão de euros.

Mesmo assim, na noite em que foi detido, Sócrates já vira novamente a luz vermelha acesa na sua conta bancária: 12 mil euros por saldar, um sorvedouro sem fim.

 

Nos quatro anos anteriores à detenção, um milhão e 200 mil euros em cerca de 150 cheques - com a proveniência de sempre - chegaram em dinheiro vivo às mãos deste político que acumulava uma "rede de amigas" sequiosas de notas bancárias e a quem ele se limitava a retorquir para lhes satisfazer a característica cobiça de qualquer alpinista social: "Tenho de falar ao Carlos."

O dinheiro aparecia, mas nunca em quantidade suficiente para saciar a inesgotável ganância de tais "amigas". Nem do auto-intitulado "animal feroz", que fazia questão em viver mergulhado num luxo depredatório - em Paris, Veneza, Suíça, Quénia, Baleares e Algarves - e comprar favores a terceiros com dinheiro que formalmente nunca foi seu mas de que usufruía com a prodigalidade de um senhor feudal.

 

Repito: é uma arrepiante reportagem, que constitui serviço público. Assinada por três jornalistas conceituados: Luís Garriapa, Amélia Moura Ramos e Sara Antunes de Oliveira.

Vejo-a e escuto-a com atenção. E questiono-me: como foi possível este homem totalmente descontrolado nas contas privadas e que durante anos cultivou um nível de vida muito acima das suas posses, sem fazer a mais remota ideia do valor do dinheiro, ter sido durante seis anos primeiro-ministro de Portugal?

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60 comentários

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De Anónimo a 18.04.2018 às 00:17

Boa noite Pedro Correia.
Não vi a reportagem que refere, se bem percebo foi para o ar hoje, 3ª Feira.
Possível, simples, bastou que a maioria votasse no PS/ Sócrates.
Vi recorrendo à tecnologia a reportagem de ontem sobre partes dos interrogatórios a Sócrates.
Salvo melhor opinião, foi feito um dos maiores favores a José Sócrates.
No nosso País, como em outros, mas também diferente de outros, arranjaram maneira de um indivíduo não ter de explicar como consegue viver de forma que o seu rendimento não explica.
O resultado está à vista.
Portugal, um país cheio de cabritos.......sem cabras!
Mas a maioria dos meus concidadãos acha que assim está bem, tem que se viver com isso.
António Cabral
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De Pedro Correia a 18.04.2018 às 07:15

A minha perplexidade relaciona-se com a forma como ele foi subindo os patamares do poder, degrau após degrau, sem que ninguém entre todos quantos o rodeavam aparentemente se apercebesse desta vida luxuosa de que fazia gala sem proventos que a justificassem. Isto inclui vários jornalistas que o conheciam de perto e integravam até o seu 'inner circle', como agora se diz.
Ninguém viu nada, ninguém ouviu nada, ninguém disse nada no momento próprio.
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De Robinson Kanes a 18.04.2018 às 10:51

E não é assim com uma grande maioria dos políticos deste país, Pedro? :-)

Sócrates foi o que mais luzes teve e exagerou em muitas extravagâncias, mas não faltam casos destes...

P.S: admito que ouvir aquelas escutas é uma verdadeira comédia :-)
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De Pedro Correia a 18.04.2018 às 14:47

Sócrates é caso único, caro Robinson. A cicuta dele é o dinheiro.
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De Robinson Kanes a 18.04.2018 às 23:26

Desejava mesmo concordar consigo, era bom sinal :-)
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De Luís Lavoura a 18.04.2018 às 10:59

ele foi subindo os patamares do poder, degrau após degrau, sem que ninguém entre todos quantos o rodeavam aparentemente se apercebesse desta vida luxuosa de que fazia gala

É possível que, enquanto ele subia os degraus do poder, não levasse vida luxuosa. É possível que só tenha tido vida luxuosa depois de abandonar o poder.
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De Anónimo a 18.04.2018 às 19:39

...vá lá verificar esse remoque de candura retórica... - tenho a certeza que, enquanto PM, nas férias não ia para a Manta Rota, nem morou muito tempo em Massamá e umas "compritas" de 'trapitos" não eram feitas na Rua dos Fanqueiros ou na Massimo Dutti.... Eram já férias onde, como na canção, tinha o mote de "traz um amigo também" [isto para além de uma ou outra cachopa deslumbrada com fortunas de familia á conta de "Volfrâmio"]

Jorg
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De Anónimo a 18.04.2018 às 01:18

O Pedro Correia coloca a questão para a qual já sabe a resposta.
Eu diria que foi uma conjugação astrológica...

" Somos um país pequeno, com problemas sérios, e não podemos aderir a frentes débeis, só com o fim de proclamar que - brincamos às democracias "

WW

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De Pedro Correia a 18.04.2018 às 07:19

Anos e anos e anos a construir a imagem fictícia de um "pobre homem da província" que no entanto ostentava uma vida milionária com uma montanha de dinheiro de que não era titular.
Um mitómano? Um engenhoso burlão? Um indivíduo que se imaginava situado além de todos os parâmetros éticos?
Fico perplexo sobretudo com o silêncio ensurdecedor daqueles que estavam perto dele e sabiam, não podendo ignorar. E que no entanto calavam. E consentiam.
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De Luís Lavoura a 18.04.2018 às 11:05

Anos e anos e anos a construir a imagem fictícia de um "pobre homem da província" que no entanto ostentava uma vida milionária com uma montanha de dinheiro de que não era titular.

Mas durante esses "anos e anos" em que ele construiu a "imagem fictícia" ele já "ostentava uma vida milionária"? Quem lhe garante que ele não começou a ostentar essa vida somente depois desses "anos e anos"?
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De JS a 18.04.2018 às 01:21

"como foi possível ... ter sido durante seis anos primeiro-ministro de Portugal?".

É simples meu caro P. C.: O Sr. J. Socrates foi Secretário-geral do Partido Socialista, de Setembro de 2004 a Julho de 2011.
Nada de novo à altura e nada que não seja repetível, no presente e no futuro.
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De Pedro Correia a 18.04.2018 às 07:21

E ninguém viu nada? Ninguém ouviu nada? Ninguém sabia de nada? Não havia gente que estava com ele todos os dias, a todo o momento, e não estranhava nada disto - tanto dinheiro vivo, tanta nota bancária num incessante movimento leva-e-traz, tanta prodigalidade de gastos do "pobre homem da província"?
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De Anónimo a 18.04.2018 às 01:37

Mistérios.
Aqueles dinheiros saídos,parece que do mesmo cofre,entraram e voltaram a sair por tantas contas,com tantos nomes,que não se sabe como se não perderam.Mas perde-se a gente, a ideia talvez seja facilitar o nosso entendimento na crença de
que o dinheiro aparece sempre.Pelo menos a alguns.
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De Pedro Correia a 18.04.2018 às 07:23

Dinheiro vivo a entrar e sair pelas mais diversas vias e a viajar para as mais variadas tocas tem um nome, até para efeitos legais.
O que me espanta, acima de tudo, é a cumplicidade daqueles que ao longo dos anos nada viram, nada ouviram, nada testemunharam. Estavam sempre com a cara virada para o lado no momento em que as notas mudavam de mãos.
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De Vlad, o Emborcador a 18.04.2018 às 08:07

Nem mais. Há muita gente de fora.
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De Pedro Correia a 18.04.2018 às 14:49

Imensas cumplicidades jornalísticas também.
Quase todas desertaram no momento em que o homem bateu enfim com o queixo no chão. Arrumaram o stradivarius na caixa e foram tocar o instrumento para outro lado.
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De lucklucky a 18.04.2018 às 02:00

Por causa do mesmo jornalismo. Se Sócrates ainda fosse a esperança da esquerda atingir o poder veríamos o que sucede hoje com Lula.

Como António Costa, em tempos nº2 de Sócrates, o tornou inútil para a esquerda atingir o poder já se podem fazer reportagens. Já pode ser deitado para o lixo.
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De Pedro Correia a 18.04.2018 às 19:42

Não compare Sócrates com Costa.
Aliás Sócrates nem com Lula pode ser comparado.
É incomparável.
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De Jmc a 18.04.2018 às 07:54

Todos viram, sem que muitos quisessem ver. Sempre me repugnou a sua mania de grandiloquência, cenário clínico bem definido, potenciada por um profundo narcisismo. Isso explica alguns males por ele causados e, por isso, dediquei algum tempo a "bater-lhe". Agora que o animal feroz está ferido, já as lanças de vinagre abundam. Mas todo o espectáculo jurídico-mediático, desde a detenção de Sócrates até este corolário justiceiro, é outro sinal da degradação do país, essa mesma que tornou possível arrivistas enriqueceram dq noite para o dia. Passados estes anos todos, a investigação criminal e o Ministério Público continuam sem ter o trabalho feito, permitindo que se faça na praça pública o julgamento que não terá lugar nos tribunais. A minha aposta é que a montanha parará um rato, mais uma vez demonstrando a incompetência reinante no combate ao crime em Portugal, seja ela devido aos meios disponíveis, seja devido às dificuldades processuais. Uma coisa é certa, este não é o país que quero para mim.
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De Pedro Correia a 18.04.2018 às 14:52

Não sei o que é o "espectáculo jurídico-mediático".
Sei que a detenção por suspeita de corrupção de um ex-governante é notícia em qualquer país onde vigora a liberdade de imprensa e a censura está banida.
É assim no Brasil, na Coreia do Sul ou no Peru - só para mencionar países que viram recentemente ex-chefes do Estado forçados a demitirem-se ou presos devido a suspeitas desse género.

Já em países como a Turquia, a Rússia ou Cuba, por exemplo, não existe "espectáculo jurídico-mediático". Os jornalistas estão presos, exilados ou mortos.
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De jmc a 19.04.2018 às 00:14

Como não sabe o que é um "espectáculo jurídico-mediático", ajudo. Também estamos cá para isso.

"Espectáculo jurídico-mediático" é o que acontece quando as televisões estão à espera de filmar uma prisão, o que só pode ter acontecido porque alguém do meio judicial passou a informação.

Temos um "espectáculo jurídico-mediático" de cada vez que material em segredo de justiça, o que só acontece porque alguém do meio judicial selecciona criteriosamente informação para ser divulgada.

Assistimos ao "espectáculo jurídico-mediático" sempre que o Ministério Público faz na comunicação social o julgamento que não consegue realizar no tribunal.

Os jornalistas fazem o que devem fazer quando recebem informação. Se lhe pareceu que eu estava a procurar receitar-lhes uma rolha, bem que se enganou. Já a forma como a informação lhes chega, isso já é outra coisa. Nestas reportagens da SIC parece que divulgam material que não está em segredo de justiça. Mas são apenas a gota de água em toda a forma como este caso foi sendo plantado na comunicação social. Tem tanto de serviço público com a lapidação tem de julgamento.
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De Pedro Correia a 19.04.2018 às 00:30

Admiro o seu esforço como advogado oficioso de Sócrates. Mas está muito equivocado.

1. O jornalismo, neste caso, andou sempre à frente das autoridades judiciais. Aliás o processo só nasce devido a investigações jornalísticas - várias, desenvolvidas em simultâneo.

2. Não há qualquer registo filmado por nenhuma empresa jornalística da detenção de Sócrates, que foi feita no aeroporto de Lisboa, à saída de um voo proveniente de Paris.

3. Sempre que um rico ou um poderoso são alvos de processos judiciais, algo que era impensável até há poucos anos, logo se levanta o clamor: "Aqui d'el rei, que estão a violar o segredo de justiça." Como se esse suposto crime devesse pesar mais, na balança da opinião pública, do que as gravíssimas suspeitas de ilícitos penais que recaem sobre os tais visados.

4. Reconhece que esta competentíssima reportagem da SIC (autêntico serviço público feito por uma televisão privada) assentou em material que não se encontra abrangido pelo segredo de justiça - e que, de resto, apenas vincularia os agentes judiciais. Pois foi precisamente sobre esta reportagem que eu escrevi e não sobre nenhuma outra.

5. Claro que é mais inócuo e menos maçador para os políticos e os empresários e gestores suspeitos de terem praticado crimes gravíssimos que
as televisões preencham os seus serões apenas com o blablablá a propósito do futebol. Infelizmente, aliás, a regra é mesmo essa - dia após dia, semana após semana, mês após mês. Até por isso este trabalho dos repórteres da SIC merece registo. E aplauso.
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De jmc a 19.04.2018 às 00:42

Não se equivoque. Se precisar de referências, pode fazer arqueologia sobre o que escrevi sobre Sócrates. https://fliscorno.blogspot.pt

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De Pedro Correia a 19.04.2018 às 00:46

OK. Vou ler com atenção.
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De júlio farinha a 18.04.2018 às 07:56

Caro Pedro, o poder corrompe. A uns mais do que a outros. O que mais me impressionou foi ver como é que o homem mentia. Despudoradamente.
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De Pedro Correia a 18.04.2018 às 14:52

A uns mais que a outros, sim. A alguns, muito mais.
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De Vlad, o Emborcador a 18.04.2018 às 08:05

O homem é de tal forma um mitómano delirante que é até cómico vê -lo no seu próprio interrogatório assumir o papel de interrogador.

Mas penso que vai ser difícil provar muita coisa,nomeadamente a parte da Parque Escolar - onde havia uma administração e um júri que avaliava os projectos. O testemunho de Bataglia é insípido , desmentindo -o , Ricardo Salgado (palavra contra palavra ). Sócrates não aparece como titular das contas bancárias...a acusação parece-me frágil

Sócrates pode não ser Engenheiro mas é sumamente Engenhoso
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De Pedro Correia a 18.04.2018 às 08:16

Tudo isso dará certamente boa matéria de reflexão. Mas o que me sobressalta nisto é o retrato de um homem que chegou a ser o mais poderoso deste país e que punha e dispunha de uma fortuna aparentemente alheia, exibindo-se muito para além das suas posses nominais - a um nível que não podia ter deixado de causar perplexidade a muita gente que o rodeava e que no entanto agia como se tudo decorresse na perfeita normalidade.
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De Vlad, o Emborcador a 18.04.2018 às 08:12

O relator escreve ainda que o documento vai agora ser enviado ao Ministério Público, "por força de pedidos feitos à Comissão por autoridades judiciais". O envio do documento para as autoridades judiciais é um procedimento normal em comissões de inquérito.

O relatório defende que vários governantes do Executivo de José Sócrates e a administração das Estradas de Portugal devem ser responsabilizados pelas entidades competentes.

Entre os ex-governantes citados ao longo do relatório constam os nomes dos ex-ministros Teixeira dos Santos, Mário Lino e António Mendonça e dos ex-secretários de Estado, Costa Pina e Paulo Campos, assim como o do próprio ex-primeiro-ministro José Sócrates


http://expresso.sapo.pt/politica/relatorio-explosivo-das-ppp-aponta-o-dedo-a-governantes-socialistas=f814627#gs.mNXBEv0

http://www.cmjornal.pt/politica/detalhe/politicos-alvo-de-buscas-nas-ppp

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De rão arques a 18.04.2018 às 08:22

Em dimensão menos colorida a banda de herdeiros lá vai marchando alegremente, e nós a vê-los passar.
Tudo é possível.
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De Pedro Correia a 18.04.2018 às 19:30

Antes a banda do que o bando.

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