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Como eu gosto de ver a História

por Marta Spínola, em 28.09.18

Escrevi em tempo este texto. Reli-me e gostei de voltar a ser quem fui. 

 

No comboio, senta-se ao meu lado um homem que parece o meu antigo professor de Civilizações Clássicas. Quero ser um capitel, não me apetece conversar. Tudo o que tenho a dizer do curso, é que continuo a gostar de História, mas assumidamente mais para saber segredos e intrigalhada de alcova. Esta manhã, sou a porteira de Atenas.
Eu não fui uma aluna aplicada, Zeus sabe que não. Nesta cadeira, fiquei com um 16 graças a Esparta, aos bebés fortes que sobreviveram para terem o ventre roído por lobinhos, e ao mega-espartano que era Aquiles e eu venerei em papel. Ai, porque sim, nunca deixarei de ter 15 anos. Na altura, as Termópilas ainda não tinham o Butler como Leónidas, e já me faziam vibrar: In your face, Xerxes, filho de Dário! Não é bem in your face, que os persas ganharam, mas fica a ideia. E os gregos morreram livres, que era o big deal da altura. Mais ou menos isto.
Mais sobre porquê Esparta: sempre sonhei com a máquina do tempo. Na falta de mesma, tendo a transportar-me para tempos e lugares sobre os quais vou sabendo. Às terças pelas 8 (havia mais horas de Civilizações Clássicas, mas é mais fácil viajar no tempo com muito sono), seguia para a Grécia. Sendo mulher, não era uma emoção… mas sempre foi em Esparta que quis estar: entre zelar por bebés fortes que não sejam atirados de ravinas, ou recolher ao gineceu porque a rapaziada vai pensar e amar-se para a acrópole, não hesito.

O 16 à dita cadeira de Civilizações Clássicas veio muito – tenho tanto essa noção, já na altura tive – pelo elogio a Esparta que pus em página e meia. A manipulação da paixão de um professor, podiamos chamar-lhe. Ele também era team Esparta, e deixou-me perceber não só isso, como que a concordância era valorizada. Alinhei, não me custou muito.
Ainda da cadeira, Roma não foi a emoção que eu esperava: a quantidade alarve de informação sobre instituições, cônsules, pretores, senado e quejandos, fez-me perder a ansiedade pelo pão e circo. O meu professor não gostava de Roma, e disse-o em sala. Passei a não gostar dele. Tudo muito pedagógico, portanto.
Entretanto, o homem ao meu lado não era quem pensei. Mas saiu em Belém, o mesmo destino do meu professor naquela altura, e fico a pensar se já os clonam. Posso deixar de ser um capitel.


11 comentários

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De Pedro a 28.09.2018 às 15:46

Marta, Esparta era um regime totalitário em que as crianças eram tiradas aos pais e educadas em casernas, lançadas, aos 7anos, no mato, com um punhal apenas, tendo de roubar e matar para sobreviver - a agoge.

Porque será que a brutalidade nos fascina mais que temperança dos regimes livres? Admiramos sempre mais as SS nos seus uniformes Boss que os Aliados mal barbeados.
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De Marta Spínola a 28.09.2018 às 22:23

Porque não a praticamos? Não sei, eu gosto de saber, só isso. Também gosto de Atenas, mas este relato refere-se ao tempo da faculdade, quando estudar o lado físico de Esparta era mais simples.
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De Pedro a 28.09.2018 às 22:26

Ok, Marta
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De júlio farinha a 28.09.2018 às 22:06

Qualquer personagem supostamente civilizada põe na boca o credo do totalitarismo. Hegel era totalitário. Sabe o que é que isso significa? Arreda, paciência, o culto do individual absoluto. Esparta é digna de admiração porque foi forte. una na diversidade, e austera, sim.
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De Marta Spínola a 28.09.2018 às 22:24

Sim, era por aí a minha admiração.
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De Pedro a 28.09.2018 às 22:26

Hegel era um optimista quanto à capacidade da razão humana. A história não lhe deu razão.

Esparta era inimiga de Atenas , a Pátria do comércio livre e da democracia. Era um regime brutal tendo inspirado Hitler.
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De xico a 29.09.2018 às 15:52

Aquiles espartano? Como assim?
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De Marta Spínola a 29.09.2018 às 17:18

Não sendo espartano, Aquiles encarna bem o espírito.
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De xico a 30.09.2018 às 16:52

Qual espírito? O de menino birrento, mimado e indisciplinado? Que se entrega ao sofrimento por paixão amorosa do amigo, esquecendo o respeito aos mortos mesmo inimigos? Que só luta pelo seu interesse e glória e não pelo Povo? Não me parece! Mais espartano, sem o ser, é Heitor! Esse é o verdadeiro Herói!
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De júlio farinha a 29.09.2018 às 17:28

Como a minha net está um pouco marada, não sei se vou repetir o comentário que pensava ter enviado há minutos.

Pedro, a história precisa de tempo para se concretizar e é sinuosa. Não consigo avaliar em que é que Hegel se enganou. Ele foi um dialéctico e isso, para os pensadores mecanicistas, é um embaraço e uma confusão.
Finalmente, o inspirador não tem culpa nenhuma das más e fantasiosas inspirações dos outros. Hitler foi, infelizmente, levado a sério quando devia ter sido internado precocemente. Quanto a Esparta, confesso ser menos ateniense.
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De Pedro a 29.09.2018 às 17:40

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