Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Como é que se costuma dizer?

por José António Abreu, em 31.07.14

Quem contrai dívidas de 400 mil euros em seu nome junto de um banco arranja um problema a si próprio se não as conseguir pagar. Quem contrai dívidas de 400 milhões de euros em seu nome junto de um banco arranja um problema ao banco se não as conseguir pagar.

É mais ou menos isto. Mas agora também:

Quem contrai dívidas de 4 mil milhões de euros em nome do banco que dirige arranja um problema ao banco, ao governo e aos contribuintes se não as conseguir pagar.

E ainda:

Quem contrai dívidas de 140 mil milhões de euros em nome do país que dirige arranja um problema aos governos seguintes, aos bancos e aos contribuintes se… não, peço desculpa, neste caso a culpa é dos credores e o problema deve ser-lhes remetido via recusa de pagamento total ou parcial – um processo indolor, como se sabe (vide Argentina há uma dúzia de anos e, de novo, na noite passada).

Autoria e outros dados (tags, etc)


8 comentários

Sem imagem de perfil

De da Maia a 31.07.2014 às 22:28

Já quem contrai dívidas de biliões de dólares, como os EUA, não causa problema nenhum a ninguém. Simples.
Imagem de perfil

De José António Abreu a 01.08.2014 às 09:40

Pelo contrário: salva a economia mundial.
Sem imagem de perfil

De da Maia a 01.08.2014 às 15:46



A salvação dessa economia de caloteiros, assenta num princípio:
- Quem menos dívidas tem, é quem tem que pagar primeiro...

Se os EUA tivessem que pagar a sua dívida primeiro, salvava-se a economia de todos os outros. Assim, como nunca têm que pagar, salvam a deles, à conta de todos os outros… e surpresa - o dinheiro assim nunca acaba para eles.
Imagem de perfil

De José António Abreu a 01.08.2014 às 20:50

O dólar colapsaria se eles começassem a imprimir as quantidades necessárias para pagar a dívida. Mas suponho que ainda têm folga para um "enorme aumento de impostos"...
Sem imagem de perfil

De William Wallace a 01.08.2014 às 01:35

Penso que não faria mal nenhum referir o facto que 92% da divida da Argentina foi renegociada e está a ser paga, apenas 8% da divida não foi alvo de renegociação por oposição dos credores que exigem o total pagamento da mesma imediatamente apesar de terem sido SEMPRE ressarcidos dos juros da mesma.


http://money.cnn.com/2014/07/30/investing/argentina-default-deadline/index.html?iid=SF_BN_Lead&hpt=hp_bn1
Imagem de perfil

De José António Abreu a 01.08.2014 às 09:49

O texto não é exactamente sobre a crise argentina. Ainda assim, a situação que agora levou ao incumprimento foi causada pela própria Argentina: os contratos originais determinavam (por uma questão de credibilidade) que o tribunal competente era o de Nova Iorque e não tinham qualquer cláusula forçando os credores que recusassem a renegociação das dívidas nos termos propostos a aceitar os novos títulos desde que uma determinada percentagem de credores a aceitasse. Por outro lado, o governo argentino praticamente ignorou esta dívida e teve políticas de "crescimento" que fizeram regressar todos os efeitos que a paridade peso-dólar da década de 90 pretendia evitar.

A Argentina devia constituir um caso de estudo para Portugal: como nós, entrou em incumprimento com moeda própria e com moeda sobre a qual detinha poder limitado. Nenhuma solução é boa sem responsabilidade orçamental.
Imagem de perfil

De João André a 01.08.2014 às 08:35

Como sempre quando falamos de dívida, a questão é essencialmente uma: quem detém o poder? Se tivermos uma dívida de 400 mil ao banco, o banco detém o poder. Se tivermos uma dívida de 400 milhões somos nós que detemos o poder.

A dívida de 4 mil milhões é diferente. Foi atingida de forma ilegítima e, possivelmente, ilegal. Todos têm problemas: o banco, o devedor e os outros bancos que, provavelmente, emprestaram ao 1º banco para este poder emprestar ao devedor.

No caso da de 140 mil milhões a coisa complica-se ainda mais. Poderíamos dividir a coisa entre dívida legítima e ilegítima (ou odiosa). No segundo caso o ónus estaria em quem empresta. Emprestar o dinheiro a um estado sabendo que vai ser mal usado em corrupção ou simplesmente para consolidar poder (através de força ou comprando votos) é odioso. Nesses casos quem empresta tem que ser responsabilizado.

Já no caso de dívida legítima entramos num aspecto muito simples. O que é uma concessão de crédito? Um empréstimo de dinheiro que tem que ser ressarcido aconteça o que acontecer? Ou um investimento?

Uma vez que o crédito inclui juros, vejo-o como um investimento. O dinheiro é entregue hoje com a esperança de regressar em maior quantidade amanhã. É portanto baseado na esperança que dê lucro. Não vejo melhor forma de definir um investimento. Ora, investimentos têm riscos que não podem ser suportados apenas por uma das partes. Isso seria usura. Assim sendo, neste caso, além dos devedores (estado) também os credores têm que suportar parte dos riscos e, em caso de necessidade, aceitar perdas.

Moralmente não vejo forma de permitir que um credor não só tenha a sua dívida completamente protegida como, no caso de impossibilidade de incumprimento, acabe a conceder ainda mais dívida desta vez coberta com as garantias de outros. O caso argentino é muito suis generis e não lhe conheço detalhes suficientes, mas provavelmente passa, em parte, pelas situações descritas acima.
Imagem de perfil

De José António Abreu a 01.08.2014 às 10:25

O caso argentino não é assim tão sui generis : a crise de há uma dúzia de anos decorreu de gastos públicos excessivos não compensados com crescimento e da impossibilidade de desvalorizar a moeda (mais coisa, menos coisa, a nossa situação). A crise actual vem de efeitos das renegociações e do facto das políticas públicas da última dúzia de anos (as de sempre, lá como aqui) não terem permitido crescimento suficiente para compensar os efeitos negativos (défice público, inflação) e gerar receitas que permitissem pagar as dívidas remanescentes (não muito diferente da nossa situação dos anos 70 e 80, quando tínhamos escudo).

Mas, aceitando a tua versão de que os empréstimos são investimento e, por conseguinte, incluem riscos de perda de capital, quem define as perdas e qual o poder do credor? Nenhum? Ou seja, não pode exigir medidas que tendam a assegurar o pagamento das dívidas? E onde ficam os termos dos contratos assinados? É evidente que podem sempre ocorrer renegociações (no caso português, já ocorreram várias e ocorrerão mais) mas há uma diferença entre ir negociando alterações sem sobressaltos de maior e impor uma alteração brusca - que, no fundo, equivale a incumprimento, ainda que seja feita antes do dinheiro chegar ao fim. A situação agrava-se se, ainda por cima, precisares de mais dinheiro.

Comentar post



O nosso livro





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2017
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2016
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2015
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2014
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2013
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2012
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2011
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2010
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2009
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D