Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Como a globalização nos impede de sonhar

por Joana Nave, em 23.02.14

Há uns tempos fui a um hipermercado fazer umas compras rápidas e, ao percorrer apressadamente os corredores, destacou-se um expositor inserido no espaço gourmet, onde esplendorosas e reluzentes se exibiam umas dezenas de latas de chá da Mariage Frères. Fiquei surpresa e contente por encontrar disponível um produto que julgava só haver na própria Mariage Frères, ou Museu do Chá, em Paris. Pensei logo que poderia comprar mais latas, com diferentes variedades de chá para juntar à que adquiri na viagem que fiz à capital francesa. Porém, com o turbilhão de pensamentos outro sentimento se apoderou de mim, um que me fez até ficar triste, pois apercebi-me da falta de magia que há em toda a globalização. A ideia de irmos a um lugar distante, adquirir artigos que só existem nesse mesmo lugar, por fazerem parte da história, da cultura, das características da região, está completamente posta de lado. A descaracterização é crescente e fatal. É certo que traz para os que não viajam uma possibilidade única de tocar os pedacinhos que compõem o mundo, mas retira por completo a unicidade a quem viaja, a quem sente o cheiro de outras terras que não a sua. E o pior é que nos rouba os sonhos, porque materializa aquilo que antes só os livros e os filmes nos davam a conhecer.


19 comentários

Sem imagem de perfil

De Vento a 23.02.2014 às 23:45

Joana,
compre cá produtos nacionais. E quando viajar compre lá os da terrinha. Tá o problema resolvido.

Imagem de perfil

De Joana Nave a 24.02.2014 às 09:54

Nem mais, há que ser pragmático! ;-)
Sem imagem de perfil

De jj.amarante a 24.02.2014 às 01:21

Continua a haver muitas coisas que só podem ser apreciadas nos diferentes locais. E embora as lojas fiquem mais parecidas, a variedade disponível em cada local é muito maior. Há tanto tempo que os produtos andam em bolandas de um lado para o outro! Mesmo esse museu do chá é um produto da globalização, pelo seu raciocínio dever-se-ia ter que ir a uma região específica da China para adquirir esse produto!
Imagem de perfil

De Joana Nave a 24.02.2014 às 09:57

A globalização tem grandes vantagens e a difusão cultural é uma delas. Este meu desabafo reflecte a ambiguidade que eu própria sinto em relação a este tema.
Sem imagem de perfil

De Blondewithaphd a 24.02.2014 às 10:04

O que eu revejo o meu pensamento e percepção neste post: obrigada!
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 24.02.2014 às 12:35

Compreendendo o post, eu diria que é muito mais agradável dispôr dos produtos do que sonhar com eles.
Em recente viagem a Espanha comprei um pimentón espanhol muito bom. Preferiria poder comprá-lo cá em vez de ter que sonhar com uma próxima viagem a Espanha - que não sei se se realizará - para poder voltar a tê-lo.
É claro que esta disponibilidade internacional dos produtos é sobremaneira prejudicial para as pessoas que gostam de causar inveja aos outros com as viagens que realizam e os produtos que no decorrer delas adquirem. E é sabido que a inveja é um sentimento de extrema importância nas relações sociais dos portugueses.
Imagem de perfil

De Joana Nave a 24.02.2014 às 13:49

Sonhar faz bem à mente, desanuvia. De qualquer modo, entendo que o que nos faz falta é ter à mão o que realmente precisamos, não artigos que nos recordem viagens, mas os que melhoram os nossos dias.
Quanto à inveja, não me parece que seja um sentimento muito português, acho que é mais o dizer mal uns dos outros, só porque é mais fácil do que valorizar o que temos de bom, mas claro, são tudo meras opiniões.
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 24.02.2014 às 21:50

"..acho que é mais o dizer mal uns dos outros, só porque é mais fácil do que valorizar o que temos de bom..."

Ergo...incluí dizer mal da globalização só porque é mais fácil...do que valorizar...etc etc etc...
Imagem de perfil

De Joana Nave a 24.02.2014 às 23:17

Tem vantagens e desvantagens, como tudo na vida, e é sempre bom reflectirmos sobre elas para não concordarmos ou discordarmos de forma infundada.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 24.02.2014 às 12:37

Eu em Espanha comprei, por tuta e meia, uma espécie de sertã larga com buraquinhos no fundo que é ótima para assar castanhas. Já procurei cá e não encontrei nada igualmente prático. Parece que a globalização ainda não chegou aí.
Imagem de perfil

De Joana Nave a 24.02.2014 às 13:50

Parece que não...
Imagem de perfil

De Helena Sacadura Cabral a 24.02.2014 às 15:42

Luis
Vá à Polux ou à Vida Portuguesa - passe a publicidade - e lá encontra assadores de barro.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 24.02.2014 às 15:47

Sim, assadores em barro (e mais modernos em alumínio) encontram-se em qualquer lado. Mas ocupam imenso espaço numa cozinha, pois são volumosos. A sertã que eu tenho é muito mais maneirinha, pois é plana (é uma sertã, lá está).
Imagem de perfil

De cristof a 24.02.2014 às 20:22

eu tenho uma comprada cá e que até uso muito.
Imagem de perfil

De cristof a 24.02.2014 às 20:28

bem certeiro. Senti omesmo quando voltei a uma cidade alemã onde comprava artigos quenem imaginava quehouvesse e agora uns anitos(15)voltei entusiamado e encontrei a rua cheia combeneton, Zara.. que tenho a cinco minutos a pé da minha casa. deu-me uma tristeza tão grande que estava desejoso de voltar para o meu maravilhoso sol e praia.esse sim por mais que se pintem nunca vão ter igual ao que eu tenho aqui, povoado por estes casmurros de quem eupasso a vida a dizer mal mas que não troco por outros (só os governantes é que não me importava que fossem alemaes).
Imagem de perfil

De Joana Nave a 24.02.2014 às 23:23

Muito bem, é isso mesmo, concordo a 100%. Que nos inundem com a globalização, que nos insultem por sermos pequeninos, mas que não nos roubem o sol e a alegria de viver que são a marca do nosso povo, aquele que por esse mundo fora fez grande e fez história.
Sem imagem de perfil

De José Luis Tavares a 25.02.2014 às 15:13

Discurso mais snob que li nos últimos tempos.
Imagem de perfil

De Joana Nave a 26.02.2014 às 13:59

Todos os comentários são bem vindos, mas fica a rectificação que não escrevo em discurso mas sim em crónica, que tem o tom adequado ao que quero provocar, nomeadamente, controvérsia. Missão cumprida! ;-)

Comentar post



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D