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Comentar primeiro e ouvir depois

por Pedro Correia, em 04.05.17

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Duas horas e meia de debate vivo e fracturante entre Emmanuel Macron e Marine Le Pen: quem o acompanhou do princípio ao fim, ontem à noite, não deu o tempo por mal empregue. Infelizmente, os três canais portugueses de notícias foram incapazes de proporcionar a transmissão integral aos seus telespectadores.

A TVI 24 – seguindo obsessivamente os critérios editoriais da generalista CMTV – ignorou o assunto, optando pela muleta de sempre: o futebol.

A RTP3 – ignorando as suas obrigações de serviço público – transmitiu a primeira hora mas também ela preferiu dar prioridade ao enésimo bate-boca sobre bola, monotema da “informação” televisiva portuguesa que nos aproxima muito mais do Terceiro Mundo do que da União Europeia em que estamos integrados.

A SIC Notícias, de resto imitada pelo canal público, foi ainda mais original: interrompeu a transmissão, substituindo-a pelos inevitáveis painéis de comentadores, que assim fizeram o “balanço” do debate quando ainda nem metade tinha decorrido.

Há-de chegar o tempo em que o “balanço” é feito não a meio mas logo no início, para poupar tempo: os tudólogos de turno avançam para estúdio no minuto zero, prontos a comentar o que não viram nem ouviram sem jamais lhes falhar a verve. Eles podem não fazer a menor ideia sobre o que estão a falar, mas nós não duvidamos que eles são a forma mais barata de preencher tempo de antena com coisa nenhuma.

E siga para bingo. Quero dizer: para futebol.


20 comentários

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De sampy a 04.05.2017 às 09:02

Ontem foi uma noite dramática para a França.
Falo, claro, do futebol.
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De Pedro Correia a 04.05.2017 às 10:48

O nosso Leonardo Jardim que o diga.
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De sampy a 04.05.2017 às 09:11

Os media gauleses, esta manhã: escandalizados com a brutalidade, desiludidos com as audiências.
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De Pedro Correia a 04.05.2017 às 10:48

Escandalizam-se com pouco.
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De sampy a 04.05.2017 às 19:26

A sorte dos franceses é que a Le Pen nunca deve ter visto o Pedro Guerra a comentar bola...
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De Luís Lavoura a 04.05.2017 às 09:16

Eu consideraria ridículo que um canal qualquer português transmitisse na íntegra o debate. Primeiro, porque o debate se destina basicamente aos eleitores franceses. Segundo, porque o debate ocorre numa língua que a maioria dos portugueses não entende.
Entendamo-nos, as eleições francesas são isso mesmo: francesas. Não são portuguesas, nem nós votamos nelas. O debate é feito para esclarecimento de quem nelas vota. Não para nós.
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De Pedro Correia a 04.05.2017 às 10:56

A França é a quinta economia mundial, a segunda potência económica europeia.
Em França vivem 600 mil portugueses.
A questão da língua não se põe, como você devia saber, dada a tradução em simultâneo a que os canais de TV recorrem.
Acontece que aqueles que dominam o francês, como eu, puderam acompanhar o debate num canal informativo francês por cabo. Todos os outros foram discriminados pelos canais de "notícias", que gostam de dizer que são janelas abertas sobre o mundo mas ignoram o mundo por sistema.
Ainda por cima não por imperativos de reportagem de última hora. Foi só para dar lugar ao enésimo bate-boca da semana sobre as tricas da bola.
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De Barão Marquês a 04.05.2017 às 11:02

E as eleições americanas são isso mesmo, Americanas. Como os copiados programas televisivos de fora são estrangeiros.
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De Pedro Correia a 04.05.2017 às 11:20

Se não fosse a bola, as televisões portuguesas falariam ainda mais com sotaque americano.
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De V. a 04.05.2017 às 09:59

Vi na TV5 em Francês (tenho jeito para línguas mortas, que pêut-je faire, in illo tempore, habeas corpus) mas aposto que a voice-over dos jornalistas da SIC e da RTP era interpretativa: má e fininha para Le Pen (que tem uma voz grave e tenta falar num tom macio para mitigar a fúria interior) e doce e intelectual para Macron (que tem voz de carneiro macrobiótico e não convence ninguém).
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De Pedro Correia a 04.05.2017 às 11:00

Acompanhei também a emissão francesa.
Quem não domina o idioma, na melhor das hipóteses, só pôde seguir 40% do debate - aquilo que SIC N e RTP 3 se dignaram transmitir. E ouviu os comentários dos tudólogos, antecipando conclusões de um frente-a-frente que não tinha chegado sequer a meio.
Nunca tinha visto nada assim. Estão sempre a inovar.
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De V. a 04.05.2017 às 12:22

Gostei especialmente dos jornalistas moderadores. Pareceu-me que se limitaram a colocar perguntas idênticas aos dois candidatos, sem interferências e interpretações sobre que "pensam os franceses" como quase de certeza fariam por cá. Não imagino a caríssima Judite de Sousa ou o caríssimo José Alberto a colocar perguntas de forma isenta sem um posicionamento do bem contra o mal como fazem normalmente através de um léxico já carregado de intenções.
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De Pedro Correia a 04.05.2017 às 18:12

Temos felizmente jornalistas muito competentes e bem preparados para debates deste género. Clara de Sousa ou Rodrigo Guedes de Carvalho, só para mencionar dois exemplos, fariam certamente bom trabalho - como aliás já demonstraram.
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De V. a 05.05.2017 às 02:15

Sem dúvida, mas tanto RGC como CS introduzem ironia nas questões de um modo sinaliza o desvio ao "correcto". Tal como a outra rapariga que entrevistava Marques Mendes: além de se notar que estava a fazer um frete, fazia sempre perguntas de forma torta e obrigava o "facho" a responder de forma aceitável. Daí uma crónica que apareceu no outro dia a dizer que os comentadores são todos de esquerda mesmo os que são de direita, porque se conformam à moral da esquerda.
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De Barão Marquês a 04.05.2017 às 10:38

O medo que nos tolhe com que a comunicação nos encolhe. Só um pormenor aflitivo nunca ou raramente utilizado nas coisas da bola. O sistemático bombardeamento de um convidado em assuntos enriquecedores com o fatal e nada diplomático, "muito rapidamente".
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De Pedro Correia a 04.05.2017 às 11:01

Só para pôr fim ao parlapié da bola nunca há pressa.
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De sampy a 04.05.2017 às 12:53

O desinteresse das nossas TV's é também sintoma dessa humilhação de que falava VPV na sua última crónica.

Por outro lado, também sinal dos tempos, pela primeira vez o debate presidencial francês teve honra de transmissão em directo na Alemanha...
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De Pedro Correia a 04.05.2017 às 18:13

Não sabia. E é justamente um revelador sinal dos tempos.
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De Mr. Vertigo a 05.05.2017 às 10:08

Gostei de ver o debate na TV5 Monde, embora se tenha revelado o pior dos que vi até hoje. Mas o que nos ofereceram os canais generalistas foi uma verdadeira vergonha! Por isso aqui deixo a sugestão de transmitirem um desafio de futebol com dois dos candidatos ao título e oferecerem apenas 70 minutos do jogo e passarem a emitir um programa sobre comidinha!
Qual seria o comportamento das tão amadas audiências? Ou será que ao não darem o debate na totalidade teve a ver com o tão amado share?
Cordialmente
Mr. Vertigo

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