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Começou

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.08.19

Estava esta manhã no The Standard. Depois confirmei-o.

Quando um país de 1400 milhões, com um Partido Comunista de 87 milhões de militantes, que governa com pulso de ferro, sem oposição e apoiado num dos maiores e mais sofisticados aparelhos de repressão à escala mundial, precisa de prender um miúdo de 22 anos que ainda há poucas semanas foi libertado da prisão, isso deve querer dizer alguma coisa.

As manifestações da Frente Cívica programadas para o próximo fim-de-semana foram proibidas, a guarnição do Exército Popular de Libertação mudou, e a ameaça de serem colocadas em vigor as leis de emergência do tempo colonial, que serviram para lidar com a crise de 1967, subsequente aos acontecimentos do Star Ferry do ano anterior, volta a estar na ordem do dia. 

Em 1967 morreram 51, pelo que se o objectivo for o de chegar a 1 de Outubro, quando se celebrarem os 70 anos da RPC, com tudo tingido de vermelho ou na prisão, então a estratégia deverá estar certa

A falta de liderança, de bom senso e de inteligência política pagam-se muito caro. Em qualquer lado. E levam décadas a recuperar.

 

(Actualização: Começou e não vai parar tão cedo)


11 comentários

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De Hugo Marinho a 30.08.2019 às 08:07

Bem a propósito

https://www.reuters.com/article/us-hongkong-protests-china-exclusive/exclusive-amid-crisis-china-rejected-hong-kong-plan-to-appease-protesters-sources-idUSKCN1VK0H6?il=0&utm_medium=Social&utm_source=twitter
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De Pedro Correia a 30.08.2019 às 09:47

Tempos difíceis em Hong Kong (e, por óbvia analogia, em Macau também).

Por cá, nem um sussurro. Anda tudo tão preocupado com o "aquecimento global" que não há tempo para minúcias como esta - a violenta repressão dos direitos cívicos num território que até 2047, segundo os acordos estabelecidos em 1984, permanece sob especial vigilância das Nações Unidas na salvaguarda dos direitos, liberdades e garantias.

Nunca é de mais recordar que os instrumentos de ratificação da Declaração Conjunta Sino-Britânica foram depositados na ONU. E que o Reino Unido, como signatário deste documento, tem especiais deveres de escrutínio do cumprimento do acordo que assinou (o mesmo acontece com o Governo português em relação a Macau).

'No pasa nada.' Daqui a poucos dias, a delegação do "partido irmão" que governa a China com punho de ferro há 70 anos, ininterruptamente, será ovacionada na Festa do Avante pelos camaradas portugueses. Ironicamente, em nome do "combate ao capitalismo".
Marx devia dar muitas voltas na tumba se testemunhasse como estes seus herdeiros do século XXI lhe conspurcam o legado.
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De Vorph Valknut a 30.08.2019 às 09:58

Entretanto há, aparentemente, quem berre contra a Venezuela com o propósito de pouco se fazerem ouvir os que protestam contra a China. Em que diferem politicamente um e outro país (a China é bem pior do que a Venezuela. Quantos milhões já desapareceram, morreram, por motivos políticos desde os tempos de Mao? ) ? Porque não se adoptam as mesmas medidas, os mesmos embargos, que foram implementados contra Cuba, Venezuela, Síria, Rússia, Irão ? Terá razão Bolsonaro filho quando afirma que diplomacia sem arma é como música sem instrumento?

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De Pedro Correia a 30.08.2019 às 16:29

Protestar contra a Venezuela não implica que se deixe de protestar contra a China - e vice-versa.
Muito pelo contrário. Afirmar que o regime venezuelano não cumpre os mínimos exigíveis de respeito da mais elementar decência humana, já no patamar da própria sobrevivência, implica - e exige - um olhar vigilante, e sempre crítico, em relação a todos os regimes ditatoriais que subsistem no planeta.
Tenham o rótulo ideológico que tiverem.
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De Vorph Valknut a 30.08.2019 às 09:49

Porque razão não se decretam, para a China, as mesmas medidas punitivas, em nome do povo chinês, da democracia, e dos direitos humanos, que foram decretadas contra a Venezuela, Cuba, Síria, ou Rússia ?
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De JgMenos a 30.08.2019 às 10:53

A China é o único país em estado avançado num projecto consistente de implementação do 'corretês'.

Por cá o processo está nos primeiros estádios de implementação, fase dita democrática.
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De Vento a 30.08.2019 às 12:17

Estou convencido que as prisões não passam de meras medidas intimatórias, e em menos de 1 mês os prisioneiros serão libertados.

Hong Kong é a terceira praça financeira mundial. Os chineses para terem acesso ao mercado de capitais necessitam dessa praça. As suas necessidades estão relacionadas com os dólares que sustentam a sua economia e é a principal moeda económica. Paralelamente eles verão que a diminuição do fluxo desta moeda acarretará sérios prejuízos não só para as suas transacções como até mesmo nos créditos que têm em relação aos USA.

A China não tem muitas alternativas.
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De Vorph Valknut a 30.08.2019 às 13:18

Sim, a China tem uma vasta experiência em libertar, mas sobretudo fazer desaparecer os contestários do regime. Eu pensava ser a China detentora de grande parte da dívida americana, e o país com as maiores reservas em dólares, e em ouro, com o potencial para controlar/manipular o fluxo de dita divisa. Quanto ao acesso, chinês, aos capitais , lembro o Banco Asiático de Investimento.

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De Vento a 30.08.2019 às 20:58

O Banco Asiático não é alternativa ao que mencionei. Pretende-se como alternativa ao Banco Mundial, mas nenhum destes controla os fluxos de capitais.

"Eu pensava ser a China detentora de grande parte da dívida americana, e o país com as maiores reservas em dólares", pois é. E vai manipular a seu desfavor?
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De V. a 30.08.2019 às 12:40

Acho que falta aqui uma certa perspectiva histórica: quando é que a China ao longo de 4 mil anos foi alguma vez diferente do que está a ser agora?

Aliás, o que é verdadeiramente novo é o tempo que estão a demorar para resolver um problema que vão acabar por resolver como resolvem todos os problemas deste género.
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De Vorph Valknut a 30.08.2019 às 13:23

Nem mais. Não existissem telemóveis e não fosse aquilo uma ex-colónia britânica e já os contestários estavam pacificados à boa maneira chinesa. Num qualquer campo de reeducação ou com uma bala na nuca.

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