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Começar bem

por Pedro Correia, em 09.11.15

Na sua estreia parlamentar, o deputado socialista Paulo Trigo Pereira - já por várias vezes mencionado neste blogue - protagonizou hoje o melhor momento do debate do programa do XX Governo Constitucional.

Bastou-lhe dizer no início da sua intervenção estas palavras de tão rara ressonância no hemiciclo:

"Cada um de nós tem de dignificar esta casa da democracia e respeitar a opinião - seja ela qual for - dos nossos colegas ou adversários políticos. Temos de requalificar a política e a democracia."

Começou bem. De tal maneira que me apeteceu de imediato registá-las aqui.


22 comentários

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De José António Abreu a 09.11.2015 às 19:10

Infelizmente, logo a seguir deixou uma pergunta perfeitamente demagógica, que deveria envergonhar um economista (por que razão aumentou a dívida entre 2011 e 2015).
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De Pedro Correia a 09.11.2015 às 19:15

Eu prefiro ver o copo meio cheio, José António. Fiquei-me, portanto, pelas palavras iniciais.
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De Costa a 09.11.2015 às 19:39

Mesmo com o ocasional momento de rebeldia, e cabe perguntar se o não será antecipadamente conhecido e autorizado em substância e medida, por questão de liturgia e imagem, aquele é um emprego fantástico e que se não põe em risco facilmente.

Na votação, na coragem (que nem deveria ter que ser invocada) de furar essa iniquidade chamada disciplina de voto, perante essa outra à beira de se consumar, se verá dessa dignidade.

Costa
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De Pedro Correia a 09.11.2015 às 21:05

A disciplina de voto é fundamental em quatro momentos cruciais: moções de censura, de rejeição e de confiança, e votação dos orçamentos do estado.
Sem ela, a democracia virava bagunça. Ficando hipotecada às manobras de barganha com deputados como o limiano, de má memória.
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De Costa a 09.11.2015 às 22:03

Terá razão, nisso que escreve: a realidade amiúde violenta os princípios, para subsistir. Sendo certo que a disciplina de voto, imposta como valor em si mesmo, me parecerá sempre uma de duas coisas: um insulto à consciência dos deputados (e de quem neles votou, coisa, parece, crescentemente irrelevante) e/ou um mecanismo intrinsecamente indecente, mas justificado pelo potencial de indecência existente nos senhores e senhoras deputados da Nação. Só que isso de deixar os directórios partidários - logo essas entidades... - decidir da honestidade dos seus deputados...

E em todo o caso, meu caro, a iniquidade do caso presente não é da dimensão de um limiano: é de toda uma fábrica de queijos. E promovida por directórios.

Costa

Ps: claro que tudo o que escrevo acima, certo ou errado, vai apenas até ao PS (ou ia). Daí para a esquerda a noção de autonomia, de vontade, individual é não só inexistente como (a manifestar-se) susceptível de implacável procedimento penal.

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De Pedro Correia a 10.11.2015 às 12:56

Em questões de consciência, os dois principais partidos têm reconhecido liberdade de voto aos seus deputados. É algo que merece ser assinalado.
Lembro-me, por exemplo, de Rui Rio, Pacheco Pereira e José Silva Marques terem votado na questão do aborto em aberta dissonância face à maioria da opinião da bancada social-democrata. E de, na mesma altura e sobre a mesma matéria, deputados socialistas como Eurico Figueiredo, António Braga, José Junqueiro e Miguel Ginestal também se terem demarcado da opinião dominante entre os seus pares. E assim ficou traduzido nos votos parlamentares.
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De Luís Lavoura a 10.11.2015 às 09:01

deixou uma pergunta perfeitamente demagógica, que deveria envergonhar um economista (por que razão aumentou a dívida entre 2011 e 2015)

Pelo contrário, eu acho que essa é uma pergunta muito válida.

(Mas não sou economista.)
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De IsabelPS a 10.11.2015 às 10:05

Eu também não sou economista. Mas é possível diminuir a dívida sem eliminar o défice?
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De Luís Lavoura a 10.11.2015 às 10:18

é possível diminuir a dívida sem eliminar o défice?

É. Se a ecoomia do país crescer mais do que a dívida, a razão entre a dívida e o PIB (o PIB é o tamaho da economia) decresce. E essa razão é o que importa, porque a dimensão do PIB fornece, implicitamente, a dimensão dos impostos que o Estado é capaz de cobrar para com eles pagar a dívida.

De facto, é isto que em geral acontece: a dívida cresce em valor absoluto, porém, como a economia cresce ainda mais, não faz mal que a dívida cresça.

Portanto, a pergunta de Paulo Trigo Pereira pode (e deve) ser reestruturada da seguinte forma: por que é que entre 2011 e 2015 a dívida cresceu mas a economia não?
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De isa a 09.11.2015 às 20:35

Leu a entrevista no Jornal de Negócios?
"Paulo Trigo Pereira, professor do ISEG, considera que "teoricamente", a dívida da República Portuguesa pode ser sustentável. No entanto, seria necessário que conseguíssemos financiar-nos às taxas de juro que temos hoje, ter excedentes primários próximos de 4% do PIB, um crescimento do PIB nunca abaixo de 1,7% e uma inflação de 2%. Mais: seriam necessárias reformas em várias áreas fundamentais, como a Segurança Social, emprego público e empresas públicas.
Conclusão: na prática, isto não é exequível. "Na prática, a sustentabilidade da dívida pública não existe", sublinhou o professor do ISEG."

Quanto às taxas de juro que temos hoje, já começaram a aumentar com a m... (apetece dizer um palavrão)...mixórdia... do Costa.
Quanto a continuar a alimentar "burros a pão-de-ló", especialmente manter Empresas públicas que só dão prejuízo porque o Estado não tem competência para gerir nada, só tem competência para lá enfiar os seus boys, claro que assim, na prática fica impossível. Querem a TAP, os transportes públicos,... com o povinho a pagar as constantes injeções de dinheiro, por só darem prejuízo. Como gostariam os trabalhadores do privado, trabalhar numa empresa que nunca vai à falência e até podem fazer mais de 1000 greves num ano, como foi no setor dos Transportes e, têm tudo quanto querem.
Eu sei do que eles estão à espera, como o disse João Cravinho... "Vários países não vão ser capazes de cumprir o Tratado Orçamental. Nem Itália, nem França, provavelmente nem Espanha. Teremos de enfrentar este problema no âmbito da União Europeia."

Mas aqui é que reside o problema, se não formos aguentando as contas, ainda rebentamos primeiro e acontece o que disse João Duque "comparando a situação portuguesa à de um búfalo que se afasta da manada e pode ser comido por predadores."
Situação que uma grande parte dos portugueses pensa ser, apenas, tomar mais um chazinho com a Troika.
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De Pedro Correia a 09.11.2015 às 21:03

Não li essa entrevista, Isa. E sobre esses temas - todos eles - tenciono pronunciar-me aqui. Na linha do que tenho feito.
Por agora quis apenas registar aquelas palavras. Que ficam para memória futura.
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De William Wallace a 10.11.2015 às 06:53

Isa em relação á sustentabilidade da divida e dos seus juros não disponho de dados ou informação que me permitam fazer um juízo sobre a viabilidade do seu pagamento, não podemos esquecer que a maior divida está no sector privado mesmo tendo em conta que muita dela tem passado sucessivamente para o Estado por meios no mínimo discutíveis para não dizer mais.

Quanto á gestão do Estado ser má e as dos privados boa, o que não falta são exemplos contrários, quando muito poderei concordar que os privados dispõem de ferramentas decisórias que lhes permitem uma gestão mais rápida e possivelmente eficaz em determinados contextos. Se reparar os grandes cancros da nossa economia estão na Banca que deveria ser o supra sumo da gestão eficaz, outro ponto é que quando se decidiu avançar para a privatização da EDP, GALP, CTT, PT (e outras) essas empresas começaram logo a serem bem geridas e a apresentarem lucros que as tornassem apetecíveis Por exemplo temos o caso da PT, assim que o Estado foi obrigado por Bruxelas a prescindir da golden share que lhe permitia bloquear eventuais erros de gestão (neste caso foram crimes) aquilo virou o " TEXAS " e a PT como a conhecemos acabou em 6 anos, de empresa líder a nível mundial passou a uma mera gestora de uma fatia do mercado interno português com tendência a definhar ainda mais embora eu pela parte que me toca continue fiel pelo menos enquanto o serviço se mantiver dentro de padrões razoáveis e não me queiram enganar com falsas promoções.

Em relação ao Dr. João Duque a analogia que faz até pode ser correcta mas eu pergunto se matar um animal indefeso e doente não será pior para os predadores, devo no entanto ressalvar que esse senhor também foi enganado e bem pelo DDT, aliás muitos foram enganados mas o problema principal não foi e não é esse, o problema principal reside no facto de que se aparecesse alguém em tempo útil a dizer o contrário (que aquilo já tava tudo lixado) provavelmente ia parar á cadeia.
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De isa a 10.11.2015 às 10:59

Deve ter reparado que, em muitos dos meus comentários eu faço referência ao maior problema que agrava, todos os outros e, não há nenhuma teoria perfeita que possa sobrevier a ele... a natureza humana ;)
Ainda agora, deixei um comentário em resposta ao da Maia, no poste - Comentário da Semana de 08/11/15 do Pedro Correia... onde tentei, no limite, do espaço, falar mais uma vez, da natureza humana ;)
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De William Wallace a 10.11.2015 às 17:06

O problema da Natureza Humana é infinito nas questões que encerra por isso existe civilização, leis, códigos de conduta, normas a observar, o problema reside no facto de esses vernizes que nos aplicam estalarem facilmente, acontecendo isso mais depressa em períodos difíceis da humanidade dai a necessidade que as elites têm de controlar as massas. Hoje pensar diferente e sobretudo agir diferente é um comportamento considerado desviante, tudo o que não seja movido pelo ego individualista, baseado no hedonismo pessoal é encarado como doença, pois é através dessa desenfreada competição entre pares que continua a florescer uma das ideias clássicas de controle que é dividir para reinar.
As leis continuam subvertidas, aliás elas são feitas com alçapões á medida dos interesses de alguns sendo por aí que se pode começar a melhorar no entanto pelo que vejo os exemplos que vêm do topo são cada vez piores e são esses exemplos que são usados como justificação para os desvios de carácter "menores" praticados na amalgama das massas. O equilíbrio entre as liberdades individuais e colectivas está subvertido em muitos aspectos e os ditos "progressistas nos costumes" nem disso se apercebem mas isso levar-nos-ia ainda mais longe.
Pela parte que me toca tento ser fiel a alguns princípios que me foram transmitidos e ensinados e já me dou por contente, já desisti de tentar educar o próximo sobretudo porque ninguém gosta de sabichões que ainda por cima fundamentam solidamente aquilo que defendem e tentam praticar.
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De Pedro Correia a 16.11.2015 às 13:55

O seu comentário parece-me incompleto. Falta a tradicional citação final.
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De Anónimo a 09.11.2015 às 21:34

Estão loucos pela TAP

A TAP para quê? mas que cancro salazarista/colonialista/saudosista/inútil/prejudicial tinhamos que herdar!
A TAP ninguem a quer, nem dada!

Que estúpida esta gente!
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De Democracia avançada já a 09.11.2015 às 23:13

Votar de pé,punho no ar e unanimidade de acordo com o secretário geral.
É o futuro.
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De Luís Lavoura a 10.11.2015 às 08:59

Em compensação, o deputado do PAN estreou-se pessimamente, com a sugestão de que deveriam ser atribuídos benefícios fiscais a quem tivesse animais de companhia.
Mais valia não ter sido eleito.
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De IsabelPS a 10.11.2015 às 10:07

Obviamente, não é o que pensam as pessoas que nele votaram.
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De Luís Lavoura a 10.11.2015 às 10:20

Talvez, não sabemos. Se calhar as pessoas que nele votaram já se arrependeram, a esta hora, de o ter feito.

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