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Com a ortografia eu não brinco.

por Luís Menezes Leitão, em 13.05.15

Parece que hoje é o dia em que tencionam tornar obrigatória a utilização do inenarrável "acordês", que um grupo de ignorantes, que se julgam iluminados, quis impor à força aos portugueses. Pela minha parte tenciono exercer o meu direito de resistência e continuarei a escrever até à morte no português que os meus saudosos professores me ensinaram desde criança. Porque o resultado desta imbecilidade está à vista neste anúncio. O grupo Optivisão agora acha-se "o maior grupo ótico português". Talvez o referido "grupo ótico" devesse saber que, em português, "ótico", como qualquer dicionário lhe pode informar, é respeitante ao ouvido. Se se quiser falar da visão, diz-se antes "óptico". Ora, parece-me que qualquer empresa deveria saber, antes de tudo, a actividade a que se dedica, e não anunciar disparates. De facto, há coisas com que não se brinca.


5 comentários

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De Luís Lavoura a 13.05.2015 às 11:13

um grupo de ignorantes quis impor à força aos portugueses

Ouvi no outro dia na rádio um dos filologistas que arquitetou o Acordo. O homem era um professor catedrático da Faculdade de Letras. Ignorante não era, certamente.

O Luís M. L. pode não estar de acordo com a nova ortografia, mas é incorreto chamar "ignorantes" aos que a arquitetaram. Eles percebem bem mais da matéria do que o Luís.
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De Luís Menezes Leitão a 13.05.2015 às 12:01

É ignorante quem ignora a importância da etimologia das palavras para a ortografia, querendo usar exclusivamente a pronúncia. Mostra não saber o que é de facto a ortografia. E só em Portugal é que isto seria possível. Nenhum outro país aceitaria andar a suprimir consoantes apenas porque não surgem na pronúncia. Os ingleses continuam a escrever "doubt" apesar de não pronunciarem o "b". E os canadianos escrevem "Toronto" apesar de dizerem "Torono". E os franceses quase nunca pronunciam as consoantes finais das suas palavras. "Dupont" e "Dupond" só se distinguem na escrita. Cairia o Carmo e a Trindade desses países se alguém se lembrasse de propor a abolição das consoantes mudas. Só em Portugal, como bem diz o Sérgio Almeida Correia, é que somos absolutamente servis. Inclusivamente ao disparate e à ignorância.
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De Luís Lavoura a 13.05.2015 às 13:15

O seu mal é que, como línguas estrangeiras, só conhece o inglês e o francês. Se conhecesse outras - o castelhano, o italiano, o alemão, o polaco - veria que em todas elas, sem exceção, as palavras se lêem como se escrevem e não há letras mudas.
O inglês e o francês são exceções, não são regras.
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De Maria Sousa a 19.05.2015 às 18:23

O Alemão poderá ter uma grafia mais próxima da fonética, mas nem por isso deixa de ter as suas particularidades. Na palavra Wald, por exemplo, o d é pronunciado como t, mas no plural (Wälder) já é pronunciado como d. No caso de Buch, o ch corresponde a um r gutural, mas no plural (Bücher) o ch corresponde a um som ch suave não existente na nossa língua. O ch tem ainda outras diferentes formas de pronunciar, o que torna a língua também difícil de aprender para o estudante estrangeiro. Há ainda a existência de ditongos escritos de forma diferente mas com pronúncias iguais, nomeadamente eu/äu e ei/ai. O h no início das palavras é pronunciado, mas "isolado" no meio da palavra tem uma função mais ou menos diacrítica. Trata-se, mais precisamente, de um Dehnungszeichen (Drohung, ziehen, etc.), destinado a alongar a combinação anterior (ie). Já sozinho no fim das palavras não é pronunciado (por exemplo, Vieh, nah, roh, etc.). Já palavras com consoantes duplas não distintivas são o pão nosso de cada dia em Alemão e poderiam ser simplificadas. Em vez disso, a reforma levada a cabo nos anos 90 optou por voltar a introduzir lógica (!) em palavras onde antes faltava. Assim, palavras compostas, em que o primeiro membro aglutinado terminava em ff (Schiff) e o segundo começava por f (Fahrt) ou ss (Fluss) e o segundo por s (Spannung), viram a sua grafia ser alterada de Schiffahrt para Schifffahrt e Flusspannung para Flussspannung, respectivamente. Curiosamente, naquilo que seria mais fácil mexer, ou seja, a grafia dos substantivos e verbos substantivados com minúscula em vez de maiúscula, não se mexeu. A polémica foi tal que finalmente 10 anos depois da entrada em vigor da dita reforma, vários aspectos da reforma foram anulados na sequência do parecer elaborado por um conselho criado para analisar a situação da língua, formado por pessoas, que incluíam, entre outros, linguistas, escritores, professores e pais. Pena que, por cá, não se aprenda com os erros dos outros.
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De Luís Lavoura a 21.05.2015 às 09:40

Não necessita de me ensinar alemão, que é língua que conheço. Os exemplos que referiu (Buch, Buecher, Wald, Waelder, etc) obedecem todos eles a regras simples e claras de leitura. São regras, não são exceções - que o alemão também as tem, e não são poucas.
Repito que em alemão não há consoantes mudas nem letras que não se sabe se são para ler se não são, como na grafia antiga do português (em que o c não se lê em "tecto" mas já se lê em "pacto", o p não se lê em "assímptota" mas já se lê em "captar").

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