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Com a Bíblia

por jpt, em 20.05.19

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("Violando a Bíblia", na Ilha do Tesouro de Robert Louis Stevenson)

Ainda que incréu nutro o maior respeito pela fé alheia. Tendo sido alfabetizado ainda mais saúdo aqueles que seguem o(s) Bom(ns) Livro(s). Mas com a idade cada vez mais me custa aturar os fanáticos, os que interpretam o(s) tal(is) livro(s) à letra: aqueles dos islâmicos que em ânsias de cortar as mãos aos ladrões; os liberais vendo a total livre empresa como o bólide que nos conduz ao Eden; os marxistas que tudo querem do Estado, que julgam Santo; os, talvez os piores, do culto de Foucault, que a todos os tipos de poderes dizem ilegítimos e perversos; os cristãos, que nem nos deixam invocar o nome de deus em vão, nem tão pouco cobiçar as mulheres porque "de outros"; os do PS, que afirmam ser silvestre a entidade Berardo; etc. Todos estes se agarram aos textos que dizem sacros e se empertigam, nas suas falsárias falsas verdades. Assim tanto nos incomodando. E prejudicando.

Mas depois todos eles se desdizem. São uns mariolas pois, de facto, dos tais bons livros só retiram o que lhes dá jeito. Aos cristãos poderemos entoar isto: "Obedeçam às minhas leis. "Não cruzem diferentes espécies de animais. "Não plantem duas espécies de sementes na sua lavoura. "Não usem roupas feitas com dois tipos de tecido." (Levítico 19:19).

E aos outros bastará abrir os livros (deles). Ao "calhas". E mostrar, com breves citações, o quão inconsequentes vão. Os tais mariolas.

(Talvez a melhor cena literária do abrir a Bíblia ao calhas e de como se manipula o "Bom Livro" seja a da Ilha do Tesouro (Stevenson), a da manha do carismático "bom pirata", o soberbo Long John Silver, uma das grandes personagens literárias de sempre. Aqui em versão "marretiana" ...)

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19 comentários

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De Sarin a 20.05.2019 às 10:55

Deliciosa interpretação de Tim Curry no final de um texto muito interessante... só tenho pena de não perceber quem é, exactamente, o alvo visado - este postal não é tão genérico como aparenta, pois não, jpt?
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De jpt a 20.05.2019 às 11:14

É uma tentativa de genérico com toda a (auto)consciência de que não é mais do que um placebo
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De Sarin a 20.05.2019 às 11:17

Bem me parecia que algo mordia as canelas ao texto...

Os placebos por vezes resultam.
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De Vento a 20.05.2019 às 11:09

Tocou em um aspecto oportuno e interessantíssimo. Na realidade, como qualquer interpretação de livros, a Bíblia também tem sido, e é, muitas vezes usada (por crentes e não crentes) para o que lhes calha bem.

Qualquer livro sapiencial é sagrado, não só pelo conhecimento que transmite mas pelo desafio que conduz à busca da Sabedoria.
Sapere significa sabor, e este leva a conhecer. Não é por acaso que a língua portuguesa traduz bastante bem o significado deste sapere quando dizemos que a comida sabe-nos bem. Saber bem é conhecer os ingredientes do alimento e activar o espírito à descoberta da melhor combinação para que a comida nos saiba ainda melhor.

Sobre a sabedoria, encontramos na Bíblia o seguinte atributo divino: "Sendo única, tudo pode; imutável em si mesma, renova todas as coisas. Ela se derrama de geração em geração..." (vide Sabedoria 7, 27)
Aqui chegados, compreenderemos que a Sabedoria não é somente uma qualidade de Deus, é Deus presente em todo o Saber.

Portanto, a Bíblia é um livro Sapiencial que nos conduz ao conhecimento das mais diversas expressões e atitudes humanas, para nos indicar que a história é mutável, e que em Deus ela pode ser melhor transformada e aperfeiçoada. Mas também indica-nos, em particular na Boa Nova ou Novo Testamento, que Deus e Jesus não é uma "figura" que se procure na história, pois não é um personagem histórico, Eles são a presença em cada momento da História.

É o Saber que nos conduz à transformação interior, sendo este o sentido propugnado por Jesus. Em conclusão: "Sem mim nada podeis", afirma Jesus.

Invocar o nome de Deus em vão é grave e pode ser mortal. Para lhe mostrar a gravidade desta acção, permita o seguinte exemplo: Se se deslocar em contramão em uma qualquer auto-estrada e for pedindo a Deus que não ocorra nenhum acidente, poderá estatelar a sua vida e dos demais que circulam correctamente.
Assim, invocar o nome de Deus em vão é demitir-se das responsabilidades que lhe competem. É negar-se a realizar o papel que lhe está atribuído. E isto é grave.
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De jpt a 20.05.2019 às 11:17

Com todo o respeito (e apreço) pela sua sageza permita-me dizer que, fosse eu crente, poderia, ao acercar-me da portagem, pedir a deus, assim o invocando, que não me pusesse à frente um louco (ou doente) em contramão. Mas, claro, a questão é o que entendemos por "em vão".
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De Vento a 20.05.2019 às 11:21

Isso não é em vão, é pedir auxílio para que não seja vitima dos que andam em contramão. Mas muitas vezes sobres obrigados a travá-los com todos os meios e Sabedoria que nos é facultada ou são facultados, e por aquela que nos dispomos procurar.
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De Corvo a 20.05.2019 às 13:06

Caro Vento. Também com todo o respeito e flutuando num universo de espanto, permita-me indagar.
Se bem compreendi, quando diz - "sapere quando dizemos que a comida sabe-nos bem. Saber bem é conhecer os ingredientes do alimento e activar o espírito à descoberta da melhor combinação para que a comida nos saiba ainda melhor"- quer dizer que se não soubermos quais os ingredientes que deliciam o nosso palato, estamos a incorrer em pecado divino?
Então pecador me confesso porque católico que sou, sinceramente; quando me delicio com um bom prato a última das minhas preocupações, se é que porventura pudessem existir, é a curiosidade em saber como foi confeccionado e que ingredientes levou.
E nesta maré de compreensão que me afoga, se eu for em contra-mão numa auto estrada, nada se passa, - nem comigo nem com ninguém, - e chego porreirinho ao meu destino desde que não invoque o nome de Deus.
Se invocar é que já é pior e se varrer umas vidas pelo percurso, é pecado meu porque invoquei o nome de Deus em vão.
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De Vento a 20.05.2019 às 16:08

Meu caro, antes de tudo o mais permita dizer que ser católico não é passaporte para sítio algum. Tem de se ser católico por uma razão pessoal e não por herança.
Ora aí está, cada um come do sapere que lhe apetece. Eu escrevi e não vou traduzir o que escrevi.
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De Corvo a 20.05.2019 às 20:35

Sou católico por convicção, mas à minha maneira.
Não é a palavra bíblica difundida por um qualquer padreca, ou executada em decisão judicial por um qualquer juiz catolicista extremista que me desvia do meu caminho.
Posto isto, sou católico.
Logo, deveria compreender, mas devo ser um católico muito rasca porque não compreendi nada.
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De Vento a 21.05.2019 às 11:33

É o meu caro que tem necessidade de afirmar: "Não é a palavra bíblica difundida por um qualquer padreca, ou executada em decisão judicial por um qualquer juiz catolicista extremista que me desvia do meu caminho."
É você que tem necessidade de justificar-se sobre algo que nem se encontra abordado, isto é, a sua pessoa.
Mas compreendo-o, há qualquer coisa que não o deixa confortável como católico. Então, prefere ser "católico por convicção, mas à sua maneira". Seja. O meu comentário não é e não foi para o converter. Comentei somente a posta do JPT.
Não sei se é um católico rasca ou à rasca, deixo esse tipo de juízo para si mesmo.
Uma vez que tem tanta convicção como católico, recomendo que aborde as suas convicções autonomamente e deixe as minhas comigo.
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De Corvo a 21.05.2019 às 16:44

Ora bem, caro Vento. A ver se a gente se entende porque, lamentavelmente, estamos-nos a afastar da bela sinfonia que deveria ser norma para todos os bons católicos e crentes nas leis divinas.
Como lhe confessei, não sou um bom católico, mas nem por isso menos temeroso de não ir parar ao inferno.
Posto isto, e porque das sinceras confissões nasce a absolvição, foi como uma luz divina as suas palavras - assim ao jeito do LFVieira, mas para muito melhor porque a dele fundiu num ápice e as suas iluminaram-me o caminho, - e...onde é que nós íamos? Ah, pois!: uma luz divina ouvi-lo dizer que só é pecado ir numa auto-estrada em contra-mão se se invocar o nome da Deus.
Então, e na ânsia sempre procurada e nunca encontrada de reforçar a minha fé, perguntei-lhe, com a humildade do pescador, se Deus que me protegeria na minha viagem em contra-mão visto não ter invocado o nome dele em vão, não se ofenderia por não me ter lembrado dele e me castigaria mandando-me para o inferno por numa viagem suicida, tê-lo votado ao ostracismo.
Assim ao jeito de preso por ter cão e engaiolado por não ter.
Portanto, que nos entendamos de vez. Não me meto nas suas convicções, apenas em si procurei esclarecimentos, e pelos motivos que lhe apresentei.
Luz em que ma mostrou, o caro Vento, a fim de, quem sabe, poder um dia atingir a plenitude do conhecimento divino.



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De Vento a 22.05.2019 às 11:33

Cá vamos para as Alturas, aperte o cinto. Sou uma espécie de space shutlle do paraíso.
Está bem, aceito a condição mortal e carnal em que ainda se encontra e procurarei absolve-lo de tão grave situação.
Borá lá, madiê!

O seu trauma com o pecado está tão enraizado que vê a palavra pecado onde não existe. A questão substantiva centra-se no facto de que a invocação do nome de Deus é em vão quando se pretende eludir a nossa responsabilidade, e isto é grave, porque nos coloca em situação passiva. Isto de invocar o nome de Deus para derrubar um muro, tendo nós a marreta nas mãos, só serve para evitar trabalho e canseiras. E é natural que Deus nunca apareça.
Todavia, já aceito com maior eficácia invoca-l´O para me proporcionar a marreta. E, faltando esta, existem dois sentidos: Primeiro, ser Ele a proporcionar-me a ferramenta (é a acção do Espírito, o tal Paráclito); segundo, depois de a ter, ser eu a dar o corpinho ao manifesto. Mas também, se existir alguém que não a tenha, ser eu a levar a marreta para derrubar o muro.

A última questão é esta: Deus pode curar-nos, pode fazer milagres e prodígios em nossas vidas, mas acabaremos todos por morrer. Importa, sim, pedir que a morte ontológica jamais ocorra, porque esta conduz a um estado de desprezo e desespero por e de "si" mesmo e pela vida. E a vida é para ser vivida e celebrada, em Cristo.
Hoje mesmo a Palavra oferece-nos uma metáfora em torno da Videira e dos Ramos. O Pai é o agricultor, o Filho a Videira e os Ramos todos nós. E o convite é este: "Se permanecerdes em mim, dareis muito fruto" e: "Sem mim nada podeis".

Primeiro sou cristão, mas cristão-católico. Há questões substantivas para o ser, depois de um vasto deambular. E este deambular ainda não terminou, mas vai em uma outra direcção. No hebraico, pecado significa errar o alvo. Assim sendo, continuo em movimento para tentar acertar na "mouche".

Finalmente: Jesus veio para os pecadores, né? O médico é para quem está doente, né? Porquê estar tão desesperado? Vá em frente, negue o pecado que reconhece e peça para conhecer o que é o pecado.
Orar é fazer acontecer no impossível do Homem o possível de Deus.
Agarrar no arado significa não só mover a terra mas também remover as pedras que se encontram no caminho, por forma a que a semente possa germinar.
Sabe, meu caro Corvo, esta tarefa é sentença até ao ultimo suspiro. É obra do camano para realizar! Foi-nos prometido o Seu auxilio, mas não facilidades.

;-)
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De Justiniano a 20.05.2019 às 11:26

Magnífico e brilhantemente esgalhado!! Vcmecê vai buscá-las ao fundo do poço!
Um bem haja,
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De jpt a 20.05.2019 às 22:46

Obrigado pela simpatia
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De Maria Dulce Fernandes a 20.05.2019 às 11:54

Ora aí está uma grande verdade. Interpretar as regras ( sejam elas quais forem) de modo a que se possam encaixar nos nossos propósitos.
Os Marretas somos nós... completamente.
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De Corvo a 20.05.2019 às 13:19

Profunda verdade.
Desde que encaixem nos nossos propósitos e sirvam as nossa conveniências, todo o mundo é crente.
Seja qual credo seja e quais fiéis sejam.
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De jpt a 20.05.2019 às 22:47

Eu procuro não fazer isso. Mas, ao mesmo tempo, sou completamente um daqueles dois velhos do camarote
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De Corvo a 21.05.2019 às 09:33

Ah! mas em si isso não se aplica. O jpt é incréu, logo, um homem feliz apartado das mesquinhas ambições da humanidade crente.
:)
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De jpt a 21.05.2019 às 10:04

também é verdade, vou na felicidade de não ter que pactuar com os "companheiros de fé"

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