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Coincidência de opiniões

por Rui Herbon, em 22.07.14

As teses de Zygmunt Bauman vão abrindo caminho sem ruído e sem que ninguém se alarme. O destino da liberdade e da democracia, diz o velho pensador, decide-se e estabelece-se no contexto mundial, e só a sua defesa em tal contexto tem possibilidades realistas de um êxito duradouro.

 

Existe um complot de medo que abarca milhões de pessoas. É um complot que já não se sustenta unicamente na perspectiva de que o Estado devore a sociedade mediante regimes dictatoriais, ou que a sociedade faça desaparecer o Estado mediante uma revolução de massas, mas na possibilidade de vir a ficar excluído ou marginalizado. A exclusão é o problema. Se o Estado Social se encontra hoje descapitalizado, se está em ruínas ou foi parcialmente desmantelado, é porque as principais fontes de benefícios do capitalismo se deslocaram da exploração da mão-de-obra fabril para a exploração dos consumidores.

 

O pensamento de Bauman não é o de um conspirador ou de um revolucionário. Contém um fio argumental que se baseia em que o poder já não está na política mas nos mercados e movimentos financeiros. Não partilho essa visão tão taxativa, mas é certo que ventos sopram nessa direcção.

 

Mas os seus argumentos coincidem com o que recentemente afirmou o papa Francisco: «instaura-se uma nova tirania invisível, às vezes virtual, que impõe de forma unilateral e sem remédio possível as suas leis e regras. Ademais, a dívida e o crédito afastam os países da sua economia real e aos cidadãos do seu poder aquisitivo real. A isto há que acrescentar uma corrupção tentacular e uma evasão fiscal egoísta que assumiram proporções mundiais. A vontade de poder e posse passaram a ser ilimitadas».

 

Opiniões convergentes vindas de posturas ideológicas diversas.

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2 comentários

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De lucklucky a 22.07.2014 às 09:42

"Estado Social descapitalizado"
É preciso recusar olhar para números para escrever uma coisa destas.
O Estado Social nunca teve tanto dinheiro.

O Estado Social não é desenhado para proteger os pobres e com necessidades, é feito para corromper a Burguesia e assim torná-la dependente do Estado.
O Estado Social é feito para explorar a Classe Média. E tem conseguido.

Mais venal é esta afirmação "exploração dos consumidores" Hoje um aspirador custa 1/6 de um salário minímo, 30 anos trás custava mais que um salário minímo, por ex. Nem falemos dos ganhos tecnológicos.

Quem explora os consumidores é o Estado Social e os impostos que coloca sobre os produtos. Quanto mais caro um produto mais o Estado Social arrecada.

E pelo facto de os produtos se terem tornado mais baratos, mais impostos são colocados sobre estes.
Mas isso nem sequer entra na cabeça do autor.

Basta o preço da energia descer para metade para colocar em causa as contas publicas.



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De Rui Herbon a 22.07.2014 às 12:53

Uma coisa estar descapitalizada depende pouco de ter mais ou menos dinheiro, mas da quantidade deste face ao que deve cobrir. Por exemplo, o BES tem hoje um activo e um capital muito superiores aos de há 20 anos.

Quanto ao aspirador, seria interessante era comparar o preço de venda quanto ao de custo agora e há 30 anos. Facilmente se conclui que a margem das empresas hoje é muito maior.

E ainda podíamos falar nas necessidades de consumo induzidas, que em breve será o grande maná dos advogados americanos contra as grandes empresas, por substituição do tabaco. Aliás há um paralelo: o problema não é o tabaco nem o consumo, mas os aditivos ou técnicas de viciação.

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