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Clima

por jpt, em 13.09.18

 

Um bom discurso de Guterres sobre as alterações climáticas. Duas notas, sobre a produção e a recepção. O mais relevante de tudo é compreender-se (no sentido de se aceitar a plausibilidade) que as informações sobre este processo são muito filtradas, surgem minoradas: por um lado, o secretário-geral da ONU tem que tentar dialogar com uma miríade de interlocutores, se radicalizar ("escatologizar") o discurso perde a hipotética eficácia junto de muitos eixos da audiência. Mas há muito mais do que isso: os organismos especializados da ONU filtram a informação disponível. E os centros de investigação que os alimentam também o fazem - e muito porque perspectivas muito "pessimistas" têm efeitos perniciosos no mercado de financiamento. Os técnicos e cientistas usam, há anos, a auto-censura, dulcificando projecções para tentarem manter um diálogo frutífero com os poderes políticos (em especial os multilaterais). E no complexo institucional mundial os quadros mais radicalizados sobre esta questão - muitos devido ao simples processo do "tomar conhecimento" - vão sendo afastados dos "centros" dos organogramas. Isto são práticas com décadas. Ou seja, a situação é muito má mas ainda deve ser pior do que se anuncia, dada a confluência destes filtros todos. Para mais, as previsões integram desenvolvimentos tecnológicos que ainda ... não estão. Apesar de já haver alarme nas elites institucionais estas ainda vivem num optimismo quase suicidário.

 

A outra questão é a da recepção. Nós, os cidadãos, não queremos ouvir falar de fenómenos que nos perturbem as perspectivas existenciais. Catástrofes ocasionais, crises epifenomenais, até animam o quotidiano. Questões estruturais já é outra coisa, são por demais complexas, cansativas, porque preocupações perenes. E, neste caso, por demais angustiantes. Sendo assim intrusivas, obstáculos ao rame-rame. Por exemplo, e ainda que português, o secretário-geral da ONU não é particularmente acompanhado pela imprensa nacional. Mas o CR7 sim. No passado sábado em Lisboa cerca de 20 000 pessoas foram votar para um presidente do Sporting. Mas apenas algumas centenas desfilarem na marcha pelo ambiente. Algo de estranho se passa nas mentes das pessoas, no como hierarquizam as suas prioridades. O anterior e o actual governo, em confluência que expressa o acordo social sobre a matéria, afadigam-se em projectos de exploração de petróleo e gás, em nome da riqueza e desenvolvimento do país. Correntes de pensamento ditas liberais negam a plausibilidade destas alterações climáticas advindas da industrialização - lembro do meu estupor, há mais de uma década, quando surgiram os liberais na internet portuguesa, e acima de tudo no blog Blasfémias, o chorrilho incessante de asneiras sobre a matéria, acicatadas pela discussão do protocolo de Quioto e no apoio ao bushismo, de facto assentes no inculto dogma, que julgavam o cerne do liberalismo, "o entrechoque dos interesses individuais é virtuoso" e como tal nada de tão mau disso pode surgir. 

 

Dentro de algumas décadas analisar-se-á esta nossa época, mundial. E decerto que uma das perguntas cruciais será a do "como é que tanta informação, tanta formação, tanta riqueza, promoveram tamanha alienação"? Vai ser muito difícil explicar. 

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13 comentários

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De lucklucky a 13.09.2018 às 05:08

Mais uma pessoa que aprendeu na escola sobre método científico mas é incapaz de o usar porque o que usa é simplesmente a replicação social.
Não aprendeu o método científico pela que diz mas pela socialização da escola.

Pelo método científico é impossível provar quase nada do clima quanto mais quantificar. Diga-me como se mede a "temperatura da terra"? ou a história dos ventos, história das nuvens que afectam a temperatura no planeta ...qual a energia do sol como afecta o clima, etc etc.
.
Não percebe sequer que há demasiados potenciais factores, e factores que afectam outros factores para sequer se conseguir medir a "culpa" , que a própria história do clima afecta o clima hoje e basta mudar algum dado para poder dar um valor completamente diferente assumindo que os dados são só aqueles.

Temos é o cientismo social necessário para criar culpa para obter poder.
E claro a arrogância de que o período que quando estamos vimos é que acontecem as coisas importantes.

E é bom deixar claro que a política é a única religião que tem a arrogância de poder controlar o clima.

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De Pedro a 13.09.2018 às 09:15

https://climate.nasa.gov/evidence/

The current warming trend is of particular significance because most of it is extremely likely (greater than 95 percent probability) to be the result of human activity since the mid-20th century and proceeding at a rate that is unprecedented over decades to millennia

IPCC Fifth Assessment Report, Summary for Policymakers

B.D. Santer et.al., “A search for human influences on the thermal structure of the atmosphere,” Nature vol 382, 4 July 1996, 39-46

Gabriele C. Hegerl, “Detecting Greenhouse-Gas-Induced Climate Change with an Optimal Fingerprint Method,” Journal of Climate, v. 9, October 1996, 2281-2306

V. Ramaswamy et.al., “Anthropogenic and Natural Influences in the Evolution of Lower Stratospheric Cooling,” Science 311 (24 February 2006), 1138-1141

B.D. Santer et.al., “Contributions of Anthropogenic and Natural Forcing to Recent Tropopause Height Changes,” Science vol. 301 (25 July 2003), 479-483.
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De lucklucky a 14.09.2018 às 00:22

Nem respondeste como se mede o "warming" ou como as fantasiosas projecções da NASA/IPCC sobre o clima não se verificaram.
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De Anónimo a 16.09.2018 às 21:38

Onde é que lucklucky se licenciou, na Trump University?
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De Anónimo a 16.09.2018 às 21:38

Se a estupidez pagasse imposto, lucklucky seria o maior contribuinte de Portugal.
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De lucklucky a 13.09.2018 às 05:14

Giacomo Leopardi, Pensieri. XXXIX . Escrito no Séc XIX.


Così il Castiglione, esponendo con parole non meno belle che ridondanti, come sogliono i prosatori italiani, un pensiero verissimo. A confermazione del quale si può considerare che i vecchi pospongono il presente al passato, non solo nelle cose che dipendono dall'uomo, ma ancora in quelle che non dipendono, accusandole similmente di essere peggiorate, non tanto, com'è il vero, in essi e verso di essi, ma generalmente e in se medesime. Io credo che ognuno si ricordi avere udito da' suoi vecchi più volte, come mi ricordo io da' miei, che le annate sono divenute più fredde che non erano, e gl'inverni più lunghi; e che, al tempo loro, già verso il dì di pasqua si solevano lasciare i panni dell'inverno, e pigliare quelli della state; la qual mutazione oggi, secondo essi, appena nel mese di maggio, e talvolta di giugno, si può patire. E non ha molti anni, che fu cercata seriamente da alcuni fisici la causa di tale supposto raffreddamento delle stagioni, ed allegato da chi il diboscamento delle montagne, e da chi non so che altre cose, per ispiegare un fatto che non ha luogo: poiché anzi al contrario è cosa, a cagione d'esempio, notata da qualcuno per diversi passi d'autori antichi, che l'Italia ai tempi romani dovette essere più fredda che non è ora. Cosa credibilissima anche perché da altra parte è manifesto per isperienza, e per ragioni naturali, che la civiltà degli uomini venendo innanzi, rende l'aria, ne' paesi abitati da essi, di giorno in giorno più mite: il quale effetto è stato ed è palese singolarmente in America, dove, per così dire, a memoria nostra, una civiltà matura è succeduta parte a uno stato barbaro, e parte a mera solitudine. Ma i vecchi, riuscendo il freddo all'età loro assai più molesto che in gioventù, credono avvenuto alle cose il cangiamento che provano nello stato proprio, ed immaginano che il calore che va scemando in loro, scemi nell'aria o nella terra. La quale immaginazione è così fondata, che quel medesimo appunto che affermano i nostri vecchi a noi, affermavano i vecchi, per non dir più, già un secolo e mezzo addietro, ai contemporanei del Magalotti, il quale nelle Lettere familiari scriveva: "egli è pur certo che l'ordine antico delle stagioni par che vada pervertendosi. Qui in Italia è voce e querela comune, che i mezzi tempi non vi son più; e in questo smarrimento di confini, non vi è dubbio che il freddo acquista terreno. Io ho udito dire a mio padre, che in sua gioventù, a Roma, la mattina di pasqua di resurrezione, ognuno si rivestiva da state. Adesso chi non ha bisogno d'impegnar la camiciuola, vi so dire che si guarda molto bene di non alleggerirsi della minima cosa di quelle ch'ei portava nel cuor dell'inverno". Ouesto scriveva il Magalotti in data del 1683. L'Italia sarebbe più fredda oramai che la Groenlandia, se da quell'anno a questo, fosse venuta continuamente raffreddandosi a quella proporzione che si raccontava allora.

È quasi soverchio l'aggiungere che il raffreddamento continuo che si dice aver luogo per cagioni intrinseche nella massa terrestre, non ha interesse alcuno col presente proposito, essendo cosa, per la sua lentezza, non sensibile in decine di secoli, non che in pochi anni.


As angustias sobre o clima sempre existiram.
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De Pedro a 13.09.2018 às 09:29

Parole, parole....
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De lucklucky a 14.09.2018 às 00:33

"egli è pur certo che l'ordine antico delle stagioni par che vada pervertendosi. Qui in Italia è voce e querela comune, che i mezzi tempi non vi son più; e in questo smarrimento di confini, non vi è dubbio che il freddo acquista terreno. Io ho udito dire a mio padre, che in sua gioventù, a Roma, la mattina di pasqua di resurrezione, ognuno si rivestiva da state. Adesso chi non ha bisogno d'impegnar la camiciuola, vi so dire che si guarda molto bene di non alleggerirsi della minima cosa di quelle ch'ei portava nel cuor dell'inverno". Ouesto scriveva il Magalotti in data del 1683.

"É mais que certo que a ordem das estações se vai pervertendo, aqui em Itália é voz e discussão comum que os tempo moderado não se vê mais, neste período de extremos e derrube de limites não há dúvida que o frio ganha terreno. Ouvi o meu pai dizer que na sua juventude em Roma na Páscoa se vestia que como se fosse Verão, agora quem não pode deixar de usar uma camisola, é mesmo prudente não deixar de usar a roupa invernal."

Isto dizia Magalotti in 1683...

A culpa deveria ser da FIAT ou da Ferrari...

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De Pedro a 14.09.2018 às 08:22

Solar irradiance

It's reasonable to assume that changes in the sun's energy output would cause the climate to change, since the sun is the fundamental source of energy that drives our climate system.

Indeed, studies show that solar variability has played a role in past climate changes. For example, a decrease in solar activity is thought to have triggered the Little Ice Age between approximately 1650 and 1850, when Greenland was largely cut off by ice from 1410 to the 1720s and glaciers advanced in the Alps.

But several lines of evidence show that current global warming cannot be explained by changes in energy from the sun:

Since 1750, the average amount of energy coming from the sun either remained constant or increased slightly.
If the warming were caused by a more active sun, then scientists would expect to see warmer temperatures in all layers of the atmosphere. Instead, they have observed a cooling in the upper atmosphere, and a warming at the surface and in the lower parts of the atmosphere. That's because greenhouse gases are trapping heat in the lower atmosphere.
Climate models that include solar irradiance changes can’t reproduce the observed temperature trend over the past century or more without including a rise in greenhouse gases.

https://climate.nasa.gov/causes/
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De Pedro a 13.09.2018 às 09:11

Belo post!
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De Vítor Augusto a 13.09.2018 às 10:07

Pois, esta questão da tão contundente implicação ambiental da exploração desenfreada e incontida dos recursos pode trazer com ela, a pergunta incómoda para todos nós, principalmente no mundo ocidental muito bem acomodado; estaremos todos nós dispostos, a bem de uma drástica mudança na direcção ambiental do planeta, a abdicar de uma parte substancial do nosso nível/qualidade de vida ocidental assumida e adquirida?
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De Octávio dos Santos a 13.09.2018 às 12:11

«No passado sábado em Lisboa cerca de 20 000 pessoas foram votar para um presidente do Sporting. Mas apenas algumas centenas desfilar(a)m na marcha pelo ambiente. Algo de estranho se passa nas mentes das pessoas, no como hierarquizam as suas prioridades.»

Nada há de estranho quando mais pessoas participam no evento realmente mais importante.
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De jpt a 14.09.2018 às 08:37

Recordo que sou bloguista no "és a nossa fé". E aduzo um dado biográfico, na minha vida fui a uma única manifestação, contra o ministério da educação em 1984, por razões que se prendiam com uma cálida e bela companhia. Ainda assim continuo na minha, a hierarquia das atenções está um bocado torta

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