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Ambrose Bierce: The Devil's Dictionary
As primeiras entradas do dicionário satírico de Ambrose Bierce, jornalista e autor (quando não estiver seguro quanto ao que alguém fez ou não fez e não lhe apetecer ir conferir, escreva “autor”), surgiram em 1881, no hebdomadário The Wasp, de São Francisco.
Após carreira irregular na imprensa, o dicionário viria a ser publicado em 1906 sob o título The Cynics Word Book, “um nome que o autor não teve o poder de rejeitar nem a felicidade de aprovar” (do prefácio do próprio Bierce, ou talvez do diabo, jamais o saberemos) e que se terá ficado a dever a pruridos religiosos do editor. O senhor das moscas, naturalmente, achou graça a isso e fez brotar das profundezas dos infernos legiões de Cynic books fraquinhos, muito lamentados por Bierce e por todas as criaturas de gosto refinado pelo mau nome que deram à palavra “cínico”.
Em 1911, para grande felicidade de Bierce, o livro viria a ser publicado sob o título por que hoje o conhecemos, constituindo a alta bitola contra a qual esbarram todos os dicionários satíricos que se lhe seguiram, à excepção talvez do da Academia, que me custou 40 contos em moeda antiga e ainda hoje se ri disso.
Exemplos do rigor científico de The Devil’s Dictionary são as definições de "egoísta” (uma pessoa de mau gosto, mais interessada nela do que em mim), “rezar” (pedir que as leis do universo sejam revogadas em favor de um único peticionário, confessadamente indigno do benefício) e “dicionário” (um dispositivo literário malévolo para entravar o crescimento da língua e torná-la difícil e inelástica, sendo o dicionário de Bierce a óbvia excepção).
(Nota: está disponível edição supimpa da Tinta da China em português.)