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Citação clássica (2).

por Luís Menezes Leitão, em 07.05.18

Sobre isto, resta-me mais uma vez recordar a sabedoria dos antigos: "Donec eris felix, multos numerabis amicos; tempora si fuerint nubila, solus eris" (Ovidius, Tristia, I, 9, 5,).

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34 comentários

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De Vento a 08.05.2018 às 13:01

Eu segui o raciocínio de Nietsche relativamente a parte de seus pensamentos, aqueles que citei.
O que é a moralidade do cristianismo? O que ele fez foi reproduzir um pensamento com base nas evidências de sua época. E ao procurar recriar o Homem ele aproxima-se do cristianismo, que é a sua área de combate, através do "eterno devir". Mais ainda, este devir, que é de carácter ontológico, aproxima-se ao cristianismo em duas substantivas afirmações de Jesus: "Eu vim lançar fogo à terra" e "necessário vos é nascer de novo".
A afirmação que melhor me ocorre para definir este "fogo" encontra-se em Heráclito na observação que faz deste elemento: "Transformando-se, repousa".

Mais ainda, Nietzsche, ao dissertar sobre a "vontade de Poder", dá a impressão de desconhecer o cristianismo. Eu dir-lhe-ia que lesse e interpretasse o Sermão da montanha. A filosofia de Nietzsche é produto da moral em que se integra e não do cristianismo.

Em "Assim falava Zaratrusta" . note-se que o orientalismo influenciava o pensamento da época - Nietzsche vai buscar também a ideia angular do cristianismo, que é influenciar a vida ao invés de se deixar influenciar por esta. Ele busca uma vida eterna diferente desta vida, vivendo-a nesta vida. A poética em Nietzsche é fruto da sua contemplação do zoroastrismo.
.
Aliás, já tive oportunidade de lhe referir que transcender, no cristianismo, significa elevar-se acima do meio, da cultura e da educação que é proposta. O Homem é produto disto. Por isto mesmo: "Quem não odiar seu pai, sua mãe, seus irmãos e até mesmo sua própria vida não é digno do Reino".. O odiar aqui entra como rejeição do que se toma como bom e certo.
Em Gasset surge a afirmação: "eu sou eu mais a minha circunstância. Se não a salvo a ela, não me salvo eu".

Portanto, a fé é um domínio da razão, não lhe é subalterna; ilumina-a. Deus não é uma obrigação no cristianismo, é um caminho que o Homem encontra em si mesmo: "Deus mais intimo no meu intimo". Ainda mais, numa outra variante: "O que te fez sem ti não te salvará sem ti".

A vida eterna não é um lugar, é uma condição. Esta Eternidade contém o espaço e o tempo em si mesma; é um eterno presente. "Vencer o mundo" é vencer os condicionalismos que impedem de aqui se chegar. A outra dimensão é aquela que cada um quiser imaginar ou a que a Graça lhe proporcionar.
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De Herr Von Kälhau a 08.05.2018 às 16:22

É uma opinião, Vento. Contudo julgo que o homem, que escreveu o Anticristo, se revoltaria se o lesse, a si.

“O cristianismo é uma metafísica do carrasco.”

“Quanto mais próximo se está da ciência, maior o crime de ser cristão.”

Contudo psicanaliticamente o ódio de Nietzsche ao cristianismo poderá relacionar-se com duas experiências infantis:

1 - O pai de Nietzsche ter sido Pastor.
2 - O pai ter morrido cedo, quando Nietzsche era criança.

E:

3 - A solidão, e as más experiencias amorosas, com Lou Salomé (interpretação freudiana); Ter sido criado sem figura paterna

Se tiver pachorra, por ele e por mim, leia a Genealogia da Moral.

Em Nietzsche a compaixão e a misericórdia são as absolutas heresias....embora no credo Nietzschiano, como no do Nazareno, tudo se possa encontrar.

" A compaixão opõe-se, de modo geral, à lei da evolução, que é a lei da selecção. Ela conserva o que está maduro para o soçobro, ela luta em favor dos deserdados e dos condenados pela vida. Ela dá à própria vida um aspecto sombrio e questionável através da abundância dos fracos e deserdados de todo o tipo, conservando-os ainda vivos."

Os nazis tiveram aqui a sua justificação "moral"

PS: Nietzsche, no final da vida, na febre da loucura, assinava as suas epistolas como o "Crucificado". Talvez dele nunca se tenha libertado...humano, demasiado humano

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De Vento a 08.05.2018 às 19:31

Meu caro, como refere, seria a opinião de Nietzsche em relação a mim. Sobre parte do seu pensamento, e baseado nas citações, e no contexto em que ele as inseriu, está é a minha opinião até que me demonstrem inequivocamente o contrário.

Sim, a abordagem que faz, a da psicanálise, é uma outra variante. Mas eu não quero ir por aí. Sartre também tem uma origem parecida. Talvez os modelos familiares tenham impulsionado algumas, ou parte, ou a totalidade de suas teorias.
Nietzsche, na sua "individualidade irredutível", infere essas prerrogativas como heréticas, a da compaixão e misericórdia.
Por isto eu lhe referi que a liberdade de cada um estende-se à liberdade do outro. Consequentemente, é este ser gregário do Homem que determina a compaixão; com-paixão pelo próximo e pelos que nos estão próximos. É esta capacidade de sofrer com que nos torna diferentes do animal. O animal também sabe, mas não sabe que sabe. Por isto é diferente de nós. A lei da selecção aplica-se aqui. A da evolução ao Homem, pelo Conhecimento e Saber.

A misericórdia é o abismo que qualquer médico em sua profissão entende para poder mergulhar na miséria, com coração (misericórdia), e aí levar alívio e até mesmo libertação. A misericórdia começa pelo acolhimento. Por isto mesmo Jesus afirma: "Eu vim para os que estão doentes".

A sua última afirmação confirma a minha perspectiva sobre Nietzsche.

Obrigado pela sugestão.
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De Herr Von Kälhau a 08.05.2018 às 21:34

"O animal também sabe, mas não sabe que sabe"

A Consciência da consciência.

Quanto aos médicos e a misericórdia muito cuidado tem de ter para não enlouquecerem com o sofrimento dos outros. Daí a "capa", estereotipada, da indiferença. Contudo é um mecanismo de sobrevivência, saber-se até onde se pode ir na empatia para com o doente. Sobretudo crianças! Demasiada empatia, pode conduzir ao abismo!
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De Vento a 08.05.2018 às 22:31

Onde se lê, Nietzsche, na sua "individualidade irredutível", por favor, leia-se no seu "Imperativo Categórico"...

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