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Citação clássica (2).

por Luís Menezes Leitão, em 07.05.18

Sobre isto, resta-me mais uma vez recordar a sabedoria dos antigos: "Donec eris felix, multos numerabis amicos; tempora si fuerint nubila, solus eris" (Ovidius, Tristia, I, 9, 5,).


34 comentários

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De Vento a 07.05.2018 às 21:32

Que raio, Emborcador. Não sabe que o existencialismo tem profundas diferenças entre si? O seu oposto é o materialismo.

O problema que se patenteia em Nietzsche não é a sua afirmação sobre "a morte de Deus", que já se encontrava em George Hegel, um idealista. Essa afirmação colhe o que colhe perante a falta de evidências. Todavia acredito que Deus tenha falecido em seu autor e, com todos os esforços que fez para o demonstrar, ressuscitou Deus. No fundo Nietzsche, por ignorância, associou o cristianismo à moral da sua época. E partindo dessa ignorância avançou rumo ao desconhecido.
Porém ele aborda em sua concepção filosófica a subalternidade e o preconceito de classe, que não serve de argumento sólido e credível para o fim que ele pretendeu atingir. Em conclusão a sua filosofia, neste particular, não demonstrou nada mais do que a evidência pode alcançar. Relativizou conceitos através da subjectividade.
Ora, todos sabemos que a objectividade e/ou subjectividade de um pensamento depende da forma como cada um o direcciona. Em "Assim falava Zaratrusta" ele não deixou de expressar a mística que habita o Homem. Concretamente Nietzsche pretende derrubar os ídolos e revolta-se contra Deus, quando o que está em causa é o Homem. Como abrir caminho para o super-Homem?

Portanto, o cristianismo não é moral. A moral é o que os fracos concebem, tal como hoje os coitadinhos esquerdistas e modernistas fazem em nome de um pseudo-humanismo, para suscitar a adesão à sua ignorância. Aliás, foi em nome da ignorância e dos ignorantes que na expiação da Cruz o Cristo solicita o perdão do Pai.
Por outro lado, a "individualidade irredutível" em Nietzsche nada mais é que a acusação de hipócritas que Jesus faz aos fariseus. Hipócritas eram actores que usavam máscaras para desempenhar o seu papel. O que está em causa na "individualidade irredutível" são as máscaras.
O "imperativo categórico" em Nietzsche é não perceber que a liberdade do ser estende-se na liberdade de outro ser. O que denota que ele, através de seu pensamento, pretendia alcançar o que criticava. Comprova isto o seu pensamento sobre a "moral superior". Mais ainda, Nietzsche sem se dar conta estava a recriar Deus.
Concluindo, como em Nietzsche o mundo não tem ordem, não tem forma, estrutura e inteligência a finalidade de seu pensamento é uma angústia existencial.
Mas ele, Nietzsche, teve sorte em ter vivido naquela época, porque, com o colapso mental que sofreu, talvez estivesse na fila para o fim de todos os que não dão garantias de viver com "dignidade". É esta a forma com que alguns pretendem que se viva a existência.

Sartre, tal como outros, não deixa de beber no cristianismo as máximas que faz como suas. Mas recebe a influência de Camus, com quem corta mais tarde, que, em "o Homem revoltado", não poupa duras criticas ao comunismo e stalinismo. Aliás, logo após o Maio de 1968, já Camus estava morto, e por base no Maio de 68, o grande pensador cristão e comunista, Roger Garaudy, também assim procede em relação ao PCF, e em particular a Marchais, mas também contra Stalin e a traição movida a Dubcek.

Por último, e continuando a responder a seu comentário: faz parte do cristianismo aproveitar o que for melhor.
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De Herr Von Kälhau a 08.05.2018 às 08:35

"Deus não existe e é necessário levar esse facto às últimas conseqüências"

Sartre, O Existencialismo é um Humanismo.

Estou em desacordo total quanto à sua análise de Nietzsche.

A filosofia de Nietzsche é um proto-darwinismo social. Darwin e a Teoria da Evolução têm um fundamental papel na filosofia de Nietzsche . Daí ele afirmar que toda a Moralidade do cristianismo é anti-natural - o aristocrata distingue -se do servo por substituir o "tu Deves" pelo "Eu Quero".

(À semelhança de Freud, que afirmava que o mal estar civilizacional provinha de um super ego - do "tu deves cristão " - desumano - anti-natural ).

A mística de Nietzsche provém mais do filósofo ser um dos maiores Poetas de língua alemã. O aforismo presta-se a isso. Ao paradoxo e à sentença breve.

O cerne da filosofia de Nietzsche, radicalmente materialista, como Hegel, é querer libertar o Homem da Obrigação de Deus. Tornar o Homem comandante da sua Vontade. Dono do seu Destino. "Eu quero" seria o seu mantra .

O que diz a tua Consciência? – “Torna-te aquilo que és” – Nietzsche, Gaia Ciência

Nietzsche despreza os "porquês"da Vida. Para ele o que conta é o que há. O Super-Homem aquele que prossegue a sua vontade independentemente da crítica da moral e costume social. Ele é um Criador, um Artista, de Valores.

"É chamado de espírito livre aquele que pensa de modo diverso do que se esperaria com base em sua procedência, seu meio, a sua posição, ou nas opiniões que predominam no seu tempo. Ele é a excepção. Os espíritos cativos, a regra; [...] De resto, não é próprio da essência do espírito livre ter as opiniões mais correctas, mas sim ter- se libertado da tradição, com felicidade ou com um fracasso. Normalmente, porém, ele terá ao seu lado a Verdade, ou pelo menos o espírito da busca da verdade: ele exige razões; os outros, fé.

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De Vento a 08.05.2018 às 13:01

Eu segui o raciocínio de Nietsche relativamente a parte de seus pensamentos, aqueles que citei.
O que é a moralidade do cristianismo? O que ele fez foi reproduzir um pensamento com base nas evidências de sua época. E ao procurar recriar o Homem ele aproxima-se do cristianismo, que é a sua área de combate, através do "eterno devir". Mais ainda, este devir, que é de carácter ontológico, aproxima-se ao cristianismo em duas substantivas afirmações de Jesus: "Eu vim lançar fogo à terra" e "necessário vos é nascer de novo".
A afirmação que melhor me ocorre para definir este "fogo" encontra-se em Heráclito na observação que faz deste elemento: "Transformando-se, repousa".

Mais ainda, Nietzsche, ao dissertar sobre a "vontade de Poder", dá a impressão de desconhecer o cristianismo. Eu dir-lhe-ia que lesse e interpretasse o Sermão da montanha. A filosofia de Nietzsche é produto da moral em que se integra e não do cristianismo.

Em "Assim falava Zaratrusta" . note-se que o orientalismo influenciava o pensamento da época - Nietzsche vai buscar também a ideia angular do cristianismo, que é influenciar a vida ao invés de se deixar influenciar por esta. Ele busca uma vida eterna diferente desta vida, vivendo-a nesta vida. A poética em Nietzsche é fruto da sua contemplação do zoroastrismo.
.
Aliás, já tive oportunidade de lhe referir que transcender, no cristianismo, significa elevar-se acima do meio, da cultura e da educação que é proposta. O Homem é produto disto. Por isto mesmo: "Quem não odiar seu pai, sua mãe, seus irmãos e até mesmo sua própria vida não é digno do Reino".. O odiar aqui entra como rejeição do que se toma como bom e certo.
Em Gasset surge a afirmação: "eu sou eu mais a minha circunstância. Se não a salvo a ela, não me salvo eu".

Portanto, a fé é um domínio da razão, não lhe é subalterna; ilumina-a. Deus não é uma obrigação no cristianismo, é um caminho que o Homem encontra em si mesmo: "Deus mais intimo no meu intimo". Ainda mais, numa outra variante: "O que te fez sem ti não te salvará sem ti".

A vida eterna não é um lugar, é uma condição. Esta Eternidade contém o espaço e o tempo em si mesma; é um eterno presente. "Vencer o mundo" é vencer os condicionalismos que impedem de aqui se chegar. A outra dimensão é aquela que cada um quiser imaginar ou a que a Graça lhe proporcionar.
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De Herr Von Kälhau a 08.05.2018 às 16:22

É uma opinião, Vento. Contudo julgo que o homem, que escreveu o Anticristo, se revoltaria se o lesse, a si.

“O cristianismo é uma metafísica do carrasco.”

“Quanto mais próximo se está da ciência, maior o crime de ser cristão.”

Contudo psicanaliticamente o ódio de Nietzsche ao cristianismo poderá relacionar-se com duas experiências infantis:

1 - O pai de Nietzsche ter sido Pastor.
2 - O pai ter morrido cedo, quando Nietzsche era criança.

E:

3 - A solidão, e as más experiencias amorosas, com Lou Salomé (interpretação freudiana); Ter sido criado sem figura paterna

Se tiver pachorra, por ele e por mim, leia a Genealogia da Moral.

Em Nietzsche a compaixão e a misericórdia são as absolutas heresias....embora no credo Nietzschiano, como no do Nazareno, tudo se possa encontrar.

" A compaixão opõe-se, de modo geral, à lei da evolução, que é a lei da selecção. Ela conserva o que está maduro para o soçobro, ela luta em favor dos deserdados e dos condenados pela vida. Ela dá à própria vida um aspecto sombrio e questionável através da abundância dos fracos e deserdados de todo o tipo, conservando-os ainda vivos."

Os nazis tiveram aqui a sua justificação "moral"

PS: Nietzsche, no final da vida, na febre da loucura, assinava as suas epistolas como o "Crucificado". Talvez dele nunca se tenha libertado...humano, demasiado humano

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De Vento a 08.05.2018 às 19:31

Meu caro, como refere, seria a opinião de Nietzsche em relação a mim. Sobre parte do seu pensamento, e baseado nas citações, e no contexto em que ele as inseriu, está é a minha opinião até que me demonstrem inequivocamente o contrário.

Sim, a abordagem que faz, a da psicanálise, é uma outra variante. Mas eu não quero ir por aí. Sartre também tem uma origem parecida. Talvez os modelos familiares tenham impulsionado algumas, ou parte, ou a totalidade de suas teorias.
Nietzsche, na sua "individualidade irredutível", infere essas prerrogativas como heréticas, a da compaixão e misericórdia.
Por isto eu lhe referi que a liberdade de cada um estende-se à liberdade do outro. Consequentemente, é este ser gregário do Homem que determina a compaixão; com-paixão pelo próximo e pelos que nos estão próximos. É esta capacidade de sofrer com que nos torna diferentes do animal. O animal também sabe, mas não sabe que sabe. Por isto é diferente de nós. A lei da selecção aplica-se aqui. A da evolução ao Homem, pelo Conhecimento e Saber.

A misericórdia é o abismo que qualquer médico em sua profissão entende para poder mergulhar na miséria, com coração (misericórdia), e aí levar alívio e até mesmo libertação. A misericórdia começa pelo acolhimento. Por isto mesmo Jesus afirma: "Eu vim para os que estão doentes".

A sua última afirmação confirma a minha perspectiva sobre Nietzsche.

Obrigado pela sugestão.
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De Herr Von Kälhau a 08.05.2018 às 21:34

"O animal também sabe, mas não sabe que sabe"

A Consciência da consciência.

Quanto aos médicos e a misericórdia muito cuidado tem de ter para não enlouquecerem com o sofrimento dos outros. Daí a "capa", estereotipada, da indiferença. Contudo é um mecanismo de sobrevivência, saber-se até onde se pode ir na empatia para com o doente. Sobretudo crianças! Demasiada empatia, pode conduzir ao abismo!
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De Vento a 08.05.2018 às 22:31

Onde se lê, Nietzsche, na sua "individualidade irredutível", por favor, leia-se no seu "Imperativo Categórico"...

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