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Cinquenta livros de 39 autores

por Pedro Correia, em 15.02.20

               emigrantes[1].JPG  agustina[1].JPG

            quando_os_lobos_1[1].jpg  A-Escola-Paraíso[1].jpg

 

Já tinha falado disto aqui, venho só fazer uma actualização ao tema. Em Maio do ano passado, quando tentei elaborar a lista dos dez melhores romances e novelas portugueses do século XX, verifiquei que para esse efeito ainda me faltava conhecer muitas obras. Elaborei então um ambicioso plano de leituras que me permitisse colmatar tal falha.

E assim foi. Nestes nove meses, no estrito cumprimento desse plano, li (ou reli) cinquenta livros. Aproveitando todos os momentos disponíveis - de manhã, à noite, ao fim de semana, em férias, em viagens de trabalho, nas deslocações quotidianas de transportes públicos pela cidade.

Consegui. Ampliei os meus horizontes literários, conheci autores que nunca havia lido, elegi umas quantas obras-primas que passam a integrar o meu panteão pessoal.

 

Foram estes os escritores que me acompanharam desde Maio: Eça de Queiroz, Raul Brandão, Judith Teixeira, Aquilino Ribeiro, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros, Henrique Galvão, Ferreira de Castro, José Rodrigues Miguéis, Tomaz de Figueiredo, Miguel Torga, Joaquim Paço d'Arcos, Manuel da Fonseca, Alves Redol, Vergílio Ferreira, Fernando Namora, Jorge de Sena, Sophia de Mello Breyner Andresen, Agustina Bessa-Luís, José Saramago, Urbano Tavares Rodrigues, Isabel da Nóbrega, José Cardoso Pires, António Alçada Baptista, David Mourão-Ferreira, Nuno Bragança, Orlando da Costa, Rentes de Carvalho, Helena Marques, Fernando Assis Pacheco, Teolinda Gersão, Vasco Graça Moura, Américo Guerreiro de Sousa, António Lobo Antunes, Mário de Carvalho, Teresa Veiga, Eduarda Dionísio, Lídia Jorge e Rui Zink. Trinta e nove, no total: ficam aqui anotados pela ordem de nascimento. Entre 1845 e 1961.

Reparo agora que a lista inclui nove escritoras, algumas das quais desconhecia por completo enquanto leitor. E autores do Minho (Tomaz de Figueiredo) ao Algarve (Lídia Jorge), não faltando naturais dos nossos antigos territórios ultramarinos (Orlando da Costa, moçambicano de ascendência goesa; Almada, nascido em São Tomé).

Li ou reli quatro livros de Agustina, quatro de Lobo Antunes, três de Aquilino, três de Miguéis, três de Vergílio: foram os autores que mais frequentei ao longo destes meses.

 

Hei-de falar mais em pormenor destas leituras que me sensibilizaram não apenas no plano intelectual e estético mas também no plano histórico e social, enquanto retratos da sociedade portuguesa no século em que nasci.

Mas queria anotar desde já alguns dos melhores romances, por ordem de publicação: Emigrantes (Castro, 1928), Vindima (Torga, 1945), A Sibila (Agustina, 1954), A Casa Grande de Romarigães (Aquilino, 1957), Quando os Lobos Uivam (Aquilino, 1958), A Escola do Paraíso (Miguéis, 1960), Barranco de Cegos (Redol, 1961), Sinais de Fogo (Sena, 1979), Os Cus de Judas (Antunes, 1979), Para Sempre (Vergílio, 1983), Auto dos Danados (Antunes, 1985), O Último Cais (Helena Marques, 1992), Trabalhos e Paixões de Benito Prada (Assis, 1993) e O Vale da Paixão (Lídia, 1998).

Se quiserem, digam-me quais são os romances de que mais gostam, entre todos quantos foram publicados em Portugal durante o século XX. Pela minha parte, prometo publicar aqui a tal lista dos dez melhores que me serviu de mote a tão gratificante empreitada.

Confesso: só não o faço já porque ainda me restam alguns livros para ler.

 

Leitura complementar:

Ler em férias

Louvor à prosa de Cardoso Pires

Vinte e oito

Do excelente ao execrável


32 comentários

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De As Gajas do Caraças a 15.02.2020 às 11:18

Falhou as quotas redondamente: leu poucas mulheres. Merece a nossa condenação inequívoca e radical. Inaceitável, só desprestigia o Delito.
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De Pedro Correia a 15.02.2020 às 12:07

Mea culpa, mea maxima culpa...
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De Cristina Torrão a 15.02.2020 às 16:37

Pedro, tem a desculpa de que só nos finais do século, começou a haver mais livros publicados escritos por mulheres. Infelizmente, foi assim.
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De Pedro Correia a 15.02.2020 às 19:34

Mulheres romancistas, convenhamos, houve poucas no século XX português em comparação com homens. A proporção destas minhas leituras desde Maio parece-me adequada à realidade desse século, Cristina: uma autora em cada quatro romancistas.
Faltar-me-ão Irene Lisboa, Maria Velho da Costa, Fernanda Botelho e poucas mais.
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De Paulo Sousa a 15.02.2020 às 11:24

É uma longa lista de coisas a fazer. Vou anotar Pedro.
Obrigado pela seleção.
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De Pedro Correia a 15.02.2020 às 12:08

Gosto destas partilhas, Paulo. Um abraço.
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De Anónimo a 15.02.2020 às 12:16

Boa tarde Pedro Correia
Por estas e outras aqui venho diariamente.
Trabalho que merece várias "chapeladas".
A resposta à sua pergunta - A Sibila
Bom fim de semana.
António Cabral
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De Pedro Correia a 15.02.2020 às 12:46

Nunca tinha lido 'A Sibila' e deixou-me fascinado, confesso. Dos livros que conheço de Agustina, elejo-o como o melhor, sem sombra de dúvida.
Obrigado pela partilha, caro António Cabral. Bom fim de semana para si também.
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De Luís Eme a 15.02.2020 às 12:26

Da minha lista dos melhores, Pedro, faltam pelo menos três: "Os Bichos", de Miguel Torga; "O Delfim" de José Cardoso Pires; e "Alegria Breve" de Vergílio Ferreira.
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De Pedro Correia a 15.02.2020 às 12:44

Bem lembrado, Luís. Eu só anotei os melhores entre os 50 livros que li ou reli de Maio para cá.
Houve de tudo - do excelente ao péssimo. Mas com predomínio claro das obras de qualidade, felizmente.

Em breve tenciono assinalar aqui os que considero melhores romances do século XX (isto exclui 'Os Bichos', livro de contos, embora também se justifique uma lista autónoma para este género literário). E, antes disso, os melhores romances de cada década desse século ainda tão próximo mas que já começa a ficar distante.

Também pondero assinalar os piores romances e novelas. É tema sobre o qual ainda reflicto.
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De As Gajas do Caraças a 15.02.2020 às 17:15

"Miguel Torga; "O Delfim" de José Cardoso Pires; e "Alegria Breve" de Vergílio Ferreira." Tudo machos!! E as quotas de que o Pedro Correia tanto gosta? E nós, As Gajas, também.
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De Pedro Correia a 15.02.2020 às 19:35

Não tem outras quotas para sugerir? Só essa?
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De Luís Eme a 15.02.2020 às 21:11

Embora o Pedro não precise de "advogado de defesa", acho que devem ter a noção (gajas é plural...), de que a literatura, como quase tudo na vida, até 1974, era sobretudo masculina. Até penso que o Pedro ao incluir a Agustina, a Lidia Jorge, a Helena Marques (três em catorze deve ser proporcional em relação aos homens e mulheres que escreviam...), não fugiu muito da média e da realidade de então.
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De Pedro Correia a 15.02.2020 às 23:11

Tenho essa convicção, Luís. Havia muito menos mulheres a escrever e as que escreviam publicavam menos do que os homens.
Entre as prosadoras, Agustina é a excepção mais notória no século XX. Houve casos esporádicos (Fernanda Botelho, Graça Pina de Morais), mas só no último quarto desse século há muito maior presença feminina na literatura portuguesa de ficção. Lídia Jorge começa a publicar em 1980, Teolinda Gersão em 1981, Teresa Veiga em 1981, Clara Pinto Correia em 1984, Helena Marques em 1992, Inês Pedrosa em 1992, etc.
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De Anónimo a 15.02.2020 às 13:39

Para mim, falta "A criação do mundo" do Torga. E José Régio? Mas, parabéns! É uma bela escolha. Isabel
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De Pedro Correia a 15.02.2020 às 13:48

Faltam muitos. Falta, por exemplo, Ruben A: comecei a ler um romance dele mas perdi-me a meio e ficou à margem.
As circunstâncias muitas vezes interferem no ritmo das nossas leituras, mesmo quando temos um plano elaborado com minúcia - como era o caso.
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De As Gajas do Caraças a 15.02.2020 às 17:17

"Torga. E José Régio?" Até tu Isabel nos trais?
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De Anónimo a 15.02.2020 às 13:46

Não me atrevo a pensar que as Antigas e Novas Andanças do Demonio, Jorge de Sena, não fazem parte da lista. Se não, recomendo despretensiosamente o mais notável exercício da língua portuguesa numa série de contos extraordinários, incluindo a sinfonia Os Amantes
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De Pedro Correia a 15.02.2020 às 14:10

Do Sena li (finalmente) 'Sinais de Fogo'. Foi aliás esta leitura que me deu o impulso para esta empreitada. Este romance e 'As Pessoas Felizes', de Agustina.
Por isso não tardei a escrever sobre ambas as obras, com algum pormenor, aqui no DELITO.


Os contos ficam de fora: serão alvo de outra série. Que vai incluir (por exemplo) 'Bichos', de Torga, 'Jogos de Azar', de Cardoso Pires, 'Contos Exemplares', de Sophia, 'Rio Turvo', de Branquinho da Fonseca, 'Leah e Outras Histórias', de Rodrigues Miguéis, e ' Contos da Sétima Esfera', de Mário de Carvalho.
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De Anónimo a 15.02.2020 às 14:59

Os Sinais de Fogo deram-me muito, muito gozo em ler *****. A Vindima e a Escola do Paraíso menos, mas gostei, pese embora do último só me lembrar já dum passo da D. Genciana e do eléctrico em Arroios. De Tomaz de Figueiredo li umas Jornadas, decepadas das últimas c. 80 páginas num exemplar encadernado em meia inglesa cujo autor gravado é… Fialho d’ Almeida (!) (mas que pelo menos salvou-se o livro — arrematei-o assim por 4,95 € numa feira do livro dos últimos anos). Mas li e gostei. E d’ Os Emigrantes também.
Faltam-me muitos dos outros. Alguns são muito recentes e há tanto para trás que me falta. E tempo...
Cumpts.
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De Pedro Correia a 15.02.2020 às 19:44

Nada como fazer um plano de leitura, como fiz em Maio. Duas horas por dia, no mínimo - à luz do sol ou à luz eléctrica. Prescindindo de muita coisa em função deste objectivo. Mas compensa.
Começando por elaborar uma lista com títulos prioritários e dando-lhes prioridade imediata. Alguns poderão decepcionar, mas quase todos valerão a pena. Quando são mesmo bons, agarram-nos num instante. E é com pena que no fim os devolvemos à estante, concluída a leitura.
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De Cristina Torrão a 15.02.2020 às 16:39

Engraçado, também li "Emigrantes" pela primeira vez há pouco tempo.
Excelente romance, sem dúvida. Devia haver mais literatura sobre o tema.
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De Pedro Correia a 15.02.2020 às 19:39

Conheço quase toda a obra de Ferreira de Castro. Mas por algum motivo nunca tinha lido 'Emigrantes' - seu primeiro romance da maturidade como autor. Apesar de ter o livro em casa desde a adolescência.
Ficou lido agora. E gostei muito. Não apenas pela escrita, bem treinada pela experiência jornalística do autor, mas também por ser um impressionante documento de uma época - a dos anos da I República, quando a emigração para o Brasil tinha sido reactivada, fomentando o abandono dos campos portugueses, na fuga à fome e à miséria. Só que o Eldorado brasileiro acabava quase sempre por ser uma miragem.
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De Bea a 15.02.2020 às 19:03

Falta-me ler um terço dos livros que nomeou e alguns autores como Miguéis e Figueiredo nunca os li. Mas, há romances de que não lembro absolutamente nada, como A Sibila que, no meu tempo era livro de leitura obrigatória na escola e que então pedi emprestado e li. Não gostei muito. Agustina não é leitura facilmente mastigável por adolescentes.
Fico à espera de outras opiniões sobre o que leu.
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De Pedro Correia a 15.02.2020 às 19:53

No meu tempo de estudante liceal Agustina não figurava no plano oficial de leituras. Li 'Os Lusíadas', as 'Viagens na Minha Terra', 'Os Maias', poucos mais.
Comecei cedo a ler autores portugueses fora do que se estudava nos bancos escolares: Torga, Vergílio, Namora, Ferreira de Castro, Cardoso Pires, Sttau Monteiro. Além dos poetas, claro.
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De cheia a 15.02.2020 às 19:41

São muitos! Mas, adianto já um: Ensaio Sobre a Cegueira, de Saramago.
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De Pedro Correia a 15.02.2020 às 19:47

Compreendo bem esse destaque. Tenciono escrever também sobre 'Ensaio Sobre a Cegueira' em breve aqui no blogue.

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