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Cine-Espanha (5) - El Laberinto del Fauno

por Diogo Noivo, em 15.03.16

El-laberinto-del-Fauno.jpg

 

Norte de Espanha, 1944. A Guerra Civil terminou há cinco anos. As poucas bolsas de resistência republicana que sobreviveram são cruelmente perseguidas pelo exército e pela polícia de Franco. Trata-se da ofensiva final, destinada a construir a “nueva España” ambicionada pelo Caudillo.  

Num pequeno pueblo de montanha, o Capitão Vidal (Sergi Lopez), oficial da infame Polícia Armada, é o responsável pela eliminação dos grupos de combate republicanos bem como de qualquer pessoa que com eles colabore. Carmen (Ariadna Gil), mulher de Vidal, a semanas de terminar uma gravidez de risco, faz uma longa viagem até à casa de montanha para se juntar ao marido. Acompanha-a Ofelia (Ivana Baquero), de 13 anos, filha nascida de um primeiro casamento. Na primeira noite passada em casa do padrasto, Ofelia é acordada por um insecto que a conduz até um labirinto. E é nesse labirinto que encontrará uma criatura, um fauno, que lhe fará uma revelação surpreendente e lhe abrirá as portas de um mundo fantástico “donde no existe la mentira ni el dolor”. Compete ao espectador decidir se esse mundo fantástico é real ou se é um refúgio criado pela imaginação de uma criança que quer fugir aos horrores do pós-guerra. Em boa verdade, estas duas opções não são mutuamente exclusivas.

 

  

A filmografia de Guillermo del Toro, sobretudo enquanto realizador, assenta na existência de mundos paralelos e soturnos, inacessíveis ao comum dos mortais, que embora sendo do domínio do paranormal dizem sempre mais sobre a espécie humana do que sobre as criaturas disformes que habitam essas realidades alternativas (vejam-se Hellboy I & II, Crimson Peak, Blade II ou ainda a série televisiva The Strain). El Laberinto del Fauno não é excepção. No entanto, este filme distingue-se dos restantes por subverter a ‘disneyficação’ das histórias infantis, invalidando por completo o tom benigno associado aos contos de fadas. De resto, segundo o próprio del Toro, a fantasia não é escapismo, mas sim uma forma de confrontar os horrores da realidade.

 

Dos filmes que apresentei até ao momento aqui no DELITO, via Cine-Espanha, este será o mais conhecido. É uma fama merecida. Produção conjunta entre Espanha e o México, El Laberinto del Fauno é a magnum opus do realizador, produtor e argumentista mexicano Guillermo del Toro.

 

Curiosidades:

  1. Obteve 3 dos 6 Óscares a que foi candidato – Melhor Maquilhagem, Melhor Direcção Artística e Melhor Fotografia. Perdeu na categoria de Melhor Filme Estrangeiro para a magistral longa-metragem alemã Das Leben der Anderen (As vidas dos outros, 2006).
  2. Ivana Baquero, cuja interpretação em El Laberinto del Fauno lhe valeu o Goya de Melhor Actriz Revelação, integra o elenco do recém-estreado filme português Gelo.
  3. O célebre realizador mexicano Alfonso Cuarón, o primeiro hispânico a vencer o Óscar para Melhor Realizador (com Gravity, de 2013), é um dos principais produtores deste El Laberinto del Fauno.
  4. Como em todos os filmes de Guillermo del Toro, também aqui não faltam insectos nem a habitual imagética recheada de referências a símbolos do catolicismo.

 

Realizador: Guillermo del Toro

Elenco: Álex Angulo, Ariadna Gil, Doug Jones, Ivana Baquero, Sergi López, Maribel Verdú

Ano: 2006

Prémios Goya: 13 nomeações na 21ª edição dos prémios Goya (2007). Venceu em 7 categorias – Melhor Guião Original, Melhor Direcção de Fotografia, Melhor Actriz Revelação, Melhor Montagem, Melhor Som, Melhores Efeitos Especiais e Melhor Maquilhagem. Perdeu nas categorias de Melhor Filme e de Melhor Realização para Volver, de Pedro Almodóvar. Como é sabido, Volver e a escolha de Penélope Cruz como musa marcam o início do fim do interesse cinematográfico de Almodóvar.

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9 comentários

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De Maria Lopes a 15.03.2016 às 11:16

Belíssimo filme. Já passou na Fox diversas vezes.
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De Diogo Noivo a 15.03.2016 às 15:54

É verdade. Muito embora o cinema espanhol mereça pouca atenção em Portugal, o ‘El Laberinto del Fauno’ é dos poucos que foge à regra. E ainda bem, pois, como diz, é um filme belíssimo.
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De Pedro Correia a 15.03.2016 às 12:23

Belíssimo filme. Vi-o sem referências prévias, de surpresa, e gostei muito. Da história - cruzamento de cinema político com 'fairy tale' - e da originalíssima realização e dos desempenhos. E travei conhecimento com Maribel Verdú, uma actriz a cujo talento continuo a prestar tributo.
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De Diogo Noivo a 15.03.2016 às 15:49

A Maribel Verdú, para além de ser uma mulher lindíssima, é uma actriz excepcional. O papel que interpreta em ‘Y Tu Mamá Tambien’ (2001, Alfonso Cuarón) é alucinante, tal como é memorável a sua personagem em ‘Los Girasoles Ciegos’ (2008, José Luis Cuerda). Se não viste ainda, Pedro, sugiro-os vivamente.
No entanto, foi com ‘Siete Mesas de Billar Francés’ (2007, Gracia Querejeta) e com ‘Blancanieves’ (2012, Pablo Berger) que merecidamente vence os Goya de Melhor Actriz – como escrevi no primeiro post deste Cine-Espanha, ‘Blancanieves’ é, ex aequo com ‘La Isla Mínima’ (2014, Alberto Rodriguez), o terceiro filme com mais galardões na história dos Goya. Tenho vários filmes na calha para trazer ao DELITO, mas tentarei juntar à lista este ‘Blancanieves’ e ‘Los Girasoles Ciegos’.
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De Pedro Correia a 15.03.2016 às 22:24

Tenho muita pena de nunca ter visto o 'Blancanieves'. Também me confesso rendido ao charm... digo, ao talento da Maribel. De Espanha, ao contrário do que diz o velho rifão, vêm bons ventos.
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De J. M. a 15.03.2016 às 13:53

Um dos filmes que nunca canso de rever!
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De Diogo Noivo a 15.03.2016 às 15:51

É um filme excepcional! Embora a acção decorra numa época perfeitamente datada, a força da mensagem transmitida e a qualidade técnica deste filme não passam de moda.
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De João Campos a 15.03.2016 às 20:27

Um filme excepcional de um dos meus realizadores contemporâneos preferidos. A cena do Pale Man é sempre de arrepiar.

(e o Del Toro tem outras duas pérolas nos seus dois "Hellboy", adaptações excepcionais da banda desenhada uns bons anos antes de a banda desenhada ter tomado Hollywood de assalto)
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De Diogo Noivo a 18.03.2016 às 18:46

Vou até um pouco mais longe, João, e digo que o Pale Man se tornou num elemento essencial da memória colectiva do cinema contemporâneo.

(E sim, o Hellboy é uma excelente adaptação de uma BD ao cinema, embora o primeiro me pareça muito superior ao segundo - principalmente no que toca ao argumento. Consta que vem aí o Hellboy 3, também pela mão do del Toro. Confesso alguma ansiedade. )

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