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Ciclos de vinganças

por João André, em 21.07.14

E entrtanto, em Israel, um exército lá vai avançando à bruta sobre um dos territórios mais densamente povoados do mundo em busca de inimigos que se escondem no meio da sua própria população. Fora o serviço social que presta à própria população, não tenho qualquer simpatia pelo Hamas, como não tenho simpatia por gente que ataca civis, independentemente das suas justificações.

 

Da mesma forma também não tenho simpatia por um Estado que abusa do seu poder desproporcionadamente superior para entrar pelos territórios palestinianos adentro sabendo que irá matar muita gente de forma indiscriminada. Quaisquer comentários que acusem o Hamas de ser o responsável por essas mortes dizem mais de quem os escreve/diz do que qualquer coisa em si mesmos.

 

Já muitas vezes o defendi. A única solução para a espiral de violência em Israel e na Palestina é que um dos lados decida, por uma vez, não retaliar. Que aceite que, por má que seja a solução, algumas mortes hoje pouparão muito mais vidas no futuro. Sendo o lado mais poderoso e o único que pode proteger passivamente a sua população (o sistema "Cúpula de Ferro" tem conseguido manter a zero as vítimas dos rockets artesanais do Hamas), Israel seria a solução lógica para tomar esse passo, não retaliando e, idealmente, começando a considerar libertar (ou pelo menos negociar) com Marwan Barghouti.

 

Israelitas e palestinianos parecem os membros de duas famílias sicilianas num filme estereotipado sobre a Mafia. Ninguém sabe porque razão se começaram a matar, mas cada morte acarreta nova obrigação de vendetta. A solução para o problema, semelhante à de cima ou outra qualquer, passará provavelmente por uma má paz, mas esta será semrpe preferível à melhor das guerras.


25 comentários

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De lucklucky a 21.07.2014 às 11:25

Os mortos estão no seu lado . São pessoas como você que recompensam políticamente o Hamas com mortes Palestinianas. Tornaram a situação política - ou melhor falta dela - no lado Palestiniano no que ela é:

Um Governo Islamista que não tem interesse algum em proteger a sua população.

Enquanto o Hamas é recompensado por cada jornalista, jornal ou TV por cada morte de um Palestiniano, logo tem todo o interesse em que os mortos Palestinanos sejam os bastantes.
E tal vê-se no uso de instalações civis, ambulâncias e escolas e na inexistência de interesse algum na sua protecção.
Posto isto você ainda tem a lata de elogiar as "preocupações sociais" do Hamas.

Enquanto do outro lado temos um Governo que é politicamente penalizado se não se preocupar com a sua população: Por isso tem sistemas complexos de aviso de rockets, abrigos, Iron Dome.

Israel poderia ter investido esses recursos para matar. Talvez fossem mais e mais igualitárias as mortes e nesse caso não teriamos este post a celebrar o barbarismo.

"Sendo o lado mais poderoso e o único que pode proteger passivamente a sua população (o sistema "Cúpula de Ferro" tem conseguido manter a zero as vítimas dos rockets artesanais do Hamas)"

Ou seja sem vergonha você confirma o que eu disse. Israel deve deixar israelitas morrerem. Também devem ser os bastantes suponho.

Estranho que não proteste quando uma troca de Prisioneiros é 1:1000
E voltamos ao início, ao não protestar a proporcionalidade na troca de prisioneiros demonstra mais uma vez que para a Esquerda o racismo, a desigualdade é só para utilizar quando conveniente.

Ao protestar a retaliação Israelitas mas não os anteriores rockets Palestinianos também ficamos a saber a bem que a defesa do Hamas é o que lhe interessa.

Não é de admirar, basta ouvir que alguém tem "serviços sociais" e desculpa-se logo a tirânia, a falta de liberdade, a inexistência de jornais livres, as execuções indiscriminadas com os corpos expostos na praça publica para exemplo edificante de civilização.

Isso já é tudo socialmente aceitável para João André.
Pois o ònus todo deste texto fica no lado israelita.

E para isso passar o objectivo ideológico/religioso do Hamas destruir Israel é convenientemente esquecido.


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De João André a 21.07.2014 às 11:44

Se voltar a tresler o meu comentário dessa forma, seja por ignorância, burrice, parvoíce, cegueira, pressa ou qualquer outra razão, apago-lho. Já o disse múltiplas vezes: se me insultar deixo de lhe aprovar comentários!

Quanto ao que escreve acima, um ou outro ponto que até valessem a pena ser discutidos estão tão diluídos na sua cegueira que não me dou ao trabalho.
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De lucklucky a 22.07.2014 às 10:00

Não há tresler nenhum.

Nenhum ónus, nenhuma obrigação você imputou ao Hamas.

Ou seja você pune quem protege os seus civis e dá carta branca a quem nem sequer protege os seus civis. Nem vamos falar dos civis dos outros.

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De João André a 22.07.2014 às 12:18

«nenhuma obrigação você imputou ao Hamas»

Tem razão, não o fiz. Tenho razões para isso que nada têm a ver com simpatias por eles. Não espero simplesmente nada vindo do Hamas. Eles têm interesse na violência, que é o garante do seu status quo perante os palestinianos. Por isso peço a libertação de Barghouti que, estando longe de ser um anjinho ou um amigo de Israel - ou sequer ter simpatias por Israel, não é um radical simplesmente por interesses de poder (ou não o foi no passado) e poderia ajudar a contrabalançar o peso do Hamas na opinião pública palestiniana.

Se o Hamas fosse sério seria possível negociar a paz, alguma paz. O mesmo se pode escrever sobre Israel. Como o Hamas não é sério e, ao contrário de Israel, não é democrático, não tenho quaisquer expectativas deles. Devem ser votados ao abandono enquanto se tenta negociar com quem é sério ao mesmo tempo que se aguentam estoicamente as birras do Hamas.

Isto custaria vidas israelitas? Provavelmente mas infelizmente, quando se faz uma contabilização, menos que a alternativa. As centenas de rockets do Hamas terão morto um ou dois israelitas. A incursão contra o Hamas terá morto 20 ou 30 para já, isto sem contar com o meio milhar de vidas palestinianas (que para si parecem valer menos).

Por fim, não quero punir quem protege os seus civis. Israel protege os seus civis. O sistema anti-míssil protege Israel. O Hamas poderia continuar a despachar rockets até ao dia do juízo final que, a este ritmo, mataria 3 pessoas, 5 cães e um canário. O trânsito em Jersualém deve ser mais perigoso. Isto desculpa o Hamas? Obviamente que não. Agora não me venha dizer que entrar pela faixa de Gaza adentro e massacrar 500 pessoas, a maioria civis, é "proteger a sua população".

O que acho piada é que tenha lido o suficiente na minha ausência de referência às responsabilidades do Hamas num processo de paz para depois me dedicar os insultos acima. Da próxima vez respire fundo, conte até dez e escreva antes o segundo comentário que, continuando a ser abusivo na interpretação que faz, ao menos não é insultuoso.
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De lucklucky a 23.07.2014 às 09:14

"Não espero simplesmente nada vindo do Hamas"
Esta frase é um exemplo acabado de auto imposto autismo. Na essência vamos fingir que o Hamas não existe. É evidente que não é isso que se passa como se verá a seguir.

"Isto custaria vidas israelitas? Provavelmente mas infelizmente, quando se faz uma contabilização, menos que a alternativa. "

A paz com Hitler também custaria menos vidas, não existirem guerras de libertação do colonialismo também.
Ou seja o Governo Israelita deveria optar por ser mais como o Hamas. Ter mortos continuadamente. Isto sem destruir capacidade alguma do Hamas.

"As centenas de rockets do Hamas terão morto um ou dois israelitas. A incursão contra o Hamas terá morto 20 ou 30 para já, isto sem contar com o meio milhar de vidas palestinianas (que para si parecem valer menos)."

Os Palestinanos valem menos para o Hamas, mas você coloca as culpas nos Israelitas, está de acordo com a lógica.

"Agora não me venha dizer que entrar pela faixa de Gaza adentro e massacrar 500 pessoas, a maioria civis, é "proteger a sua população"."

É claro que é proteger se destruir capacidade militar do Hamas.
Demonstra ao mesmo tempo mais uma vez recompensar o barbarismo do Hamas.
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De João André a 23.07.2014 às 10:47

Ahhh, já cá faltava a inevitável lei de Goodwin...

OK, proteger a própria população é massacrar civis de outros, uns quantos combatentes inimigos e deixar morrer um maior número dos próprios cidadãos que a alternativa (25-30 soldados até agora vs uns 2 ou 3 civis em rockets). Estou esclarecido.
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De am a 21.07.2014 às 11:36

Concordo...

Os milhares de misseis lançados pelo Hamas sobre território de Israel...não tinham por objectivo matar ninguém, civil ou militar... O exercito israelita enganou-se: -- "aquilo" era fogo de artificio para celebrar o Ramadão!

... Quanto à proporcionalidade também concordo : Israel devia (deve) lançar sobre o território de Gaza, precisamente o mesmo número misseis dos que o Hamas lançou!

Não devemos esquecer que os misseis gazenses se encontram "camuflados" em casas de habitação... Habitações do POVO ... do POVO, porque as dos "comandantes" e dirigentes estão fora do território!

O Hamas não quer a Paz... ele só sobrevive com a Guerra...

Os petrodólares já começaram a caírem no território!
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De João André a 21.07.2014 às 11:49

E a incursão nos territórios palestinianos são apenas umas excursões para ir ver os túneis. Não têm como objectivo aleijar ninguém, é apenas azar por causa do trânsito. Esses malandros dos palestinianos é que têm culpa de andar a morrer, que parvos.

É como no passado. Quem mandava os judeus serem-no? Se se tivessem convertido a tempo não tinham sido quase massacrados até à extinção. A culpa é deles.

Quanto a proporcionalidade, é-me indiferente a sua visão: estes últimos rockets palestinianos não mataram uma pessoa que fosse. Mas os israelitas pensam da mesma forma: se os palestinianos lhes atirassem umas 100 mil pedras suponho que os israelitas responderiam com 100 mil mísseis. O mesmo número de projecteís, portanto.

Só concordo com uma coisa do que escreve: O Hamas não quer a paz. Quem ler o meu texto sem raiva ou preconceitos percebe a minha posição.
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De lucklucky a 22.07.2014 às 10:03

A única desproprocionalidade:

É um Governo ser obrigado a proteger a sua população se não vai para rua.

E um Governo que não só não é obrigado a proteger como as usa como escudo. Dispara de mesquitas, escolas e hospitais.

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De João André a 22.07.2014 às 12:19

E outro que dispara contra mesquias, escolas e hospitais.

A diferença entre mim e V. é que eu condeno os dois lados. V. só condena o Hamas.
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De cenas underground a 21.07.2014 às 12:27

Na parte final do seu texto refere que já ninguém sabe porque se começaram a matar. Não é verdade. A Palestina, ano após ano, perde território. Aliás, Israel está em solo Palestiniano. Passe o exagero, dá impressão que isto só acabará quando tudo ficar ocupado por Israel e não restar solo Palestiniano. A comunidade internacional esteve mal, no momento em que fundou Israel oferecendo solo que não era seu, e esteve mal durante todas estas décadas por permitir os colonatos. A paz beneficiria largamente o agressor. Poderá ser a solução possível, mas querer a paz é uma maneira mais bonita de dizer que se pretende que a Palestina continue a ser ocupada sem resistir.
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De João André a 21.07.2014 às 12:32

Aquilo que escrevi foi um manifesto exagero, mas tem um grão de verdade: se há quem aponte para a criação do estado de Israel, outros apontarão para motivos mais antigos, numa espécie de corrida à história para justificar os seus actos.
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De lucklucky a 22.07.2014 às 10:41

Pois Portugal não deveria ter declarado a independência,
nem Angola, nem Moçambique, nem a Sérvia, nem os Estados Bálticos, nem os EUA.
Mas suspeito que esta regra só se aplica a Israel.
Pois para o cenas underground a Jordânia já existe muito bem.

Nem percebe que a única razão porque existem Palestinanos é porque existe Israel.
Se não existisse Israel a Palestina seria do Egipto e da Jordânia e o cenas underground votaria o mesmo desprezo que volta a todos os povos oprimidos do Médio Oriente.

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De João André a 22.07.2014 às 12:21

«a única razão porque existem Palestinanos é porque existe Israel»

Acredita mesmo nalgumas coisas que escreve?
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De da Maia a 21.07.2014 às 12:44

Não há apenas a questão do Hamas usar a população civil, a própria população civil apoia o Hamas contra Israel. Por isso, não se deve falar propriamente em vítimas inocentes na acção israelita, já que as próprias crianças estão ligadas a essas famílias cujos pais simpatizam com a acção do Hamas. São inocentes pela responsabilidade paternal. Acresce que Israel avisou que iria intervir naquela área, o que de alguma forma os habitantes saberiam que corriam riscos.

Dito isto, convém não esquecer que uma situação semelhante se passou na 2ª Guerra Mundial, e em tantas outras guerras de guerrilha.
Os nazis não visavam as populações civis, preferiram que elas fossem colaboracionistas. Porém, eram implacáveis com as populações que albergavam ou serviam de escudo às facções da resistência.

Assim, este modus operandi de Israel encontra algum paralelo na forma de actuação nazi com as populações civis que não aceitavam o seu domínio.
Isto já para não falar que Israel alimenta a ideia de "povo superior" e vai tratando os palestianos da forma mais indigna admissível, alimentando assim a espiral de violência com violência.

Aquilo que foi chamado "Solução Final", segundo os documentos nazis, não se referia à exterminação dos judeus.
Está documentado que se referia exclusivamente à deportação dos judeus para um outro território. A escolha da Palestina é óbvio que trazia problemas, e não era essa a ideia alemã... e os próprios ingleses hesitaram, até que começaram a ser vítimas de atentados terroristas pelos sionistas israelitas, após 1945.

O problema mais que óbvio, é que Israel nunca fez intenção de cumprir o estipulado pela ONU, excepto talvez com Isaac Rabin, que foi logo assassinado.
Os EUA dão cobertura a essa violação, e assim a ONU nunca será ONU enquanto houver violações impunes das suas decisões.

É um desequilíbrio pensar que Israel e Palestina alguma vez estiveram em equilíbrio. Por motivo de alegada defesa, é Israel com a sua intransigência, que tem fomentado todas as razões para uma guerra sem fim. O Hamas cresceu porque Israel fez tudo para que as posições moderadas anteriores não dessem em nada nas negociações. Esperou violência, para justificar violência.

Israel é um estado religioso, e por isso não se pode desligar a sua actuação de toda a mitologia bíblica que o justificou. Eles são os filhos legítimos de Sara, os outros são os filhos escravos de Agar. Por muito que queiram ser objectivos, a herança de uma religiosidade subjectiva não os larga, e aguardam nos calendários lunares a vinda messiânica prometida... sabe-se lá por que visões de realidades paralelas antigas, alimentadas por alucinogénios antigos.
Pior, há facções cristãs que também entram nessa mitologia e vêem na insanidade judaica uma razão para outra vinda messiânica - de Jesus.
Por isso, o caldo é ainda religioso, e não há nada de racional no caos que se pretende alimentar.
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De José Navarro de Andrade a 24.07.2014 às 11:36

"Aquilo que foi chamado "Solução Final", segundo os documentos nazis, não se referia à exterminação dos judeus.
Está documentado que se referia exclusivamente à deportação dos judeus para um outro território. "
???????????????????????????????????????????????????!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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De wolfman a 21.07.2014 às 14:16

este post diz tudo sobre quem o escreveu!
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De João André a 21.07.2014 às 16:34

Fico feliz que saiba tudo sobre mim através deste post. Pode já agora explicar-me esta dorzita lombar do lado esquerdo? É que o médico diz que é de ter feito um esforço a mais e eu assim não me lembro de nada, passo os dias refastelado no sofá (como V. certamente já sabia).
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De da Maia a 21.07.2014 às 16:48


Se o João se resume a quase 2000 caracteres, o wolfman ficou-se pelos 40...
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De William Wallace a 21.07.2014 às 19:54



Dei uma gargalhada valente !

Off-topic

Caro da Maia num post abaixo fez menção á necessidade de reconhecermos os nossos erros, pela parte que me toca deve ser um dos meus maiores defeitos para poder sobreviver nos dias de hoje.

Sou demasiado isento e racional fruto da educação dada pelos meus pais (especialmente o meu pai) e depois fortemente solidificada numa passagem pelo ensino superior e também no trabalho que desenvolvi até ficar desempregado.
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De da Maia a 22.07.2014 às 00:09

Caro WW,
eis como eu vejo a situação.
Você, eu, e a maioria dos comentadores é identificável, mas não está identificado.
A maioria das pessoas não saberá quem são os anónimos, e só seriam identificados no âmbito de um hipotético processo, sei lá, de difamação, racismo, coisas previstas pela lei e que podem colidir com a liberdade de expressão.

O mesmo não se passa com os autores do blog, que estão identificados... uns mais que outros, pela sua visibilidade pública.
Como o WW sabe, a comunicação social foi muito meiga com alguns barões da nossa praça, e a extensão da sua influência não desapareceu.
Assim, sempre que um meio de comunicação cresce, também são mais os olhos postos sobre ele, e as pressões fazem-se das mais diversas formas... até num simples desvio de olhar. Isso não acontece com os identificáveis, mas pode acontecer com os identificados.
Nesse sentido, se o Pedro pode argumentar que dá liberdade de expressão a quem aqui escreve, cumprindo um dos princípios democráticos mais louváveis, acrescido de respostas na maioria dos casos, pode sentir-se condicionado. E mesmo que ele viesse aqui declarar que não estava, isso seria inócuo.

Logo, nós sabendo que isso é evidente, devemos compreender as limitações, e talvez ler mais nas entrelinhas do que nas linhas. Assim, como ficou evidente no novo post sobre o avião caído, o Pedro voltou ao tema, e ao dispensar falar das mortes de Gaza, não deixou de ser suficientemente abstracto para o englobar.
Porque não o fez directamente? Não sei, tanto pode ser porque o problema é complicado, como pode ter arranjado uma namorada que não quer que ele fale disso (eh eh)... há inúmeras hipóteses!

Por isso, o Pedro pode ter algumas razões próprias para puxar as orelhas aos comentadores, e noutros casos são mais que próprias, vão ao campo do "politicamente" correcto. Assim, se ele nos atura, nós também devemos compreender que ele se aborreça... e podemos reconhecer falhas quando elas têm razão de ser.

Caso completamente diferente é outra situação de reconhecer falhas, e agora vamos à sua postura fora do blog.
Devemos ser sinceros, honestos, mas não temos que ser transparentes com pessoas que visam usar essa nossa transparência para benefício alheio. A maioria dos valores morais ensinados é correcta, mas é para uma sociedade de anjinhos, e há no meio de nós muitos diabretes - alguns dos quais disfarçados de anjinhos.

Por isso, o único ensinamento moral que congrega todos, é colocar-nos na posição do outro. E chamar a atenção ao outro sobre a mesma atitude.
Se a atitude moral dele for bem justificada, e reconhecermos os erros, então o problema é nosso e temos que corrigi-los. Se o outro tiver apenas a pensar no seu problema, ou no problema de um grupo que não nos inclui, então nada devemos ao seu esclarecimento. Não devemos adoptar por uma posição de falsidade, que só leva a problemas adicionais, mas podemos optar pela omissão. Certamente que não devemos é favorecer uma posição que nos exclui.
Por exemplo, podemos aceitar ficar numa fila, por uma questão de ordem, mas não devemos tolerar que todos nos passem à frente, só porque deixámos passar alguém em dificuldades.

Não sei se fui mais claro, mas o ponto principal é não assumir que os outros têm as mesmas boas intenções que nós, até que isso seja evidente pela sua acção ou justificação.
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De William Wallace a 22.07.2014 às 16:41

Muito obrigado pelas suas palavras !

Sou de facto um bocado anjinho, na classificação de uma psicóloga aqui do burgo onde vivo, fui considerado pouco competitivo no sentido de "competir" com o outro no mesmo meio (trabalho, equipa) onde estamos inseridos e não competir com o adversário, essa clarificação fez-se logo na minha cabeça, se eu tenho de me anular ou porfiar mais para que o todo ganhe e eu ganhe também pois que seja, agora "competir" (no sentido pejorativo do conceito) com o colega nem que o todo se lixe, já não consigo.

Quanto á atitude que apontei ao Pedro Correia (que não conheço a não ser pelo que aqui escreve e da forma como escreve) mantenho o que disse pois quem tem uma tribuna privilegiada na blogosfera não pode ceder a politicamente correctos ainda para mais na situação em que Portugal e os Portugueses se encontram mas cada vez mais me convenço que se calhar a malta assim quer pois não entendo a sua inacção pelo menos dos que ainda poderiam fazer alguma diferença, não sei ...... , não sei mesmo o que pensar........

Já acompanho o Delito há bastante tempo para tirar ilações acerca de quem aqui escreve, como escreve e porque escreve, faço-o não para atacar ninguém mas porque simplesmente é dos poucos "sítios" que não está ainda tomado por pessoas totalmente (ainda vão tendo vergonha, comentadores inclusive) a favor do status quo (pelo menos até ele mudar) e o que me impressiona mais é mesmo o que está nas entrelinhas ou nos silêncios.

É curioso que fale em pormo-nos no lugar do outro, por acaso "apanhei" com esse discurso no meu 1º ano de faculdade ou o de não fazermos juízos de valor e pensarmos e agirmos de modo holístico, foi um azar do caraças pois eu pelo que já tinha passado até então não precisava dessa injecção mas o pior foi verificar que o que nos pregavam dentro das aulas não era aplicado pelos professores e alguns até de forma bastante ostensiva fosse com os colegas ou alunos.
Ora não me conseguindo adaptar a isso e estando numa área de formação que gostava e que sempre encarei com espírito de missão acabei por desistir e não me arrependo pois vendo e sabendo tudo o que acontece por lá (e já acontecia) não teria durado muito por lá e provavelmente estaria desempregado na mesma.

Mais uma vez obrigado pelas suas palavras da Maia !

P.S. - Não entenda mal a parte do discurso, é um bom discurso, é pena que caia em saco roto face ao hedonismo e imediatismo reinante que não augura nada de bom para TODOS mesmo para aqueles que pensam que estão "seguros"
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De da Maia a 23.07.2014 às 15:42

Meu caro,
não é a facilidade que justifica a inteligência humana, mas sim a dificuldade.
A facilidade resulta de uma receita, e quem usa a facilidade apenas é intérprete dessa receita de sucesso. Pode até ser uma máquina.
Quando o mérito é da receita, o cozinheiro sabe que a única coisa que o valoriza é escondê-la no avental.
Porém, essa competição incessante não pára até que se perceba que o objectivo não é comer os outros, mas sim comer com eles.
Companhia é suposto derivar de "companes", "com pão", partilhar o mesmo pão... e nada tem a ver com Companhias que tiram o pão aos outros.

Em vez de pensar por que razão P não adopta a minha posição, procuro perceber por que razão P adopta a sua posição. É melhor convidar o outro a mostrar por que razão estamos errados. Nesse processo ou o outro sucede nisso, e aprendemos com ele, ou é o contrário (ou pode haver ambiguidade até outro esclarecimento).

Interessa-nos que o outro saiba tão bem ou melhor que nós, o que está a fazer.
Infelizmente, o que vemos é pessoas a tirar vantagem do seu conhecimento, escondendo-o, julgando que isso os coloca acima dos restantes.
Têm medo da inteligência dos outros.
Eu não tenho - porque havendo melhor inteligência, ela será mais útil. É mais temível a irracionalidade de feras, do que a racionalidade de sábios. Por isso, todos beneficiamos com a partilha de conhecimento.

O hedonismo é uma filosofia correcta na perspectiva materialista. Por isso, o grande problema é que se cultivou esse materialismo científico, de que o corpo existe sem a mente. Ora o nosso raciocínio não é explicável em nada pela Ciência vigente. Basta ver que se fossemos finitos nunca conceberíamos o infinito.
Os cientistas varreram para debaixo do tapete todas as evidências que mostram que sem observadores não se observa nada... ou seja, que o universo não existe sem nós:
http://odemaia.blogspot.pt/2014/07/duplo-corte.html
Se quiser continuar aí esta conversa, e para não sobrecarregar o João, posso até explicar-lhe por que razão, até na perspectiva da física actual, a morte do próprio tem probabilidade zero de ocorrer. É claro que a morte dos outros é um dado adquirido, num certo sentido - qualquer mudança implica um desaparecimento.
A realidade é um acordo, com o duplo sentido - estamos sobre esta realidade quando acordamos dos sonhos, e esse é o acordo que temos...

Assim, se o hedonismo se pode justificar num tempo limitado, é uma filosofia que arrisca consequências "muito complicadas" num tempo ilimitado! Por isso, até os hedonistas, sem saberem porquê, não se sentem muito confortáveis nessa via... de solitude absoluta.
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De João André a 24.07.2014 às 08:38

Só para esclarecer: esta conversa não me sobrecarrega nada. É extremamente agradável e divertida de seguir. Por mim podem continuar enquanto quiserem
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De da Maia a 26.07.2014 às 12:14

Obrigado João, pela consideração.
Normalmente, há certas referências que resolvem o assunto pela raiz.

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