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Chico

por jpt, em 21.05.19

Conheci Chico Buarque no gira-discos da minha irmã - eu menino, 8 ou 9 anos (mana terei eu dito, confessado, já nestes meus tantos 54s, que tu és "o meu amor"?). Deram-lhe agora o Camões - e o meu querido magnífico Nataniel Ngomane participou nisso, e é assim ainda mais belo. Não sei da justificação do júri, nem verdadeiramente importa, tantas as imensas canções que me (nos) fizeram a vida. Terá sido, creio, até certo disso, ao "escritor de canções", libertados os jurados das algemas dos "estilos" por via do rumo do nobel.

E é também lindo por ser Chico um alvo dos polícias da mente da agora. E, ainda por cima, rio-me, por ser ele, enquanto ficcionista, tão .... reaccionário. Tão ... Buarque de Holanda.

Vénia, poeta-cantor. Bebamos do teu cálice.

E

é uma obra vida vasta Deixo (mais para os mais novos) uma hora e meia excepcional. Entre tantas outras ...

 

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2 comentários

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De Pedro Correia a 21.05.2019 às 23:25

Merecidíssimo prémio. A um grande cantautor, grande poeta, grande escritor. Intérprete de pelo menos dois discos da minha vida, que me acompanham desde a adolescência.

A propósito de Chico Buarque, lembro um texto que aqui publiquei, vai para três anos, sobre 'Leite Derramado':
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/a-memoria-e-uma-vasta-ferida-8602110
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De jpt a 22.05.2019 às 07:20

Eu tenho uma opinião um bocado diferente da tua sobre o escritor ficcionista. Agrada-me mas não me delicia. Em tempos também bloguei sobre o "Leite Derramado": https://ma-schamba.blogs.sapo.pt/861003.html

Quanto ao prémio de agora junto isto, que botei em comentários no FB:

“Não estamos a premiar o músico. Estamos a premiar o homem da literatura” disse ao PÚBLICO Manuel Frias Martins, o português que presidiu à reunião do júri que esta terça-feira decidiu atribuir a Chico Buarque o Prémio Camões."

Tornar-se-ia assim um bocado mais complicado saudar o prémio, mas enfim, é o Chico Buarque, pouco importa qual a justificação oficial e o "espírito" (os critérios) da atribuição do prémio - afinal assente, segundo o presidente do júri, numa frágil reclamação burocrática, em contramão com o ambiente intelectual que levou à premiação de Dylan pela academia Nobel. Parece-me, como mero leitor, e muito simpatizando com o autor, uma declaração pobre: os livros do Chico são simpáticos mas não farão dele um excepcional escritor. É um fabuloso escritor de canções que escreve romances simpáticos.

Para mais o Camões não premeia obrigatoriamente aqueles que são "homens da literatura" - foi atribuído a Eduardo Lourenço, cuja única ficção que conheço é o posfácio à obra do "engenheiro" Sócrates, o qual por sí só não justificaria o prémio e que até lhe é posterior - e António Cândido. Certo, formalmente pode-se dizer que "homem da literatura" abarca os analistas desta mas parece óbvio que não é disso que se trata quando se utiliza a expressão. Francamente não percebo a pobre declaração do presidente do júri - que será com toda a certeza uma autoridade na área.

Mais, o Camões é um prémio político - mostra-o explicitamente o crítério da rotatividade matizada pelos países (que conduziu a que escritores como Pepetela ou Mia Couto o tenham ganho, o que mostra como a premiação está para além de um cânone exclusivamente literário), mostra-o a alternância entre Portugal e Brasil, macaqueou-o a atribuição pelos apparatichiki académicos socialistas ao menor Manuel Alegre, e à sua pobre "poesia de combate".

A subida ao poder de Bolsonaro também deve ter contado para isto. Como tal conviria que se lembrassem do que aconteceu com Nassar - o ministro da cultura brasileiro insultou-o na cerimónia de atribuição do prémio, num discurso vergonhoso. E reclamou para o seu governo, o seu país, o monopólio da atribuição do prémio. Ao lado, calado e humilhável, calou-se o embaixador português, representando o nosso estupor nacional. Conviria que agora de antemão se evitasse um cenário similar. Por respeito ao premiado. E por respeito ao nosso país. Pois se os prémios literários servem de pretexto para os energúmenos em Brasília faltarem ao respeito a Portugal então acabe-se com o raio do prémio. Ou com a participação portuguesa nisto.

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