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Chico

por jpt, em 21.05.19

Conheci Chico Buarque no gira-discos da minha irmã - eu menino, 8 ou 9 anos (mana terei eu dito, confessado, já nestes meus tantos 54s, que tu és "o meu amor"?). Deram-lhe agora o Camões - e o meu querido magnífico Nataniel Ngomane participou nisso, e é assim ainda mais belo. Não sei da justificação do júri, nem verdadeiramente importa, tantas as imensas canções que me (nos) fizeram a vida. Terá sido, creio, até certo disso, ao "escritor de canções", libertados os jurados das algemas dos "estilos" por via do rumo do nobel.

E é também lindo por ser Chico um alvo dos polícias da mente da agora. E, ainda por cima, rio-me, por ser ele, enquanto ficcionista, tão .... reaccionário. Tão ... Buarque de Holanda.

Vénia, poeta-cantor. Bebamos do teu cálice.

E

é uma obra vida vasta Deixo (mais para os mais novos) uma hora e meia excepcional. Entre tantas outras ...

 

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39 comentários

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De Cristina Filipe Nogueira a 21.05.2019 às 22:51

Verdadeiramente entusiasmada com a atribuição do prémio!
Grande Chico Buarque!
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De Cristina Filipe Nogueira a 21.05.2019 às 23:44

Podemos trocar temas a noite toda. Não vejo melhor forma de celebrar o prémio!

https://youtu.be/iolCyTnVcoA?list=PL0GAjFpaictI5gS6VGydWJ4GvkbegsoVW
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De Bea a 21.05.2019 às 22:56

Ainda bem que o ganhou. Merece. Gostei. Um dia destes venho aqui ouvi-lo.
Boa noite
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De Pedro Correia a 21.05.2019 às 23:25

Merecidíssimo prémio. A um grande cantautor, grande poeta, grande escritor. Intérprete de pelo menos dois discos da minha vida, que me acompanham desde a adolescência.

A propósito de Chico Buarque, lembro um texto que aqui publiquei, vai para três anos, sobre 'Leite Derramado':
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/a-memoria-e-uma-vasta-ferida-8602110
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De jpt a 22.05.2019 às 07:20

Eu tenho uma opinião um bocado diferente da tua sobre o escritor ficcionista. Agrada-me mas não me delicia. Em tempos também bloguei sobre o "Leite Derramado": https://ma-schamba.blogs.sapo.pt/861003.html

Quanto ao prémio de agora junto isto, que botei em comentários no FB:

“Não estamos a premiar o músico. Estamos a premiar o homem da literatura” disse ao PÚBLICO Manuel Frias Martins, o português que presidiu à reunião do júri que esta terça-feira decidiu atribuir a Chico Buarque o Prémio Camões."

Tornar-se-ia assim um bocado mais complicado saudar o prémio, mas enfim, é o Chico Buarque, pouco importa qual a justificação oficial e o "espírito" (os critérios) da atribuição do prémio - afinal assente, segundo o presidente do júri, numa frágil reclamação burocrática, em contramão com o ambiente intelectual que levou à premiação de Dylan pela academia Nobel. Parece-me, como mero leitor, e muito simpatizando com o autor, uma declaração pobre: os livros do Chico são simpáticos mas não farão dele um excepcional escritor. É um fabuloso escritor de canções que escreve romances simpáticos.

Para mais o Camões não premeia obrigatoriamente aqueles que são "homens da literatura" - foi atribuído a Eduardo Lourenço, cuja única ficção que conheço é o posfácio à obra do "engenheiro" Sócrates, o qual por sí só não justificaria o prémio e que até lhe é posterior - e António Cândido. Certo, formalmente pode-se dizer que "homem da literatura" abarca os analistas desta mas parece óbvio que não é disso que se trata quando se utiliza a expressão. Francamente não percebo a pobre declaração do presidente do júri - que será com toda a certeza uma autoridade na área.

Mais, o Camões é um prémio político - mostra-o explicitamente o crítério da rotatividade matizada pelos países (que conduziu a que escritores como Pepetela ou Mia Couto o tenham ganho, o que mostra como a premiação está para além de um cânone exclusivamente literário), mostra-o a alternância entre Portugal e Brasil, macaqueou-o a atribuição pelos apparatichiki académicos socialistas ao menor Manuel Alegre, e à sua pobre "poesia de combate".

A subida ao poder de Bolsonaro também deve ter contado para isto. Como tal conviria que se lembrassem do que aconteceu com Nassar - o ministro da cultura brasileiro insultou-o na cerimónia de atribuição do prémio, num discurso vergonhoso. E reclamou para o seu governo, o seu país, o monopólio da atribuição do prémio. Ao lado, calado e humilhável, calou-se o embaixador português, representando o nosso estupor nacional. Conviria que agora de antemão se evitasse um cenário similar. Por respeito ao premiado. E por respeito ao nosso país. Pois se os prémios literários servem de pretexto para os energúmenos em Brasília faltarem ao respeito a Portugal então acabe-se com o raio do prémio. Ou com a participação portuguesa nisto.
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De Vorph Ivanova a 22.05.2019 às 09:13

"Mais, o Camões é um prémio político"

Também o Nobel. Basta lembrar os premiados Obama, Arafat, ou Churchill, este com o Nobel da Literatura(!!) Quanto a Eduardo Lourenço, relembro que o Nobel da Literatura também engloba as obras de Filosofia, dando como exemplo, Bertrand Russell (Nobel em 1950).
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De jpt a 22.05.2019 às 10:25

O Nobel tem explicitados os critérios de atribuição, qualquer coisa como premiar o vínculo a valores humanistas - não será exactamente um prémio político, é mais "filosófico" (usando a palavra de modo ligeiro) se se não reduzir tudo à política. Tem também uma prática (uma "jurisprudência") política nisto de andarem a distribuir prémios por áreas geográfico-linguísticas e a literaturas vítimas de ditaduras.

O Camões é ainda mais político, pois existe para consagrar um contexto que se quer área geoestratégica mas fundamentalmente porque obedece a uma praxis administrativa (a alternância), o que extravasa completamente qualquer critério literário
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De Pedro Correia a 22.05.2019 às 09:28

Uma coisa me parece inquestionável: este Prémio Camões não teria sido possível sem o pioneiro Nobel atribuído em 2016 a Bob Dylan.
Houve polémica forte nessa ocasião. Até aqui no blogue.

Na altura saudei a decisão do júri sueco com palavras que torno extensíveis agora ao júri lusófono.
Nestes postais que aproveito para recordar:
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/bob-nobel-dylan-8831654
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/erros-meus-ma-fortuna-8867936



P. S. - Na caixa de comentários de um destes postais, escrevi: «Em português, elegeria sempre Chico Buarque.»

P. S. 2 - Na caixa de comentários do outro, cuja visita também me permito recomendar, anotei: «Como - noutros tempos - um John Lennon. Ou - nos tempos actuais - um Chico Buarque.»

Nesta, houve alguém que rabiscou esta pérola:
«Eu acho que, pelo andar da carruagem, um ano destes quem recebe o Nobel é o relator de futebol da Antena 1.
Usa grande riqueza linguística, com expressões rebuscadas como "carregador de pianos", "matar o borrego" e outras que tais. Expressões de fino recorte linguístico e grande valor metafórico.»
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De jpt a 22.05.2019 às 11:04

concordo Pedro, o Nobel ao Dylan abanou o paradigma, e muito gostei - para além do Dylan, que é fantástico, a escrita de canções é literatura e só os distraídos o podem negar. Apenas, para explicitar, acho que o Chico merece todos os prémios literários do mundo se como escritor de canções e também de romances. Não diria o mesmo se fosse apenas escritor (destes) romances. Que sao interessantes, não os estou a apoucar
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De Pedro Correia a 22.05.2019 às 11:10

Por falar no Prémio Camões, talvez valha a pena passar em revista o rol dos vencedores até hoje e verificar as omissões mais gritantes. Admitindo que existam. Sabendo-se, claro, que o prémio não é atribuído a título póstumo.
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De jpt a 22.05.2019 às 11:31

"O Prémio Camões foi já atribuído, por ordem cronológica, a Miguel Torga (Portugal), João Cabral de Mello Neto (Brasil), José Craveirinha (Moçambique), Vergílio Ferreira (Portugal), Rachel de Queiroz (Brasil), Jorge Amado (Brasil), José Saramago (Portugal), Eduardo Lourenço (Portugal), Pepetela (Angola), António Cândido (Brasil), Sophia de Mello Breyner Andresen (Portugal), Autran Dourado (Brasil), Eugénio de Andrade (Portugal), Maria Velho da Costa (Portugal), Rubem Fonseca (Brasil), Agustina Bessa-Luís (Portugal), Lygia Fagundes Telles (Brasil), Luandino Vieira (Angola), António Lobo Antunes (Portugal), João Ubaldo Ribeiro (Brasil), Arménio Vieira (Cabo Verde), Ferreira Gullar (Brasil), Manuel António Pina (Portugal), Dalton Trevisan (Brasil), Mia Couto (Moçambique), Alberto da Costa e Silva (Brasil), Hélia Correia (Portugal), Radouan Nassar (Brasil), Manuel Alegre (Portugal), Germano Almeida (Cabo Verde)", Chico Buarque (Brasil).

Lançaste o tema, seria interessante um debate aqui sobre isso, sem clubismos, seria forma de debater a importância de escritores e, com isso, de chamar a atenção para alguns.

Não sou grande leitor, e menos ainda ficção portuguesa (e ainda menos da brasileira), como tal desses contextos só posso "mandar bocas". Mas em termos globais há duas omissões. Uma irreparável, dado que o autor morreu sem ser premiado - e mesmo sem ser alvo de um alargado reconhecimento: o angolano (de origem portuguesa) Ruy Duarte de Carvalho, foi um escritor espantoso, e teve um universo literário único. Único e avançado demais para o canónico luso-brasileiro (que escritores angolanos como o mediano Pepetela ou o histórico Luandino Vieira tenham sido premiados ainda mais sublinha o absurdo). A outra omissão é reparável pois o escritor está bem vivo, "e recomenda-se": o mais importante (de longe, de muito longe) escritor em português africano é João Paulo Borges Coelho - que o prémio Camões vá sendo distribuído por critérios geográficos por países "de língua oficial portuguesa" sem que lhe seja atribuído por inerência literária é surpreendente.
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De Anónimo a 22.05.2019 às 15:52


Pedro, vai ter que atribuir a Lavourada dessa semana. Eu sei que nessa altura ainda não era atribuído esse Prémio, mas que merece, merece.
Foi bom reler aqueles comentários...

Maria
(formerly known as Antonieta)
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De Pedro Correia a 22.05.2019 às 17:38

Por acaso também pensei nisso, Antonieta (agora já posso chamar-lhe de novo assim, pois a presumível usurpadora já migrou para parte incerta).
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De Vorph Ivanova a 22.05.2019 às 09:29

"Não estamos a premiar o músico. Estamos a premiar o homem da literatura"

Jpt, poderá interpretar-se que se está a premiar o poeta ( o autor das " letras"), e não o músico, que musica o poema.

Nunca li nada de Mia Couto, mas aqueles que já o fizeram acham a sua obra genial, sobretudo o livro, Terra Sonâmbula.
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De jpt a 22.05.2019 às 10:35

Pode-se interpretar assim mas não me parece que seja correcto: a pertinência de retirar as "letras" do universo da música é ... impertinente. O académico estará a vincular o prémio aos quatro (julgo que são 4) romances do autor.
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De jpt a 23.05.2019 às 09:50

São cinco romances, li agora a referência ao Irmão Alemão, que esquecera - até porque a esse não li
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De Anónimo a 22.05.2019 às 15:42

E eu também comentei aqui a propósito do Chico Buarque escritor (nessa altura como Antonieta; passei a usar o Maria, para evitar confusões com uma senhora que arranjou um nick igual ao meu nome).
Do Chico cantautor nem vale a pena falar. Fiquei tão feliz esta madrugada quando soube do Prémio Camões, tal como tinha ficado feliz aquando da atribuição do Nobel ao Dylan.
Estes dois rapazes fazem parte da minha vida, nada a fazer...

Maria
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De Anónimo a 22.05.2019 às 10:07

Brel, Jacques Brel...



JSP
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De jpt a 22.05.2019 às 10:59

Não há prémios Camões póstumos E o homem foi daqui do plat pays, não faz parte do império
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De sampy a 22.05.2019 às 11:15

«Ce soir c'est un peu un hommage posthume, mais de mon vivant».
Alain Delon, em Cannes, ao receber a Palma de Honra
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De Pedro Correia a 22.05.2019 às 17:39

Incorrecção política. Havia um coro histérico contra esta Palma de Honra a Delon. Felizmente Cannes não é Hollywood.
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De jpt a 23.05.2019 às 03:54

Pois, lera sobre isso. Andam loucos e assanhados os polícias de turno. Aliás, andam louc@s e assanhad@s, como querem impor ...
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De Anónimo a 22.05.2019 às 12:59

Pensava no Nobel, meu caro.
Uma questão geracional, obviamente.
O Nobel, a dias de hoje, é uma espécie de "By appointment to...", uma etiqueta promorcional/comercial...política, também...


JSP
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De jpt a 22.05.2019 às 14:59

Não sei se assim será. Não sei porque conheço poucos prémios Nobel de Literatura: antes de lhe responder fui ver a lista de vencedores. Deste século só conheço verdadeiramente (de ter lido bastantes livros) Coetzee e Naipaul (que para mim são extra-extraodinários, ainda que Naipaul como ensaísta e viajante fosse um bocado superficial), Vargas Llosa (de que gosto imenso, ainda que tenha alguns livros que enfim, larguei). E que assim julgo mais do que premiáveis. E li alguns livros de outros (xingjian, li o livro de então que não me encantou), Le Clezio e Modiano, de que li um livro de cada, não gostei particularmente mas não me dá para refilar, e Hertha Muller de quem li um livro apenas, mas tão bom que não posso refilar. E há o Pinter, que julgo indiscutível. Portanto também não me parece que o Prémio esteja assim tão discutível. O que julgo é que há poucos poetas a serem premiados.
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De jpt a 22.05.2019 às 15:00

E sim, o Brel se não tivesse morrido tão cedo, se ainda andasse por cá, poderia ser um a seguir ao Dylan
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De Anónimo a 22.05.2019 às 15:24

Caro JPT, deixei aí para cima,a referência "geracional".
Este seu leitor é da "colheita" de 40, primeira metade...
Daí que Nobel , no meu estreito, e básico, entendimento/gosto, seja Faulkner, Bellow e Camus, eternamente Camus.
Junto-lhe o picaresco trágico de Cela - mas aqui reconheço a influência, geográfica e cultural, do "planeta de los toros" "marañoniano"...
Cpmts.
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De jpt a 23.05.2019 às 04:14

Se assim vai um bocadinho à minha frente, mas olhe que eu estou quase a apanhá-lo .... Sobre o prémio? Eu respondi-a relativamente ao que dizia, que o Nobel está comercializado e politizado. Estará, como tudo está, nesta era de "capitalismo globalizado" (assim a la BE) e de omnipresença do agit-prop. Mas quis lembrar que se calhar também exageramos isso. Quanto aos premiados concedo logo que se o Le Clezio não é o Camus, e se ninguém é Faulkner e se não há Bellows todas as décadas, tem havido premiados de grande qualidade - cada um tem o seu gosto mas penso que o Coetzee é um gigante ("genial" é um termo que está gasto por sobreuso) e Naipaul ficcionista é isso. Ou seja, as coisas não vão tão mal como isso.
Mais, se andarmos para os tempos que refere (eu fui dos anos 1960s, nos quais nasci para trás) também vemos o peso da política (e do comércio geoestratégico): um Nobel a Cholokov? Eu li-lhe o Don Tranquilo e mais uma ou outra pequena obra, francamente ....E há gente que desconheço - a dupla israelita (terá sido um prémio político, um duplo nobel no mesmo ano, 1966?), até Sartre (há sempre quem resmungue com o prémio da literatura dado a Churchill e conviria saber se a obra literária de Sartre lhes diz algo), Mauriac - só conheço (pilhas de) livros plácidos de historietas e crónicas, agradáveis mas nobelizáveis?

E há Bertrand Russell - as pessoas protestam com o prémio da literatura dado a um cantor mas a abrangência do prémio é bem explícita, não é para quem "conta histórias" ....

Agora, repito, e nisso dando-lhe alguma razão nisso do By appointment to... aplicado ao prémio: a quantidade de poetas premiados muito baixou. Poesia vende pouco (é engraçado, gostaria de ler algo consistente sobre isso, da relação entre o advento do cinema e a redução do impacto comercial da poesia) e a atribuição do nobel é uma oportunidade de "marketing" tão grande que não pode ser desperdiçada num poeta ....
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De Pedro Correia a 23.05.2019 às 09:15

Talvez lance o debate aqui. Entre as omissões brasileiras, até ao momento, destaco as três que me parecem mais gritantes: Nélida Piñon, Adélia Prado e Luís Fernando Veríssimo.

Quanto aos portugueses, o essencial do cânone está cumprido. Alguns até fora do cânone mais óbvio, como esse grande poeta que foi o Manuel António Pina.
Faltou Fernando Assis Pacheco, que já não foi a tempo. Vasco Graça Moura, infelizmente também já falecido, é uma omissão escandalosa. E (só por factores cronológicos) talvez seja ainda um pouco cedo para o meu amigo Francisco José Viegas, autor daquele que considero o melhor romance português da primeira década deste século: "Longe de Manaus".

Por mim, não hesitaria em dar o Prémio Camões ao Mário de Carvalho, de longe o melhor romancista (mas também contista e ensaísta) português vivo, autor de obras-primas como "Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde" e "Era Bom que Trocássemos umas Ideias Sobre o Assunto". Omissão que também já começa a ser escandalosa.

Fora dos trilhos canónicos, daria sem pestanejar o galardão ao Vasco Pulido Valente, para mim o mais brilhante - desde logo porque controverso, iconoclasta - ensaísta, historiador e cronista português contemporâneo. Muito mais merecido que certas "glórias" das letras lusófonas que se esfumarão no futuro como bolhas de sabão. (por acaso "Glória" é um dos livros dele, de 2001).
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De jpt a 23.05.2019 às 10:06

Seria uma boa coisa isso de lançares o debate - "quais os camonizáveis"?

Glória é um livro soberbo. Li-o tarde, já em meados desta década Nem queria acreditar ... Ainda para mais porque espantosamente profético.

Acho (no registo "achista" de amador, leitor relapso) que tens razão, muitos dos nomes sacralizados das gerações "seniores" em Portugal já foram premiados. Isto na prosa, na poesia não sei, leio pouquíssimo e de modo desarrumado. E a falta VGM foi uma vergonha - julgo que muito pelo seu perfil de intervenção política pouco articulável com a sociologia da academia das humanidades. Assis Pacheco morreu cedo demais.

Não conheço a literatura brasileira actual - fiquei, por recomendação de amigos brasileiros, em Bernardo Carvalho e Hatoum (e gosto muito dos livros deste).

E depois há a questão do âmbito do prémio - se é para quem usa a língua de maneira excelsa no âmbito da literatura (Lourenço e Cândido como exemplos de académicos) qual a razão de não trazer os tradutores? Barrento, o nosso confrade bloguista Filipe Guerra, Frederico Lourenço, entre outros, que fazem do português ainda mais uma verdadeira língua de civilização. Eu, por mim, considerá-los-ia "camonizáveis".
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De jpt a 23.05.2019 às 10:07

"Eu, por mim" - urghh ... que falta de tino nas teclas
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De Anónimo a 23.05.2019 às 10:47

Pode ser uma figura de estilo, jpt
Maria
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De jpt a 23.05.2019 às 11:34

Poderá ser, se propositado. Assim ao correr das teclas é só pacóvio. Pacovice minha, que fique explícita
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De jpt a 23.05.2019 às 10:14

Do FJV o meu preferido é "Mar em Casablanca". Que grande livro. E sim, ainda que me pareça que o perfil político dele não atrairá os jurados.
Da nova geração, os quarentinhas? Afonso Cruz, a ver quando a academia terá coragem de premiar um tipo assim. Ou, mais sénior, Adília Lopes.
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De jpt a 23.05.2019 às 10:15

Alfred Barnaby Kotter também seria premiável ...
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De Anónimo a 23.05.2019 às 10:49

Eu também votaria nestes dois, se pudesse...

Maria
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De Anónimo a 23.05.2019 às 12:52

Vivendo em Colares e tendo uma mâezinha iconoclasta..difícil, muito difícil...
Mas também teria o meu voto.


JSP

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