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Cheeese!

por Teresa Ribeiro, em 30.08.19

img_como_tirar_selfie_sem_maquiagem_23837_600.jpg

 

Muito antes das redes sociais, que nos empurram para uma noção de felicidade mais concorrencial, já nos fotografávamos a sorrir. Há puristas que consideram mentirosas essas fotos sociais e de família, mas eu fui sempre benevolente em relação à questão. Se fotografar é parar o tempo, então é natural que se deseje ter dele o ângulo mais favorável.

Nunca valorizei tanto as mentirosas fotos de família como quando comecei a perder as pessoas que me faziam mais falta. A minha família, como tantas famílias normais, era disfuncional, mas o que preciso reter dela são as imagens que mais combinam com as minhas saudades e essas, são as felizes.

O reflexo de fotografar tudo o que mexe, 365 dias no ano, que veio com os telemóveis, retirou, de alguma forma, estatuto às fotografias. São muitas, demasiadas, acumulam-se, anulam-se, esquecem-se demasiado depressa. É pena. O tempo não gira com mais vagar só porque somos vorazes a fixá-lo. Mas o hábito de mentir para a fotografia mantém-se incólume. A velha necessidade de recriar os momentos que vivemos e de sorrir, sorrir sempre. 


10 comentários

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De JgMenos a 30.08.2019 às 10:36

Pois a mim muito me irrita o cheese, em particular nas criancinhas que suportam o arreganho a mando dos requerentes da felicidade.
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De Teresa Ribeiro a 30.08.2019 às 14:00

Com o tempo acabamos a relativizar o que há de artificial na pose sorridente.
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De Vorph Valknut a 30.08.2019 às 11:57

E com elas, as fotografias, mais os telemóveis, reduzimos as dimensões da experiência da vida. Sintoma, ou causa?
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De Teresa Ribeiro a 30.08.2019 às 13:59

Sintoma, sem dúvida
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De Maria Dulce Fernandes a 30.08.2019 às 12:10

Sempre gostei de fotografia. Sendo apaixonada pela luz, adoro fotografar as muitas nuances da luz, todas diferentes e maravilhosas. Nunca me canso.
Não sou muito de selfies. Nem de sorrisos para o boneco. Prefiro não fotografar pessoas. Abro excepção para a minha neta, cujas expressões me fascinam e me deliciam, sem poses.
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De Teresa Ribeiro a 30.08.2019 às 14:02

Também. Sempre foi um hobby que levei muito a sério.
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De Anonimus a 30.08.2019 às 16:22

Gosto de fotografia, gosto de fotografar, não gosto que posem ou de posar.

As fotos (e vídeos) " naturais" que pululam nas redes sociais metem-me asco.

O pessoal deste blog tem uma tara com queijos...
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De alexandra g. a 30.08.2019 às 22:24

Certa, como sempre, Teresa, e partilho dessa distância no que às fotografias, família disfuncional, toca.

Aquilo que mais me (recentemente...) afastou das selfies/fotos em geral, foi uma, ali pelos meus 8 anos, quando, acampada, o meu pai me fotografou, chorando (e nem fui uma menina chorona), já nem sei qual a razão para as lágrimas. Nunca lho perdoei (então,mas agora compreendo o que fez :), passei a odiar fotos, mas isto nasceu antes: ele, embarcado, por vezes anos, o desvelo da minha mãe, enviar fotos dos 4 filhos, para que acompanhasse o nosso crescimento, e lembro tão bem, aos 3/4 anos, repetir, a caminho do fotógrafo:

- Não qué tiá o 'tato!!!

(saudades dele :)

Claro que me 'tiaram o 'tato, eu sentadinha, os canudinhos, o vestidinho de gola branca, eu amuada :D

______________
(ironia das ironias, por detrás, junto à parede, uma foto da Monroe :)))
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De Teresa Ribeiro a 02.09.2019 às 18:58

Chego aqui muito atrasada (cada vez mais aos fds desligo) só para lhe agradecer a partilha desta sua memória de infância, tão terna :)
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De s o s a 02.09.2019 às 23:40

vou contar um segredo ... quando comecei a perder as pessoas que me faziam mais falta, descobri que as fotografias, nas fotografias faltava o som, a voz, dessas mesmas pessoas.

A seguir , descobri que as fotografias tambem nao sobrevirao

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