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Certos hábitos nunca mudam

por Pedro Correia, em 04.10.15

Há 18 anos que votava sempre no mesmo local: a escola secundária do Lumiar, em Lisboa. Hoje foi diferente: esta manhã votei na escola básica do Bairro de São Miguel (freguesia de Alvalade). Mudou o cenário, mudou também a afluência. Cerca das 10.30 havia grandes filas de votantes. Esperei quase dez minutos para pôr a cruzinha no quadrado impresso no boletim de voto: há pelo menos duas décadas que não via tanta gente disposta a exercer este direito/dever que custou tanto a conquistar.

Mas há coisas que nunca mudam. Já com o boletim de voto na mão, num gesto mecânico, ia agarrar na esferográfica ali colocada sobre a prancheta. Mas detive-me: levo sempre a minha caneta nestas ocasiões e foi a ela que recorri, uma vez mais. Nunca se sabe que dedos já tocaram na outra. Podem até influenciar as opções de voto de qualquer um.

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28 comentários

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De Rui Rocha a 04.10.2015 às 13:53

Fizeste bem em aproveitar. Com um bocado de jeito, a CNE nas próximas proibe a utilização de caneta pessoal. Sabe-se lá se isso não pode enviesar o sentido de voto...
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De Pedro Correia a 04.10.2015 às 14:00

É isso, Rui. As tradições são cada vez menos o que eram. Qualquer dia vota-se em ai-pede. Ou em ai-pode.
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De am a 04.10.2015 às 14:07

Cheguei a altura da vida... que já estou a ficar baralhado das ideias....

Por isso, peço-lhe o favor de me esclarecer estes dois apontamentos de reportagem:

"" TVI - Sócrates acaba de votar.. ele que já há tempos manifestou o seu apoio ao PS e a Costa" ... Poderá ou deverá uma jornalista fazer este tipo de comentário, numa assembleia de Voto?

SIC- Disse O P. Pública: (cito de cor) Não vou ao 5 Outubro, como fizeram sempre os meus antecessores ( referindo-se à data coincidentes das eleições)

Obrigado e muita saúde
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De Pedro Correia a 04.10.2015 às 14:52

Já vi. E já escrevi.
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De FGK a 04.10.2015 às 14:11

Ou como JF Kenedy... tinha a Marilin Monroe em cuecas...

Vá estar a nossa Joana A. Dias em pelota!
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De Pedro Correia a 04.10.2015 às 14:52

Sem desprimor para ambas, JAD não é confundível com MM.
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De isa a 04.10.2015 às 14:11

Eu continuo no Lumiar mas, tive de andar mais um bocado porque, em vez de ser na Escola do Costume foi na de cima (do 5º/6ºanos).
Às 8:20m não havia ninguém na minha sala e, quanto à caneta... algo muito curioso... centrada a folha de papel do pequeno espaço que faz de mesa, o cordel da caneta era curto, não deixava chegar ao 1º terço das votações... estive quase... para arrancar a porcaria do cordel... mas contive-me
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De Pedro Correia a 04.10.2015 às 14:51

Eu gostei da mudança porque tenho um carinho muito especial pelo bairro de São Miguel, um dos mais aprazíveis de Lisboa.
Mas mesmo ali caneta de cordel não uso, Isabel. Mesmo de manhã bem cedo.
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De isa a 04.10.2015 às 18:58

Eu também gosto, nasci nesse Bairro, há um pouco mais de meio século (porque as senhoras não dizem a idade lol) na antiga Clínica de S. Miguel e andei aí na escola, no tempo que estava dividida entre meninos e meninas e, saindo da escola, passava o tempo na casa dos meus avós, na Rua Fernão Álvares do Oriente (muitas recordações) ainda me lembro da minha avó me deixar ir comprar um iogurte, em embalagem de vidro, à Fábrica que ficava na esquina entre as Ruas Diogo Bernardes e a Jorge Ferreira Vasconcelos, como era fábrica era preciso bater à porta e, apesar disso, nunca recusaram a venda a uma criança e, francamente, já não me recordo bem mas acabou por haver outra na esquina oposta, R. Diogo Bernardes/R. António Ferreira... mas isso do iogurte, para mim, era uma espécie de dia de festa... porque eram tempos em que não se podiam comprar iogurtes todos os dias.
Estive ligada a esse Bairro muitos anos, mais tarde, ia a pé para o Liceu Rainha D Leonor... conheço esse Bairro como a palma da minha mão.
Também tinha tios e um primo (irmã do meu pai) que viviam na Diogo Bernardes... curiosamente, não queria morar nessa zona, adorava os meus avós e era demasiada nostalgia para conseguir aguentar tantas saudades... todos os dias.
Agora, só de falar nisso, tenho de ir buscar um lenço...
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De João Campos a 04.10.2015 às 14:26

Para mim também será diferente neste ano: finalmente mudei o meu local "oficial" de residência da província onde nasci para a capital onde tenho vivido. Pela primeira vez desde os 18 não terei de fazer a viagem de ida e volta de Lisboa para o Alentejo para ir votar na minha velha escola primária.

Durante anos reclamei de não haver opções simples para voto electrónico à distância (os simplexes sempre foram fogo de vista), mas aqui chegado até sinto alguma saudade da viagem.
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De Pedro Correia a 04.10.2015 às 14:49

Ora viva, vizinho. O que é feito de ti? Cadê um 'post'?
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De João Campos a 04.10.2015 às 18:11

Muito cansaço, pouco tempo, pouca vontade para a maioria dos temas da bloga. Tenho de voltar a dedicar-me a isto (algo que digo mentalmente pelo menos quatro vezes por semana).
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De Pedro Correia a 04.10.2015 às 18:47

Tenta uma vez por outra, meu caro. E vê se apareces no nosso próximo almojantar ou jantalmoço.
Abraço.
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De João Campos a 04.10.2015 às 19:27

Tentarei ir, sim. Tenho saudades vossas.

Quando à bloga, vamos lá ver se isto se resolve.

Abraço
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De Maria Dulce Fernandes a 04.10.2015 às 15:19

Votei no sítio do costume EB1/JI na Av. das Laranjeiras. Cedo, como de costume. Praticamente as mesmas caras, mais maduras; outras excitadas, que pontuavam noutros anos como acompanhantes e chegara também agora a sua vez; poucos desconhecidos. Demorei 10 minutos. Chovia.
Dizem que nos casamentos, chuva é sinal de boa sorte... Quem sabe?
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De Pedro Correia a 04.10.2015 às 16:03

A sorte de uns é o azar de outros, Dulce. Mas pelo menos aqui onde estou de momento não chove.
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De V. a 04.10.2015 às 15:23

Em Alvalade aposto que era uma Bic de escrita fina, já no Liceu Camões são sempre Bics de escrita normal.
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De Pedro Correia a 04.10.2015 às 16:02

Bic de escrita final banida em jornada eleitoral: não vá a cor influenciar o maralhal.
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De Maria a 04.10.2015 às 15:38

Não! Esta é demais. Desculpe, mas usar a própria caneta porque a que lá, está, pode influenciar, é muito mau e fica-lhe mal.
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De Pedro Correia a 04.10.2015 às 16:01

Reconheço que é o meu ponto fraco: sou muito influenciável.
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De Maria a 04.10.2015 às 16:23

Não, não é de maneira alguma. Nem disfarçar consegue.
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De Pedro Correia a 04.10.2015 às 16:32

Nesse caso não precisa de me emprestar a sua esferográfica.
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De da Maia a 04.10.2015 às 15:41

Ah... é porque nunca participou em eleições onde o votante assinava a presença.
Nesses casos, no final do dia, os meninos da mesa de voto entretinham-se em cruzar o tom da caneta da assinatura com o tom da caneta do voto.
Nunca devemos menosprezar a capacidade inquisidora nacional.
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De Pedro Correia a 04.10.2015 às 16:33

Nestes dias assalta-me sempre uma dúvida filosófica: aquilo que marcamos no boletim é uma cruz ou um xis?
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De Nuno Pereira a 04.10.2015 às 15:54

Zegama , no alto da montanha de rádio colado ao ouvido e os olhos postos no rebanho comandado pelo cão Pelisco , não perdia pitada da campanha para como ele dizia, mudar o rumo do país e mudar a direcção do seu rebanho bem perto dos baixios, junto à estrada onde aí podia ver a carreira e assim alegrar a vistinha com as catraias, num vai e vem para a escola tão longe da terriola.
Foram quinze dias a aturar as arruadas e os discursos dos Costas, dos Passos e da Martins.
Como o seu pensamento era para as catraias da carreira vinte e cinco, a Martins e as amigas eram, quem ele dava mais atenção.
Só elas desviavam a vigilância do rebanho sempre alinhado pelo Pelisco na procura dos rebentos escassos, devido aos malvados incêndios, que devastavam as pastagens e enfureciam Zegama , obrigando a audíveis impropérios que entoavam montanha abaixo.
No caminho que levava da sua humilde casa ainda feita de pedra centenária, até à Junta para votar. Pensava nas palavras dos nossos políticos que nesta altura tudo prometem e depois levam Zegama de volta ao monte longínquo, sem sonhos nem optimismo.
Meia hora levava de sua casa à Junta e deixar o rebanho fechado por trancas manchadas com as turras dos pobres bichos, inquietos por iniciar a diária caminhada em direcção à erva fresca da madrugada. Levavam-no por vezes a interromper a marcha pensando se valia a pena perder o seu precioso tempo com um voto que não iria valer nada. Só serviria para na aldeia saberem em quem ele votava. E como estava com ideias de mudar o seu voto e tentar mudar este país, logo saberiam que Zegama votou nos inimigos do outro lado do rio.
Mas Zegama era um homem que pensava com a sua cabeça só virada para o seu rebanho e de micar bem do alto, duas vezes por dia, a carreira onde sentia o perfume das catraias.
Desta vez era ponto assente, que chovesse ou caísse pedregulhos do cimo da custosa montanha, iria cumprir o seu dever cívico.
Bem cedo chegou à porta da Junta.
Ainda se contavam os boletins pelos membros, sempre os mesmos, que tudo pesquisam naqueles olhos de lobo assanhado, prontos a devorar qualquer ovelha tresmalhada, que venha com intenções de alterar o costume da contagem.
Como a hora de abertura ainda dava tempo para o mata-bicho, Zegama foi à tasca perto da igreja e de um trago lá se foi um.
Mais outro e já aliviava as tremideiras para não ser descoberto na mudança de partido. E por fim outro, que alegrou a confiança em ser homem de uma palavra só.
Documentos na mão dirigiu-se à mesa onde o presidente da Junta de óculos na ponta do nariz, lê o seu nome (só aí se lembravam do Zegama ), de cor e salteado, já que nos documentos incrustados de lã escurecida, nada se via.
Boletim na mão, entrou no cubículo montado para a ocasião e…. Alto lá, onde está….
Passou um minuto tempo mais que suficiente para os membros saberem que não haveria hesitações por parte do pastor.
Dois, três e nada!Zegama continuava embrulhado na pesquisa do quadrado onde iria desenhar com força e determinação a mudança de pensamento eleitoral.
Cinco minutos e todos já sabiam que daquele pastor só iria vir voto nulo. Já que foi ensinado a votar no partido do Abade e do presidente da Junta.
De peito feito entregou o seu boletim dobrado como mandam as regras e esperou que o presidente o deixasse cair na urna negra, como o tempo lá fora.
Recebeu de volta os documentos e cumprimentando os presentes com aquelas mãos calejados pelo cajado que guia o rebanho e o ampara em sonecas rápidas. Saiu calmamente batendo os socos na madeira já comida pelo bicho entranhado.
A montanha esperava-o. O Pelisco aguardava-o como guarda de um rebanho onde todas as ovelhas e cabras têm nome de fadas.
Os políticos enganam-nos, os governantes enganam-nos.
Os automóveis enganam-nos, os euros enganam-nos.
Votem ao acordar! As mulheres amam-nos!
Cantarolava enquanto enrolava um cigarro de barba de milho!
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De Pedro Correia a 04.10.2015 às 16:34

Seria um texto candidato a 'comentário da semana', Nuno, se não tivesse sido publicado há poucas horas o nosso 'comentário da semana'.
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De Nuno Pereira a 04.10.2015 às 16:54

Serve para ler, enquanto se aguarda os resultados destas importantes eleições para todos nós!

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