Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Certezas e incógnitas

por Sérgio de Almeida Correia, em 25.01.21

6806a96c97d38a60f82aeb9af39bc928.jpeg(Créditos: Mário Cruz/EPA)

 

O filme das presidenciais terminou como começou. Sem surpresas, com muito verbo e pouca chama.

Que Marcelo Rebelo de Sousa iria ser reeleito não havia dúvidas a partir do momento em que António Costa resolveu, por sua alta recriação, endossar-lhe por antecipação o apoio do PS. Cumpre dar-lhe os parabéns.

As duas únicas verdadeiras dúvidas desta eleição resultavam do valor que a abstenção poderia atingir numa situação muito diferente da registada em qualquer uma das eleições anteriores – numa fase crítica da pandemia, com a economia em crise acelerada e o desemprego e o défice a aumentarem – e qual o número de votos e a percentagem que o candidato vencedor iria obter.

A abstenção ultrapassou ligeiramente os 60%, o que volta a ser um número extraordinário pela dimensão já que representa um universo de mais de seis milhões e meio de eleitores, mas que ainda assim poderia ter ascendido a valores superiores não fosse ter-se dado o facto de André Ventura ter ido a votos.

O candidato incumbente também conseguiu ultrapassar a fasquia dos 60%, contrariando várias sondagens e projecções, e cometendo o feito de vencer em todos os concelhos do país. Marcelo obtém cinco anos depois da primeira eleição mais oito pontos percentuais e aumenta significativamente o número de votos (mais 122 mil votos), tornando-se evidente que tanto ele como o regime saem amplamente reforçados com este resultado.

A percentagem de votos brancos e nulos continua a ser pouco relevante como reflexo de um qualquer sinal de descontentamento em relação ao regime, e a abstenção, pelas suas múltiplas e variadas razões, não permite outra conclusão que não seja a do desinteresse e alheamento de uma parte enorme do eleitorado pelo destino do país. É lá com eles. Se querem continuar à margem continuem, mas depois não se queixem das escolhas.

A candidata Ana Gomes tentou fazer o que lhe era possível obtendo, apesar de tudo, um resultado honroso. Meio milhão de votos permitir-lhe-ão assegurar a continuação no espaço público, eventualmente a participação numa próxima contenda. Não mais do que isso. Não passou a ter mais peso dentro do PS, não pode aspirar a federar a esquerda, o discurso continuará a ser feito de tiradas sem grandes consequências. O mais interessante, todavia, será o facto de não obstante a ausência de grandes apoios, sem uma máquina profissional organizada no terreno, ainda assim ter travado André Ventura.

O resultado de Ventura e da gente que conseguiu reunir-se em seu torno, que vai de descontentes comunistas à extrema-direita provinciana, congregando franjas do centro-direito e de estratos mais desfavorecidos atraídos pela mensagem xenófoba e demagógico-populista, é duplamente enganador. A votação obtida no interior e no Alentejo e Algarve, onde conseguiu o segundo lugar, à frente de Ana Gomes e cilindrando o candidato comunista, não pode passar despercebida e será um sinal de alerta para os partidos tradicionais.  De qualquer modo, a entrada de Ventura nos dois dígitos é uma consequência da abstenção, da ausência de verdadeira competição à direita e de candidatos fortes à esquerda.

Sem um programa de governo minimamente coerente, com um caderno de merceeiro cheio de gatafunhos e frases feitas para agradar à populaça que gostaria de ascender às tetas do regime; sem quadros capazes, entre bem-intencionados, artilheiros e cadastrados, os dois dígitos evaporar-se-ão rapidamente nas autárquicas e nas próximas legislativas. O simples facto de Ana Gomes, sozinha, e com uma esquerda polarizada, ter ficado à sua frente, é uma vergonha para o discurso machista e taberneiro que aspirava chegar à segunda volta. Quando muito, Ventura, na melhor das hipóteses, dará uma volta ao Marquês de Pombal se o seu amigo dos pneus conseguir ser campeão.

O candidato João Ferreira ficou dentro do que seria de esperar de um partido que nem sequer no Alentejo, no Algarve ou em Setúbal consegue segurar o seu eleitorado. Esmagado por Ventura. O PCP devia pensar nos frutos que tem colhido com a sua ortodoxia franciscana. Os votos de castidade, pobreza ideológica e obediência ao “centralismo democrático” mantê-lo-ão vivo apenas dentro das paredes da Soeiro Pereira Gomes enquanto houver alguém que de quando em vez limpe o pó aos ícones. Os milhares de euros gastos em campanha por João Ferreira e o PCP são obscenos para o péssimo resultado obtido. Os comunistas deviam pedir contas aos seus dirigentes. 

Assinale-se ainda a continuação do desmoronamento do mito Marisa/Bloco de Esquerda. Podem queixar-se do PS, da falta de convergência e de unidade à esquerda, ou de qualquer outra coisa que lhes sirva, que o certo será sempre a falta de visão estratégica da sua direcção política. Quer antes, quer agora. O tempo do BE passou. E convenhamos que andar atrás de Ventura e da sua rapaziada não é grande cartão de visita para ajudar à eloquência do discurso ou dar lições de moral à esquerda.

Refira-se o bom resultado de Tiago Mayan Gonçalves que duplica os votos e a percentagem da Iniciativa Liberal de 2019. Esperemos pelas autárquicas e pelas legislativas para ver até onde poderão chegar perante o definhamento acelerado do CDS-PP.

Quanto ao simpático Vitorino Silva, o “Tino de Rans”, pois continuará a ser isso mesmo, embora agora com menos 30 mil votos.

A grande incógnita reside então em saber o que fará o Presidente da República daqui para a frente com 2,5 milhões de votos no actual cenário de pandemia, decisivo para o que nos espera, perante um Governo que dá sinais de errância e falta de consistência política, que vai abrindo brechas quase diariamente, por vezes pelas razões mais inexplicáveis e cada vez mais evidencia sinais de precisar de mudanças em várias pastas, das quais as mais urgentes serão seguramente o Ambiente, cuja gestão tem sido um fiasco, a Educação e as Infraestruturas e Habitação.

E também de que maneira influenciará futuras escolhas no PSD, o aparecimento de um novo partido ou admitirá antecipar eleições legislativas num cenário de reforço da sua legitimidade.

De um lacrau sabe-se com o que se pode contar. De Marcelo, como de Paulo Portas, nunca se sabe até que ponto o calculismo e o oportunismo políticos condicionarão a decisão futura.

 

(editado às 11:00 de Lisboa para correcção do número de votos conquistados por MRS em relação a 2016) 


29 comentários

Sem imagem de perfil

De Anónimo a 25.01.2021 às 07:07

Comete o usual erro de interpretar o resultado de André Ventura como a vitória do discurso demagógico e xenófobo.
Não sei de onde vem, mas esse é o erro que irá sair caro, a arrogância de achar que o português do inteiror é analfabeto, ou estúpido.
Ventura é segundo, com larga margem para o terceiro, nos concelhos onde as populações mais se vêem desprotegidas e sob a selvajaria de ciganos e outros parasitas. Como os principais concelhos de Portalegre, Évora, Beja, ou concelhos como Monforte, campomaior, alter do chão. A interpretação correta e inteligente é assumir de vez que existe um problema, que ele tem de ser resolvido e que assobiar para o lado e negar o problema, com duas palas nos olhos, vai sair caro nas autárquicas. O povo do interior está farto.
Se um dia visitar estes locais vai perceber o porquê deste resultado. Se um dia visitar campo maior assusta-se, tal é avergonha e incapacidade do estado.
Sem imagem de perfil

De V. a 25.01.2021 às 08:48

As duas únicas verdadeiras dúvidas desta eleição resultavam do valor que a abstenção poderia atingir numa situação muito diferente da registada em qualquer uma das eleições anteriores – numa fase crítica da pandemia, com a economia em crise acelerada e o desemprego e o défice a aumentarem – e qual o número de votos e a percentagem que o candidato vencedor iria obter.

De qualquer modo, a entrada de Ventura nos dois dígitos é uma consequência da abstenção, da ausência de verdadeira competição à direita e de candidatos fortes à esquerda.

Análises típicas dos socialistas que trocaram a Maçonaria pelo xamanismo — pensam que por pronunciarem certas palavras e controlarem o INE, a realidade ganha a forma que eles querem.

O único interesse destas eleições foi desde o início saber qual seria o resultado de Ventura — e a realidade é que não foi aquele que vocês queriam e teria sido ainda maior se tivesse havido mais participação.

O único ataque forte a Ventura durante a campanha eleitoral foi a reportagem da SIC Notícias sobre o Chega, num exercício de zelotismo e baixo-jornalismo que eventualmente nem a CMTV conseguiria fazer. E isso é talvez a pior notícia que temos tido a nível política: o jornalismo já perdeu toda a isenção, defende o regime (ou os seus patrocinadores, vai dar no mesmo) e já não cumpre o seu papel.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 25.01.2021 às 12:46

Algumas consideracoes sobre o artigo e a resposta aos dois primeiros comentarios ("anonimo & V"), nomeadamente:
1) O "grupito radical do fulaninho" (e nao cito o nome por uma questao de decoro...) largou gritos de alegria por ter tido 11,9%, mas se juntarmos toda a esquerda liberal e o magnifico "Tino de Ras", ainda se chega a uns signficativos 27%, e portanto, nao vejo que o mocito continue a ter qualquer significancia (a teatralidade da demissao por nao ter alcancado os objectivos e mais risivel que um episodio dos monty phyton...).
2) O centro / direita, peritos em se atirar ao charco sem colete salva vidas, demonstra mas uma vez a total falta de rumo e sentido, e dai que a parte mais cerebralmente inactiva se tenha mudado "pras bandas do tal fulaninho", onde se sentem como peixe na agua & onde mais nao e preciso do que saber articular 5 ou 6 frases previamente distribuidas em memorandos internos.
3) Agrada-me manifestamente ver que os Portugueses, e noto com agrado que a abstencao foi significativa, talvez porque essa "maioria" nao esteve minimamente preocupada com qualquer resultado dos "tais fulaninhos" e simplesmente nem se deram ao trabalho de ir votar, nao era necesario.
Por ultimo, a resposta aos dois primeiros comentarios sobre o artigo:
A) A abstencao, ja o deveriam saber, nao joga a favor do "fulaninho", porque tal como no futebol, as claques radicais dos clubes vao sempre ao jogo, nem que "chova picareta", e portanto nao vejo sentido em que um "extremista radical de uma claque" nao va a um jogo importante so porque nao lhe apetece, vao porque sao obrigados ou entao sao "radicais de algibeira".
B) Concordo que nao haja uma isencao absoluta do jornalismo, mas os factos estao la, demonstrados e inequivocos. Podem ou nao ser demonstrados de forma mais ou menos acutilante, mas perante a "cartilha das intencoes politicas do fulaninho" versus a demonstracao jornalistica, nao ha muito a dizer, excepto que dizer que a faixa mais desfavorecida da populacao votou no "fulaninho", e digno de um filme do Borat.
C) Por fim, utilizar resultados de eleicoes presidenciais para "alancavar a conquista do himalaia" por parte dos "neo feudalistas de visao conica", provoca no minimo um ataque de riso a beirinha do colapso a Ana Gomes e ao Tino de Ras, porque sem duvida que se este ultimo nao tivesse concorrido, e por indexacao cerebral dos votantes, os "neo jurassicos" chegavam aos 12%.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 25.01.2021 às 08:53

Texto , como sempre, à medida!
O Ventura rodeou-se de gente "tias" quase ocas e tolas, e fanáticos ferrenhos a quem o Estado talvez não tenha feito chegar subsídios suficientes para disfarçarem renovação de olivais ou de vinhas, para a compra de carros de grandes cilindradas e jogatanas no "Alvor e etcs...
A nossa Direita antiga deve "inguichar a pestana" e não deixar que os nasis continuem a "berrar" no nosso Portugal . O nasi ensombra Portugal, tira a paz e afugenta até o nosso turismo!
Já chega de chega!
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 25.01.2021 às 14:04

Oh burro, o Ventura não teve os melhores resultados em cascais, no restelo e em colares. Teve no alentejo profundo, em trás os montes e na beira interior
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 25.01.2021 às 16:30

Pelos vistos não sabe que há alentejanos ricos e fascistas , assim como há ricos em Cascais e em Trás-os-Montes.
Há os alentejanos que compram as ceifeiras - debulhadoras e há os que trabalham com elas. Ponha-se "dentro", depois falamos...
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 26.01.2021 às 06:40

Burrice novamente. Concelhos de 1500 habitantes votantes, que há 10 anos tinham cerca de 1000 a votar à esquerda e que agora tem 1300 a votar à direita, dos quais 300 e muitos em ventura.
Queres ver que os comunas morreram todos em 10 anos e foram substituidos por fachos?
Ou então temos um caso de estudo. Um concelho de 1500 eleitores, que tem quase 400 ricalhacos... a sério...
Abre os olhos... Ventura cresce na classe trabalhadora de menores rendimentos. Aqueles que partilham as habitações sociais com parasitas. A diferença é que os primeiros, recebem o subsídios e as casas do estado, mas trabalham duro. Nas obras, na agricultura, na recolha de lixo. E vivem paredes meias com parasitas que têm rendimentos elevados, porque têm atividade não declarada, grandes carros e recebem o mesmo do estado. E isto cria revolta. E ganha votos de todos aqueles que habitam em redor da escumalha e sofrem com o crime, falta de civismo, de limpeza, de educação.
Burros....
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 26.01.2021 às 14:25

As votações nesses concelhos comparadas com as anteriores são fáceis de entender. Quem votou MRS em 2016? E quem votou nos outros candidatos? Agora em 2021 quem votou nos outros candidatos votou MRS e A. Gomes, quem votou MRS agora votou Ventura, no PC com pouco alteração votaram os mesmos.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 26.01.2021 às 14:40

Fico mais descansado com esta "abertura de olhos" e ao saber que o sr: Ventura vai fazer com que nada falte no nosso "Alentejo profundo"...
Que alívio não chegarmos a ter mais Catarinas por esses searas! Puffff que bom...
Muito grato a V.Ex. Anónimo...
O Mundo a encher-se de «LUZ »... luz ao fundo do túnel, por fim...
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 25.01.2021 às 09:02

...E o Doutor Marcelo tem de batalhar mais com o D. António Costa! -foi por isso que ganhou. Os portugueses ESTÃO À ESPERA DE «MAIS», claro!
Sem imagem de perfil

De R Alves a 25.01.2021 às 09:42

Nunca deixarei de me surpreender pelo apoio que Marcelo (um Tino de Rans com manicure) continua a ter. Apesar de já me aproximar dos 60 anos, continuo enganado sobre a sabedoria do povo português.
Sem imagem de perfil

De balio a 25.01.2021 às 10:05

A abstenção ultrapassou ligeiramente os 60%, o que volta a ser um número extraordinário pela dimensão já que representa um universo de mais de seis milhões e meio de eleitores

Disparate. Boa parte desses "eleitores" não existem. Nunca dão sinal da sua existência, a não ser nos cadernos eleitorais.

Nesta eleição houve 4261 mil votantes, apenas pouco menos que os 4492 mil de há dez anos e os 4445 mil de há vinte anos.
Sem imagem de perfil

De V. a 25.01.2021 às 11:00

Como é que se lê 4261 mil? 4.261 mil mil votantes?
Sem imagem de perfil

De balio a 25.01.2021 às 11:06

4 milhões e 261 mil.
Sem imagem de perfil

De V. a 25.01.2021 às 17:48

ok — mas então não é mil... porque assim lê-se quatro mil milhares e faz confusão. É melhor usar 4,261 Milhões. Acho eu.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 25.01.2021 às 10:44

E agora quem paga a conta das candidaturas que não chegaram a 5% na eleição?
Espero que não sejam os contribuintes...
Sem imagem de perfil

De balio a 25.01.2021 às 11:10

A conta, creio, não será muito elevada, dada a forma como os candidatos tiveram que fazer boa parte da campanha, com um mínimo de deslocações e aparições e um mínimo de participação popular. Os candidatos com menos de 5% dos votos tiveram todos o apoio de partidos, que podem (creio) suportar os custos das suas candidaturas. A exceção será, quando muito, Tino de Rans - o qual teve uma campanha ainda mais minimalista que os restantes.
Sem imagem de perfil

De João Gil a 25.01.2021 às 10:59

Nada de inesperado nestas eleições. Ganhou a situação, que trouxe Portugal ao estado lastimoso de regressão económica, social, cultural e política em que se encontra. Os únicos que têm ideia e conceito para o país (goste-se ou desgoste-se) são obviamente os da situação e, por outro lado, os que tiveram votações menores (IL, BE e PCP). O resto é tudo panfletário e inconsequente. O país maltratou e achincalhou o único que nos últimos anos teve uma noção clara do que estava para vir e era a salvaguarda democrática de uma direita à direita do PS que tinha uma ética política capaz de transformar Portugal para melhor e retirá-lo da senda do crónico subdesenvolvimento a que políticas estatizantes e crescentemente intervencionistas nos têm condenado. Esse mesmo, Passos Coelho. Agora, queixam-se do Chega e estão assustados. Com razão, diga-se. Resumindo, a única proposta política de jeito destas eleições veio do candidato Tiago Mayan e da IL. Mudará zero em Portugal até às próximas legislativas. Infelizmente. Temos um tempo de espera agora para orientar o nosso voto para algo que realmente valha a pena e nos devolva um espírito de liberdade, associativismo, iniciativa e nos traga um horizonte de desenvolvimento e prosperidade. E não é do Chega que nos virá esse horizonte de esperança, obviamente. A grande prioridade afinal é a pandemia. Os resultados estão à vista. São péssimos. A culpa não é de Passos Coelho....
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 25.01.2021 às 11:13

Só pode estar a gozar, ou então anda a tomar drogas... ainda dizem que não os encontram... não os procuram!
Sem imagem de perfil

De Pedro a 25.01.2021 às 11:25

" A culpa não é de Passos Coelho...."
O Passos Coelho tinha um discurso desanimador. Até parecia de propósito para baixar o ânimo de todos: "é preciso empobrecer" "quem não conseguir emprego que emigre" "não sejam piegas e aguentem" "o desemprego até tem aspectos positivos pois proporciona nas oportunidades" "Vamos acabar com os feriados"(as citações não são textuais). Nenhum político com um mínimo de inteligência diria isto. E muito contribuiu para que o que preconizava acontecesse.
Sem imagem de perfil

De João Gil a 25.01.2021 às 13:41

Pois é Pedro. Afinal a culpa ainda é de Passos Coelho. Andamos todos distraídos e ele é que governa há quase 6 anos. Os resultados de António Costa, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa são de molde a deixar—nos todos esfuziantes de alegria. Na economia, no emprego, na exclusão social, na justiça, na educação, no combate à corrupção, na saúde....
PS: Se quiser releia o discurso de Costa a convidar os professores à emigração. Quando for ao banco pedir crédito não se esqueça de dizer que não tenciona pagar. Saudações democráticas.
Sem imagem de perfil

De Pedro a 25.01.2021 às 17:42

" Afinal a culpa ainda é de Passos Coelho."
Eu não disse isso. O que eu disse é que P. Coelho aparecia a muitos eleitores como estando a dizer "não votem em mim".
As palavras dele que cito acima parecem-me muito estranhas num político experiente.
Sem imagem de perfil

De João Gil a 26.01.2021 às 10:39

Todos os políticos têm tiradas infelizes. Passos Coelho teve um discurso realista. O povo não gosta da verdade mas precisa de a ouvir. Desanimador foi termos sido levados a uma bancarrota e a uma intervenção externa. É certo que PPC podia ter evitado alguns disparates. A dos feriados é óbvia, mas de resto andou a colar o país em cacos deixado por Sócrates, Costa, Vieira da Silva e Teixeira dos Santos...e em 4 anos tirou-nos a Troika de cá de dentro. Eu, por exemplo, acho que quer Passos quer Costa fizeram muito bem em incentivar os professores a procurarem oportunidades de emprego lá fora e em dizer-lhes que o mercado de trabalho é global. Para já porque há dezenas de milhar de professores a mais. Depois porque quando se tem 400.000 ou 600.000 desempregados é boa ideia dar corda aos sapatos e as pessoas fazerem-se à vida. Os resultados à data de hoje da governação dos últimos 6 anos são bem o retrato do Diabo anunciado por Passos Coelho. O Diabo é que ele tinha mesmo razão. Bastou Passos Coelho sair de cena e deu-se uma ascensão imediata do CHEGA. Não foi Passos Coelho quem empurrou o PSD para a direita do espectro político. Foi o contrário. Foi a ausência de Passos Coelho que proporcionou a ascensão de uma força como o CHEGA e uma figura como André Ventura. Quando o PS fez do PSD um inimigo político com quem se recusa a conversar sequer e preferiu a aliança com a esquerda radical e social fascista que o apoiou apenas para conquistar um poder que não tinha ganho pelo voto, criou o espectro político que hoje temos e alimentou e fomentou a radicalização à direita. Este é verdadeiramente o contributo do PS dos últimos anos para a democracia em Portugal e o que explica os resultados destas presidenciais. E este é que é o ponto que quero salientar. O CHEGA e André Ventura podem ser órfãos do PSD, mas são bem filhos do PS. Saudações democráticas
Sem imagem de perfil

De Vento a 25.01.2021 às 11:13

Este postal passará à posteridade complementado com o toquezito celestial que desde já desenho:

1 - Se Marcelo tivesse feito anteriormente e durante o primeiro mandato o discurso que fez pós vitória, eu teria votado nele e acreditaria em suas boas intenções e até mesmo em sua capacidade e vontade para alterar a arregimentação da messe em que se tornou Portugal.
Marcelo ganhou, e com sua vitória provou que existe um eleitorado bem arregimentado na nação que não se importa com o destino do país desde que lhe toque algum , a saber: funcionários públicos e partidários, onde se incluem estruturas judiciais, militares e paramilitares e sanitárias, reformados e pensionista com medo de perderem a garantia do seu trabalho, incluindo aqueles e aquelas que o tenham executado mal, os lóbis pequeno-burgueses e de uma burguesia caduca e inoperante que vive de subsídios e colocações e, finalmente, também os esperançosos que lhes possa tocar algum.

2 - Os abstencionistas são aqueles que contrariam o falso discurso de que votando são eles a escolher o caminho. No quadro de arregimentação em que vive a nação são sempre os arregimentadores a escolher o caminho quer se vote ou não.

3 - Ana Gomes teve votos. Porém nada fará com eles senão mostrar que existe uma ala do PS de incomodados e que, no quadro eleitoral, não se sobrepõem aos outros que votaram no Celito.

4 - Mayan mostrou que existe um norte (região) que pretende empreender e se sente abafado por uma região rural onde também o sector empresarial arregimentado, por isto mesmo, contribui para o sufoco destes outros.

5 - André Ventura veio para ficar pelo menos por uma década e sempre a subir. Provou que é possível quebrar amarras e arregimentações e que existe uma população que não se deixa intimidar por discursos glicodoces, xenófobos e moralistas contra si mesma. Neste sentido um dos mentores da moral enviesada, Ricardo Araújo Pereira e as empresas de sondagem, engoliram os sapos que soltaram.

6 - Os partidos neofascistas, feministas, abortistas, eutanasianistas e reaccionários - o PS e o BE - são os grandes derrotados. O PS com Costa, que é habilidoso e encosta-se a boleias, quando sentiu que o tapete lhe fugia fez o que CDS fez: encostou-se a Marcelo, mas à porta da auto-europa para falsamente fazer pensar que esta sua iniciativa ajudaria a reeleger o presidente.
Marcelo ganharia com ou sem Costa e este ultimo vai de carrinho.
A derrota do BE serviu no mínimo para que Catarina Martins ontem aparecesse admiravelmente maquiada, dando a ideia que começa a transitar das feminices para o feminino.
Porém louve-se o esforço de Marisa.

Com sete são os pecados capitais, concluo:
7 - Os líderes do PCP necessitam de um líder.

Um viva ao melhor presidente do mundo: Viva Trump.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 25.01.2021 às 11:20

A sua análise às eleições presidenciais é típico de alguém que mete o futebol à frente dos interesses do país. Viu isto como um jogo entre Benfica e Porto. Depois para piorar a sua analise vem chamar às pessoas do interior de burras e estúpidas, presumindo que são menos inteligentes e espertas do que as do litoral... haverá maior racismo e xenofobia do que isso?
Já vi que André Ventura não o deixou dormir, experimente a vir para o Alentejo e verá que há mais pessoas que não conseguem dormir, mas estas por causa de ciganos e afins que andam de Mercedes e BMW's e não fazem a ponta dum corno!
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 26.01.2021 às 14:34

'Ciganos e afins de Mercedes e BMWs e não fazem a ponta dum corno',
Quem são os afins?

Comentar post


Pág. 1/2



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2021
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2020
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2019
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2018
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2017
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2016
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2015
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2014
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2013
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2012
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2011
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2010
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2009
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D