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Celo de Sousa

por jpt, em 08.01.19

marcelo_rebelo_de_sousa.jpg

A seguir a Sócrates, Celo de Sousa é o político de expressão nacional que mais abomino no rincão. Ou seja, o que julgo pior fazer ao país. Sim, pior do que os corruptores siameses Campelo/Portas, ou o insuportável Louçã, o stôr Nogueira ou o "florentino" (as known as filhodamãe) Augusto Santos Silva. Ainda assim surpreende-me a baixaria (e é difícil que um PR que muda em cuecas em público possa baixar mais baixo) a que ascendeu esta semana passada. A minha atenção para o facto é convocada por um comentário aqui no DO. Na mesma semana em que, em verdadeiro delírio popularucho, telefona em directo para a estreia de um programa de entretenimento televisivo - certo, a apresentadora é uma balzaquiana interessante, mas menos apetecível do que a do concorrente "Praça da Alegria", já que o assunto é convocável -, os serviços de Celo de Sousa esqueceram o falecimento de Joaquim Bastinhas, figura relevante da cultura nacional. Googlei e confirmei. Bastinhas, exímio cavaleiro, e genro do incontornável Comendador Nabeiro (que tive a honra de conhecer em Maputo, quando integrou uma comitiva de um predecessor de Sousa), era uma figura popular e expoente de uma prática cultural tradicional portuguesa. Se fosse um futeboleiro Sousa iria abraçar a sua prole. 

Mas o BE resmunga? O PAN protesta? Celo cala-se. E telefona à "Cristina". O povo, em especial os seniores, demente ou proto-demente, rejubila. Os outros? Já lá não estão.

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27 comentários

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De João Sousa a 08.01.2019 às 16:52

Marcelo que, relembremos, publicou uma nota de pesar pela morte de George Michael.
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De jpt a 08.01.2019 às 21:30

Sim, bem lembrado, um despautério total
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De Sarin a 08.01.2019 às 16:58

Acabei de lançar um postal dizendo que, apesar das falhas e omissões, poderíamos estar muito mais mal servidos. E penso-o genuinamente, entre tanto populismo o de MRS é, talvez também pela limitação do cargo, perfeitamente inócuo quando comparados os panoramas internacionais.

O jpt reclama da omissão de condolências por Joaquim Bastinhas, grande cavaleiro tauromáquico e digníssimo cidadão, ao que é público. Concordo. Já em Julho reclamei destas desatenções, então pela falta de medalhas e comendas a campeões europeus de modalidades menos nobres do que o futebol ou o europeu cançonetismo - mas muito mais meritórias porque praticadas diariamente e contra vontade, que as incapacidades são determinantes mas tais atletas superam-nas.

A atenção do Primeiro Cidadão vale o que vale. É um copo meio.

Sobre Bastinhas, morreu um homem, e isso seria o bastante para silenciar vozes idiotas que confundem o homem e a sua obra. Mas morreu também um artista, um dos melhores na sua arte - que, concordemos ou abominemos, é uma arte exclusiva da península que partilhamos. E este facto mereceria uma nota oficial de condolências.
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De jpt a 08.01.2019 às 21:34

Eu não julgo que a presidência deva multiplicar-se em pêsames. E creio que a gravitas é necessária e implica silêncio - e ainda mais face à morte. Mas Sousa pensa de modo contrário, e tem uma verborreia tal que se torna cobrável pelos silêncios (escassos) pelos quais opta. Neste caso é bem denotativo do cata-vento que procura ser. E é.
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De Sarin a 08.01.2019 às 22:09

jpt, a minha afirmação sobre o merecimento de umas linhas oficiais resulta apenas de exigir coerência ao inconstante Chefe de Estado, que tão depressa apela ao sentido de Estado como o esquece e beija a mão de outro Chefe de Estado em nome de uma muito sua obediência espiritual.

Pessoalmente, e para choque de muitos amigos e familiares, cultivo a memória dos mortos mas não o culto dos seus restos.
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De Vorph Valknut a 09.01.2019 às 08:11

Pessoalmente, e para choque de muitos amigos e familiares, cultivo a memória dos mortos mas não o culto dos seus restos.

Grande frase
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De Anónimo a 08.01.2019 às 17:26

Acalme-se.
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De jpt a 08.01.2019 às 21:30

Já tomei a medicação, obrigado
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De Bea a 08.01.2019 às 18:10

Não detesto o presidente da república portuguesa. A bem dizer, gosto dele. O que não significa concordar com tudo o que faz na qualidade de presidente. E é isso que critico. O Marcelo pessoa particular pode ter os seus gostos e ligações - em particular; o Marcelo presidente devia ser mais sensato porque, enquanto tal, e embora não deixe de ser pessoa, representa o país. Parece-me insensatez. Porque não quero pensar que esteja a idade a pesar-lhe nas meninges.

Mas não vejo razão para esse apontar de lança a tanto político; assim por junto, até parece não gostar de nenhum.
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De jpt a 08.01.2019 às 21:28

Bea obrigado pelo comentário. Sobre o que diz do PR dialogarei em comentário abaixo, respondendo a um muito infeliz comentário de um comentador residente - que não publicarei - que pessoaliza a questão.
Sobre o que refere de aparentar eu não gostar de nenhum político: eu blogo há muitos anos, ainda que no DO há apenas um ano e tal. Volta e meia dá-me para botar sobre política portuguesa. De cada vez que o faço não poderei (poder até posso mas tornar-se-ia redundante e fastidioso) explicitar sobre quem tenho boa opinião. Mas posso convocar os tais anos para refutar essa aparência: sim, Campelo foi o homem que Portas usou para uma fraude parlamentar, um acordo parlamentar não assumido. Foi uma violação do espírito da constituição, uma trapalhada anti-democrática. E o PR que o aceitou (depois de muito hesitar, pois sabendo do que se tratava) deveria ter sido impugnado (a la Brasil) por ter conscientemente violado a constituição que estava convocado a defender. Louçã é o que é, Sócrates idem e o stôr Nogueira é a comprovação da degenerescência do sindicalismo. É a minha opinão, posso estar errado. Mas nunca me viu escrever "mal" - ainda que possa ter discordado ou discordar agora - de Guterres, Soares, Passos Coelho, Ribeiro e Castro, Adriano Moreira, Jerónimo de Sousa ou Seguro. Ainda recentemente aqui louvei Mesquita Nunes - na expectativa que venha a ser uma alternativa viável - e na altura das eleições presidenciais aventei a hipótese (não estava no DO então) de votar em Marisa Matias. E por aí adiante. Agora o panorama actual está, em termos de poder, muito poluído (PS e o roblesismo) e fragilizado (Rio é Rio, Cristas afinal não ascendeu, o PCP moribundo). A gente vai dizer bem de quê?
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De jpt a 08.01.2019 às 21:49

(e já agora, quando o General Ramalho Eanes assoma eu ponho-me em sentido)
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De Luís Lavoura a 09.01.2019 às 11:10

Campelo foi o homem que Portas usou para uma fraude parlamentar, um acordo parlamentar não assumido. Foi uma violação do espírito da constituição, uma trapalhada anti-democrática

Não houve nem violação do espírito da constituição nem trapalhada anti-democrática (se houve acordo parlamentar não assumido, não sei, mas aceito que é possível que tenha havido, talvez o jpt tenha informações fidedignas nesse sentido). Um qualquer deputado é livre de votar como quiser, com justificações verdadeiras ou falsas. Se os deputados do CDS, ou somente um deles (Campelo), decidem votar a favor de um governo do PS, mesmo que dêem justificações falsas para o fazerem, são livres disso. Não violam a constituição nem a democracia ao fazê-lo.
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De jpt a 09.01.2019 às 13:50

Luís Lavoura sendo V. muito picuinhas (uso a sua auto-definição) conviria manter o registo. Eu não disse que os homens violaram a constituição, disse e digo que violaram o espírito da constituição. Aquilo? Foi um acordo parlamentar clandestino, uma vergonha.
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De Luís Lavoura a 09.01.2019 às 11:13

nunca me viu escrever "mal" de Passos Coelho

Passos Coelho fez muitíssimo pior que Campelo, pois fez no governo exatamente o oposto daquilo que quando estava em campanha eleitoral disse que faria. Campelo nunca disse em campanha eleitoral que não votaria a favor de um governo do PS (como Cristas atualmente anda a dizer). Passos Coelho disse em campanha eleitoral que seguiria uma política e, uma vez chegado ao governo, seguiu outra política totalmente distinta.
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De jpt a 09.01.2019 às 13:52

OK; É a sua opinião, legítima. A comentadora Bea disse-me que parecia que eu disparava sobre todos os políticos. Elenquei um conjunto, bastante abrangente, de políticos sobre os quais nunca me viram nem a disparar nem a preparar-me para tal. Poderei concordar ou não, mas isso é outra coisa.
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De Luís Lavoura a 09.01.2019 às 11:15

O PCP não está moribundo. Quero dizer, está a morrer, mas muitíssimo lentamente. Comparado com outros partidos por essa Europa fora, que morrem praticamente no espaço de uma legislatura (por exemplo, o PS francês), o PCP definha, sim, mas lentissimamente. Ainda demorará muito tempo a morrer.
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De jpt a 09.01.2019 às 13:53

Acamado e ligado à máquina? Ok.
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De Bea a 09.01.2019 às 14:01

Quem sabe tem razão nos seus pruridos com os políticos. Comungo do seu mau estar com a maioria dos que citou. Mas quando ninguém presta sinto-me muito desconfortável e, quem sabe seja por isso que construo a fantasia de os não conhecer a todos e supondo que há-de haver alguns políticos verdadeiros, que são homens e mulheres como outros quaisquer, mas na política são ouro de lei.
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De jpt a 08.01.2019 às 21:43

Luís Lavoura você mete aqui um comentário, pessoalizando a questão, com insinuações sarcásticas sobre mim. Apago-o. Mas como você é um comentador residente explico-lhe porquê: as caixas de comentários são espaços conversacionais, que poderiam (de facto, deveriam poder, o que não acontece devido à acidez de muitos anónimos comentadores) ser traduzidos em conversas reais. Ora numa conversa real, face-a-face, se você me "amandasse as bocas" que manda no seu comentário eu responder-lhe-ia da única forma que lhe é devida: com os palavrões peludos que a sua aleivosia convoca. Como eu me prometi não botar palavrões nos blogs fica assim encerrada a temática.

Sobre Sousa, a questão é simples: quem sabe um pouco de história percebe que o seu projecto não é mais do que a actualização do projecto marcelista desempenhado pelo seu pai, Rebelo de Sousa, de encenação de afectos públicos, um vero populismo, para obstar aos evidentes conflitos sociais e às necessárias e urgentes transformações sociais, políticas e económicas. É um projecto reaccionário (no velho sentido do termo), culturalmente pernicioso e despolitizador. Com a agravante de que Baltasar Rebelo de Sousa era um Senhor, digníssimo, respeitabilíssimo. E que o seu filho é apenas isto que vamos vendo - e daí o título do postal.
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De Vorph Valknut a 09.01.2019 às 08:30

A relação do actual presidente com o "povo" , caracteriza-se por um certo paternalismo de antanho... Marcelo, Presidente e Líder, Casado, pela Santa Madre Igreja, com o Povo de Portugal.


«Vós pensais nos vossos filhos, eu penso nos filhos de todos vós».


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De Vorph Valknut a 09.01.2019 às 11:55

Características do Populismo:

1- Líder carismático e mediático;
2- Necessidade de conquistar a confiança das grandes massas;
3- Diálogo simples, directo, emotivo e por isso popular entre o governante e o povo;
4- "Omnipresença" nos meios de comunicação social (rádios, jornais, revistas, emissoras de televisão, redes sociais e etc), ou por permanentes deslocações ("presidências abertas") pelo país - com vista à satisfação dos pontos 1 e 2.
5- No Populismo de Direita existe ainda uma vincada vertente moral, assente nos valores consagrados pela santa igreja romana.

Marcelo Rebelo de Sousa, é o primeiro Presidente populista após Sidónio Pais. O Populismo de Marcelo, embora, inócuo (até hoje) de um ponto de vista ideológico, não o é do ponto de vista simbólico, por dois motivos:
O primeiro, porque sendo o "presidente de todos os portugueses", o actual Presidente ao relacionar-se submissa e devotamente com algumas instituições religiosas (Igreja Católica), através das suas figuras de Poder (Papa), contraria a Constituição Portuguesa, à qual prometeu obediência e cumprimento (artigo 4º). Ora sendo Portugal um Estado não confessional, e sendo o Presidente, Chefe do Estado, são despropositados, ilegítimos, os seus comportamentos piedosos, minoradores, no plano real e simbólico, da Constituição e do próprio Estado. Antes de ser homem, Marcelo é Presidente, sendo por essa razão que lhe estão consagrados poderes únicos (ex: declarar a guerra).

O segundo motivo relaciona-se com o perigo contido nesta forma de fazer política. Uma política que usa emoções, "afectos", na condução do seu magistério. Cria-se, assim, um zeitgeist, um clima cultural e ideológico que aceita, com normalidade, esta forma de governo (no sentido de condução política). Uma forma de condução política que poderá ser aproveitada, usada por lideres vindouros, ou inclusivamente pelos actuais, com uma maior toxicidade social e ideológica.

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De Justiniano a 09.01.2019 às 14:49

Queria, caro jpt, enaltecer isto, que aqui brilhantemente resume, "..para obstar aos evidentes conflitos sociais e às necessárias e urgentes transformações sociais, políticas e económicas."
É, sobretudo, isso.
E ao invés de se revelarem os verdadeiros conflitos, encenam-se as farsas de sempre da aristocracia de turno!! E todos aplaudem a qualidade dos ensaios, as vozes em coro, a fotografia e os efeitos especiais!!
E louvam-se aos deuses pela qualidade institucional da coisa!!
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De Justiniano a 09.01.2019 às 11:17

Verdadeiramente trágico!! Já Camões advertia para o fraco Rei que faz fraca a forte gente!!
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De jpt a 09.01.2019 às 13:55

Aqui entre nós, que ninguém nos ouve, é mais patético do que trágico.
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De Justiniano a 09.01.2019 às 14:35

Trágico, sobretudo, porque patético! Os antigos designavam esta coincidência de grotesco!! Eu, como sou um sentimental, fico-me pelo trágico!!
Um bom ano, caro JPT!!

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De Justiniano a 09.01.2019 às 15:05

Porque patético, é tragédia anunciada!!

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