Cavar na trincheira, cada vez mais fundo

«Precisamos de uma esquerda moderada que não almoce com passistas.» Frase do quase-incógnito candidato presidencial do partido Livre, Jorge Pinto, em entrevista ao Jornal de Notícias e à TSF. O matutino do Porto destaca-a como título da sua primeira página.
Se isto é a "nova esquerda", prefiro a velha. Essa, ao menos, já a conhecíamos. A nova, tal como a velha, adora assinalar virtudes. E proclamar a suposta superioridade moral do seu hemisfério. E - pior que tudo - insiste em policiar quem almoça com quem. Se Fulano é visto a "almoçar com passistas" - supremo pecado - logo é brindado com mais um rótulo pejorativo, mais um anátema, mais uma excomunhão.
Francamente, deixou de haver paciência para esta gente que insiste em olhar o mundo segundo a lógica das trincheiras tribais. Gente ainda jovem no bilhete de identidade, mas profundamente anquilosada nas ideias. Só porque uns filósofos de séculos recuados assim ditaram - como diz, cheio de razão, o Sérgio Sousa Pinto. Um dos tais homens de esquerda que aprecia "almoçar com passistas" - ou quaisquer outros que não pensem como ele, desde que saibam usar garfo e faca.
Porque é da divergência que nasce a luz, algo que o candidato presidencial Pinto parece não saber nem sequer sonhar.

