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Cartas de amor

por Helena Sacadura Cabral, em 31.10.16
Acabei hoje de ler as cartas de Mitterrand a Anne Pingeot, mãe da sua filha Mazzarine, agora uma mulher de 41 anos. São centenas de epístolas que revelam o lado mais privado do homem que ocupou o mais alto cargo político na França.

A intimidade, quando revelada, tem sempre o duplo efeito de nos fazer participar de algo que não vivemos. E se, neste caso, isso pode ter um lado algo perverso, visto que se trata de um triângulo amoroso, noutras circunstâncias pode ajudar a compreender melhor alguém de quem só conhecemos o lado público.

Anne Pingeot e François Mitterrand apaixonaram-se no começo dos anos sessenta. Nessa altura o político francês tinha 46 anos, era casado e pai de dois filhos, e ela tinha 19. Anne tornar-se-ia - nas próprias palavras de François - não apenas a sua amante, mas a mulher da sua vida. 

Esta relação intensa e de enorme cumplicidade só se tornou pública em 1994, quando a revista Paris Match publicou fotografias do então Presidente da República a sair de um restaurante parisiense com a filha de ambos, Mazarine, nessa altura com 20 anos. Este “escândalo mediático” para a época foi, até então, bem protegido pela comunicação social que o conhecia desde há muito.

E se é verdade que Pingeot terá sofrido pelo silêncio que a rodeou e à sua filha, seguramente que a mulher oficial, Danielle, e os outros filhos não terão sofrido menos, já que chegaram a habitar em lados opostos no Eliseu.

O livro "Lettres à Anne", que saiu há cerca de quinze dias em França, deixou-me uma sensação estranha, que pouco tem que ver com conceitos morais – embora eles existam – mas que tem mais a ver com o homem e o conceito de família que estão por detrás daquelas cartas.

De facto, se esta mulher era assim tão importante, porque é que ele se não divorciou da primeira? Se esta filha foi o fruto desse imenso amor, porquê esconde-la tanto tempo dos olhares públicos? E porque é que todas estas personagens aceitaram desempenhar um papel que apenas Mitterrand impunha? Finalmente, o que leva Anne Pingeot a publicar agora estas missivas, quando o seu amor morreu há vinte anos e a sua rival há cinco?

Estas são para mim as perguntas mais inquietantes. Da resposta a qualquer delas depende, afinal, a ideia que façamos dos diversos intervenientes nesta história.

Que foi uma impressionante história de amor, parece evidente. Mas que tipo de poder tinha este homem para que ela se tenha desenrolado deste modo?!

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26 comentários

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De Luís Lavoura a 31.10.2016 às 10:53

chegaram a habitar em lados opostos no Eliseu

Muito similar aos muçulmanos de um país da África Ocidental, que vivem numa cubata rodeada pelas cubatas de cada uma das suas mulheres.

Miterrand era, ao fim e ao cabo, muito similar a um polígamo muçulmano.

se esta mulher era assim tão importante, porque é que ele se não divorciou da primeira?

Possibilidade de resposta: porque a respeitava como mãe de dois dos seus filhos. Porque queria ter os seus filhos perto dele e porque queria ter a mãe deles perto deles também. Parece-me uma atitude correta de um pai que respeita os seus filhos e a mulher que os gerou.

Se esta filha foi o fruto desse imenso amor, porquê esconde-la tanto tempo dos olhares públicos?

Esse foi sen dúvida um erro muitíssimo condenável. Tal como o polígamo muçulmano, Miterrand deveria ter assumido.

o que é que leva Anne Pingeot a publicar agora estas missivas, quando o seu amor morreu há vinte anos e a sua rival há cinco?

Não tem que ser rival. São somente duas mulheres de um homem. Não há necessariamente desejo de exclusividade.

O que a leva a publicar as missivas é, simplesmente, o desejo de fama, poder e dinheiro. Os mesmos motivos que fazem mover a humanidade em geral...
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De Helena Sacadura Cabral a 31.10.2016 às 15:39

Caro Luis Lavoura
Falta responder a duas
1. porque é que todas consentiram?
2. que espécie de poder tinha ele sobre elas para que isto acontecesse?
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De Luís Lavoura a 31.10.2016 às 15:45

porque é que todas consentiram?

Possivelmente (eu não estou na cabeça delas, claro!) porque o palácio do Eliseu era muito confortável. Porque gostavam de lá viver. Porque apesar de tudo viviam lá melhor do que se estivessem sozinhas num apartamento qualquer no meio da cidade.

que espécie de poder tinha ele sobre elas

Tinha o poder de ser presidente da República e de lhes poder oferecer residência no palácio do Eliseu, com as mordomias daí decorrentes e algum bom prestígio.

Para a "amante", era preferível curvar-se à vontade dele e viver no Eliseu do que viver num apartamento algures, onde só seria visitada por ele de vez em quando. Para a "esposa", idem aspas.
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De Helena Sacadura Cabral a 02.11.2016 às 09:26

Ou seja, do seu ponto de vista, as histórias de amor encerram, sempre, um lado utilitário. É capaz de ter razão. Mas então preferia não lhes chamar "histórias de amor"...
Julga mesmo que o "poder" exerce sobre as mulheres um efeito afrodisíaco? Aqui permito-me discordar de si. Para algumas o efeito é justamente o contrário e fogem dele como diabo da cruz!
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De Luís Lavoura a 02.11.2016 às 09:45

do seu ponto de vista, as histórias de amor encerram, sempre, um lado utilitário

"sempre"???!!! Eu não disse nada sobre "sempre"!!!

Eu apenas aventei hipóteses sobre o comportamento daquele homem e daquelas mulheres, pessoas que jamais conheci. Puras hipóteses sobre o comportamento de três pessoas. Não afirmei nem que essas hipóteses fossem verdadeiras nem, muito menos, que todas as pessoas, sempre, se comportassem de acordo com elas.

Julga mesmo que o "poder" exerce sobre as mulheres um efeito afrodisíaco?

Sobre algumas exerce. Sobre outras, não.
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De Helena Sacadura Cabral a 02.11.2016 às 16:33

Tem razão. Não usou a palavra "sempre". Admitamos, então, que neste caso, ele existiu o que confesso, retira algum brilho à história de amor...
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De Luís Lavoura a 31.10.2016 às 15:52

A Helena deve perceber que a comparação que eu fiz entre Miterrand e um polígamo qualquer do Mali ou do Burkina Faso é uma comparação bem real. Nesses países, milhares de mulheres (e os seus filhos) vivem numa situação perfeitamente idêntica à das duas mulheres de Miterrand: vivem em cubatas que pertencem ao, e rodeiam a cubata do, polígamo. E elas aceitam isso pelas mesmas razões que as mulheres de Miterrand o aceitaram. Nada há de anormal nem de irracional na opção delas. É melhor ser uma das mulheres de um polígamo e viver no conforto, so que ser apenas uma das amantes de um homem. É melhor viver no palácio, onde o polígamo nos visita todos os dias, do que viver algures no meio da cidade, onde o amante só nos visita de 3 em 3 dias. É melhor saber que os filhos interagem com o pai todos os dias, do que saber que eles só o vêem de 3 em 3 dias.
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De Helena Sacadura Cabral a 02.11.2016 às 09:31

E se a história fosse a inversa? Se fosse a mulher a polígama e dispusesse de vários homens, também achava racional a opção seguida? Não há aqui uma qualquer "pequena" diferença?
Veja só como trataram Datti quando ela entendeu não revelar quem era o pai da sua filha?!
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De Luís Lavoura a 02.11.2016 às 10:13

Peço desculpa, mas não me interessa estar a desviar a discussão sobre a poligamia de um homem (Miterrand) específico para uma discussão geral sobre a (des)igualdade entre os sexos.
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De Helena Sacadura Cabral a 02.11.2016 às 16:36

Nem a mim. Mas quando se fala de islamismo é difícil esquecer que os harens são dos homens.
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De lucklucky a 31.10.2016 às 19:05

Uma hipótese é que elas gostavam dele.
Outra que não exclui a primeira é que gostavam de estar perto do seu Poder e este só seria preservado mantendo o status squo.
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De Cristina Torrão a 01.11.2016 às 19:33

«Porque queria ter os seus filhos perto dele e porque queria ter a mãe deles perto deles também. Parece-me uma atitude correta de um pai que respeita os seus filhos e a mulher que os gerou».
Correta?
Correto seria respeitar os três filhos da mesma maneira! Porque respeita dois filhos mais do que um outro (neste caso, outra?). Porque respeita uma mãe mais do que outra? Só por uma delas ser casada com ele? Moral de pacotilha! Se se tivesse divorciado para casar com Anne Pingeot, passava a respeitar a outra mãe e a outra filha.
Conclusão: não vejo sentido nesta sua hipótese de resposta.
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De Luís Lavoura a 02.11.2016 às 09:27

A Cristina tem razão. Mas isso são as consequências inevitáveis de vivermos numa sociedade na qual a poligamia não é permitida.
Miterrand era um polígamo. Mas vivia numa sociedade na qual a poligamia é proibida. Portanto, ele teve que se esquivar. Teve que manter uma mulher "oficial" e outra "não oficial". Idem em relação aos filhos: havia os legítimos e a ilegítima. Ele teria provavelmente gostado de tratar as duas mulheres da mesma forma e os três filhos da mesma forma, mas a sociedade não lho permitia.
Neste ponto a religião muçulmana é muito mais realista do que a cristã. Aos muçulmanos a poligamia é permitida, mas é-lhes imposto que tratem todas as mulheres em pé de igualdade. Que é como deve ser.
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De Helena Sacadura Cabral a 02.11.2016 às 16:40

Sabe bem que não é exactamente assim. No harém há hierarquias. A primeira mulher não é igual às outras. Mais, se tiver filhos até toma conta das outras.
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De Cristina Torrão a 02.11.2016 às 18:24

Estudos que se têm feito recentemente mostram que as mulheres teriam mais tendência à poligamia do que os homens, se aquela lhes fosse permitida. Costumam ser as mulheres que mais depressa se cansam de sexo só com um parceiro, pode ser essa a razão porque muitas mulheres inventam mil desculpas na cama (a dor de cabeça e assim). Não se trata de não gostar de sexo, mas de não gostar de sexo sempre com o mesmo homem. Vem de tempos remotos, em que as fêmeas procuravam os melhores machos para acasalarem e a variedade assegurava melhor descendência. Isto, claro, é ainda um assunto tabu.
A sociedade é machista, mas numa coisa dou-lhe razão: as mulheres cooperam (como cooperaram estas duas senhoras). Não porque gostem, mas porque assim foram educadas. Isto aplica-se igualmente às sociedades islamitas.
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De singularis alentejanus a 31.10.2016 às 18:10

Miterrand foi um político. Como tal, por vezes teve que dizer que o preto era branco e vice-versa. A partir daqui tudo pode acontecer.
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De Helena Sacadura Cabral a 02.11.2016 às 09:33

Ele sim era político. Mas as mulheres, ou pelo menos Pingeot, não o era...
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De Vento a 01.11.2016 às 01:33

Bem, Helena, isto tem resposta simples, protegeu-a do olhar público porque a relação só agora, ou no momento que assinala, se tornou pública. A ideia era que a relação se mantivesse privada.
Mais, que tipo de poder tinham os homens cujas relações, e os filhos ou filhas dessas relações, se mantiveram secretas até mesmo depois de sua morte? O poder da moral que impedia de os tornar livres e aos que geraram.

Aliás, é a Helena que refere a existência desses conceitos morais, assim: "O livro "Lettres à Anne", que saiu há cerca de quinze dias em França, deixou-me uma sensação estranha, que pouco tem que ver com conceitos morais – embora eles existam –".

Eu fui sempre contra os triângulos amorosos. Mas sou mais liberal no que respeita a um pentágono ou hexágono amoroso. Pelo menos é mais abrangente e exclui menos pessoas.
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De Cristina Torrão a 01.11.2016 às 19:50

«E porque é que todas estas personagens aceitaram desempenhar um papel que apenas Mitterrand impunha?»
Parece-me que a pergunta se põe apenas a Anne Pingeot e à sua filha. É óbvio que a família "oficial" nada faz para revelar um caso destes, costuma ser assim, seria uma grande exceção se a esposa de Mitterrand, ou algum dos seus filhos do casamento, fizesse alguma coisa para revelar a verdade.
O facto de Anne Pingeot e a sua filha terem obedecido aos desejos de Mitterrand só mostra que ainda nos encontramos numa sociedade muito machista. Penso ser essa a resposta mais óbvia.


«O que é que leva Anne Pingeot a publicar agora estas missivas, quando o seu amor morreu há vinte anos e a sua rival há cinco?»
Acho que ela aproveitou precisamente o facto de os dois já não estarem vivos para enfim revelar o que escondeu durante décadas, o que mostra que o escondeu contrariada. Era algo dentro dela que gritava por sair. Não condeno atitudes deste tipo. Evitou estragar a vida das pessoas, enquanto foram vivas. Estando mortas, tem o caminho livre.

Pola Kinski fez o mesmo, vários anos depois de o pai Klaus Kinski morrer: revelou os abusos sexuais que sofreu às mãos do progenitor, desde os cinco anos de idade. Não o conseguiu fazer enquanto ele foi vivo e, mesmo depois de ele ter morrido, hesitou muito, embora tivesse muita necessidade de gritar a injustiça e o sofrimento. O interessante (e maravilhoso, na minha opinião) nesta história é que a própria família a encorajou. Tanto o marido, como os filhos, sabiam a verdade e encorajaram-na a escrever o livro revelador.

Já agora, deixo o link onde falo sobre o caso Kinski:
http://andancasmedievais.blogspot.de/2015/10/a-face-oculta-dos-genios.html

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De Helena Sacadura Cabral a 02.11.2016 às 09:43

"Acho que ela aproveitou precisamente o facto de os dois já não estarem vivos para enfim revelar o que escondeu durante décadas, o que mostra que o escondeu contrariada. Era algo dentro dela que gritava por sair. Não condeno atitudes deste tipo. Evitou estragar a vida das pessoas, enquanto foram vivas. Estando mortas, tem o caminho livre."

Acha que em vida todas estas pessoas não sofreram? Acha que Pingeot e Danielle não estiveram sujeitas a sofrimento, ao perceber que Mitterrand não prescindia de nenhuma delas?
E se uma resolvesse por iniciativa própria sair daquele triângulo? O que faria Mitterrand? Iria a Tribunal pedir a regulação do poder paternal? Acredita nisso?
A publicação destas cartas agora, soa-me mais como um acerto de contas entre irmãos, que não aceitaram o papel que o Pai deles destinou à sua filha e sua mãe.
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De Cristina Torrão a 02.11.2016 às 12:44

Claro que sofreram! E muito! É isso que eu quero dizer, em relação a Pingeot, com «era algo dentro dela que gritava por sair». Ela sentiu necessidade de dar expressão ao sofrimento acumulado. Por isso, não entendo o seu comentário ao meu.

Claro que não acredito que Mitterrand fosse a Tribunal pedir a regulação do poder paternal!

Penso que a Helena não entendeu o que eu quis dizer. Talvez tivesse sido eu que me expressei mal, pois não consegui passar a minha mensagem.

E há outra coisa que não entendo. Eu não li o livro, mas no post, a Helena diz: «o é que leva Anne Pingeot a publicar agora estas missivas, quando o seu amor morreu há vinte anos e a sua rival há cinco?». Depreendo daqui que foi Anne Pingeot que publicou o livro. O que quer a Helena então dizer com «soa-me mais como um acerto de contas entre irmãos, que não aceitaram o papel que o Pai deles destinou à sua filha e sua mãe»?
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De Helena Sacadura Cabral a 02.11.2016 às 16:43

Porque foi Mazarine que funcionou como uma espécie de editora do livro, ajudando a mãe na selecção das cartas.
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De Cristina Torrão a 02.11.2016 às 18:26

Nada mais lógico e compreensível. Eu aplaudo!
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De gty a 03.11.2016 às 01:23

Posso recomendar-lhe a leitura ou releitura do "De l'amour" do Stendhal - no capitulo que ele dedica às amantes e as diferenças existentes nos diversos países?
Não vale a pena complicar o que é simples.
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De gty a 03.11.2016 às 01:11

Um livro que não lerei. Mitterrand era o epítome do político medíocre.
Quem ele não respeitou foi o Povo Francês que teve de pagar do seu bolso o preço da vigilância da filha e da amante.
Convirá saber-se que não é barato, mas que não é justo que as amantes e bastardos se vejam postos em perigo. Qualquer pessoa próxima de um político de um país sofre, objectivamente, um acréscimo de risco que pode ir do quase insignificante ao muito extremo - por isso, o presidente francês ter uma amante ou cinquenta - é um facto que qualquer francês poupado deve considerar e, por isso, conhecer, antes de votar.
Usei bastardo e favorita por terem sido designações oficiais para usar uma designação francesa: houve vários "grand bâtard" e o Elyseu sempre albergou favoritas à custa do erário público, desde Josefina)
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De Adolfo Correia da Rocha a 07.11.2016 às 17:25

Será que, se tal lhes fosse possível, a maior parte dos homens teria o seu harém de mulheres jovens? Será que, por ser uma situação altamente injusta para as outras fêmeas e os outros machos, tal só lhes é possível quando imposto pela força? Força física, moral, espiritual, monetária? Como um ditador, um líder religioso, um líder socialista?

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