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Cartão amarelo para Medina

por Pedro Correia, em 03.10.17

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Fernando Medina apareceu, já a horas tardias, na noite eleitoral com o sorriso que costuma ostentar em todas as estações do ano. Apesar de beneficiar da bem oleada máquina socialista e de ter contado na campanha com inesperados brindes propagantísticos da  Standard's & Poor e do Fórum Económico Mundial, o alcaide alfacinha (nado e criado no Porto) tinha muito menos motivos para sorrir do que Rui Moreira, que sem aparelhos partidários dignos de nota revalidou o mandato na Câmara Municipal do Porto, conseguindo desta vez maioria absoluta.

Com Medina foi ao contrário: o actual autarca herdou o cadeirão presidencial na Praça do Município dispondo de uma confortável maioria absoluta, obtida por António Costa em 2013, e acaba de dizer-lhe adeus: perdeu três vereadores e cerca de 10 mil votos neste escrutínio. Herdou 11, restam-lhe oito.

Passa a depender de outras forças políticas para gerir a câmara, perdendo terreno à esquerda e à direita: o CDS conquistou-lhe dois mandatos no executivo municipal e o Bloco de Esquerda - que apresentou um bom candidato, Ricardo Robles - ganhou o terceiro, passando enfim a ter representação na mais emblemática edilidade do País.

O eleitorado de Lisboa revelou-se sábio nestas escolhas. O cartão amarelo a Medina foi bem merecido. Porque tem gerido a capital muito mais em função de quem nos visita do que em função de quem cá vive ou aqui trabalha, deixando a pressão turística condicionar por inteiro o mercado imobiliário, sem correcções nem ajustamentos.

Sempre considerei que o actual presidente da câmara merecia ser desafiado por um adversário com sérias hipóteses de o derrotar nas urnas. Um adversário que o questionasse sobre o trânsito caótico, as obras intermináveis, os transportes entupidos, as derrocadas de prédios degradados, o parque habitacional caríssimo e cada vez mais inacessível para os lisboetas, a quantidade infindável de taxas e taxinhas.

O PSD, no entanto, abdicou de lhe dar luta, rendendo-se antes do confronto. Se houve algo imperdoável nestas autárquicas, por bandas do maior partido da oposição, foi precisamente isto.


8 comentários

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De Luís Lavoura a 03.10.2017 às 16:38

Sempre considerei que o actual presidente da câmara merecia ser desafiado por um adversário com sérias hipóteses de o derrotar nas urnas.

Sem dúvida que o Pedro sempre considerou isso. Mas não sugeriu a candidatura de ninguém (pelo menos neste blogue). Quem seria esse adversário miraculoso, isso o Pedro não nos diz. E eu não estou a ver quem pudesse ser.
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De Pedro Correia a 03.10.2017 às 16:48

Adversário "miraculoso"? É preciso ser muito crente nas virtudes beatíficas de Medina para considerar que só um milagre o arrancaria da Praça do Município. Logo ele, que não chegou lá por eleição mas por ter sido ungido na função pelo anterior titular.

Você anda muito distraído ao dizer que não sugeri ninguém. Deixei bem claro, no momento certo, qual era a opção correcta:
13 de Dezembro de 2016: «[Passos não deve] hostilizar o CDS a propósito das autárquicas, terreno que Assunção Cristas elegeu para consolidar a sua ainda incipiente liderança. PSD e CDS estão condenados por muitos e bons anos a ser parceiros eleitorais: todas as parcerias exigem cedências mútuas. Em 1593, o Rei francês Henrique IV reconverteu-se ao catolicismo, abjurando do protestantismo: "Paris vale bem uma missa", declarou na altura. Salvaguardadas as distâncias e as proporções, Lisboa bem pode valer um acordo eleitoral.»
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/o-cerco-8963563
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De Alain Bick a 03.10.2017 às 16:56

em 'ralação' à tripla vencedora
Pirro não faria pior
Cristas prepara uma faena de muleta
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De Shadows a 03.10.2017 às 17:11

Completamente de acordo. Fernando Medina teve a felicidade de o PSD ter abdicado das eleições em Lisboa e ter apresentado alguém que parece um boneco da Contra-Informação. :)
O CDS sobe bastante mas não o suficiente para arrancar o PS da autarquia, nesta fase em que está com a imagem mais recomposta depois do resgate.
Veremos quem vai dar a mão a Medina na gestão da câmara ou na aprovação de projectos.
À esquerda fiquei surpreso pela votação da CDU pois embora eloquente, João Ferreira mantém sempre aquele ar cisudo e monocórdico, pouco cativante.
Já o BE fez uma boa campanha para dar notoriedade ao seu candidato, que aliou uma boa prestação nos debates.
Veremos se alguém manterá a palavra quanto à péssima decisão de estender a linha Amarela do Metro até à Verde. A Linha Vermelha deve ser a prioridade, por exemplo.
Veremos, caro Pedro, que isto na política são piruetas e mortais como quem bebe copos de água.
Abraço
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De Luís Lavoura a 04.10.2017 às 09:41

quanto à péssima decisão de estender a linha Amarela do Metro até à Verde

Não sei a que decisão se refere, mas faço notar que o Metro pertence ao Estado central, não pertence à Câmara de Lisboa, e é o Estado central quem decide estendê-lo ou não o estender, quem paga as obras, e quem paga o funcionamento.
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De Shadows a 04.10.2017 às 11:21

Caro Luis, só um ingénuo é que acha que a expansão do Metro é feita pelo Governo à revelia da CML, ou dito de outra forma, decidido por António Costa sem articular com Fernando Medina. Aliás, o próprio Medina frisou isso num dos debates quando falou na necessidade de equidade nos gastos entre a expansão do Metro em Lisboa e no Metro do Porto.

As implicações políticas disto são distintas das necessidades do Metro de Lisboa e dos lisboetas. A expansão da Linha Amarela para o CS não acrescenta nada, enquanto que o projecto anunciado e entretanto "desanunciado" no próprio dia quanto à Linha Vermelha é essencial.
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De Pedro Correia a 04.10.2017 às 22:23

Como é evidente, a Câmara de Lisboa tem uma palavra decisiva sobre as linhas do metro. O contrário seria pressupor que o autarca alfacinha (nado e criado no Porto) é incompetente.
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De Luís Lavoura a 04.10.2017 às 11:51

Um adversário que o questionasse sobre o trânsito caótico, as obras intermináveis, os transportes entupidos, as derrocadas de prédios degradados, o parque habitacional caríssimo e cada vez mais inacessível para os lisboetas, a quantidade infindável de taxas e taxinhas.

Curiosamente, creio (não acompanhei a campanha com muita atenção, mas pareceu-me) que boa parte destes assuntos pura e simplesmente não foram focados durante a campanha por nenhum dos adversários de Medina.

E é compreensível. Os concorrentes à Câmara sabem que Lisboa é hoje sobremaneira habitada por pessoas pobres e idosas. Essas pessoas não andam de carro, portanto o trânsito caótico e as obras não as ralam muito. Essas pessoas preocupam-se sobretudo com a habitação social, com as rendas antigas, e com os transportes públicos, sobretudo os autocarros. E foi nesses temas que, de facto, a campanha se focou. Problemas como o trânsito entupido ou o metropolitano dizem mais respeito às classes altas e pessoas mais jovens (yuppies), mas essas habitam em concelhos que não Lisboa.

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